Adrenaline

games / artigos
multiplataforma categoria : multiplataforma | 02.02.2010 / 15h40

Evolução dos consoles - Parte 2

autor: risastoider

Dando continuidade ao artigo publicado no mês passado, trazemos agora a segunda parte da História dos Consoles, contando em detalhes os fatos e curiosidades que envolveram cada geração das máquinas domésticas de videogames. Para conferir a primeira parte, clique aqui.

------------------------------------------------------------------------------------------------ 

O crash de 1984 abalou o mundo dos games. A Atari, até então um grande sucesso, afundou, assim como  as demais empresas americanas desenvolvedoras de consoles, que enfrentaram sérias dificuldades. Os holofotes estavam todos voltados aos estreantes computadores pessoais que, além de jogos, ofereciam diversas funcionalidades a mais, o que parecia um negócio muito mais viável. Do outro lado do mundo, os japoneses mostraram, no entanto, que os videogames não haviam morrido.

1985 - Nintendo Entertainment System


Pela primeira vez, os japoneses dominaram a indústria de games e deixaram os americanos para trás. Com o lançamento, em outubro de 1985, do Nintendo Entertainment System (NES), conhecido por aqui como “Nintendinho”, a indústria dos games começou a se recuperar.



O console vinha com o jogo Super Mario Bros, que apresentou ao mundo dois dos mais populares personagens de games já conhecidos: os encanadores Mario e Luigi. Em 1987, foi lançado o clássico The Legend of Zelda, o primeiro game na história a vender um milhão de unidades.



No Brasil, o console foi lançado em 1993 pela Playtronic, empresa resultante da fusão entre a Gradiente e a fabricante de brinquedos Estrela. Com uma chegada atrasada ao mercado, o "Nintendinho" teve o azar de concorrer por aqui com os mais novos videogames de 16 bits e acabou passando despercebido pelos consumidores brasileiros. Além disso, foram fabricados cerca de 15 clones, por empresas como a Dynacom e a CCE, o que acabou ofuscando o console original.

O NES chegou a estar presente em 40% dos lares japoneses e 25% dos americanos. De acordo com Satoru Iwata, presidente da Nintendo, Super Mario Bros foi o game mais vendido do mundo por duas décadas, até ser ultrapassado pelo Wii Sports, em 2009. A supremacia da Nintendo no mundo só foi derrubada nos anos 90, com o lançamento do Playstation, da Sony.



1985 - Master System

O Master System foi lançado pela Sega em 1985, enquanto a Nintendo dominava 90% do mercado. Antes especializada em jogos para arcade, a Sega entrou no mercado dos consoles caseiros, mas não conseguiu quebrar a hegemonia da sua maior concorrente.



Isso porque, apesar de várias exceções, a maioria dos jogos lançados para Master System era considerada de baixa qualidade. Além disso, as empresas desenvolvedoras de jogos já tinham contratos fechados com a Nintendo e não poderiam trabalhar para a Sega.



O console foi lançado no Brasil em 1989 pela Tec Toy e fez mais sucesso por aqui, pois o NES só seria lançado anos mais tarde. A Tec Toy lançou vários jogos exclusivos para o país e até mesmo um aparelho semelhante, o Master System Girl. O console vinha na cor rosa e era uma tentativa de atrair o público feminino.



1986 - Atari 7800

Os americanos tentaram retomar o domínio do mercado dos games com o lançamento do Atari 7800, em 1986. Sua capacidade gráfica era superior à de qualquer máquina lançada até então, mas seus títulos não faziam mais tanto sucesso entre o público, já seduzidos pelos criativos games japoneses. Além disso, games novos só eram lançado a cada três ou quatro meses.


O diferencial desse aparelho era poder jogar os antigos games do Atari 2600 sem o uso do adaptador. Mesmo assim, o mercado já estava dominado pelos japoneses e o console morreu em 1988 com total falta de suporte.



1987 - PC Engine

A companhia japonesa NEC entrou no mercado em 1987 com seu PC Engine. Com dois processadores de 8 bits e uma poderosa placa de vídeo, o console conseguia maior qualidade gráfica do que seus concorrentes NES e Master System.


O aparelho foi lançado também nos Estados Unidos, com o nome de Turbografx 16, mas não alcançou o mesmo sucesso do Japão devido à fraca campanha de marketing e à concorrência do Sega Genesis.



Vários periféricos saíram para o console, como um mouse e um microfone para transformá-lo em Karaokê. O acessório mais importante, porém, foi o CD-ROM, lançado em 1988, que entrou para a história como o primeiro leitor de CDs para um videogame.



No Japão, o console foi um sucesso e chegou a superar em alguns momentos as vendas do NES. Aqui no Brasil, o PC Engine não foi lançado oficialmente.

