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tecnologia categoria : tecnologia | 10.10.2009 / 01h20

Jen-Hsun, CEO da Nvidia fala sobre Fermi e muito mais!

autor: jacson

Durante o GPU Technology Conference, evento realizado pela Nvidia durante a semana passada na Califórnia, tive a oportunidade de entrevistar Jen-Hsun Huang, co-fundador e diretor executivo (CEO) da NVIDIA.

A entrevista foi realizada na suíte presidencial do Hotel Fairmont, onde por mais de 45 minutos tivemos a oportunidade de conversar com Jen-Hsun de maneira informal, descontraída e sem censuras, com Jen-Hsun não se esquivando das respostas.

Além de mim (Jacson Boeing), participaram da entrevista um repórter argentino, um repórter chileno e Robert Sherbin, Vice-Presidente de Comunicação Corporativa da Nvidia. Entre os assuntos abordados estava a nova arquitetura "Fermi", TEGRA, ION, chipsets, Quadro e a evolução das GeForces, além de temas sobre o Brasil, como a nova regulamentação relacionada a taxação das placas de vídeo e o uso das GPUs na exploração de petróleo pela Petrobras.

Tivemos todo o cuidado durante a tradução da entrevista para garantir a fidelidade do que foi dito e não distorcer nenhuma colocação feita por Jen-Hsun. Alguns (poucos) termos técnicos foram mantidos em inglês, pois a sua tradução para o português poderia soar bastante esquisita. Qualquer dúvida a esse respeito poderá ser esclarecida nos comentários.

O resultado dessa entrevista você confere na íntegra abaixo, não publicamos apenas os momentos em que o entrevistado e entrevistadores falavam sobre  situações sem relação com os temas abordados.

"Suas placas não são como cigarros (risos)... Elas não exigem taxação especial do tipo."


Jen-Hsun Huang, co-fundador e CEO da NVIDIA

Jen-Hsun: Então, pessoal, sobre o que vocês querem conversar?

Adrenaline: Eu gostaria de começar falando sobre o mercado brasileiro. Recentemente, o governo brasileiro impôs uma nova cota de altos impostos às GPUs vendidas no país. Você sabia disso?

Jen-Hsun: Não, não sabia.

Adrenaline: Sei que é difícil responder de bate-pronto, mas agora que você sabe, o que você acha a esse respeito?

Jen-Hsun: Eu não entendo o porquê disso acontecer. Mas... você tem que respeitar o seu governo por qualquer decisão que ele faça. Isso simplesmente significa que todas as placas gráficas serão low-end. O que o governo brasileiro está fazendo força as pessoas a receberem um produto de menor qualidade pelo preço maior que elas pagam. Eu não sei como isso surgiu ou porque suas placas de vídeo são tão especiais. Suas placas não são como cigarros (risos)... Elas não exigem taxação especial do tipo. Estou totalmente surpreso com essa situação.

Jen-Hsun: Mas você sabe se os impostos também foram aumentados para placas gráficas integradas?

Adrenaline: Não. Somente os chips gráficos. E os consumidores estão pagando cerca de 50% a mais sobre as GPUs.

Jen-Hsun: Então por que isso não atinge as placas gráficas integradas? Foi a Intel que começou com isso? Isso está certo? Uau... não havia pensado sobre isso. Eu nunca consideraria uma coisa do tipo... mas isso me parece ser muito injusto. A Intel já tem muitos truques na manga. Eles não precisam de nenhum truque a mais.

Se eu fosse brasileiro, eu estaria muito, muito aborrecido. Uma companhia como a Intel, que já tem tudo o que quer, querendo privar o mercado brasileiro de GPUs... não faz sentido.

Imprensa: Já faz 10 dez anos desde que vocês lançaram a marca GeForce. Foi o período em que ela começou a substituir as CPUs em algumas áreas. Como você descreveria o mundo da computação naquela época e como você imagina que será a próxima década?

Jen-Hsun: Dez anos atrás, lançamos a GeForce, o melhor equipamento para conteúdos e aplicações que ainda é usado para aceleramento gráfico em GPUs. E também é o melhor para triangle setup, triangle transform, simples iluminações e sombras, mapeamento de texturas, multi-texturas. Essas funcionalidades específicas foram postas em uma “pipeline” gráfica que as pessoas passaram a chamar de Open GL. Mais tarde, a Microsoft utilizou as mesmas características em uma versão mais avançada, mas que basicamente era a mesma coisa.

