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tecnologia categoria : tecnologia | 10.09.2010 / 16h25 | comentários : 0


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Ronaldo 'Rbuass' Buassali, líder do Team Adrenaline Overclock

autor: jacson

Overclock é a técnica de tornar um computador mais potente, rodando em velocidade superior ao estabelecido pelo fabricante. Para isso, os overclockers, denominação dada aos usuários que praticam o Overclock, utilizam várias técnicas, de acordo com o ganho de velocidade que se almeja alcançar.

Ronaldo "Rbuass" Buassali é hoje o maior expoente latino-americano do Overclocking extremo, que busca através da modificação física de componentes como placa mãe e placa de vídeo, e auxílio de LN2 - nitrogênio líquido, atingir velocidades muito superiores das setadas pelos fabricantes. Brasileiro, casado e pai de uma filha recém nascida, Ronaldo é engenheiro por formação e Overclocker por opção. Nessa entrevista buscaremos saber um pouco mais sobre o segmento e as dificuldades de alguém que tenta alavancar um segmento que ainda está engatinhando no Brasil.

Vale ressaltar que enquanto entrevisto Ronaldo aqui em Taiwan, tenho a possibilidade de acompanhar, ao vivo, o Hardmod da placa de vídeo que será utilizada logo mais na competição. As mudanças incluem alteração de resistências, instalação de potenciômetros para liberar a utilização da placa em altas voltagens, atitudes aparentemente não tomadas pela maioria dos outros competidores, uma vez que ainda não existem informações sobre a placa disponíveis no mercado, já que as primeiras foram entregues hoje durante o check-in no hotel e seu lançamento oficial será realizado apenas no dia 12 de setembro. Dessa forma, poucos devem arriscar para buscar resultados extremos e aumentar assim a chance de vitória, porém correndo o risco da placa não suportar as modificações realizadas e "morrer".

Vamos às perguntas...

ADRENALINE: Ronaldo, o Overclocking é visto no Brasil, essencialmente, como um hobby, e dos bem caros. Diante disso, como é ser um overclocking em um país como o Brasil, onde a modalidade ainda recebe pouco incentivo por parte dos principais players e a tributação sobre hardware em geral é bastante elevada?

RONALDO: Acredito que o Brasil é um dos países mais difíceis para um usuário normal se tornar um Overclocker, e quando falamos em overclocking extremo, as possibilidades ficam ainda mais remotas.

Tomando por base o alto preço dos insumos necessários a pratica do overclocking, valores muito acima dos praticados no exterior, sem contar o investimento necessário para a compra do nitrogênio líquido (LN2) usado para refrigeração do sistema, o resultado só poderia ser uma pequena quantidade de praticantes. Porém, como faz parte da "personalidade brasileira", este cenário está mudando bastante e hoje já temos integrantes de muito talento rankeando para o país. Isso tem ajudado a mudar a visibilidade do Overclocker brasileiro, que há bem pouco tempo atrás sequer era considerado uma ameaça e hoje já disputa em pés de igualdade com as maiores potências mundiais.

A: Recentemente você conquistou o título "Prince of Overclocking" pelo ranking HWBot, primeiro overclocker latino americano a receber essa honraria. Qual a importância deste tipo de premiação?

R: Esse título é concedido a todos os Overclockers que conseguem atingir o Top 10 do ranking mundial, no meu caso, foi mais especial, pois cheguei a essa posição justamente no dia do meu aniversário. Toda a comunidade overclocker mundial considerada esse um título muito importante, e para mim é uma conquista muito especial, pois integra o país na seleta lista de países que se destacam no Overclocking, a frente de muitos países de primeiro mundo e com maiores condições. No lado pessoal, o título premia o meu esforço e dedicação, dando ainda mais força para eu ir em busca de conquistas maiores.

A: Para ser um bom overclocker é necessário um grande conhecimento técnico sobre hardwares, saber fazer as modificações necessárias nas configurações de fábrica e ainda ter acesso a equipamentos de última geração. Dessa forma, consegue-se resultados expressivos no ranking mundial. Porém nem sempre os melhores colocados no ranking do HWBot conseguem se sair bem em eventos como o MOA. À quê você credita isso?

R: Independentemente do conhecimento, o fator sorte numa competição deste nível é imprescindível. Os equipamentos possuem características muito particulares e podem ter grandes diferenças entre diferentes unidades do mesmo modelo. Para esclarecer, um mesmo modelo de processador pode chegar em um mesmo sistema a ter diferenças muito significativas, e desta forma, favorecer ou prejudicar um participante. Por isso é muito comum presenciar um grande overclocker dentre as últimas colocações em uma competição deste nível. O oposto não costuma acontecer, pois um ganhador de um campeonato mundial com certeza tem um grande conhecimento, e dentro da competição além de sua capacidade, teve a sorte de ter utilizado um equipamento com mais potencial.