1988 - Mega Drive

A primeira versão do Mega Drive, primeiro console de 16 bits da história, chegou às prateleiras japonesas em outubro de 1988 com dois jogos disponíveis. Na época, o videogame impressionou os consumidores com gráficos sofisticados e ótimas conversões de arcade.



No ano seguinte, o aparelho chegou aos Estados Unidos e fez muito mais sucesso por lá do que no Japão. Conhecido como Genesis, seu êxito em terras americanas se deve aos jogos esportivos como John Madden e NHL Hockey.

No Brasil,o Mega Drive chegou pela Tec Toy, na época em que os únicos consoles disponíveis eram o Master System e o NES, tecnicamente inferiores. O aparelho da Sega foi o preferido no país e a Tec Toy fabrica o Mega Drive no Brasil até hoje. Em 2001, até mesmo uma edição especial do Show do Milhão foi distribuída.



A Sega chegou a lançar, em 1991, o Mega CD, periférico que permitia ao console rodar CDs assim como o PC Engine. Apesar dos jogos lançados em CD serem considerados medíocres e do custo elevado do acessório, seis milhões de unidades foram vendidas e cerca de 200 jogos foram produzidos.



Em 1992, a Sega lançou o clássico Sonic e alavancou ainda mais as vendas do seu console. Ao todo, foram mais de mil jogos lançados durante o período de vida do Mega Drive e três clones do console, sendo um portátil da própria Sega, o Nomad, e dois da JVC.

Anos 90 – As novas mídias se popularizam

A década de 90 foi marcada pela rivalidade entre as japonesas Sega e Nintendo. A popularização de grandes clássicos, como Super Mario, Sonic e The Legend of Zelda, além da rixa entre Street Fighter e Mortal Kombat, criou personagens-ícones que estão na ativa no mundo dos games até hoje. Em meio à supremacia da Nintendo, surge a Sony e finalmente leva aos consumidores os jogos em CD de maneira acessível. Viaje agora por cada etapa desse processo.

1990 - Neo Geo

O Neo Geo foi lançado pela japonesa SNK em 1990 com preço elevado (cerca de US$650,00), dois controles e um cartucho.


Cada cartucho tinha até 330 megabits de memória, um alto valor para a época, e proporcionava jogos caseiros exatamente idênticos aos de arcade. No entanto, eram caros: em torno de US$200. Graças à elevada memória ocupada pelos games e à sua capacidade gráfica, muitos consideram o Neo Geo o videogame mais poderoso já lançado.



Em 1994, a SNK lançou o Neo Geo CD. Era o mesmo console, porém com um drive de CD que permitia jogos mais bonitos e baratos, cerca de US$80.

O aparelho não conseguiu resistir à concorrência do Playstation e do Saturn e a empresa foi à falência no ocidente no ano 2000. Hoje, ela produz somente jogos para arcade.

1990 - Super Nintendo

O Super Nintendo Entertainment System (SNES) chegou às lojas japonesas em novembro de 1990 e, nos Estados Unidos, em agosto do ano seguinte.

O console é superior ao concorrente da Sega apesar de ter o processador mais lento, de apenas 3.57MHz contra 7.67MHz. Para se ter uma ideia, o Mega Drive conseguia exibir simultaneamente na tela 64 cores, contra as 256 do Super Nintendo. O console da Nintendo também conseguia rodar sprites bem mais complexos que o do seu concorrente e proporcionava efeitos de transparência.

O SNES vinha com dois controles e o jogo Super Mario World, clássico dos videogames muito jogado até hoje. Outras franquias exclusivas, como Zelda, Donkey Kong, Killer Instinct e F-Zero, fizeram o console atingir estrondoso sucesso a partir de 1994, quando os consoles de 32 bits já chegavam ao mercado.



O SNES deixou de ser produzido em 1999. Estima-se que, ao todo, foram vendidas 49 milhões de unidades no mundo todo.

1993 - 3DO

O 3DO começou a ser comercializado em setembro de 1993 de uma maneira um pouco diferente. A 3DO Company, uma sociedade entre sete diferentes empresas, criou uma série de especificações técnicas e distribuiu para companhias interessadas em fabricar o console. Entre elas, estavam Panasonic, Sanyo e Toshiba, que pagavam os direitos autorais para a 3DO Company e distribuíam os aparelhos para diversos países.

No Brasil, o 3DO foi fabricado pela Panasonic, com o nome de REAL FZ-1. A empresa foi a que mais lucrou com o 3DO por ser a primeira a lançá-lo. Outros 32 bits concorrentes só foram chegar nos anos seguintes.

O console tinha inicialmente mais de 700 empresas licenciadas para produzir jogos. No entanto, o alto preço do aparelho (US$ 700) afastou os consumidores e apenas 50 dessas empresas continuaram a apostar suas fichas no 3DO.