Essa pipeline permitiu aos chips gráficos fazerem coisas específicas muito rapidamente. Mas esse mesmo chip gráfico não era muito inteligente. Ele realizava apenas uma tarefa de forma muito rápida. Mas era muito rápido. Por isso o chip gráfico é tão popular hoje em dia, por fazer uma coisa tão bem: ele substitui uma tarefa da CPU fazendo isso centenas de vezes mais rápido, muito mais do que se esperava. E é por isso que o mercado de chips gráficos cresceu, cresceu e cresceu, mesmo que as CPU fossem ficando mais rápidas. O chip gráfico da GPU era TÃO rápido que se tornou impossível para a CPU alcançá-lo.

E então é claro, os desenvolvedores de jogos descobriram o quão maravilhoso esses chips gráficos eram, por proporcionarem velocidade instantânea, e conseguiam produzir gráficos cada vez mais bonitos. É só tentar comparar "Quake 3" com o novo "Batman" (Arkham Asylum). Você não tem nem mesmo como compará-los. É impossível.

E então os desenvolvedores de conteúdo também se apaixonaram pelo rápido sistema gráfico das GPUs. Então mais conteúdos começaram a surgir, tornando-se mais e mais bonitos. Com os conteúdos cada vez mais bonitos, resolução das telas aumentando e as pessoas querendo maiores resoluções e coisas nos interiores dos cenários, os requerimentos das GPU passaram a subir continuamente.

Cerca de 6 ou 7 anos atrás, comecei a ver que todos os chips gráficos, não importando o quão rápidos, passaram a ter uma habilidade em comum: mapeamento de textura. O que se via nos games era uma padronização do visual. O estilo era muito parecido. Todos os simuladores de vôo que usaram o Silicon Graphics Image Generator pareciam iguais. Tanques, helicópteros, pilotos, soldados: todos pareciam a mesma coisa. Sem estilo, sem arte. Então começamos a fazer os chips gráficos mais programáveis. Essa foi a invenção do "programable shading".

Só o fato de disponibilizarmos um pouco de programação, os desenvolvedores de games foram à loucura com os pixels shaders. Isso fez os jogos serem diferentes uns dos outros. Completamente diferentes em estilos, em shaders. Eles simplesmente pareciam diferentes.

E, agora, o que a programabilidade fez foi dar expressão artística aos gráficos computacionais, diferente dos games mais antigos. Então, como exemplo, um jogo da Crytek e um da Epic agora parecem diferentes para mim. Estilos diferentes. Assim como Lamborghini e Ferrari: ambas fazem lindos e rápidos carros, mas com estilos diferentes. Assim, trouxemos estilo e arte à industria dos games. Uma das grandes contribuições que trouxemos, eu acredito.

Então, como já começaram a formar a parte artística, as pessoas quiseram infinitas habilidades de contar uma história. Sim, eles querem infinitas formas: você dá uma pequena, eles adoram, eles querem mais e mais. E nesse ponto eles dizem: queremos que tudo, de agora em diante, seja programável. Dos shaders à inteligência artificial utilizada, aos processadores. Não são mais suficientes apenas centenas de shaders. O que eles querem agora são centenas de processadores, para poderem escrever qualquer programa que quiserem. Isso é o que vemos hoje. Isso é o que nos trouxe aqui.

E eu acho que nos próximos dez anos, cada um dos microprocessadores em todo o mundo terá alguns CPU cores e muitos GPU cores. A Intel pode fazê-los. AMD pode fazê-los, talvez nós também possamos. Qualquer microprocessador no mundo fará processamento gráfico. Não tenho dúvidas sobre isso. A pergunta que eu faço é: tudo isso estará em um único chip? Quanto a isso eu penso que, absolutamente não. Às vezes você tem tudo em apenas um chip. Às vezes em dois. Às vezes você tem uma CPU e muitas outras GPUs. Outras vezes, algumas CPUs e algumas GPUs.

Então a combinação é muito diferente para diferentes propósitos: workstations, design de games, gamers entusiastas. Não há sentido em estar tudo sempre em um único chip.

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Imprensa: Isso é chamado de co-processamento.

