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hardware categoria : hardware | 28.08.2009 / 23h30

Diário de Viagem - Master Overclocking Arena 2009

autor: diola

A partir de hoje você acompanha o diário de viagem da equipe da Adrenaline no evento Master Overclocking Arena 2009, que acontece na China, promovido pela MSI. A cada dia, uma nova página será acrescentada neste diário, escrito por Fabio Feyh (Diola). Boa leitura!

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Albuns de imagens:   Pré-Evento, Dia do Evento, Último dia na China

Chegamos a Beijing (também conhecida como Pequim), capital da China, hoje por volta das 6:00 da manhã em horário local, depois de longas 28 horas (!) e alguns minutos de viagem através de um vôo de São Paulo para Paris, onde fizemos uma conexão finalmente para Beijing. Apesar do cansaço, tudo correu bem e chegamos tranquilos. Estávamos entre os primeiros a chegarem ao evento, ainda sem saber realmente o que nos esperava.

Nossa primeira visão da China foi o aeroporto, muito grande e organizado, onde passamos rapidamente pelo setor de imigração e fomos ao encontro do pessoal da MSI que nos esperava na saída. Tudo indo muito bem, apesar da ansiedade para conhecer tudo relativo a essa nova cultura, sem contar o evento, que é o motivo de estarmos aqui.

Tomamos um táxi e aí tivemos nossa primeira surpresa na China. Aliás, qualquer coisa que víissemos acredito que seria uma surpresa, afinal pouco conhecíamos sobre esse país. O fato é que, ao sair do aeroporto de taxi em direção ao hotel, vimos ruas extremamentes organizadas e praticamente novas, provavelmente a herança das Olimpíadas, com destaque para a arborização, tudo muito bonito e cuidado. Não são apenas árvores e flores em grande quantidade, mas sim em grande quantidade e muito bem cuidadas e podadas, dando um “astral” que até então eu não imaginava que fosse tão forte no local, principalmente pela modernidade de tudo e pelo visual bonito, impressionante.

No caminho para o hotel, notamos outra coisa que passaria a ser comum, assim como a organização: a direção “meio maluca” dos taxistas e de todos os motoristas em geral, estejam eles no comando de um ônibus, carro ou de uma das várias "bicicletas" motorizadas que vemos por aqui, além é claro das charretes (na verdade uma mini-moto com três rodas e espaço para levar um passageiro, e às vezes um monte de "bugigangas").

Como sou de Florianópolis e conheço um pouco de São Paulo, tenho noção do que é um lugar estressante em temos de trânsito, mas aqui você une a realidade de São Paulo a algo ainda mais complicado: ruas bem largas e que se cruzam a todo momento. Mas calma aí... com ruas largas basta colocar semáforos e tudo fica ok, certo? Deveria, mas não é o que acontece. Chega a ser engraçado: não adianta ter o sinal verde na faixa de pedestres dando “ordem” para você passar, pois ao menor descuido você pode ser atropelado por uma bicicleta motorizada, e que vem buzinando mesmo sem necessidade. Aliás, essa é outra surpresa do transito chinês: buzinas, muitas e a todo momento. Os motoristas buzinam sem precisar e sabendo que terão que diminuir a velocidade - algo como aquele ditado: “para não perder o costume”.

Ao chegar no hotel, logo vemos outra herança das Olimpíadas, além do fato do próprio hotel se chamar The National Olympic Sports Center - Olympic Hotels: ele está cercado por outras obras destinadas às últimas olimpíadas, como diversas quadras de tênis, futebol e, distante cerca de 1 quilômetro, está o famoso CUBO, arena que foi o grande destaque das construções feitas especialmente para as olimpíadas de 2008.

Mas espera aí! Falei tanto em “nós” e ainda não apresentei quem está nessa viagem. Então vamos lá, porque eles merecem o devido respeito, afinal conquistaram a vinda para cá representando o Brasil e, diga-se de passagem, com motivos de orgulho de sobra. Estou acompanhado pelo Ronaldo (rbuass) Buassali e pela Fabiola Gongález Gómez, sua mulher, ambos já conhecidos pelo público amante de overclock por estarem entre os melhores do país e da América do Sul nesse ramo. A pontuação de Ronaldo o coloca como o melhor do ranking, e isso merece que ser destacado. Vale ressaltar que criamos o “Team Adrenaline”, equipe de overclock liderada pelo Ronaldo e apoiada pela Adrenaline a fim de trazer novos membros para essa "brincadeira séria", se é que podemos chamar assim.