1993 - LaserActive

A Pioneer, em parceria com a Sega e a NEC, lançou o LaserActive em outubro de 1993, na tentativa de formar um padrão para rodar jogos no futuro. O consumidor desembolsava US$ 700 em um aparelho que rodava CDs de música, além de filmes e jogos produzidos especialmente para o formato.

Os jogos eram escassos e se resumiam a assistir a uma animação e clicar em algo na tela. O diferencial eram os módulos adicionais produzidos pela Pioneer, que permitiam transformar o aparelho em um karaokê e até rodar games de Mega Drive e PC Engine. Mas não compensava adquirir os acessórios, pois cada um custava US$ 299, mais caros que os próprios consoles.

No Brasil, o LaserActive foi importado oficialmente e podia ser encontrado em lojas de eletro-eletrônicos. O único módulo importado foi o do Mega Drive, aproveitando o sucesso que o console fazia por aqui.

Poucas pessoas se aventuraram a pagar caro por um aparelho com poucos games e jogabilidade tão simples. A produção do console foi inviabilizada um ano e meio depois do seu lançamento e a Pioneer nunca mais se arriscou no mercado de games.

1993 - Jaguar


O Jaguar, da resistente Atari, chegou às prateleiras americanas no final de 1993, com hardware fabricado pela IBM. O console, inicialmente, era pra ser um 32 bits. A Atari estava desenvolvendo o aparelho desde 1989, quando percebeu que a idéia já estava obsoleta. Introduziu mais dois processadores e 32 bits extras e lançou o Jaguar por US$ 250, o primeiro 64 bits da história.



A empresa americana, porém, não era mais a mesma na década de 90. A biblioteca de games do Jaguar foi uma das piores de todos os tempos e o console não conseguiu enfrentar a concorrência nipônica. Seus títulos pareciam jogos de 16 bits turbinados, mas com jogabilidade muito inferior à do Mega Drive e do SNES.



1994 - Saturn

A Sega colocou o Saturn no mercado japonês em novembro de 1994. O console era um poderoso 32 bits com a missão de produzir jogos em duas dimensões com a mesma qualidade gráfica do arcade. Sua estrutura interna era complexa: oito processadores e capacidades tanto 2D quanto 3D. Em maio do ano seguinte, o console chegou aos Estados Unidos.



O Saturn levou méritos pelos seus belos jogos em 2D, já que, nos poucos títulos em 3D, o desempenho era inferior ao do concorrente Playstation. A complexidade do console era tanta que os jogos tinham que ser programados em Assembly, ao invés do popular C++ usado na época. Essa dificuldade afastou as produtoras de games, que preferiram trabalhar no concorrente da Sony.

O diferencial do Saturn era um cartucho com modem que permitia partidas on-line entre dois jogadores. O sistema não fez muito sucesso devido à baixa velocidade de conexão (14 kbps).



No Brasil, o Saturn chegou também pelas mãos da Tec Toy, na mesma época em que o console chegou aos EUA. O preço chegava aos R$899,00 e o aparelho logo foi sufocado pelo sucesso do Playstation.

Nos primeiros meses de vida, o Saturn teve grande aceitação do público. Só no Japão, 170 mil unidades foram vendidas no dia do lançamento. Até o Natal de 1994, estima-se que cerca de 500 mil estavam nos lares japoneses.

1994 - Playstation

A Sony entrou no mercado dos videogames em dezembro de 1994 com o seu Playstation, que, incialmente, seria um periférico para o Super Nintendo rodar CDs. A Nintendo rompeu o acordo com a Sony devido à divergências na cobrança de royalities e o periférico acabou não saindo.
Com o projeto em estágio avançado de desenvolvimento, a Sony investiu pesado no Playstation e o lançou como seu primeiro console, de 32 bits, em dezembro de 1994 no Japão e em setembro de 1995 nos Estados Unidos.

A principal vantagem do console era o seu processamento de gráficos em 3D, melhor que o dos concorrentes na época. Outra vantagem ficava por conta do seu Memory Card, acessório que mudou a maneira de armazenar o progresso dos jogos. É utilizado até hoje e permite que os jogadores gravem seu progresso nele, ao invés de no próprio cartucho, como era feito até então.

O console da Sony não foi lançado oficialmente no Brasil, mas era facilmente encontrado em qualquer loja do país. Um problema que ajudou a popularizar o console por aqui foi a pirataria dos jogos: um CD pirata podia ser comprado a cerca de R$10,00, enquanto os originais ultrapassavam os R$100,00.



Mais de 400 empresas produziam jogos para o Playstation, o que proporcionou ao aparelho a maior biblioteca de jogos da história. Em um ano, o console havia vendido um milhão de unidades no Japão, mas continuava atrás do Saturn. Nos EUA, só no primeiro fim de semana, o console vendeu 100 mil unidades.

