Adrenaline

games / colunas
games categoria : games | 04.03.2009 / 12h45

Street Fighter - A Lenda de Chun-Li

autor: mauro

Como deve ser uma boa adaptação cinematográfica de um game? Fiel aos elementos originais ou mais realista? Acredito que ainda não foi encontrada resposta para essa pergunta, mas talvez o equilíbrio entre esses dois extremos – ao lado de uma boa direção, elenco e roteiro – seja a fórmula ideal que todos os fãs esperam ao presenciar suas franquias favoritas sendo transportadas para a telona.


Não foi esse o caso de Street Fighter – A Última Batalha, lançado em 1994, três anos após o lançamento do game Street Fighter II, que se tornou sucesso nos arcades e diversos consoles mundo afora. Ryu, Ken e companhia se tornaram ícones imediatos de uma geração, e assim que a notícia da produção de um filme sobre o game se espalhou, os fãs ficaram eufóricos na expectativa.

No entanto, o resultado não foi dos melhores. Enquanto todos esperavam um filme focado na história do herói Ryu, o que tivemos foi Jean Claude Van Damme interpretando o militar americano Guile, no papel principal. Todos sabem o que veio depois: o filme é tão cafona que chega a ser divertido, e todo gamer daquela época que se preze assiste pelo menos a uma parte do filme novamente quando é exibido pelo SBT. O “sucesso reverso” da produção é tão evidente que chegou a ser relançada neste ano uma edição especial em DVD nos Estados Unidos, aproveitando o retorno da franquia Street Fighter aos holofotes.

Esse retorno, aliás, é/era a grande aposta da Capcom para o ano de 2009, com o lançamento dos games Street Fighter IV e Super Street Fighter II Turbo HD Remix (que nome enorme... ufa!), além de novas revistas em quadrinhos e um novo filme, ambos baseados na série. Porém, enquanto os games e as HQs são aclamados pelo público gamer, o recém-lançado filme já vem recebendo pedradas da crítica e da bilheteria, amargando na oitava posição do ranking norte-americano em sua semana de estréia.

Street Fighter – A Lenda de Chun-Li é a promessa do pontapé inicial para o retorno da franquia aos cinemas. De acordo com os produtores do filme, a idéia é lançar uma série cinematográfica a partir deste filme, sendo que cada um irá (ou iria) focar em diferentes personagens. Em entrevista, o roteirista Justin Marks disse: “Todas as vezes que falo com gente que não conhece Street Fighter a primeira coisa que eles dizem é que o game não tem história. Mas qualquer fã de verdade sabe sobre o rico universo, os vários personagens e a teia complicada de traições, interesses e relacionamentos. Sem história? Eles só não prestaram atenção”. Ok, Justin, nós como fãs da série concordamos com você... mas será que o “filme da Chun-Li” apresenta uma boa história?

Se tirarmos o nome Street Fighter do título, é certo que este filme deveria ser um lançamento direto para DVD. A tentativa de fazer deste filme uma espécie de “Batman Begins” da série Street Fighter, tornando tudo – de certa forma – mais sombrio e “realista” pode ter sido um dos grandes erros, pois não é qualquer personagem que tem o carisma e o potencial do Batman, muito menos Andrzej Bartkowiak é algum Christopher Nolan. O diretor inclusive já é experiente no ramo de adaptações fracas de games, tendo Doom – A Porta do Inferno em seu currículo.

Sendo assim, o que temos em Street Fighter – A Lenda de Chun-Li é um roteiro padrão sobre vingança, do tipo que você já viu em vários filmes categoria B da Sessão Kickboxer. Além do roteiro, as cenas de luta também fazem o estilo filme de ação de segunda, com coreografias insossas e pulos anti-gravitacionais “movidos a cabo”, assim como em filmes de Hong Kong já fora de moda. Somando isso, temos uma trama previsível, com cara de “déjà vu”, e cenas de ação genéricas. No resultado final, pode-se dizer que é um filme tedioso.

Os clichês de roteiro recheiam este filme, distorcendo os personagens originais de Street Fighter ao colocá-los em fôrmas de modelar personagens manjados. Assim, temos Chun-Li – a mocinha que treinou artes marciais em busca de vingança, Gen – o Sr. Miyagi do filme, Bison – o típico mafioso engravatado que passa por cima de todos para alcançar seus objetivos escusos, Balrog – o capanga fortão e intimidador, e Vega – o capanga mudinho e misterioso que faz pose de bonzão o filme todo só mesmo para apanhar no final.

Com exceção da Chun-Li e do Balrog, nenhum dos outros chega a pincelar alguma semelhança com os personagens originais do game, mas talvez o que tenha se tornado mais irritante foi mesmo o Nash (ou Charlie, dependendo da versão de Street Fighter que você jogar). O falecido loirão militar amigo de Guile aqui se tornou um investigador policial que tenta compensar a proeminente careca com um corte de cabelo cafona... Ah, e ele está em um subplot de romance que passa batido e deslocado.

Isso sem falar em algumas cenas que beiram o nonsense, como a dança sensual entre Chun-Li e outra personagem e a cena da multidão arremessando pedras contra homens armados, além da batalha final completamente broxante. Já é um clássico do cinema trash. Mas, para não dizer que não falei das flores, o que se salva no filme são as atuações de Kristin Kreuk como a protagonista, Robin Shou como Gen e Michael Clarke Duncan como Balrog. Nada que beire o excepcional, mas temos que dar o crédito por terem feito o possível com o que tinham em mãos.

Também algo que esboça alguma empolgação no espectador do filme é a última cena, que abre o gancho para o que realmente deveria ser um filme com o nome Street Fighter, se é que vocês me entendem... Porém, se depender da repercussão de A Lenda de Chun-Li para termos uma sequência, os fãs de Ryu e Ken terão que se contentar com o animê Street Fighter II V – aquela sim uma boa e divertida adaptação.

Bom, pelo menos o filme do Van Damme tinha senso de humor...

Pôster oficialBalrogBison

Gen batendo um papo com a Chun-LiChun metendo broncaUma tentativa de lembrar a roupa do game

O Gen (ex-Liu Kang)Street fighting...