Primeira volta pela China

Passando a primeira impressão da China começamos a nos orientar melhor após as horas de “agonia” que tivemos que suportar nas poltronas dos aviões. O pessoal que já tinha chegado dos mais variados países foi convidado a se reunir no hall de entrada do hotel para se drigir ao almoço, seguido por uma tour pela cidade, com roteiro ainda a definir. Pouco antes de sair, a Helen da MSI pergunta para mim: “você gosta de massagem?” - pergunta essa que nem precisava ser respondida depois de horas de viagem nas poltronas do avião que ficam em um ângulo pouco superior a 90%. 

Entrei em um táxi junto com dois colombianos que já eram amigos do Ronaldo, e mais um americano, em direção a um restaurante. Para todo o grupo foram necessários cerca de cinco táxis. Chegamos primeiro e tivemos que esperar o resto do pessoal. Após uns 20 minutos, nos reunimos na porta do restaurante e aí tivemos a opção de usufruir de um dos conhecimentos milenares da China: sua massagem - mas de uma forma um pouco diferente, já que almoçávamos ao mesmo tempo. Isso mesmo: um restaurante em que ao mesmo tempo que você almoça, uma pessoa lhe faz uma massagem.

Foi muito prazeroso e divertido, até porque eu e Ronaldo temos um inglês “primoroso”, e ainda por cima as massagistas também não tinham um conhecimento muito aprofundado da língua inglesa. Rimos à beça com nossas tentativas de comunicação e interação, e ficamos muito bem relaxados. Vale destacar que esse almoço com massagem é feito em uma “sala”, com grupos de no máximo cinco pessoas mais seus massagistas.

Depois do almoço, decidimos aproveitar ao máximo a tarde para sair e fazer compras a fim de deixar livre o último dia de nossa viagem exclusivamente para conhecer um pouco mais dos pontos turisticos da China. Então nos reunimos todos e, novamente separados por diversos táxis, fomos em direção a uma área de shoppings com produtos de tecnologia: uma maravilha para qualquer um, principalmente se for um comprador compulsivo igual ao Ronaldo - mesmo que para negociar ele tenha que fazer isso com chineses que não falam outra lingua além de chinês. Então imaginem um chinês que não entende inglês e um brasileiro que não sabe falar fluentemente inglês negociando peças de informática. Hilário, mas no final o negócio sempre era fechado.

Depois de algumas horas, o Ronaldo fez as compras que queria, e como bom overclocker ele comprou apenas o que era interessante justamente para isso. Iremos postar algumas fotos nos próximos dias, e inclusive teremos reviews desses produtos, que incluem três mainboards e três processadores, um deles o novo Intel Core i5 750 que nem estava à venda, mas ele conseguiu através de seu inglês convencer a chinesa dona da loja. Não me perguntem como.

Apresentação da MSI

Depois de algumas horas no shopping (postaremos fotos desse shopping em breve) voltamos para o hotel, já que tínhamos a apresentação da MSI marcada para as 18:30.

Praticamente todos que vão participar do evento estavam na apresentação, em número aproximado de 70 pessoas, contando overclockers, mídia e o pessoal da MSI. A surpresa da MSI é que a apresentação foi dentro do Hard Rock Café de Beijing, um restaurante/bar muito legal, como podem ver nas fotos que tirei com a ajuda do Ronaldo. Teve até apresentação de uma banda ao vivo que chegou a tocar Rolling Stones, depois de um pedido nosso.

Bom, assim foi nosso primeiro dia na China. Amanhã começa a competição, e aí o bicho vai pegar! Lembrem-se que todo mundo agora tem que estar sempre torcendo para o Ronaldo que agora leva o nome da Adrenaline em sua equipe de overclock.

Não deixe de ver mais fotos da apresentação da MSI no Hard Rock Café em nossa galeria exclusiva do evento, clicando aqui. 