1996 - Nintendo 64

O videogame de 64 bits da Nintendo chegou às prateleiras japonesas em junho de 1996 e em setembro, nos EUA, a US$250.



Pela primeira vez, efeitos especiais como o mip-mapping e o anti-aliasing foram usados em um console. Dessa forma, o Nintendo 64 podia criar personagens, cenários e efeitos mais realistas do que os da concorrência.

Mesmo com suas vantagens técnicas, o aparelho ficou atrás do Playstation e até mesmo do Saturn. Como a Nintendo não adotou o CD como mídia e a capacidade de armazenamento dos cartuchos era muito menor que a dos CDs, com, no máximo, 32MB, muitas empresas importantes deixaram de oferecer suporte ao console e ficaram exclusivas do Playstation, como a Square.



Os clássicos exclusivos da Nintendo, como Mario, Zelda, Banjo-Kazooie e Donkey Kong ainda conseguiram fazer com que o console fosse bem aceito nos Estados Unidos. No Japão, o sucesso foi menor, especialmente devido à falta de RPG’s.



No Brasil, o console foi lançado pela Gradiente, mas não conseguiu superar o Playstation, especialmente pelo alto preço dos seus cartuchos. Um lançamento, na época, não saía por menos de R$150,00, enquanto os CDs piratas do console da Sony pipocavam a preços bem mais acessíveis.

1998 - Dreamcast

A Sega colocou seu último videogame no mercado em novembro de 1998, no Japão, e em 9 de setembro do ano seguinte nos EUA. A história do seu desenvolvimento começa em 1996, com a Sega apostando em dois times diferentes: um no Japão, em pareceria com a Hitachi e a NEC, e outro nos EUA, com a Microsoft e a 3Dfx. O projeto japonês foi o preferido, pelo maior potencial gráfico. A Sega ainda acrescentou, de última hora, a possibilidade de alguns jogos rodarem em Windows CE para facilitar a sua programação.

O Dreamcast foi o primeiro console de 128 bits. Foi também o pioneiro ao vir com um modem de 56Kbps, que permitia partidas online entre vários jogadores ao redor do mundo. Outra inovação foi o Visual memory Unit (VMU), um Memory Card com tela de cristal líquido, que servia também como minigame.

Apesar de ser o console com o maior potencial na época, o seu sucesso não foi tão grande. Seu lançamento ocorreu cedo demais, em meio à base já instalada do Playstation e seu grande número de jogos.



No Brasil, o Dreamcast foi lançado em 1999 pela Tec Toy. O console vinha sem o modem e, mesmo assim, saía mais caro do que os importados dos EUA, com modem.

A fabricação do Dreamcast parou em abril de 2001. Hoje, a Sega se dedica somente ao desenvolvimento dos jogos para todas as plataformas do mercado.

Anos 2000 – A nova geração dos consoles


A história dos videogames continua ainda hoje com o lançamento das novas plataformas. Em 2000 a Sony coloca seu segundo console no mercado, o Playstation 2. Mais uma vez, a Sony ganha a disputa com seu 128 bits, o mais popular da geração. Em 2001, a Microsoft entra no mercado com o seu XBox, no mesmo ano em que a Nintendo ataca com o seu GameCube. Todos utilizam o DVD como mídia, exceto o GameCube, que usa um mini-DVD com menor capacidade de armazenamento: apenas 1,5GB.



Em 2005, a Microsoft é a pioneira no lançamento do primeiro 256 bits da indústria: o XBox 360. O console possui um disco rigído para armazenamento de dados, acesso à Internet, três portas USB e processador IBM.

No ano seguinte, a Sony lança seu terceiro e mais caro videogame, o Playstation 3. Assim como o Xbox360, possui disco rígido e permite acesso à Internet. Utiliza um microprocessador Cell projetado pela IBM.



No mesmo ano, a Nintendo entra na disputa com o Wii. Diferente dos seus concorrentes, a proposta da empresa é inovar na forma de jogo, com um controle com sensor de movimentos. Ao invés de o jogador ficar sentado apertando botões, agora ele interage mais com o jogo, fazendo movimentos reais para atirar, rebater bolas, lutar boxe e até mesmo cozinhar.



Iniciativa, aliás, que deve inspirar a Sony e a Microsoft, que  atualmente desenvolvem suas tecnologias de controles através do movimento. Será esse o futuro da história dos consoles?



Sensores de movimento, distribuição digital de jogos, partidas multiplayer online, discos rígidos internos no aparelho... inovações que jamais seriam pensadas lá na época do Atari 2600. Em mais de 30 anos, a indústria evoluiu muito. Só o tempo dirá o que nos espera daqui a mais três décadas.