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e-sports categoria : e-sports | 15.02.2012 / 16h12 | comentários : 5 | média geral: satisfatório / 0 votos


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Entrevista: Alexandre 'Gaules' Borba, idealizador da Seleção Brasileira de Games

autor: andrei

A Seleção Brasileira de Games (SBG) é um projeto nacional, ainda em fase de planejamento, que tem como objetivo reposicionar o Brasil no holofote mundial das competições internacionais de e-sports. Como isso será feito, em que o nosso país precisa melhorar para dar este tipo de suporte aos atletas (jogadores), que tipo de estrutura será preciso montar e como serão os processos de seleção, treinamento e participação em campeonatos é o que conta Alexandre "Gaules" Borba, idealizador da iniciativa e que, por um acaso, já tivemos a oportunidade de entrevistar numa outra ocasião.


"Gaules" em entrevista ao Adrenaline durante a Campus Party Brasil 2012


ADRENALINE: E aí, Alexandre! Pode nos contar como surgiu o projeto da Seleção Brasileira de Games?

GAULES: Foi mais uma iniciativa que eu e o Paulo Velloso [fundador do time MIBR] tínhamos há alguns anos para montar uma academia para games. Mas acabou não dando muito certo porque tínhamos que conseguir muitos patrocinadores para fazer a estrutura acontecer. Aí, no ano passado, eu estava desenhando uns projetos, por achar que o momento para o Brasil era bastante bom.

Só que, embora as grandes empresas estarem investindo no e-sporte, a comunidade brasileira meio que "fica de lado" e não recebe muita atenção. Não tem muita grana para ir para os campeonatos e até mesmo manter um calendário de competições no Brasil mesmo para voltarem a ser uns dos principais no mundo. Foi aí que surgiu a ideia da SBG: por que não reunir os melhores? Por que não, em vez só de se concentrar em um jogo, também atuar, além do "Counter-Strike", no "StarCraft" e no "FIFA"?

Nossa intenção é fazer com que os jogadores da SBG joguem contra outros tipos de jogadores de país em campeonatos que, mesmo sendo realizados no Brasil, sejam organizados e que tenham nível de qualidade equiparáveis aos atletas/eventos estrangeiros.

Adrenaline: Mas esse projeto se encontra apenas no início, certo? Eu estava lendo que ainda haverá etapas de seleção e convocação para decidir quem serão esses atletas de e-sports que irão compor a SBG.

G: Isso mesmo. É anunciado um grande campeonato, vamos atrás dos jogadores que vemos que tenham um bom nível técnico, que consiga representar bem as marcas. Não queremos alguém, por exemplo, que tenha muita habilidade e seja um ótimo jogador mas que tenha uma péssimo nível de relacionamento com o público ou um comportamento impróprio, que não seja bem visto pela comunidade gamer.

A ideia é convocar os melhores. Passar um período de tempo em São Paulo fazendo treinamento e acompanhamento, ter uma assessoria de imprensa para auxiliar esses jogadores a como se portarem em entrevistas, um psicólogo para trabalhar toda essa parte psicológica comportamental dos jogadores, que muitas vezes não estão preparados a lidar com grande atenção, subir num palco e se apresentar para milhares de pessoas. Nossa ideia é fazer tudo isso e trazer o necessário para eles terem um nível internacional de competitividade.

A: A intenção, então, é tentar fazer com que o Brasil volte aos holofotes do cenário mundial de e-sports e nivelar com países tradicionais como Coréia do Sul, Estados Unidos e alguns europeus?

G: Exatamente! Mas primeiros temos que dar uma rotina para esses jogadores, pois é muito difícil ter uma performance à altura desses países se eles competem apenas uma ou duas vezes por ano. O ideal seria mais de 6 vezes por ano, que foi exatamente quando conseguimos algumas conquistas inéditas nos campeonatos internacionais de "Counter-Strike", o auge. Batíamos de frente a frente. Os caras te respeitavam de igual para igual.


A: Esse método então não difere muito de qualquer outro tipo de esporte, seja ele com bola ou não. Os atletas treinam, se organizam, participam de seletivas, campeonatos e seleções e vão, então, competir nas Olimpíadas. É mais ou menos essa lógica/conceito?

G: Isso mesmo. É algo para a acontecer a longo prazo: queremos trazer a filosofia do esporte (tradicional) para o e-sport. O mesmo formato, o mesmo profissionalismo, o mesmo tipo de estrutura, o mesmo tipo de equipe para dar essa estrutura para o jogador. Hoje a SBG tem assessor de imprensa, pessoas que cuidam apenas do site (conteúdo, imagens e vídeos). Eu mesmo cuida da parte técnica e, junto com o Paulo [Velloso], damos conta da parte administrativa.

Posso dizer que o projeto primeiro se estruturou fora do game, mas que agora ganha força para começar as atividades com os games propriamente ditos. Podemos cegar nas empresas hoje com materiais para mostrar. Não é simplesmente uma grande empresa patrocinando um único jogador, que é o que acontecia há uns anos. Hoje, é muito mais saudável uma grande empresa patrocinar uma estrutura que tenha um "know-how" de games e essa mesma estrutura cuidar dos jogadores e possibilitar o crescimento deles.    