Jen-Hsun: É isso aí. Esse é o futuro! Eu acho que nesse ponto, isso é completamente óbvio. E eu acho que essa nova arquitetura que inventamos vai durar cerca 30 anos na indústria. É algo que vem sendo estudado durante esses últimos anos e tem se tornado cada vez melhor. Digo isso porque a última arquitetura também durou 30 anos. Uma vez que os desenvolvedores de conteúdo aprenderam a usar nossa arquitetura, eles não querem mudar, pois eles querem que todas as aplicações que foram escritas ontem sejam usadas e trabalhadas amanhã.


A plataforma TEGRA é a aposta da NVIDIA para a computação móvel

Imprensa: E essa última arquitetura foi a CPU?

Jen-Hsun: A CPU. A unidade central de processamento se desenvolveu em cerca de 30 anos. Basicamente o tempo da minha carreira. Toda a minha carreira aconteceu paralelamente à evolução das CPU. Isso faz todo o sentido.

Imprensa: Então vocês se consideram uma companhia centrada em games, ou vocês pretendem futuramente se tornar a próxima Intel?

Jen-Hsun: Bem... esse não é nosso objetivo. Nosso objetivo não é ser a próxima Intel. A razão para isso é porque eles não são nossos heróis.

Imprensa: A mãe do “paradigma dos games”.

Jen-Hsun: Sim... eu acho que a partir desta perspectiva acho que as pessoas nos dão grande crédito por termos começado com esse “paradigma computacional”, como você disse. Eu acho que essas mesmas pessoas sempre vão ser muito apaixonadas por videogames, e tanto a NVIDIA quanto os desenvolvedores sempre vão ser muito apaixonados por essa arte, em vez de agirem apenas de forma científica. Eu acredito que sempre iremos aproveitar isso, porque essa é a natureza da nossa companhia.

"O que você é e como você faz dinheiro
não são necessariamente a mesma coisa."

Imprensa: Qual é o foco da NVIDIA para o futuro? Software ou Hardware?

Jen-Hsun: Software, software!

Imprensa: E como vocês pretendem ganhar dinheiro com software?

Jen-Hsun: Software, ao vender hardware. Não se esqueça que a Apple é uma companhia de software, mas eles vendem hardware, não é verdade? A NVIDIA é uma companhia de software. Nós só não fazemos os aplicativos, mas criamos toda a tecnologia que é base para isso. Nós criamos mais tecnologia de computação visual do que qualquer outra companhia no mundo. Nós fornecemos um caminho. Google proporciona pesquisa. Eles mostram um caminho. E eles vendem propaganda. Percebe?

O que você é e como você faz dinheiro não são necessariamente a mesma coisa. A NVIDIA é uma companhia completamente integrada a soluções de computação visual e paralela. Nós temos software, nós temos sistemas, nós temos arquiteturas, nós temos o que for preciso. Não importa. Temos ferramentas, compiladores, linguagens... o que quer que seja necessário, nós temos. Isso é o que somos! E o que vendemos é um chip!

Software é a coisa mais importante para o futuro porque chips são fáceis. Todos podem fazer chips, certo? É muito caro. Alguns podem passar de um bilhão de dólares. Mas isso não significa que seja difícil de fazê-lo. Só significa que é caro. O que é difícil é a imaginação, é descobrir como inspirar as pessoas, como criar uma coisa incrível. Isso é arte. Nenhum dinheiro no mundo pode te ajudar a ser inspirador.

Adrenaline: Antes de começarmos a nossa entrevista, você comentou em off a respeito do potencial da computação paralela nos campos de gás e energia. O Brasil tem a PETROBRAS...

Jen-Hsun: Claro, eu pedirei que a nossa equipe de relações públicas lhe passe algum caso de sucesso com a PETROBRAS.

Imprensa: Qual a relação da NVIDIA com a ARM? Vocês seriam parceiros devido ao TEGRA ou competidores? Pois vocês lutam pela mesma parcela de mercado.

Jen-Hsun: Nós somos parceiros. Como você sabe, TEGRA tem um núcleo de GPU e um núcleo ARM ao mesmo tempo. Mas se trata de um processador, na verdade reunindo oito processadores. É o co-processamento levado ao extremo. O que as pessoas compram quando compram o TEGRA é a experiência do TEGRA. Elas não compram "ah, eu estou comprando um chip ARM" ou "estou comprando um chip de GPU". Eles compram TEGRA. Então, dessa perspectiva, a ARM licencia tecnologia para nossos competidores, mas a ARM não compete diretamente com a NVIDIA.

