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09.03.2010 / 13h00
Mohammad Shakouri, Vice-Presidente do WiMax Forum
autor: mauro
Mohammad Shakouri é Vice-Presidente Corporativo da Alvarion e Vice-Presidente do WiMax Forum, entidade que advoga a favor da tecnologia WiMax, reunindo empresas do mundo todo. Conversamos com ele durante o Mobile World Congress 2010, em Barcelona, poucos minutos depois de termos conversado com Erasmo Rojas, Diretor da 3G Americas Latin America. Com essas duas entrevistas, podemos entender um pouco mais a respeito da implementação de banda larga móvel no Brasil e como anda o cenário mundial e as novas tecnologias a serem adotadas. O WiMax móvel é uma tecnologia promissora, com diversos dispositivos voltados à conectividade do usuário final (alguns deles nos foram apresentados por Shakouri após a entrevista, como vocês podem ver nas fotos), mas será que um dia chegará por aqui? Fique sabendo na entrevista abaixo.Poderia explicar um pouco sobre a tecnologia WiMax para nossos leitores?
Eu penso que o principal para se pensar quando falamos de WiMax é a questão da banda larga. Em países como o Brasil e muitos outros, não há infra-estrutura suficiente de cabeamento para banda larga fixa. Assim, a banda larga móvel é uma maneira mais rápida de levar o acesso a esses locais. WiMax é uma tecnologia de banda larga móvel baseada no padrão IEEE 802.16, já sendo utilizada por 400 empresas. Atualmente, a tecnologia já está presente em 137 países, nas faixas de espectro de 2.3 GHz, 2.5 GHz e 3.5 GHz. No Brasil, WiMax móvel ainda não está operando, basicamente devido à política. O espectro de 2.5 GHz foi concedido às operadoras, mas não foi autorizada a operação.
Já está sendo testado, com algumas atividades limitadas, mas a distribuição em massa ainda não está acontecendo. Estamos trabalhando com o Governo para permitir isso. Queremos ter condições de oferecer velocidades de no mínimo 10 mpbs.
Mas o WiMax como conexão fixa já existe no país, correto?
Sim. Mas quanto à conexão móvel, o que acontece é que queremos ao mesmo tempo oferecer a última geração de WiMax e dispositivos de baixo custo para a população, como dongles USB, mas esses dispositivos não são permitidos no Brasil. Então você não vê um mercado massivo de WiMax no Brasil, já que a tecnologia não pode ser adquirida pelos usuários para que possam utilizá-la.
Parte 2
O que o WiMax Forum tem discutido com o Governo Brasileiro sobre a implementação do WiMax móvel? Quais são os desafios atuais?
Estamos trabalhando com a Anatel e a questão principal é sobre o emprego do Certificado WiMax no Brasil. Regulamentações locais ainda precisam ser definidas. Nós estamos tentando mostrar a eles que WiMax não é a mesma coisa que “telefonia celular”, e isso é necessário para que seja permitida a implementação da tecnologia no Brasil. Então nós participamos de discussões e conferências, como a Futurecom que acontece no Brasil. No evento do ano passado, levamos representantes de uma operadora que opera na Rússia, para falar de seu case de sucesso para o público brasileiro, e de como essa tecnologia pode ser empregada com sucesso no Brasil, em Taiwan, na Indonésia, na Índia, nos Estados Unidos, etc.
Como você avalia o progresso dessa negociação com o Governo Brasileiro?
Está lento. O Brasil é o único mercado em que não conseguimos transmitir nossa mensagem. Tivemos muito sucesso na Rússia, na Índia, na Indonésia...
E quanto aos demais países da América Latina?
A América Latina tem uma situação econômica e financeira bem difícil. Mas eu penso que o Brasil será decisivo para demonstrar o que a América Latina irá fazer com relação ao WiMax. É por isso que estamos focando toda nossa energia no Brasil, apesar de não termos sido ainda realmente bem sucedidos.
Falando sobre mobilidade, smartphones e banda larga móvel, quais são as vantagens do WiMax se comparado a outras tecnologias?
