
Games casuais ganham novo espaço na TV digital
autor: risastoider
A TV digital não só traz a imagem e som em alta definição, como permite possibilidades de interação com o uso do equipamento adequado e, portanto, torna-se uma plataforma em potencial para games. O desenvolvimento para essa nova plataforma, no entanto, implica em vários desafios.
Para discutir esse assunto, o SBGames 2010 trouxe três pesquisadores do Lavid (Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Luis Rodrigo Brandão, Tatiana Tavares e Ricardo Mendes conversaram com os participantes sobre as tecnologias por trás da TV digital, os obstáculos e as suas possíveis aplicações.
Atualmente, o grande impedimento para uma experiência imersiva em jogos na televisão é o controle remoto, ainda à base de infravermelho, exigindo do usuário que aponte diretamente para a tela. Além disso, a disposição dos botões e o direcional com quatro direções também são fatores que limitam a jogabilidade.
Portanto, na primeira geração de games para a TV digital, os gêneros mais promissores são o puzzle (quebra-cabeças) e musical, bem como estratégia e RPG baseado em turnos. Vale lembrar, porém, outro fator determinante no desenvolvimento de jogos para essa plataforma: o público. Brandão ressalta que, para atingir a massa de telespectadores, é fundamental investir nos jogos casuais. “Os primeiros jogos da indústria eram casuais, como é o caso do Pac-man, Pong e Tetris. Menos de 15% dos jogadores são considerados hardcore e parte destes também joga os casuais, embora muitos critiquem duramente esse segmento da indústria”, aponta.
Outro fator limitante é o hardware dos equipamentos, que permite, por enquanto, apenas a reprodução de conteúdo 2D. Portanto, a estética retrô é um grande apelo os títulos pensados para a TV interativa, segundo Brandão. Tatiana lembra ainda que o processo de desenvolver games para a TV tem suas particularidades. Deve-se pensar, primordialmente, na integração entre o software e o aparelho, bem como a dinâmica da televisão, que exige respostas rápidas, já que, para ela, “o tempo é uma moeda de troca”. Além disso, diferentemente do usuário de computador, que está mais acostumado a receber mensagens de erro e lidar com as adversidades, o telespectador não quer ter seus programas interrompidos por causa de problemas de software, o que exige cuidados redobrados na elaboração de soluções de interatividade.
Como parte da pesquisa no ramo, o Lavid desenvolveu algumas experiências, demonstradas por Mendes. É o caso do GingaHero, desenvolvido com o Ginga, o middleware (camada de software que fica entre o hardware e o código das aplicações) para criar programas interativos para a televisão digital. Inspirado nos sucessos musicais para consoles Rock Band e Guitar Hero, o jogo traz músicas executadas pela banda 8-bit Instrumental, conhecida por tocar versões das trilhas sonoras de games consagrados.
Para Brandão, com a criação de novos equipamentos, com mais funcionalidades e com controles remotos adaptados, será possível introduzir novos gêneros na televisão, como plataforma, estratégia em tempo real e adventures do tipo point-and-click. Outra possibilidade para incrementar a jogabilidade e permitir games mais imersivos e complexos, será utilizar joysticks de computador na porta USB dos set-top boxes.

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