Imprensa: Essas licenças são gratuitas, não são? Você cobra pelo uso da licença?

Jen-Hsun: Não, TEGRA é um hardware de baixo-custo.

Imprensa: E como vocês protegem sua fatia de mercado desse jeito?

Jen-Hsun: A maneira como nos protegemos no mercado – ou, pensando de outro jeito, a maneira como nos tornamos excepcionais no mercado - é oferecendo mais. Então, quando você tem TEGRA, sua performance é melhor. Isso é verdade. Mesmo que a fabricante dos chips seja a mesma, nosso chip é o melhor porque nossa arquitetura é melhor. E nossos outros competidores - como a Freescale, Qualcomm, TI - licenciariam “pedaços” de tecnologia para a ARM e outras empresas. Por termos a habilidade de produzir nossas próprias peças, nossas soluções são mais integradas. Funciona melhor desta maneira.

Imprensa: Então ninguém mais tem o acesso às partes GPU do TEGRA?

Jen-Hsun: Não, não... não existe razão de licenciar isto... Porque, se você realmente gosta da GeForce, apenas compre o TEGRA (risos). É fácil de comprar...é também tão pequeno, certo?

"Nós queremos ser os melhores. Às vezes não somos os melhores.
Mas sempre estamos tentando ser os melhores."

Imprensa: Como a NVIDIA consegue sempre ser a melhor? Quero dizer, é muito difícil de pensar em como ser sempre o primeiro do mercado em que você atua. É algo um tanto complicado...

Jen-Hsun: Sim... bem complicado.

Imprensa: Então, como é feito o planejamento para se alcançar esse status?

Jen-Hsun: Nosso plano é não ter um “plano-B”. Deixe eu lhe dar um exemplo... Quando se está em alta, dizemos: “Você deve fingir que não há lucros demais. É claro, quando eles caem (passam por maus lençóis), é bom ter dinheiro sobrando, lucros. Mas ao menos você deve fingir que não tem finanças positivas. Para nós, consideramos não ter lucros. Para nossos empregados, não há lucros. Não há segurança de lucros, não há um backup. Como resultado desse pensamento, você tem que criar coisas novas. E foi assim que nós nos tornamos a NVIDIA. Nós queremos ser os melhores. Às vezes não somos os melhores. Mas sempre estamos tentando ser os melhores. Pelo menos nos últimos 15 anos. Em média, estamos conseguindo ser os melhores. Claro que vamos continuar a nos estimular cada vez mais, para sermos mais criativos, imaginativos. Esse é o propósito do nosso negócio. Nada é garantido, e é por isso que precisamos ter as melhores pessoas.

Adrenaline: Falando sobre o TEGRA... há uma grande expectativa sobre essa nova tecnologia. No mês passado em uma coletiva no Brasil vocês apresentaram o SmartBook. Um produto bem interessante. Você pode nos dar alguma previsão em relação ao lançamento do primeiro smartphone que usará esse processador?

Jen-Hsun: Muitos smartphones têm sido construídos. Eu acho que logo no início do ano que vem, e em todos os trimestres seguintes vão ser lançados. Smartphones levam um longo tempo para serem desenvolvidos.

Adrenaline: E quem está desenvolvendo esses produtos em parceria com a NVIDIA?

Jen-Hsun: Eu não posso anunciar ainda, mas são grandes empresas.

Imprensa: O que eu quero dizer é... Vocês poderiam fazer a Apple comprar o TEGRA?

Jen-Hsun: Existem muitas oportunidades no mercado...

Imprensa: Eles estão bem à frente de vocês no mercado de smartphones.

Jen-Hsun: Bem, eles não estão exatamente à frente da NVIDIA. Nós não estamos no mercado de smartphones, nós estamos no mercado de processadores TEGRA. iPhones são um sucesso. Na verdade, o BlackBerry está à frente do iPhone, como você sabe. De qualquer maneira, qualquer telefone produzido hoje vai se tornar um smartphone. Esse mercado é gigantesco. E nós temos muito tempo.

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Imprensa: No ano passado, você investiu US$ 1 bilhão de dólares na NVIDIA. Por que resolveu fazer esse investimento?

