Grandes navios da 2ª Guerra Mundial

Discussão em 'Geral' iniciado por xsunda, 29/07/2008.

  1. xsunda

    xsunda Meus amigos,meus inimigos Registrado

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    Couraçado Classe Bismark
    Alemanha


    Maiores couraçados da marinha alemã, com apenas 2 construídos. O Bismark, na sua 1ª e única missão, participou do afundamento do cruzador de batalha Hood e danificou o couraçado Prince of Wales. Foi, a partir de então, caçado pela frota britânica, sendo alcançado e destruído por couraçados e cruzadores ingleses, após ter sido retardado por ataques aéreos lançados por porta-aviões. O Tirpitz jamais disparou contra outro navio inimigo, acabando destruído por ataques aéreos britânicos (com bombas de 5.450 Kg).

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    Comprimento: 251 m (total) / 241,5 m (linha d’água)
    Boca (largura): 36 m
    Calado: 10,2 m
    Deslocamento: 41.700 ton. (padrão) / 50.900 ton. (plena carga)
    Propulsão: Turbinas a vapor, 3 eixos (138.000 shp)
    Velocidade Máxima: 30,12 nós
    Blindagem: 320-220mm (lateral), 50 + 80-120mm (convés), 360-180mm (torres) e 340-220mm (barbetas)
    Armamento Principal: 8 canhões de 380mm/L45 (4 torres duplas)
    Armamento Secundário: 12 canhões de 150mm/L55 (6 torres duplas)
    Armamento Antiaéreo: 16 canhões de 105mm/L65 (8 torrres duplas),16 de 37mm/L83 (8 montagens duplas) e 18 simples de 20mm
    Aviões: 4 hidroaviões arado Ar 196
    Tripulação: 2.340

    Submarino Tipo VII
    Alemanha


    Primeira classe de sucesso da Alemanha, construída em 4 versões principais (tipo A, B, C e C/41), com crescentes aperfeiçoamentos. Foi o cavalo de batalha da força de U-Bootes alemã, onde fizeram fama "ases" com Schepke, Prien e Kretschemer, entre outros.

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    Comprimento: 67,1 m (total) e 50,5 m (linha d'água)
    Boca (Largura): 6,2 m
    Altura e Calado: 9,6 m e 4,74 m (calado)
    Deslocamento: 769 ton. (superfície) e 871 ton. (submerso)
    Propulsão: Superfície: motores diesel, 2 eixos (3.200 hp) e submerso: motores elétricos (750 hp)
    Velocidade Máxima: 17,7 nós (superfície) e 7,6 nós (submerso)
    Profundidade Máxima: 220 m
    Armamento Principal: 1 canhão de 88 mm/45 cal.
    Torpedos e Minas: 14 torpedos (4 tubos à vante e 1 à ré) e 26 minas
    Tripulação: 44-52

    Couraçado Classe Pennsylvania
    Estados Unidoss


    Segunda classe de “superdreadnoughts” americanos. Não participou de operações na 1a Guerra, mas ambos os navios da classe estavam em Pearl Harbor quando do ataque japonês. O Arizona explodiu, causando o maior número de mortos embarcados no dia (1100 homens). O Pennsylvania, no dique seco, foi pouco avariado tendo uma ativa carreira posteriormente, inclusive na batalha do estreito de Surigao. Foi o último couraçado a ser danificado, por torpedos, em agosto de 45.

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    Quantidade completada: 2 - Pennsylvania e Arizona
    Comprimento: 182,9 m (linha d’água), 185,3 (total)
    Boca (largura): 29,6 m
    Calado: 8,8 m
    Deslocamento: 28.485 toneladas (padrão), 29.940 toneladas (plena carga)
    Propulsão: Arizona - turbinas Parsons (34000 HP), Pennsylvania – turbinas Curtiss (31500 hp), 4 eixos. 12 Caldeiras Babcock.
    Velocidade máxima: 21 nós
    Autonomia: 18.500 km a 10 nós, 8.900 km a 15 nós, 6.350 km a 19 nós.
    Blindagem: 356 a 203 mm (lateral), 457 a 228 mm (torres), 406 mm (torre de comando), 152 mm (convés)
    Armamento principal: 12 canhões de 355,6 mm L45 torres triplas
    Armamento secundário: 22 canhões de 127 mm L51 reparos individuais. Reduzido para 14 peças em 1918
    Armamento antiáereo: 2 canhões de 76,2 mm (1918), 8 de 127 mm L25 (1940) ou torres duplas de 127 mm L38 (em 1942)
    Torpedos: 2 tubos de 533 mm submersos, no costado, removidos no entreguerras
    Aviões: 3 (instalados no entreguerras)
    Tripulação: originalmente 915