A: Isso porque ainda não existem centros de treinamento no nosso país específicos para jogos eletrônicos de competições. Você acha que é isso o que realmente falta para tentar chegar junto aos melhores?

G: A segunda fase do projeto é essa. Construir um centro de treinamento em São Paulo destinado aos jogadores profissionais, independente do game que eles jogarem. Ele poderá ir lá visitar, treinar, utilizar as melhores máquinas possíveis. E é exatamente por isso que nós temos o patrocínio da AMD. Também já estamos fechando com outras empresas.

Para ter o melhor material possível e o recurso para o jogador ir treinar, trazer especialistas e craques internacionais para treiná-los é também uma das coisas que queremos fazer. Não seria, com isso, apenas um centro de treinamento, mas um espaço temático (concentração) onde você mesmo poderá ir lá e experimentar os produtos que os jogadores usam, um espaço que poderá fazer coletivas de imprensa, um estúdio com a transmissão dos treinos, dos jogos, dos campeonatos.

A: Agora, supondo que um jogador realmente ache que ele mande demasiadamente bem no game que ele joga, ele tem a chance de ir ao centro de treinamento e concorrer a uma das vagas na SBG? Como seria esse processo de seleção e composição dos atletas da SBG?

G: Basicamente, vamos realizar seletivas regionais de jogos específicos. Por exemplo, escolhemos o jogo X, fazemos as seletivas regionais e convocamos os jogadores brasileiros que estão interessados em participar a jogar entre eles mesmos. Ou trazer alguém de fora que tenha um nível alto de competição para disputar entre eles e, assim, identificarmos quem tem talento, quem leva jeito com relação à boa postura. Analisando tudo isso é que selecionaremos os atletas da SGB, cada um em seus respectivos jogos. Da mesma forma como nos esportes mais tradicionais, a peneira é exatamente o que vai acontecer.

2012 vai ser um ano bem interessante para o e-sport nacional. Já vamos começar com as etapas de classificação, principalmente porque eu sei que a comunidade já está bem louca atrás da convocação da seleção de Counter-Strike e, por enquanto, só posso adiantar que está bem próximo de acontecer.

A: Para finalizar, como você avalia a participação dos três jogadores brasileiros de StarCraft II no Intel Extreme Masters?

G: Primeiro, eles são relativamente novos. O "Tunico" foi o primeiro campeonato que disputou fora do quarto dele. É claro que existe todo um ambiente que é amedrontador para esse tipo de jogador. Se você pega um retrospecto em que um jogador brasileiro de "StarCraft" nem passava das eliminatórias e muito menos nos grandes campeonatos. As vezes, ainda, a comunidade desse jogo não recebe tanta atenção assim também. Agora você jogar de igual para igual com os coreanos é outra coisa.

Um dos juízes, inclusive, chegou a falar para o Tunico que, "dos 6 jogos que ele disputou, 4 ele poderia ter ganho tranquilamente. Você não confiou que você poderia competir e ganhar a partida. Você meio que se amedrontou e não acreditou que poderia superá-lo na partida". Tudo isso o que eu falei de suporte psicológico, estrutura e apoio é o que vai dar elevar a confiança dos jogadores. E o "Potiguar" e o "Dakkon" não conseguiram vencer no melhor de três, mas venceram outas partidas importantes na classificação.

Com certeza se, daqui um mês, eles participarem de outra competição, eles já vão chegar com outra cabeça. Ainda mais sabendo que daqui a três meses poderá haver outro e assim sucessivamente. Por isso, é importante estabelecer um calendário de torneios para dar ritmo de treinamento e de jogo a esses atletas. É igual ao futebol: se o jogador compete em todos os campeonatos a chance de trazer bons resultados e crescer é muito maior.

A: Está certo, então. Muito obrigado pela entrevista, Alexandre. Sucesso com o novo projeto!

Agradecemos ao Alexandre 'Gaules' Borba (e à sua assessoria) pela disponibilidade e acessibilidade durante o Intel Extreme Masters. Mais informações na página oficial do Facebook da Seleção Brasileira de Games.





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Comentários (5) Assinar


brunospfc
Postado
23/02/2012
16:48
muito boa sorte ao projeto! tomara que nao fique restrito as "panelinhas" de jogadores SP/RJ

kiLLz
Postado
16/02/2012
15:13
Gaules é o cara!

Dòlggan
Postado
15/02/2012
22:01
Pô, eu vi o thumbnail antes de ler a notícia e achei que fosse o Lyoto Machida.

Daniel1337
Postado
15/02/2012
21:22
Incentivo do governo já:

jogo é coisa séria sim

daniel1985
Postado
15/02/2012
19:46
Torço por todos ventos bons ajudem a tudo que ele disse, se torna realidade para comunidade gamer do Brasil. Precisamos, temos talentos, criatividade e nunca desistimos!






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