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categoria : eletrônicos |
07.07.2009 / 19h14
Do Walkman ao iPod: 30 anos de revolução na indústria musical
autor: subzero
O avô do iPod
Embora boa parte da chamada geração iPod não saiba, ou no máximo, tenha ouvido falar por seus pais ou tios, toda esse “fenômeno musical” trazido pelo player da Apple teve sua semente plantada há 30 anos no Japão.
No dia 1º de julho de 1979, a Sony, por meio de seus fundadores e visionários Masaru Ibuka e Akio Morita, deram início a uma verdadeira revolução no modo em que as pessoas escutavam e interagiam com a música, com o lançamento do primeiro Walkman, trazendo pela primeira vez na história o conceito de portabilidade musical - ou seja, de escutar suas músicas preferidas em qualquer lugar, sem incomodar as outras pessoas.
Considerado atualmente como o avô do iPod, o TPS-L2 era um produto bem à frente do seu tempo, possuindo dimensões reduzidas para a época, com um estranho auscultador portátil e utilizando as fitas cassete (leia-se K7) como “meio” para ouvir as músicas.
(Da esq. Para dir.: Walkman modelo TPS-L2 e fitas cassetes)
Apesar do sucesso estrondoso que teve, no início os engenheiros da Sony duvidaram do produto, uma vez que o Walkman introduzia um conceito que contrariava os hábitos da época: a noção de música individualizada.
Na cabeça de Akio Morita, os aparelhos tinham como público alvo os jovens, o que implicaria em estabelecer o preço de venda bem abaixo do seu custo de produção, o que resultou em alguns desgastes com o restante da equipe da Sony.
Por muito pouco o Walkman não chegou a ser retirado de linha. Enquanto Morita acreditava em vendas na casa das 60 mil unidades, a área comercial da Sony, acreditando em um fracasso, limitou a produção em 30 mil aparelhos. Dito e feito. Passado o primeiro mês, nenhum aparelho havia sido vendido. Foi então que Akio Morita lançou um verdadeiro “plano de guerra” para promover o produto. Foram oferecidos aparelhos às principais celebridades da música, artes e esportes locais, e as informações à imprensa eram difundidas em cassetes em vez de papel.
(Akio Morita mostrando o TPS-L2)
Somente em setembro é que as vendas “explodiram”. O mais interessante de tudo é que o grande público interessado pelo Walkman não era o jovem, conforme acreditava Morita, mas sim os yuppies (young urban professional), movimento que tomava conta na época (algo como os emos fazem hoje). Desta forma, a Sony reposicionou toda a sua campanha de publicidade, focando então no novo público alvo.
O sucesso nos meses subseqüentes foi tanto, que em fevereiro de 1981, o fenômeno de vendas do walkman chamou a atenção da concorrência, que começou a desenvolver aparelhos similares.
Vale destacar que apesar do termo Walkman ser uma marca registrada da Sony, impedindo assim que outras empresas a utilizassem em seus produtos, o nome passou a ser utilizado mundialmente para designar aquele tipo de aparelho, exatamente o que ocorre ainda hoje, por exemplo, com a fotocópia que tiramos, mas insistimos em dizer Xerox, ou a lâmina de barbear, que chamamos de Gilette.
(modelos de Walkmen)
Outro detalhe curioso foi que a Sony tentou utilizar o nome Soundabout nos Estados Unidos, e Stowaway no Reino Unido, para designar a sua recém criada invenção. Contudo, a idéia foi um fiasco. Todos só chamavam-no de Walkman! Até mesmo a renomada Enciclopédia Britânica rendeu-se ao aparelho, incluindo o termo em sua edição revista e atualizada, um feito único para uma empresa japonesa.
A era digital chega aos Walkmen
Apesar de ganhar alguns atributos tecnológicos sem muita expressão, como o MegaBass, a impermeabilidade, o rádio, o controle de volume nos fones de ouvido, a proteção antichoque e a capacidade de gravação, foi somente em 1984 que o segmento passou por uma nova revolução com a chegada do D-50.
(Discman D-50)
Diferentemente dos seus “irmãos mais velhos”, o D-50 não utilizava o meio magnético (fita K7) para armazenar as músicas, mas sim a tecnologia inovadora da época, o CD. Nada mais natural então que os aparelhos passassem a se chamar Discman.
O segmento passou ainda por outras pequenas evoluções, como é o caso dos MDs (MiniDisc MZ1) em 1992, mas não teve o mesmo sucesso que os Walkmen e Discmen.
A Era iPod
A Sony pagou um preço muito alto por deixar em segundo plano a “era” MP3 e insistir no padrão MD, como foi o caso do Hi-MD em 2004. Mesmo tendo mais recentemente voltado sua atenção e esforço para os players da geração Internet, com o relançamento da chancela Walkman - desta vez com design primoroso e funções modernas - o “estrago” já havia ocorrido com a “febre” implantada pela Apple.