Atualmente, WiMax é totalmente voltada para a conectividade banda larga. Há uma grande variedade de dispositivos - incluindo laptops, PDAs, etc – com a proposta de oferecer banda larga WiMax de fácil acesso. Então a idéia é oferecer banda larga, dispositivos competitivos e poderosos e uma vasta gama de aplicações.
Qual a estimativa de usuários de WiMax existentes no mundo todo atualmente?
Atualmente existem mais de 500 redes WiMax no mundo, em 137 países. Quanto aos assinantes, estima-se que haja por volta de 10 milhões, mas isso é apenas o começo. Estava sendo feito um grande trabalho de construção e implementação das redes, e agora estamos levando os dispositivos WiMax ao público. Nossa expectativa é alcançar 100 milhões de assinantes por volta de 2012.
Parte 3
Quanto à velocidade da conexão, vocês estão satisfeitos com o que o WiMax oferece atualmente? Quais os próximos passos quanto a isso?
Atualmente a velocidade média é por volta de 2 a 10 mbps. Já estamos trabalhando na próxima geração, WiMax 2, que oferecerá 100 mbps. Isso já é usado em países como Japão, Coréia e Taiwan, mas eles já querem ir além disso. Nosso plano é distribuir mundialmente essa tecnologia por volta de 2012. Precisamos da liberação de espectro para isso, e já estamos trabalhando em parceria com os governos para que isso seja possível.
Aproveitando que você falou de espectro, muitas pessoas leêm sobre esse assunto mas têm uma idéia superficial do que exatamente é espectro. Poderia explicar um pouco para os leitores?
Sim, vamos usar a idéia de “estradas”. Imagine que os dados são carros e precisam de estradas longas e largas o suficiente para que possam se locomover de um ponto a outro. Essas estradas são o espectro. O problema é que elas foram construídas pelos governos pensando em poucos carros. Ou seja, o espectro padrão da telefonia para voz é de 10 kbps, mas para que haja banda larga são necessários 10 mbps – centenas de milhares de vezes mais. Então precisamos construir maiores estradas – mais espectro – mas a regulamentação dos governos foi desenvolvida pensando em serviços de voz, e aí está o problema. Eles se perguntam: “Por que eles precisam de canais maiores para transportar dados?” – e aí está o novo conceito em telecomunicações.
Eu penso que eles querem somente manter uma política de abertura. Nossa filosofia não é chegar e dizer “Vocês têm que implementar WiMax. Vocês querem essa tecnologia no mercado brasileiro”. Nós somos contra isso. Nós queremos oferecer flexibilidade para que possam ser feitas verdadeiras negociações. Nós queremos que essa tecnologia tenha um custo aceitável para ser implantada no Brasil com sucesso. Se não pudermos vender os equipamentos para o usuário final com um preço competitivo, não vale a pena investir no Brasil. Então queremos ter certeza que esse tipo de coisa será possível.
Eu penso que essa é uma das razões pelas quais a banda larga pode dar certo no país, já que o plano é muito similar ao plano nacional de banda larga dos Estados Unidos. No entanto, os Estados Unidos estão bem mais rápidos em termos de financiamento. Mas eu acredito que é um plano muito bom, muito importante, e que podemos ajudar no desenvolvimento desse objetivo.
Falando um pouco sobre LTE (leia mais na entrevista anterior com Erasmo Rojas, da 3G Americas), como essa tecnologia se compara ao WiMax?
LTE é uma tecnologia muito similar ao WiMax. A maior diferença entre as duas tecnologias é que a WiMax está voltada ao consumidor final, enquanto a LTE está voltada a telecomunicações. Então são nichos diferentes, há espaço para todas essas indústrias existirem: WiFi, WiMax, LTE, 3G... Não é exatamente “uma tecnologia contra a outra”. WiMax tem foco em computação, então nosso forte são dispositivos de computação, já a LTE tem foco na telecom, com dispositivos voltados a isso. Estamos muito interessados no desenvolvimento de nossa tecnologia, e acreditamos que o Brasil é o mercado ideal da América Latina para que desenvolvamos isso, mas também temos consciência de que teremos dificuldades em levar isso ao consumidor. A penetração de banda larga no Brasil é muito baixa e se o governo quiser oferecer banda larga, ele tem que criar uma competição, ele precisa criar opções.