Dia da competição

Após o longo dia de competição vou fazer um resumo de tudo que aconteceu, do início ao fim, até que fosse decidido o grande vencedor do MSI MOA 2009.

Acordamos às 6:30 da manhã aqui em Beijing. No Brasil eram 19:30 do dia anterior, afinal estamos 11 horas adiantados aqui. Todos nos reunimos no hall do hotel e logo seguimos em direção ao outro hotel onde foi montada a Arena de competição - a maior surpresa até agora, mas sobre isso comento mais adiante.

Dentro do ônibus que nos levou ao hotel tivemos nosso café da manhã: sanduíche do tipo MacDonalds e mais água ou refrigerante. Hmmm alguma coisa estava errada, não esperava isso por aqui, principalmente no café da manha, mas tudo bem... a MSI esta com muitos créditos até o momento, então não seria um café da manhã que iria arranhar sua imagem.

Alguns minutos depois chegamos ao hotel do evento, um dos melhores hotéis de Beijing, extremamente luxuoso e com decoração de causar inveja aos melhores decoradores do mundo. Isso porque ainda nem havíamos saído para a área externa do hotel, pela qual seríamos obrigados a passar até o centro de convenções. Ao sairmos em direção a essa “passagem”, novamente tivemos uma visão surpreendente: um espaço muito grande e impressionante, com muitas árvores e um lago artificial dos mais bonitos que já vi, com água soltando vapor a todo instante - algo realmente incrível, sem contar as carpas vermelhas que não poderiam faltar, afinal são uma das marcas da cultura oriental.

Eu, Ronaldo e Fabiola seguimos entre os últimos em direção ao centro de convenções onde foi montada a Arena. Queríamos observar tudo porque realmente é fácil de se impressionar. Diria que quase tudo leva o selo “se for fazer que faça direito”.

Ao chegarmos na entrada do local onde a Arena foi montada e nos deparamos com outra surpresa. Sei que estou falando demais sobre “surpresas”, mas essas coisas realmente merecem ser mencionadas. Enfim, dando sequência, chegamos na entrada e uma fila indiana com membros da equipe da MSI esperava para nos recepcionar com um ótimo astral. Dentro do centro de convenções, a maior de todas as surpresas para mim até o momento: uma excelente infra-estrutura que eu até então não tinha visto nos eventos que fui. E tudo isso bancado pela MSI, apesar de o evento ter outros patrocinadores, como Intel, Nvidia, OCZ e Antec. O custo principal e organização ficaram mesmo por conta da MSI, acredito eu. Organizar e bancar um evento de primeira não é fácil, mas eles conseguiram, e de longe é o mais incrível que já vi e que pude participar.

E não digo isso apenas pela estrutura física do evento, mas por diversos motivos. Citando alguns: o fato de a cidade de Beijing ser maravilhosa, os locais escolhidos para o evento (desde a Arena aos passeios, restaurantes e compras) e principalmente o pessoal selecionado a dar todo o suporte necessário, com destaque para a Helen, uma Tailandesa que também está pela primeira vez na China. Helen nos deu atenção especial desde que colocamos os pés no hotel. Sempre atenciosa e paciente na comunicação, procurava nos ajudar em tudo o que solicitávamos, desde informações básicas à ajuda durante o a competição.

Para se ter uma idéia do número de envolvidos na organização: só de cinegrafistas tinha cerca de seis, quatro deles fixos e mais dois que ficavam rodando toda a Arena, e não estou contando o pessoal que estava fotografando. Para não exagerar coloco umas 50 pessoas na equipe da organização, isso “chutando para baixo”, porque se falasse 60 ainda poderia acertar. Para todo lado que olhávamos, e como falei o espaço era bem grande, tinha uma pessoa com camiseta da MSI pronta para ajudar, mesmo que não falasse inglês – o que aconteceu em raros casos. A organização era incrível, realmente algo fora do que eu estava acostumado a ver.

Lendo o que estou falando até aqui podem achar que fui pago para falar isso ou ganhei algo, mas não, se ganhei algo foi o prazer de poder cobrir um evento desse nível de qualidade. E ainda tem muito mais elogios que darei na sequência, começando pela estrutura montada para os competidores.