Jen-Hsun: Bem...Eu realmente investi um bilhão de dólares no terceiro trimestre do ano passado na NVIDIA. Realmente investi nessa companhia. E eu acho que fiz o melhor investimento do mundo. Nos últimos 12 meses, a NVIDIA esteve entre as melhores empresas no mundo em termos de retorno financeiro, estando, desde o início desse ano, no TOP 2 ou TOP 3 de retorno financeiro da Nasdaq. As razões pelas quais eu acredito que a NVIDIA seja uma boa empresa para se investir são as seguintes:

1) Essa é uma companhia que trabalha com criatividade, capacidade e imaginação. E o mais importante é a grande oportunidade de mercado. As oportunidades de mercado da NVIDIA são muito, muito maiores que as da Intel e da AMD.  É algo totalmente diferente, porque nosso mercado não é apenas o mercado de PCs, mas também o de computação paralela, computação baseada na web, computação móvel... Não é somente PC. É muito mais provável que a NVIDIA seja capaz de crescer de US$4 para US$40 bilhões hoje em dia do que a Intel crescer de US$40 para US$160 bilhões. Então nós temos muito mais oportunidades de crescer. E, claro, as oportunidades vieram através de pessoas inteligentes, ideias únicas, tecnologia única, invenções, e assim por diante.

2) A segunda razão que faz da NVIDIA uma empresa especial são as próprias pessoas, que são realmente espetaculares. Essa é uma daquelas companhias que atrai naturalmente pessoas inteligentes, apaixonadas pelo seu trabalho. Então, quando você investe em uma companhia, você deve investir, na verdade, nas pessoas. E não na companhia em si. E eu realmente acredito que a NVIDA tem pessoas muito especiais. E isso acontece devido à cultura da empresa, que é diferenciada. Se você entende a cultura da nossa companhia, você passa a perceber o motivo de produzirmos coisas incríveis. Essas são as razões pelas quais eu invisto na NVIDIA. Por isso é justificável investir 1 ou 2 bilhões.


Sede da Nvidia em Santa Clara - Califórnia - EUA

Se eu fosse investir US$ 10 milhões, iria pensar de outra maneira sobre o investimento. Iria pensar da seguinte forma: "Como está o faturamento da NVIDIA atualmente?", "quais as dinâmicas novas de hardware?, "estamos com preços defasados ou inflados para os próximos dois ou três anos?". Assim eu faria meu investimento de US$ 10 milhões. Seria como se fosse jogar cartas em Las Vegas, certo?  Mas, já que estamos falando de valores como US$ 1 ou US$ 2 bilhões em investimento, então eu estou fazendo um grande investimento. E isso já não é como jogar cartas. A importância disso é muito maior. Por isso, eu tenho que conhecer as pessoas, a cultura, estratégias,  quero saber o “porquê”. Você entende?

Então você tem duas formas de se questionar: Em uma delas, você se pergunta “A NVIDIA está abaixo ou acima do valor de mercado atualmente?”. Na outra, você deve se perguntar coisas do tipo "como é a cultura?", "como são as pessoas?", "por que elas vão ser tão especiais?", "como elas são relativamente diferenciadas em termos de competição?", pois o meu bilhão de dólares pode ir aqui ou ali. Já com $10 milhões eu poderia investir em ambos os lugares, certo? (risos)

"Dois terços do nosso faturamento bruto vêm dos games, mas dois terços do nosso lucro em si vêm das estações de trabalho Quadro"

Imprensa: Sendo reconhecida como uma companhia focada em games, como vocês eram, foi difícil receber atenção da comunidade científica para ser o que vocês são hoje?

Jen-Hsun: Essa é uma pergunta muito interessante. Sim e não. Antes de tudo, somos lembrados com uma companhia de games porque a marca GeForce é muito forte. E quando você faz uma coisa muito boa por um longo período de tempo, com muita paixão pelo seu público, elas convidam você para o clube delas. “È isso que a NVIDIA é: uma companhia de games”. Não somos exatamente uma companhia de games, somos uma companhia de computação visual. O que acontece é que nos preocupamos com gamers por tanto tempo que eles nos convidaram aos seus lares, nos tratando como uma companhia especializada em games. “Eles são um de nós”. Isso é um elogio, uma coisa boa.

