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08.05.2012 / 17h15
O melhor game de todos os tempos
autor: risastoider
Quem está gabaritado para escolher o melhor game já feito? Eu? Você? Milhares de usuários de uma rede social, uma publicação especializada? Difícil saber. O que faz de um jogo o melhor? É essa a questão. Cada um adota critérios diferentes. Muitas vezes, não basta ter gráficos sensacionais, uma história envolvente e uma mecânica inovadora e agradável. É preciso gerar uma conexão emocional com o jogador. E aí, meu amigo... qualquer amontoado de pixels em 8-bits pode se tornar a experiência mais memorável da história.

"Pitfall". Se fosse lançado só hoje, talvez ninguém ligaria...
Tanto que essas decisões estão longe de serem unânimes. Na semana passada, a rede social de gamers Playfire divulgou o resultado de uma enquete entre os seus membros para escolher justamente o melhor jogo de todos os tempos. O escolhido foi “The Legend of Zelda: Ocarina of Time”, lançado em 1998 para o Nintendo 64. Um jogo relativamente antigo, mas seguido por sucessos bem atuais, como “The Elder Scrolls V: Skyrim” logo na sequência e “Battlefield 3”.
Já no TOP 100 da IGN, o primeiro colocado é “Super Mario Bros.”, do Nintendo 8-bits. “Ocarina of Time” vem logo na sequência. Na lista da Gameinformer, a aventura de Link aparece em 11º lugar,mas outro título da série fica no pódio: o primeiro deles, “The Legend of Zelda”, também para o NES 8-bits. Em uma votação feita pela revista Edge em 2007, o game para N64 também foi o primeiro colocado, o que rendeu algumas críticas do CNET. Isso prova que o game é, sim, excelente – algo reforçado pelo score de 99 pontos no Metacritic. Mas não é algo com o que todo mundo vai concordar.
Para cada pessoa, existe o melhor jogo do mundo. E pode ser por uma série de fatores. O momento que você viveu na época, sua sensação ao jogar, uma memória paralela que o game traz à tona... tudo isso influencia na sua decisão. E não é problema nenhum!
A minha história de amor com esse título específico da série Zelda, por exemplo, envolve muito mais do que apenas o jogo. Em primeiro lugar, era uma época em que ter um Nintendo 64 não era fácil. O console era caro, e os jogos, mais ainda. Precisei sacrificar várias coisas para tê-lo. Cada cartucho custava algo entre R$150 e R$200, um valor altíssimo ainda mais levando em conta que estávamos em 1998. Eu era uma criança, não tinha cartão de crédito e meus pais achavam um absurdo gastar tanto dinheiro com jogos.

Eu vivia de locações, logicamente. Passava horas a fio tentando zerar um jogo e, quando não conseguia, tinha a triste sensação da certeza de que, ao voltar para a locadora, meu save seria apagado. Quando as primeiras notícias sobre “Ocarina of Time” surgiram, não havia como ver trailers em FullHD em primeira mão. Tudo o que se tinha era telas do jogo em versão beta, minúsculas, em revistas especializadas. E esse pouco a que eu tinha acesso me deslumbrou logo de cara.
Achei, porém, que nunca teria o jogo. Reservei em uma locadora antes mesmo de ele chegar por lá – prática bem comum na época. E, ao finalmente tê-lo em mãos, tive a ingrata surpresa de ficar uma tarde inteira sem energia elétrica. É claro que não cheguei nem perto de zerar o game, gigantesco para os padrões da época.
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Uma das coisas mais legais era a passagem do tempo. E poder controlar tanto Link criança quanto sua versão adulta.
Eis que uma noite, em meio a exercícios de Matemática pesadíssimos, meu pai me chamou e me disse que daria um presente, mas que eu só poderia usar ao terminar minha tarefa. Eu me lembro até hoje do embrulho: um papel com um desenho de sapinhos. Ele também me falou para não olhar antes de tirar do papel. Fechei os olhos, abri e puxei a caixinha. Quando abri os olhos eu vi a caixa dourada e reluzente do game. Talvez meu pai não imagine a grandeza desse momento pra mim. Mas quem é gamer de verdade já passou por algo parecido ao menos uma vez na vida.

Independentemente da crítica, das notas e das reviews, a experiência de um game é única para cada um. Não devemos levar tão a sério essas listas, portanto. Certamente, é um exercício divertido e curioso, mas não uma verdade absoluta. Não há nada melhor para quem gosta de games do que um jogo que realmente se torne inesquecível e emocionante para você.