Como falei em algumas notícias, cada equipe tinha sua própria bancada (toda equipe era constituída por duas pessoas). Veja algumas fotos das principais equipes, junto com a brasileira e a colombiana.

Todos as equipes tinham hardware idêntico, como não poderia deixar de ser, pelo menos no quesito marca/modelo, mas para os mais conhecidos sabemos que em overclock extremo a palavra “idêntico” pode não dizer muita coisa. Os integrantes de uma das equipes americanas chamada XtremeSystems que o digam, afinal ninguém poderia esperar um dos melhores overclockers do mundo e dono do portal XtremeSystems (que também é um dos mais respeitados quando o assunto é overclock) ficar em último. Isso mesmo: ele não ficou em quinto ou décimo, mas sim em último, situação que em condições normais é praticamente impossível, mas por azar (que é o que se pode dizer nesse caso) acabou pegando duas mainboards seguidas que não conseguiram segurar o nível de overclock que ele desejava e acabaram tendo algumas de suas funcionalidades corrompidas, impedindo-o de chegar a resultados competitivos. Consequentemente, a equipe ficou a passear pela Arena e observar os demais competidores. Em situação igual ainda tivemos mais duas equipes, e por pura vontade de continuar participando outras não se juntaram a eles, entre essas citamos a equipe brasileira.

Para a equipe Adrenaline, que representava o Brasil, a vida dentro da competição foi tão dura quanto a da equipe americana XtremeSystems, mas, ao contrário deles, Ronaldo e Fabi não desistiram e seguiram em frente.

Logo no começo da competição, Ronaldo já teve problemas: primeiro os parafusos que prendiam o cooler da placa de vídeo ficaram curtos e alguns quebraram após a tentativa de prender novamente o cooler, já com o mod através de soldas e materiais de isolamento para a placa. Mas, como se não bastasse, após trocarem a placa de vídeo ao bootar o sistema os problemas continuaram. O sistema não correspondia e mesmo em stock apresentava problemas de instabilidade desligando sozinho. Só depois de mais de uma hora, a organização confirmou na prática que a mainboard estava apresentando problema, então cedeu uma nova mainboard para a equipe brasileira, isso porque já tinham tentado trocar o kit de memórias também.

Bom, “agora vai”. A Fabi montou todo o sistema (aliás, ela é mestre nisso e pode dar aula a muito marmanjo que se acha entendido), e havia menos de meia-hora para se conseguir um resultado bom, quando surge mais uma notícia ruim: continua a instabilidade, que já havia feito outras equipes desistirem, obrigando Ronaldo a mudar sua estratégia. Antes de tudo, resolveu fazer uma pontuação, por mais simples que fosse, e depois tentar melhorar. Foi o que ele fez, e conseguiu no último minuto alcançar a décima quinta posição, mas já sem esperanças de competir com os melhores. Nem por isso desistiu, e continuou tentando tirar o melhor do que o seu sistema oferecia.

Enquanto isso, a equipe Sueca conseguiu o melhor resultado dessa primeira etapa, e passou para a próxima fase baseada no 3DMark Vantage como favorita, estando entre as equipes com um dos sistemas com comportamento mais estável de todos.

Dito e feito, começa a segunda etapa e os suecos seguem brigando pela ponta, mas, diferentemente da primeira etapa onde eles ficaram a maior parte do tempo na liderança, aqui a situação foi outra. A equipe grega mostrou sua força e, em uma disputa muito boa, alternou-se na liderança, que nos minutos finais acabou conquistando de vez e não perdeu mais, tornando-se a melhor da segunda etapa.

Infelizmente para a equipe grega a vitória não foi suficiente, justamente pelo bom resultado dos suecos na etapa anterior, dando assim a vitória geral a eles, seguidos dos poloneses, que apesar de não terem ganho nenhuma etapa tiveram maior regularidade. Em terceiro lugar ficou a equipe Futuremark, que também teve uma boa regularidade.