Apenas lembrando que no início da competição as peças são sorteadas, e a sorte e/ou o azar pode vir para qualquer um. Somente pelo fato dos competidores terem conseguido a vaga para um campeonato mundial, já demonstra que todos os participantes têm muito nível e potencial para ganhar.

A: Qual a importância de participar de eventos internacionais como o MSI MOA 2010 e quais suas expectativas para o evento?

R: É muito importante mostrar para o mundo que integramos os melhores. Somente desta forma conseguiremos fazer com que nos vejam como devemos ser vistos, ou seja, com total possibilidade de sermos vencedores. Acredito já ser hora de começarem os investimentos no Brasi, que é, sem dúvida, um dos maiores consumidores de hardware do mundo e, com toda certeza, um dos maiores berços de talentos nesta área. Estou muito bem preparado e se desta feira tivermos sorte, traremos a vitória para o Brasil. Precisamos apenas repetir os resultados que fizemos nos treinos antes de viajarmos.

A: No aeroporto de Amsterdam, enquanto aguardávamos o voo para Taipei, encontramos alguns overclockers europeus, seus colegas e amigos. Você mencionou as dificuldades de fazer overclock no Brasil e eles compartilharam algumas experiências. Você pode dividir com nossos leitores algumas dessas histórias para evidenciar o contraste entre a sua realidade e a deles?

R: Bom, você participou da conversa e pode ver os relatos que demonstram a diferença do apoio recebido por eles. Enquanto nós fazemos overclock, na maioria das vezes, com uma única unidade, as equipes estrangeiras podem se dar ao luxo de forçar mais o equipamento e se arriscar a "queimar peças", pois estas tem reposição imediata e são obtidas com imensa facilidade.

No último treino antes de viajarmos para o MOA, queimamos um processador Intel 980X (Gulftown) que era de "estimação", pois foi o melhor que eu já havia tido. Mesmo assim conseguimos resultados incríveis. Quando comentamos esse fato com a equipe da Bélgica, a resposta foi: nós queimamos 05 desses! Com uma naturalidade desconcertante...

Eu resumo essa questão falando que tudo depende da perspectiva, pois se a situação ainda é ruim no Brasil, ao menos melhorou bastante se compararmos com 03 anos atrás, e hoje estamos muito melhores e os apoios já começam a surgir. Tímidos, é verdade, mas nos levam a uma perspectiva otimista.

A: Ano passado, em parceria com o Adrenaline, você deu início ao projeto Team Adrenaline Overclocking, que entre outros objetivos, prevê a formação e incentivo de outros overclockers através de aulas de overclock básico e extremo. Quais os resultados colhidos até então?

R: Apostamos na divulgação e no ensino do overclocking para os brasileiros interessados e hoje já colhemos muitos frutos. Contamos com uma equipe de nível internacional, classificada com folga como a primeira latino-americana no ranking mundial. Um exemplo do sucesso dos cursos é a consolidação de Yuri "Gnidaol" Balzana, que está aqui em Taiwan disputando o mundial devido ao fato de ter vencido a etapa latino-americana. Além dele, nossa arte está se espalhando e podemos citar Overclockers como Guerreiro, Overheat, Joe90Br, Dinho, Bynext, Nolonger, e outros grandes talentos que vêm aparecendo por aqui.

A: Ainda falando sobre o cenário brasileiro, você acredita que futuramente possamos disputar em igualdades de condições com países desenvolvidos e com os tigres asiáticos, local onde estão instaladas as principais fábricas de hardware?

R: Em condições de qualidade e de técnica, com certeza já nos equiparamos aos principais overclockers do Mundo, mas quando o assunto é o suporte e apoio recebido pelos fabricantes ainda estamos há anos luz de alcançá-los.

A: Por fim, o que você gostaria de dizer para quem gosta de overclock, mas tem medo de se aventurar na área devido aos altos custos?

R: Que o início pode ser feito ate com gelo caseiro e uma bomba de aquário. É característica dos brasileiros, o improviso. Depois que o usuário se apega à arte do overclocking, o desenvolvimento vem naturalmente com o estudo, e posteriormente com o desenvolvimento técnico. Exemplo disso é a grande quantidade de overclockers utilizando-se de plataformas baratas e gelo seco, obtendo divertidos e excelentes resultados.

A equipe do Adernaline agradece ao parceiro Ronaldo Rbuass Buassali pela entrevista e estamos na torcida para que traga bons resultados na Master Overclocking Arena (MOA) 2010.






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