
Futurecom 2011: 3G no Brasil supera banda larga fixa, mas é o mais caro da América Latina
autor: risastoider
A banda larga móvel é o serviço que mais cresce no Brasil, conforme pesquisa realizada pela Teleco a pedido da Huawei, em edição especial para a Futurecom 2011. Apenas no primeiro semestre deste ano, foi um crescimento de 35% em comparação com apenas 10% da banda larga fixa. No segundo trimestre, a penetração do serviço no Brasil chegou aos 13,7%, deixando o país praticamente no mesmo nível da média mundial.
Entre os 1100 entrevistados com dispositivos 3G de cinco capitais brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife e Brasília), que utilizam tanto smartphones quanto tablets e modems 3G, 79% afirmou que usa os portáteis para acessar a Internet. Desses, mais de 90% declararam-se satisfeitos com os serviços oferecidos, tanto nos planos móveis quanto fixos. Os demais declararam não precisar desse tipo de recurso, ou evitá-lo devido aos altos preços.
Os valores cobrados pelas operadoras ainda são um impeditivo para a adoção em massa à tecnologia no país, que tem a maior média da América Latina e preços superiores aos praticados em outros continentes, especialmente nos pacotes que oferecem entre 2GB e 3GB. A média, por aqui, é de R$89,90 mensais por esse tipo de plano. No Chile, o valor cai para o equivalente a R$66,42 e na Argentina o preço é ainda menor: R$56,55.
Em outros países, a média desce ainda mais. No México, os usuários pagam por volta de R$30,51, por exemplo. Já a Inglaterra e Portugal têm planos de 2GB que custam aproximadamente R$38. Conforme a Huawei, o que prejudica o Brasil nessa comparação são as cargas tributárias e o câmbio. Mas, de qualquer forma, as operadoras tentam contornar o problema ao customizar as ofertas, oferecendo pacotes especiais para usos diferentes, como e-mail, redes sociais e chat.
O desafio para a Copa de 2014 será incrementar a infrasestrutura de dados, enquanto em 2010 e nas Olimpíadas de 2008, o foco era no serviço de voz. Para as operadoras, a demanda pelo acesso móvel à Internet representa uma oportunidade para faturar com o segmento, a exemplo de outros países. No Japão, por exemplo, durante o segundo trimestre de 2011, 52,8% da receita da operadora NTT Docomo foi proveniente dos serviços de dados.
Medidas de inclusão
Hoje, no mundo, três de cada dez celulares vendidos
são smartphones, conforme a pesquisa apresentada pela Huawei. Desde o final de
2010, as vendas globais desses aparelhos superam as de computadores pessoais.
Nesse cenário, a Huawei acredita que os smartphones são instrumentos de universalização
e inclusão digital. Entre os entrevistados, 90% usam celulares 3G, dos quais
62% se enquadram na categoria de smartphones. Os demais utilizam modems 3G ou
tablets que, por sinal, andam na contramão da universalização do acesso. Ainda
segundo os dados do estudo, apenas 2% dos pesquisados acessam a Internet através
dos tablets.
O que dificulta a adoção em massa desses dispositivos é o preço, muitas vezes superior ao dos smartphones. Mas isso não impede que os tablets sejam objetos de desejo. Pelo contrário: a maioria dos entrevistados (52%) quer adquirir um. Os modems 3G vêm em segundo lugar, com 15%.
Diminuir os preços dos aparelhos e, principalmente, dos planos, pode ser um bom impulso para a massificação do acesso à Internet. Conforme a Huawei, 52% dos usuários de smartphones 3G escolhem a operadora não pela qualidade do serviço ou pela cobertura, mas sim pelas vantagens e promoções oferecidas.
Por mais que o Brasil ainda mantenha altos preços nos planos de banda larga móvel, ao menos os dispositivos estão um pouco mais baratos: no segundo trimestre do ano, houve uma queda de, em média, 8% em relação ao período anterior. Quando se fala na soma de serviços, em média, o brasileiro aceitaria pagar por volta de R$107 para ter internet banda larga em casa, em conjunto com um aparelho 3G e TV por assinatura.
E, por falar em TVs, por que não levar alguns recursos dos smartphones a esses aparelhos? A Huawei descobriu que 71% dos entrevistados já baixou aplicativos para o smartphone, em uma média de 14 apps para cada usuário. Desse total, 59% afirmou que gostaria de ver as mesmas aplicações em seus televisores. Uma demanda que, pelo visto, empresas como o Google já observaram há tempo.

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