Voltando aos brasileiros, os problemas encontrados na primeira fase continuaram, e depois de tentativas consecutivas a fim de pelo menos conseguir um score bom para ter um ponto de referência, Ronaldo coloca o processador a 4.9GHz, muito abaixo do necessário para ser competitivo, mas era o máximo possível para manter um pouco de estabilidade. Então, depois disso as mudanças passavam a ocorrer em cima dos clocks da placa de vídeo, e nessa brincadeira ele aumentou em mais de 1.000 pontos o score inicial chegando a 16.204, atingindo a décima sexta posição no geral.

Mas calma ai, décimo sexto não é muito pouco? É sim, até porque ele pretendia brigar pelas primeiras colocações, e para quem duvida do que ele é capaz vale ressaltar que com essa mesma mainboard e esse mesmo processador ele alcançou o clock de 5.539 MHz, recorde mundial. Justamente por isso ele esperava muito mais, inclusive usou as configurações idênticas que utilizou nas etapas qualificatórias, mas como falei no inicio, hardware idêntico nesse caso não significa comportamento idêntico. Uma pena, mas tá valendo, porque, para quem ainda não sabe, o Ronaldo e a Fabi iniciaram sua carreira nesse meio há cerca de 3 anos, e hoje já estão entre os melhores da América do Sul, bem à frente de outros que têm anos de experiência. 

O futuro é promissor para eles. Eu que os conheci durante esse evento posso afirmar isso pelo simples fato dele ser fanático por overclock, e não medir esforços para ir atrás de novidades, pegar informações com outros overclockers e com isso ir ganhando mais experiência, que no final se traduz em melhores overclocks. Mas, como vimos nesse evento, às vezes os melhores se tornam os piores, mesmo que na prática isso não seja verdadeiro.

Gostaria de falar um pouco mais sobre a Fabiola, chamada de “Fabi” pelo Ronaldo. Ela se tornou uma das grandes atrações da competição, por ser a única mulher a competir, e chamava mais atenção ainda o fato de ela realizar com extremo conhecimento boa parte de todo o trabalho necessário, incluindo ajuda em grande parte da montagem e acompanhamento do sistema. Os cinegrafistas e visitantes não deram sossêgo a ela, ninguém acreditava que ela estava competindo junto com os homens. Foi algo muito legal de se ver, mais ainda por representar o Brasil, mesmo sendo chilena. E para que fique claro aos marmanjões: ela é mulher do Ronaldo, então tirem o cavalo da chuva.

Nosso último dia na China

Em nosso último dia na China, fomos informados que deveríamos estar no hall do hotel às 9:45, então poderíamos dormir um pouco mais. No entanto, assim como hardwares idênticos não significam estabilidade idêntica quando o assunto é overclock, poder acordar às 9:45 da manhã na China não quer dizer que você vai conseguir dormir até esse horário, isso porque o fuso horário acaba com a gente e tudo fica esquisito. O cansaço é grande, mas os horários em que se tem vontade de dormir são diferentes de quando você deveria dormir.

Feita a explicação, você já pode concluir que acordei bem antes desse horário - para ser preciso, às 6:00 horas eu estava de pé. Desci para o hall do hotel e não tinha ninguém além dos funcionários na recepção. Tentei tomar o café da manhã mais cedo, mas não foi possível, só iniciava às 8:00.

Para piorar a minha situação, desde o primeiro dia que cheguei só tinha uma chave (cartão de acesso) do quarto, e como eu dividia o quarto com um jornalista da África do Sul, essa situação era complicada, porque ele acabou pegando a chave e não largava mais. Então, fiquei um pouco dependente dele, e quando saí do quarto por não conseguir dormir, se quisesse voltar teria que acordar o “figura”, mas não quis fazê-lo e por isso decidi dar uma volta pelo “quarteirão” onde está localizado o hotel, afinal estamos em um dos principais centros das Olimpíadas de 2009. Para ter uma noção de onde estávamos hospedados, nosso hotel ficava exatamente na frente do “estádio” principal das competições de tênis.

