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tecnologia categoria : tecnologia | 20.06.2009 / 17h22

Justificativa para Inclusão Digital

autor: redacao

A exclusão digital é mais um dos diversos manifestos da exclusão social, decorrente da desigualdade na distribuição do poder e da renda. Em paralelo, tem-se acompanhado nos últimos anos a migração e digitalização de diversos serviços e processos pelo governo, como a declaração do imposto de renda.

Em 2003, a ONU divulgou a Declaração do Milênio que, entre outros, aponta o desafio de se usar a tecnologia para promover as metas de desenvolvimentos, como a erradicação da pobreza e da fome extrema, o combate a doenças e a garantia da sustentabilidade ambiental.

Já que o acesso às Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) é um direito básico de todo cidadão, pode-se dizer que, se não possibilita que este tenha ferramentas e desenvolvimento para qualificação necessária, o Estado dificulta este exercício, ferindo a constituição brasileira. A inclusão digital não se resume apenas a dispor da tecnologia, como também ter a capacitação para uso efetivo de todos os recursos tecnológicos.

Uma ação de inclusão digital estimula o uso das TICs, contribuindo para o desenvolvimento social, intelectual, econômico e político da população. O benefício é coletivo e a melhoria da qualidade de vida é sensível de modo imediato no dia-a-dia. Em uma empresa com alfabetização digital, os processos são realizados de maneira ágil, fácil e de alta confiabilidade. São vantagens que se refletem em cadeia para o próprio país.

Pesquisas que trabalham com a Inclusão digital são relevantes tanto à sociedade civil, quanto ao Estado e às organizações que o compõe. Somada essa importância, a inclusão digital pode: melhorar o acesso à infra-estrutura de informática e comunicação, bem como à informação e ao conhecimento; elevar da capacidade de acesso; aumentar a confiança e a segurança no uso da tecnologia; criar, em todos os níveis, um ambiente que incentive a adoção da tecnologia; desenvolver e ampliar as aplicações da tecnologia; incentivar e respeitar a diversidade cultural; reconhecer o papel dos meios de comunicação; atender às dimensões éticas da sociedade da informação; e incentivar as cooperações internacional e regional.

As novas tecnologias que se vê surgir todos os dias chegam para alterar o estilo de vida de cada um e, conseqüentemente, o comportamento, seja das pessoas, seja das organizações. Essas novas tecnologias podem ser meios que sustentam o desenvolvimento e a melhor qualidade de vida. Hoje, termos como “casa digital”, “empresa digital”, “saúde digital”, “escola digital” e “governo digital” são comuns. O comportamento das pessoas mudou, o estilo de vida mudou, o modo como realizam as suas ações mudou.

Pode-se de certo modo afirmar que toda essa nova configuração na vida das pessoas é movida por uma necessidade básica do ser humano: a comunicação, que motivou e desencadeou o surgimento de grandes corporações e setores no governo focados na melhoria e desenvolvimento de novas ferramentas. Atualmente, vive-se em uma sociedade da informação, com uma variedade nunca imaginada de soluções digitais, de modo que seu uso tem se tornado cada vez mais inevitável. Para se ter uma noção, basta verificar a quantidade de novas informações que recebemos todos os dias.

A globalização, iniciada nos anos 70, eliminou as fronteiras sócio-culturais, o que possibilita a troca de experiências e conhecimentos com qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo e a qualquer momento. De maneira análoga, o abismo criado entre as classes sociais, decorrente da grande desigualdade na distribuição de renda, tem gerado, há décadas, diferentes modos de vida pelo imenso território nacional.

Reflexo dessa globalização e dessas diferenças, a competitividade no mercado de trabalho passa a ser cada vez mais acirrada, sendo que as tendências mostram que quem não estiver digitalmente alfabetizado será, de modo sumário, eliminado da sociedade.

Em análise GAP, método que mostra o intervalo ou diferença entre dois pontos, verifica-se ainda a existência de muitas regiões isoladas, longe do centros urbanos, onde é claro o retrocesso no desenvolvimento do homem, o que mostra que ações para inclusão, não só digital, como social, devem imediatamente ser aplicadas. No caso específico da inclusão digital, observa-se que é um dos pontos mais discutidos nos últimos anos é a democratização da tecnologia da informação.

Diversos órgãos, como o Banco Mundial e o G-8, grupo dos oito países mais ricos do mundo, em fóruns internacionais trabalham para analisar as questões do analfabetismo digital. Nesse sentido, a ONU incluiu, no Relatório Anual de Desenvolvimento Humano, o IAT - Índice de Avanço Tecnológico, criado para avaliar a produção e disseminação das novas tecnologias, além de seu aproveitamento pela população.

O índice leva em conta a criação e capacidade de inovação em novas tecnologias, habilidade intelectual e difusão das mais recentes conquistas, assim como das tecnologias mais antigas, como telefone e eletricidade. Com a 43ª posição, entre 72 países analisados, o Brasil mostra a influência da desigualdade social na disseminação da tecnologia e informação para seus 180 milhões de habitantes. O número também demonstra a falta de incentivos e investimentos em setores estratégicos como a educação, base para o crescimento sustentável a médio e longo prazos.

Texto Integrante do Paper: “Inclusão Digital em LAN Houses” (FUKAYAMA, Marcel. 2006.).