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e-sports categoria : e-sports | 14.05.2009 / 10h04 | comentários : 0


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Matthieu Dallon, CEO da ESWC

autor: redacao

Em março, todos foram pegos de surpresa com a chocante notícia da falência da Games Services e, por consequência, o fim do maior campeonato de eSports do mundo, a Eletronic Sports World Cup.

Dois meses depois, o fundador e CEO da ESWC, o francês Matthieu Dallon, comentou os episódios em uma conversa com o portal Fragster.de. Leia abaixo alguns trechos dessa entrevista, que revela momentos difíceis passados por ele, que se mostra amante dos eSports:

Senhor Dallon, qual foi o fator decisivo para o fim da Games Services? O fim do patrocínio da NVIDIA ou a envolvente crise econômica?

Nós fomos diretamente afetados pela crise global por duas vezes. A primeira onda foi no primiero semestre de 2008, nos Estados Unidos, durante a Final Mundial em São José. Todos perceberam que tínhamos apenas a NVIDIA como parceira no evento. A segunda onda veio entre setembro de 2008 e março de 2009, durante a prospecção (período em que a empresa procura por patrocinadores). Nós contatamos uma série de potenciais patrocinadores, pequenas e grandes marcas. Sempre recebemos a mesma resposta: “O valor das nossas ações estão em queda livre, as vendas decaem, iremos perder dinheiro neste trimestre, ninguém sabe quando vamos recomeçar, então temos que reduzir nossos orçamentos de marketing e comunicação, temos que atingir nossos consumidores diretos, e temos que cortar todos os orçamentos especiais como patrocínios e propagandas alternativas”. Nossos parceiros por todo o mundo enfrentaram as mesmas dificuldades, o que teve impacto em nossas finanças. Nós eramos uma pequena companhia, uma sobrevivente desde 2000, cujo modelo de negócio não foi totalmente concretizado, então a crise foi letal para nós. Sim, a crise é claramente a razão pela qual a ESWC faliu.

A Games Services quase sempre perdeu dinheiro, mais de um milhão de euros em seis anos de ESWC. Primeiramente foi uma escolha, em seguida tornou-se uma desvantagem para o desenvolvimento da empresa e finalmente, foi um problema muito sério durante a crise. Todavia, em seis temporadas, nós produzimos aproximadamente 10 milhões de euros em receita, totalmente investida na ESWC: os projetos espalhados em mais de 50 países, sete eventos internacionais - o que inclui Grand Finals e Masters - cinco assembleias gerais da ESWC, seis anos de preliminares na França, um software online para gerenciar os torneios, mais de 1.2 milhões de dólares em premiações pagas aos campeões.

Como você disse, a situação em 2009 já estava muito difícil. Mas em março, vocês anunciaram apenas o adiamento da Final Mundial. No final do mês, sua companhia teve que declarar falência. O que aconteceu nessas duas semanas?

Nós estávamos a procura de fundos por vários meses ao lado de novas empresas com capital de risco. Nós também abrimos discussões com outras importantes ligas de eSports para encontrar uma forma de se unir, salvar o projeto e ficar mais forte juntos nos anos seguintes. Essas oportunidades mantiveram alguma esperança e tivemos que adiar a Final Mundial pois precisávamos de mais tempo. Entretanto, como não tínhamos mais fluxo em caixa, nem para despesas de gabinete nem para o pagamento do pessoal, tivemos que apresentar ao Tribunal Comercial da Paris uma declaração com o fim de todos os pagamentos.

É possível conseguir patrocinadores para esses tipos de evento em tempos de crise econômica?
Eu acho que não é impossível, mas para nós foi, ainda mais por causa dos nossos recursos limitados para prospecção comercial. Para todas as marcas ligadas ao setor de video games, eu diria que é impossível em tempos de crise. Todos eles visam reduzir investimentos.

O que acha sobre uma ESWC menor? Menos premiação e um local menor.

Você sabe, cada edição deve mostrar algo novo, algo melhor, algo inovador. É muito difícil introduzir um projeto a um potencial patrocinador e dizer a ele que não será tão extraordinário quanto no ano anterior. Contudo, sim, claro, mês após mês, reuniões após reuniões, reduzimos nossas ambições e cortamos nossas despesas, mas não foi suficiente.

O que irá acontecer agora? Você pode dizer se já existem alguns investidores interessados na venda da ESWC?

Sim, há propostas boas e algumas delas vindas da Alemanha. Também há algumas propostas medonhas, o que indica que alguma comunicação era necessária. Estamos no começo do processo, que pode durar até o fim do verão.

Você acredita que poderemos ver a ESWC de volta em um futuro próximo?

Considerando o tempo necessário para a venda, o minímo tempo para comercializar as ofertas de patrocínios e produzir o evento, devemos esperar até o fim do ano.

E sobre as premiações? Muitos vencedores da Masters e Grand Finals 2008 não pegaram seus dinheiros até agora. Existe uma chance deles receberam nos próximos meses?

Desde de 2007 e das grandes perdas da companhia, pagamos os prêmios em um prazo de 8 a 12 meses. Este foi um infeliz efeito do calendário de gastos e receita da companhia, e de nosso pouco dinheiro em caixa. Fizemos isso de maneira aberta, informando os jogadores antes dos torneios. Mas a crise súbita parou o processo. Eu sinceramente fui afetado por isso, muito mais do que tudo que perdi nessa crise. Isso foi injusto e prejudicial a todos os campeões.

No melhor cenário, duas possibilidades: ou se paga diretamente com o dinheiro garantido no final da liquidação ou o novo dono paga as premiações como única dívida da ESWC a cobrir.

E sua antiga equipe? Vão continuar trabalhando com os esportes eletrônicos ou é hora de trabalhar com algo novo?

Todo o time foi demitido, inclusive a direção. Os acionistas perderam todos os seus investimentos. Eu vivi momentos extraordinários com essa equipe, mais amplamente com todas as pessoas que fizeram a ESWC. É realmente um ‘puxão’ sair da companhia e deste projeto. Nós éramos muito novos no começo da história. Eu tinha 26 e a média era de 22 anos. Hoje temos 30 anos ou mais. Uma nova vida deve começar.

Pessoalmente, me sinto profundamente decepcionado e não tenho palavras para expressar minha frustação. Há quase 10 anos, eu trabalho pelo desenvolvimento dos eSports, para estruturá-lo em uma escala global, para moldá-lo como uma experiência global, como um show. Eu trabalho para legitimar os campeões dos video-games como verdadeiros atletas e ícones de nossa sociedade digital. Eu faço tudo isso porque eu sei o que é ter suor entre a palma da mão e o mouse. Eu também sei que todas essas emoções podem ser compartilhadas. Os esportes eletrônicos estão no cruzamento dos campos mais emocionantes de minha geração: esporte, entreterimento, internet, novas tecnologias e video games. Então mesmo que seja difícil e que eu tenha uma desvantagem agora, eu não quero fazer nada além disso.

Entrevista retirada do Made in Brazil.






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