Saí do hotel com a câmera digital que não larguei durante toda a viagem e - para usar um termo daqui de Floripa - “dá-lhe” tirar fotos. Dei uma boa volta por todo o complexo que cercava o hotel, e olha que é bem grande. Para que você consiga imaginar a dimensão da coisa, o que posso falar é que dentro desse complexo está o segundo maior estádio das Olimpíadas, e o hotel deve ocupar uns 5% de todo o espaço disponível no complexo. Por aí você já pode concluir o tamanho de todo esse espaço, que além desse estádio e do de tênis ainda possui diversas outras construções utilizadas para outras modalidades das Olimpíadas. Tudo sempre organizado e cuidado, com alguns poucos locais meio abandonados com vestígios de “matinhos” crescendo em meio a escadarias, etc, mostrando que a utilização não está sendo muito frequente após as Olimpíadas. Abaixo podem ver algumas fotos que mostram o quanto é bonito todo o complexo.

Voltei para o hotel e fui tomar café, outra surpresa para mim e que acabou esclarecendo o porque tivemos MacDonalds como café da manhã no dia anterior. Nada de muitas frutas (apenas melancia e melão), pães, queijos, presunto, etc, mas sim um café que lembra muito o americano, puxando mais para uma janta com ovos, bacon, pratos prontos, sopas e as comidas locais da China para esse horário do dia. Fiz meu prato simples puxando mais para o café da manhã que estou acostumado a comer e fui para o quarto me arrumar para descer novamente ao hall onde deveria estar às 9:45 como tinham nos avisado.

O motivo desse horário é que tínhamos um Painel de discussão com alguns engenheiros da MSI, que inicialmente demonstraram algumas de suas novas tecnologias em produtos de ponta, destacando bastante o OC Genie que está em sua quarta geração. Para quem não sabe, trata-se de uma tecnologia de overclock disponível em algumas mainboards da empresa, onde pressionando apenas um botão a promessa é de oferecer um aumento de cerca de 15% na performance, sem nenhuma necessidade de conhecimento sobre over, tornando possível até o mais leigo dos usuário conseguir tirar algum ganho de seu equipamento.

O marketing da MSI em cima disso foi dizer que com apenas um clique é possível economizar mais de US$800 na comparação dos processadores utilizados. Ou seja, em vez de comprar um Core i7 975 Extreme que tem o valor de $999 dólares, você pode comprar um Core i5 750 por $194 e conseguir um resultado superior ao i7 - muito atrativo não?

Deram também uma alfinetada na ASUS e seu sistema de overclock que é via software e demora consideravelmente mais para ser finalizado, cerca de 20 a 30 minutos dependendo o sistema. Já no OC Genie da MSI, basta desligar o sistema e pressionar o botão, sendo necessário apenas bootar a máquina novamente - muito interessante.

Depois disso, cada mesa começou a discutir sobre os produtos da MSI, todas elas com alguns membros da MSI explicando e respondendo perguntas técnicas e depois debatendo o assunto. Muito interessante a idéia, aproveitando a oportunidade de todo o pessoal envolvido no campeonato/evento.



Mas a parte que mais me chamou a atenção foi a dos principais engenheiros da empresa chamarem os overclockers para outro espaço em uma espécie de mesa redonda onde o objetivo era único: captar idéias dos principais overclockers do mundo sobre onde a MSI poderia melhorar seus produtos visando o aumento de qualidade - realmente uma sacada muito boa. Surgiram diversas dicas, afinal esse pessoal está entre os mais indicados do mundo para sugerir modificações e idéias a fim de conseguir diferenciais valiosos sobre dissipação de calor por exemplo, onde uma determinada placa está pecando e onde pode melhorar. Os engenheiros sempre tomando nota de tudo. Vi com bons olhos a idéia e acredito que tirem bom proveito disso para futuros produtos.


Terminado o painel de discussão, fomos almoçar em um dos restaurantes que mais me chamava atenção na culinária chinesa antes de chegar ao país. Trata-se de um restaurante em que o cozinheiro faz toda a comida na frente do cliente. Como podem ver nas fotos, ficamos sentados em uma bancada oval com cadeiras lada a lado, tendo na frente uma chapa “gigante” e logo atrás o cozinheiro. Os pratos são típicos da China, alguns um pouco esquisitos, mas em sua maioria muito bons. Inclusive dei uma palhinha para melhorar a qualidade final do almoço de parte do grupo como poderão ver nas fotos abaixo. O Ronaldo também tentou se ariscar, mas o prato que ele mexeu não fez o mesmo sucesso que o meu.