(modelos das novas gerações de Walkmen)
Deixando os criadores da “música de bolso” para trás, o visionário Steve Jobs arrebatou multidões com o lançamento no dia 21 de outubro de 2001, de um diminuto tocador de música digital, com design inusitado e nome estranho: o iPod.
Vale esclarecer que o termo “Pod” é uma abreviação para o termo "Portable On Demand", e o “i” serve para manter o padrão de nomenclaturas da companhia, como é o caso do iMac por exemplo. Assim, iPod, significa algo como: “o portátil que eu queria”. Esperto esses Steve Jobs não!?
(iPod Classic de 2001)
Apesar das críticas iniciais em torno principalmente de seu preço (US$399 para o modelo de 5GB), Steve Jobs começava a reinventar o conceito de se escutar música, plantada há mais de 20 anos pela dupla Masaru Ibuka e Akio Morita da Sony.
Mesmo com uma enxurrada de players digitais no mercado, iniciado em 1998 com o Eiger Labs MPMan F10 e com o Diamond Rio PMP300, passando por nomes como Creative Labs Nomad (1999), Sony Vaio MC-P10 Music Clip (2000), Creative MuVo (2002) e Iriver H120 (2003), só para citar alguns, nenhum destes obteve nem mesmo de longe, o sucesso do player da Apple.
(Da esq. Para dire.: Eiger Labs MPMan F10, Diamond Rio PMP300 e Creative Labs Nomad)
(Da esq. Para dire.: Sony Vaio MC-P10 Music Clip, Creative MuVo e Iriver H120)
O sucesso em torno do player digital foi algo sem precedentes, virando um objeto de desejo e sinônimo de status e de artigo de moda. Todos queriam um iPod, do netinho de oito anos ao vovô de 80!
A Apple, que andava no ostracismo já há vários anos – apesar dos excelentes e caros Macs – voltou com força total ao mundo da informática, descobrindo uma verdadeira mina de ouro.
Como era de se esperar, não demorou muito até que a concorrência – principalmente as empresas de menor expressão – começassem a copiar o design do aparelho, embora não pudessem utilizar a interface de comunicação chamada Touch Wheel (que depois passou para o Click Wheel), onde o usuários navegava no aparelho movimentando o dedo em cima de um sensor (roda) presente no centro do iPod.
Após os sucessivos lançamentos de novas versões do chamado iPod Classic, a Apple aprimorou o uso do player, permitindo-o a leitura (visualização) de imagens/fotos, sendo o primeiro aparelho a possuir tela colorida.
Na geração seguinte – a quinta – o aparelho ganhou status de “obra prima”, ao incorporar a função de reprodução de vídeos. Para tanto, a Apple ampliou o tamanho de tela e redesenhou seu visual, deixando-o ainda mais fino.
(iPod Video)
A introdução do modelo chamado de Shuffle, foi encarado por muitos como a “volta ao passado”, sendo consideradode “sucessor espiritual” dos antigos Walkmen da Sony.
(iPod Shuffle)
Quando todos imaginavam que o segmento já estava saturado, sem a possibilidade de haver mudanças e melhorias significativas, Jobs mais uma vez sacudiu a comunidade ao anunciar no dia 5 de setembro de 2007 o iPod Touch, com tela sensível ao toque (touch screen), conexão com a internet via Wi-Fi, dentre outras novidades. Em outras palavras, o aparelho, que nasceu em 2001 como um “simples” player de música, evoluiu em apenas 6 anos para uma espécie de mini computador portátil com acesso à internet.
(iPod Touch)
E pelo visto, o incansável Jobs não pretende parar por aí não. A plataforma, que ganhou status de smartphone high tech da moda, passou a ser encarada como um console portátil (concorrente do Nintendo DS e Sony PSP), com o recém lançado iPhone 3GS. A comunidade (e principalmente a concorrência) voltam seus olhos para a Apple para saber qual será o próximo passo da plataforma iPod.
(iPhone 3GS)
Antes de finalizar este artigo que fiz como forma de homenagear o célebre Walkman, que foi motivo de muita alegria e horas e mais horas escutando os clássicos dos anos 80, como o Rei do Pop Michael Jackson, deixo aqui o link para uma interessante matéria em que a BBC pegou Scott Campbell, um garoto de 13 anos e fez um teste curioso e inusitado: trocou por uma semana o seu iPod pelo bom, velho e clássico Walkman. Vale a pena dá uma conferida na matéria e “ver” as reações que o adolescente teve ao se deparar com aquele “trambolho”. Apenas para adiantar, o garoto precisou de 3 dias para descobrir que a fita cassete tinha dois lados!
(Scott Campbell intrigado com o estranho tocador de músicas dos anos 80)