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e-sports categoria : e-sports | 20.12.2008 / 15h37

O Efeito da marolinha

autor: pclloh

Quando a crise econômica ainda era um mistério, o presidente Lula comentou que "não iria passar de uma marolinha". Os motivos dessa declaração não serão discutidos, mas o fato é que o esporte eletrônico em geral sentiu a crise chegar bem rápido, diga-se de passagem.

Um dos primeiros a levantar a questão das dificuldades financeiras foi o Serious Gaming, equipe multigaming Européia, deixando todas as competições em equipe que participara, alegando que o prestígio de estar nessas ligas simplesmente não pagava as contas, e que os custos sempre eram maiores que os ganhos. O engraçado é que desde sempre as coisas funcionaram assim, todos sabem que só três equipes saem premiadas de um evento, só que o grande problema é que agora os patrocinadores estão repassando menos dinheiro às equipes.

Seguindo a onda, SK e MYM - duas das maiores equipes de esportes eletrônicos do mundo - corroboraram que ligas de time para Warcraft 3 eram muito caras até mesmo para as potências, alegando que o foco em 2009 seria manter jogadores para competirem em eventos solo, que geralmente têm uma premiação melhor e cortam na raiz a necessidade e os gastos de uma equipe numerosa.

Por um lado isso pode representar um formato de jogo clássico indo por água abaixo, pelo menos para os time profissionais, por outro, um aumento de competitivade, pois as ligas se mexeram e anunciaram mudanças para a nova realidade dos times, reduzindo o número mínimo de jogadores exigidos para cada time, ou até mesmo virando predominantemente ligas solo.

A ESL, uma gigante nos campeonatos online/offline, sentiu essa redução de gastos na pele, pois toda sua infra-estrutura de internet estava hospedada na companhia alemã NGZ, e a parceria/patrocínio simplesmente foi descontinuada. E lá foram os técnicos da ESL migrar, fisicamente, vinte servidores para outra empresa, ou seja, mais uma "vítima" da crise, que não morre porque tem recursos próprios, mas e se não tivesse, será que iria descansar ao lado da CGS?

Eventos do porte da ESWC/WCG não são nada baratos, e como o conceito de esporte eletrônico ainda é novo e de certa forma inexplorado mesmo em países desenvolvidos, qual seria a reação de quem investe nesse meio? Ver a poeira abaixar, refazer as contas e recomeçar devagar, pois querendo ou não, o esporte eletrônico não passa de um pré-adolescente. A Nvidia, um gigante da informática, não é mais patrocinadora da ESWC, e detalhe que essa parceria não é recente. Isso talvez exponha que nesse momento é melhor guardar dinheiro do que ter exposição de marca, mas o que martela minha cabeça é não poder prever se a Samsung vai ter a mesma visão e cair fora da WCG.