
Surface, Nexus 7, Fire, Nook, iPad... os tablets nunca estiveram tão em alta!
autor: jacson
Muitos ainda não veem função, alguns odeiam e tantos outros, onde me incluo, adoram! Goste você ou não, os tablets vieram para ficar e são uma das principais - senão a principal - aposta dos grandes players da indústria de tecnologia. Duvida? Então você deve ter aproveitado o frio para hibernar nas últimas duas semanas, perdendo assim alguns anúncios relevantes no setor e que certamente repercutirão nos próximos meses.
Em uma semana a Microsoft anuncia o Surface, que trará ótimo hardware e estará disponível em duas versões: Surface Pro: processador Intel + Windows 8 Pro, transformando o tablet em um computador pessoal super portátil; e Surface RT: Com Nvidia Tegra 3 + Windows 8 RT, o sistema operacional da Microsoft para processadores ARM, com interface semelhante ao Windows Phone, baseado no Metro. O potencial é imenso! Mas nem tudo são flores... de tabela a Microsoft deixou o mercado OEM resignado com sua decisão de seguir os passos da Apple. Mas, quem se importa, certo? Tirando empresas como Asus e Nokia, entre tantas outras que terão que concorrer contra o próprio desenvolvedor do sistema operacional, ninguém liga mesmo, afinal, para os consumidores, quanto mais opções, melhor!
Na outra semana vem o Google e anuncia o seu primeiro tablet, o Google Nexus 7, que, apesar de carregar a marca Google, não deve canibalizar seus parceiros - visto que o Google já teve dois modelos de smartphones próprios e nem por isso a participação de mercado dos seus parceiros diminuiu, muito pelo contrário, só aumentou. Porém - sempre há um porém, quando o Google lançou seus telefones, o fez lançando-os com hardware e preço compatíveis aos praticados no mercado. É aí que a coisa começa a ficar interessante...
O Nexus 7 possui uma configuração de hardware semelhante a do iPad e de outros tablets dos principais players presentes no mercado, com processador Nvidia Tegra 3, tela IPS, 1GB memória RAM e outros mimos. A grande novidade é que o Google jogou o preço muito, mas muito para baixo. Um tablet com a configuração do Nexus 7, custando U$199, deve possuir algum subsídio! Não há margem para se chegar a esse valor, mesmo se considerarmos que o Google não precisa pagar entre U$10 e U$20 pela licença do Android, como fazem seus parceiros, já que ela é a desenvolvedora do sistema operacional. E onde ganharia o Google? No Google Play! Quanto mais tablets no mercado, mais aplicativos vendidos e maior o poder de barganha com desenvolvedores, aumentando a margem.

Tabela comparativa de especificações do Surface RT, Nexus 7 e iPad.
Também chama atenção o fato de o produto ser fabricado pela Asus. O Google já lançou dois smartphones com marca própria: um em parceria com HTC e outro com a Samsung; porém, ambos antes de anunciar a aquisição da Motorola, em agosto do ano passado, lembram? Há cerca de um mês, em 22 de maio, para ser mais exato, o Google concluiu a compra da Motorola, mudou seu CEO por um executivo do próprio Google e, seria natural, a partir de então, o Google passar a investir em si próprio, mesmo que a estratégia da empresa fosse utilizar a marca do Google e não a da Motorola. Afinal, a partir de agora, investir na Motorola é investir em si mesmo. Isso deixa margem para especulações, concordam?
A pergunta que me faço é: será que a Motorola conseguiria fabricar o Nexus 7, com as configurações anunciadas, a um preço próximo de U$199,00? Se não conseguisse, o Google teria que subsidiar muito mais do que, especula-se, os cerca de U$40 dólares por unidade que a empresa vem subsidiando - ao menos é o que acreditam pessoas da indústria com quem conversei entre ontem e hoje. Por outro lado, a Asus tem uma expertise muito grande na fabricação de tablets e é um grande cliente / parceiro do Google. Curiosamente, durante a CES de 2011, quando lá estive a convite da Asus, vi um tablet de 7 polegadas no estande da empresa. O produto de engenharia lá exposto supostamente seria equipado com Tegra 2 e, evoluções do segmento a parte, as demais configurações eram semelhantes ao recém anunciado Nexus 7, exceto o design, refinado de um ano e meio para cá.

O processador Tegra 3, da Nvidia, equipa os lançamentos da Microsoft e Google. Ponto para a Nvidia!
Em um mercado em que a Apple dá as cartas e joga de mão, com cerca de 70% de participação de mercado, lucrando nas duas pontas, com fabricação de hardware próprio e venda de aplicativos através da App Store, é importante analisar as estratégias dos novos concorrentes, Microsoft e Google. A Microsoft, com o Surface, tenta seguir o caminho da Apple, fabricando hardware e tendo sua loja de aplicativos, podendo dessa forma sonhar em lucrar com todo o ecossistema, mas em contrapartida estremecendo seu relacionamento com os OEMs. Para vocês terem uma ideia a estratégia da Microsoft estava tão bem guardada, que a grande maioria dos funcionários da empresa não sabia nada a respeito do anúncio do Surface e, quando ele veio, tomaram um susto. Aliás, não sabiam nem o que dizer aos seus parceiros! Problemas internos a parte, a grande questão é se a gigante de Redmond acertará a mão dessa vez. Dinheiro para investir e profissionais qualificados é o que não falta para a Microsoft e, mesmo se o problema for equipe, basta "roubar" alguns profissionais da concorrência, afinal, em Redmond o caixa anda cheio, mas... quando lançaram o Zune (mp3 player), também não faltava. E deu no que deu! Big fail, my friends!
Já a estratégia do Google parece mais coerente com o posicionamento adotado pela empresa desde o lançamento do Android. Desde que a Amazon entrou no mercado de tablets, o Kindle Fire, apesar de baseado em Android, acabou roubando mercado na área de aplicativos. Sendo vendido por U$199, nos Estados Unidos, O Fire da Amazon está ancorado na maior loja de livros digitais da web, além de ter uma loja própria de apps, o que diminiu o faturamento do Google com aplicativos. O mesmo vale para o Nook, da Barnes & Noble, maior rede de livrarias dos Estados Unidos, que também possui sua própria loja de aplicativos.
Com o Nexus 7, o Google terá um hardware muito mais poderoso que o Fire e o Nook, dispositivos na mesma faixa de preço, o que somado a evolução da loja de aplicativos da empresa, torna o Nexus 7 uma opção de massa, acessível a todos. Por tabela o Google ainda pressiona seus parceiros e concorrentes a reverem valores e margens de lucro, o que, novamente, é bom para nós consumidores.
O mercado de tablets está em franca ascensão. Inegável! Nos últimos 12 meses apresentou 120% de crescimento e consolidou ainda mais a Apple com seus estrondosos 70% de participação como líder absoluta - com público cativo e fiel. Resta saber como os novos consumidores irão receber os novos players e seus produtos, porque se depender dos "early adopters", público já catequizado pela Apple, esquece! A estratégia dessas empresas tem que ser trazer produtos diferentes (feito!) e mudar a abordagem, olhando mais para as necessidades e carências dos consumidores e menos para a macieira alheia - uma referência de sucesso, difícil de ignorar. Não é a toa que a Samsung cresceu tanto nos últimos anos no segmento mobile...
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