Bom, brincadeiras à parte, após o delicioso almoço saímos em direção à parte mais esperada do citytour: a visita ao principal complexo esportivo das Olimpíadas, onde tínhamos o maior de todos os estádios e também o famoso CUBO, complexo das modalidades de natação que de noite mudava de cor. Infelizmente não vimos isso pela visita ter ocorrido à tarde, mas mesmo assim valeu a pena.

Nas fotos abaixo poderão ver todo esse complexo, incluindo a visita que fizemos ao Ninho do Pássaro, como é chamado este estádio incrível. Quem dera que possamos ter algo assim para a Copa do Mundo de 2014... provavelmente até tenhamos, mesmo que acabe custando cinco vezes mais do que realmente deveria.

Depois de algumas horas visitando o complexo, fomos fazer uma rápida visita novamente a uma parte de Beijing com vários shoppings de produtos eletrônicos. Algo surpreendente. Alguns desses shoppings tinham sete andares, cada andar do tamanho de um campo de futebol, uma loucura e um prato cheio para se perder - foi o que aconteceu com alguns integrantes, mas no final tudo correu sem maiores problemas.

Após essa rápida visita, encerramos o dia com um jantar em outro restaurante típico da China, onde sentamos em grupos de cerca de 10 pessoas em mesas redondas com uma peça central giratóriade vidro. Então as refeições eram colocadas em cima desse vidro e para se servir bastava ir girando até que chegasse o que fosse de nossa preferência - muito legal. O meu prato preferido foi uma massa parecida com uma panqueca e que dentro colocávamos carne de pato assada e mais alguns legumes, muito bom.



Retornamos ao hotel e encerramos nossa viagem à China, deixando para trás muita saudade de tudo que aconteceu, porque, como falei em todo esse diário sobre o evento, não tenho uma crítica a fazer, só elogios. Definitivamente perfeito o Master Overclocking Arena 2009, virei fã da MSI por tudo que fizeram aqui.

Mas, apesar de tudo, a saudade de voltar para casa e para o Brasil é grande. Nosso vôo estava marcado para o dia seguinte ao encerramento, às 12:50. Teríamos que enfrentar cerca de 28 horas até o Brasil e eu esperar ainda mais algumas horas o vôo de SP para Floripa. Que beleza... essa é a parte ruim de tudo, viagem tediosa, mas valeu a pena.

Gostaria novamente de agradecer a todo o pessoal da MSI. Não foi apenas a Helen que nos ajudou, mas uma série de pessoas, alguns apenas contratados para o evento, outros funcionários da empresa. Muito obrigado, em especial à Shirley que tornou tudo possível.

Destacar também a recepção do povo chinês, muito diferente do que eu imaginava por tudo que ouvia. Eles estão longe de serem pessoas frias, pelo menos em Beijing, que dizem ser diferente de outras regiões do país, o povo é muito receptivo e pronto a ajudar.

Para finalizar, gostaria de agradecer ao Ronaldo e à Fabiola, casal que conheci a cerca de 1 mês pela Internet e pessoalmente no aeroporto, quando estávamos vindo para cá. Acabaram se tornando meus amigos, muito legais, principalmente quando conversávamos sobre os planos que ambos temos para o Team Adrenaline, e como já falei durante essa cobertura, podem esperar vôos altos dos dois, principalmente pelo Ronaldo que é um fanático por overclock, não se contenta com pouco. Falo isso por cada detalhe que acompanhei dele nesse vento, não deixou escapar nada e foi atrás de tudo que podia pegar de informação, tornando-se uma das pessoas mais extrovertidas e queridas do evento, sempre brincalhão e cumprimentando todos. Fazendo justiça também tenho que destacar e agradecer ao Mauro, nosso jornalista que me ajudou com a revisão e gerenciamento do conteúdo adicionado nesses dias que estive na China.

Termino aqui o diário dessa viagem incrível. Um abraço a todos e até a próxima, quem sabe em 2010.

Zhù He e gan xiè MSI e China.