É claro, tivemos desafios com comunidade científica que não nos levava a sério, por sermos reconhecidos como uma companhia de games. Entretanto, não se esqueça, a muitos de meus clientes gamers são cientistas. Ontem, vocês viram uma apresentação do CEO da Techno Scan. Trata-se de uma empresa que trabalha com a detecção de câncer de mama. A maneira como eles conheceram a arquitetura CUDA foi através de um engenheiro. E o engenheiro, por sua vez, ouviu falar de CUDA porque ele é um gamer! Ele tem sido um cliente da NVIDIA por muitos anos. E então, quando nós inventamos CUDA, ele instantaneamente entendeu como isso poderia ajudar a Techno Scan. Ele levou quase um ano para convencer a companhia a usar esta tecnologia. Ele era o nosso melhor vendedor. Nós não enviamos nenhum funcionário para fazer o serviço de vendedor. (risos) Existem milhões e milhões de gamers ao redor do mundo. E eles são muito inteligentes. Você quer os gamers do seu lado (risos).

Adrenaline: O mercado de games ainda é o mais lucrativo para a Nvidia?

Jen-Hsun: Eu diria que provavelmente não. Dois terços do nosso faturamento bruto vêm dos games, mas dois terços do nosso lucro em si vêm das estações de trabalho Quadro. Você sabe, a NVIDIA é a maior provedora de tecnologias para estações de trabalho no mundo e a fatia de participação no mercado dessas estações de trabalho é de provavelmente 95%. Toda empresa, todo país, todo carro, companhias de óleo, aviões, trens, sapatos, tênis (risos) usa a tecnologia Quadro. Nossa participação de mercado em computação visual de estações de trabalho é maior que a de qualquer outra companhia que trabalhe com isso. É uma atividade muito lucrativa, mas a indústria de estações de trabalho não é muito grande, porém é muito importante.

Imprensa: Quais são os planos para a divisão de chipsets da NVIDIA?

Jen-Hsun: Nossa divisão de chipsets irá apresentar novas tecnologias animadoras em um futuro próximo. No próximo ano vai haver um crescimento no mercado de chipsets. Mas, por causa das alegações e táticas destrutivas da Intel no mercado, é impossível para nós sermos bem sucedidos em construir chipsets para a DMI, a próxima geração de CPUs. Por isso nós vamos sair desse mercado. Não tenho como dizer exatamente o que vai acontecer, mas não temos nenhum plano para desenvolver chipsets DMI neste momento.

Nossos negócios em chipsets, entretanto, vão continuar existindo por mais um ano e meio, talvez dois anos. E nós temos algumas novas tecnologias interessantes que vamos apresentar, e que não são exatamente chipsets ou GPUs. Estamos muito animados com isso, com essas novas ideias, mas ainda não as anunciamos.

"Espero que todas as nações do mundo, incluindo o Brasil, processem a Intel por práticas competitivas indevidas."

Imprensa: Então a NVIDIA não irá produzir chipsets DMI?

Jen-Hsun: Não vai existir nenhum chipset vindo da NVIDIA. Não estamos trabalhando nisso.

Imprensa: E nada de chipsets AMD?

Jen-Hsun: Sim. Nós paramos de fazer chipsets AMD já há algum tempo, nos focando completamente na Intel. Vamos dar suporte aos front-side bus atuais enquanto eles estiverem disponíveis no mercado, o que deve ocorrer por mais dois anos ou algo assim.

Imprensa: Você não acha que a Intel pode aposentar o front-side bus mais cedo para prejudicar a NVIDIA?

Jen-Hsun: É... Se eles fizerem isso, está feito. É engraçado. O que se pode fazer nessa ocasião? Quero dizer, a Intel tem tantas táticas... e isso é tão injusto. Nós temos um processo judicial contra eles, e vamos deixar a Justiça decidir se eles fizeram algo errado ou não. Espero que todas as nações do mundo, incluindo o Brasil, processem a Intel por práticas competitivas indevidas. Se todo mundo processar a Intel em $1.4 bilhões, eles vão ficar sem dinheiro em breve! (risos). Eles estão em muitos países.

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Adrenaline: Tem se falado muito sobre o Lucid Hydra 200 e sobre a possibilidade de se usar múltiplas GPUs sem utilizar o artifício do SLI ou Crossfire. O que você pode comentar sobre essa tecnologia?

Jen-Hsun: Eu não sei. Isso soa como uma ideia ruim.

Imprensa: Vocês ainda não a testaram?

Jen-Hsun: Não, não. Ela é boa? Você gosta dela?

Adrenaline: Não testamos ainda. Foi anunciado no IDF (Intel Developers Forum).

Jen-Hsun: É, eu ainda não a vi. Soa mesmo como uma ideia ruim. Há muito de software envolvido nisso. E, para pensar que não há software, sabe... há muito o que esperar. Há tanto software nos drivers dos dispositivos, e tantas otimizações que eu não posso nem mesmo imaginar isso no momento. Eu acho que vai ser uma ideia “sub-otimizada”

"As novas capacidades gráficas da GeForce não foram reveladas ainda.
Temos tecnologias muito animadoras para compartilhar com vocês.
"

Imprensa: Você pode falar um pouco sobre Fermi?

Jen-Hsun: Sim.

Imprensa: Estou receoso que isso não vai ser tão bom para os jogos quanto será para a computação gráfica.

Jen-Hsun: Você não precisa se preocupar. (risos) Isso é impossível. Como poderia ser possível? É impossível.

Jen-Hsun segurando uma placa com arquitetura Fermi durante o Keynote de abertura do GPU Technology Conference


Imprensa: Quero dizer... Ela foi apresentada como “um computador dentro de um chip” ao invés de “a mãe de todas as GeForces”.

Jen-Hsun: Porque essa é uma conferência para todos os cientistas de chips. A GTC (GPU Technology Conference) não é para gamers, certo? Essa é uma conferência de computação paralela. Então não faz sentido falar sobre games. Você pode imaginar, ontem, na platéia, falarmos sobre a detecção de câncer de mama e então falarmos sobre jogos? Meio estranho, não é mesmo? (risos). As novas capacidades gráficas da GeForce não foram reveladas ainda. Temos tecnologias muito animadoras para compartilhar com vocês. É claro que uma das tecnologias mais animadoras nós compartilhamos ontem, certo? Ray Tracing. No futuro vai existir ray tracing e rasterização. Você não vai ter que escolher.  É assim que vai ser. Mas há uma quantidade totalmente nova de coisas, segredos que revelaremos em outra oportunidade.

"...apesar da questão dos testes, o tempo em que podemos colocar o produto no mercado é muito rápido para os gamers."

Adrenaline: Pelo que você disse, ainda vai levar um tempo até que a Fermi esteja disponível para o mercado de jogos, certo? Por causa dos testes e tudo mais?

Jen-Hsun: Sim, os testes levam a mesma quantidade de tempo independente do público-alvo. Um jogador tem a mesma expectativa que um cientista. Nada é mais frustrante do que o computador travar quando você joga. Isso é provavelmente ainda mais frustrante do que um problema no computador do cientista. (risos) Mas, apesar da questão dos testes, o tempo em que podemos colocar o produto no mercado é muito rápido para os gamers.

Jen-Hsun: Bom pessoal, esse é o primeiro de nossos muitos e muitos encontros, e um dia eu irei ao Brasil. Onde exatamente você mora no Brasil?

Adrenaline: Em Florianópolis, uma ilha no sul do Brasil. É um lugar muito bonito.

Jen-Hsun: Sério? Você poderia dizer o nome outra vez?

Adrenaline: Florianópolis...

Jen-Hsun: Flo....ria… (risos) Isso é difícil, heim!

Adrenaline: O pessoal da NVIDIA Brasil adora Florianópolis, aliás, todos os brasileiros.

Jen-Hsun: É mesmo? (risos) E qual a duração de um voo da sua ilha até aqui?

Adrenaline: Uma hora até São Paulo, mais oito horas até Miami, ou nove horas até Dallas.

Jen-Hsun: Certo, e mais cinco horas (até a Califórnia)... Ah, então não é tão ruim... Em metade de um dia você faz tudo isso e já pode estar lá. Você deveria ficar mais um pouco por aqui.

Jen-Hsun: Certo, pessoal, obrigado! Aproveitem sua estadia!
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Agradecemos ao Jen-Hsun e à toda a equipe da NVIDIA e da IMS Brasil por possibilitarem essa entrevista e a cobertura do evento.