    Porta-aviões Classe Yorktown
    Estados Unidos


    Classe de 3 navios (Yorktown, Enterprise e Hornet) que, ao contrário do projetos contemporâneos, eram dotados de hangar aberto, o que aumentava a quantidade de aviões que podiam transportar. Os três estiveram em Midway e seus bombardeiros de mergulho foram os principais responsáveis pelo desastre nipônico, afundando 4 porta-aviões nesta batalha. O Enterprise foi o único da classe a sobreviver até o final da guerra, tendo participado de todas as batalhas aeronavais no Pacífico, exceto a do Mar de Coral.

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    Comprimento: 246,7 m (total)
    Boca (largura): 25,3 m
    Calado: 8,53 m
    Deslocamento: 19.800 ton. (padrão) / 27.500 ton. (plena carga)
    Propulsão: Turbinas a vapor, 4 eixos (120.000 shp)
    Velocidade Máxima: 33 nós
    Blindagem: 102 mm (lateral), 76 mm (convés) e 25-76 mm (convés inferior)
    Armamento Sec./Antiaéreo: (1942) 8 canhões simples de 127 mm/L38, 4 quádruplos de 27,94 mm e 24 canhões simples de 20 mm
    Aviões: (1942) 20 caças F4F Wildcat, 38 Bombardeiros de mergulho SBD Dauntless e 13 Torpedeiros TBD Devastator
    Tripulação: 2.919

    Couraçado Classe Richelieu
    França


    Baseados no mesmo conceito da classe Strasbourg, com maior poder de fogo e blindagem, para equipará-los aos navios estrangeiros contemporâneos, os Richelieu tiveram uma guerra singular, tendo lutado contra os alemães e os aliados. O inacabado Jean Bart foi danificado em Casablanca pelo couraçado americano Massachusets e o Richelieu juntou-se aos aliados permanecendo em uso até os anos 50.

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    Comprimento: 247,9 m (total) e 235 m (linha d’água)
    Boca (largura): 33 m
    Calado: 9,7 m
    Deslocamento: 38.500 ton. (padrão) e 47.500 ton. (plena carga)
    Propulsão: Turbinas engrenadas Parsons, 4 eixos (150.000 shp)
    Velocidade Máxima: 30 nós
    Blindagem: 127-328 mm (lateral), 150-170 mm (convés), 195-430 mm (torres), 405 mm (barbetas) e 340 mm (torre de comando)
    Armamento Principal: 8 canhões Mod. 1935 de 380 mm/45 cal. (2 torres quádruplas)
    Armamento Secundário: 9 canhões Mod. 1930 de 152 mm/55 cal. (3 torres triplas)
    Armamento Antiaéreo: 12 canhões Mod. 1930 de 100 mm/45 cal. (4 torres triplas) e 16 metralhadoras Hotchkiss de 13,2 mm
    Aviões: 3 hidroaviões Loire-Nieuport
    Tripulação: 1.550

    Cruzador de Batalha Hood
    Inglaterra


    Orgulho da frota britânica durante o período entre-guerras, o Hood ainda detém o recorde de mais comprido navio a ser comissionado na Royal Navy. Esteve no bombardeio da frota francesa em Mers-el-Kebir, em 1940. No ano seguinte, participou da caçada ao Bismark, explodindo após ser atigido. Somente 3 marinheiros foram resgatados.

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    Comprimento: 262,3 m (total) e 259,2 m (linha d'água)
    Boca (largura): 28,9 m (linha d'água) e 31,7 m (saliências anti-torpedo)
    Calado: 10,2 m
    Deslocamento: 43.360 ton. (padrão) e 48.360 ton. (plena carga)
    Propulsão: Turbinas engrenadas, 4 eixos (144.000 shp)
    Velocidade Máxima: 29 nós
    Blindagem: 102-305 mm (lateral), 19-25 + 38-76 + 25-51 mm (conveses) e 280-381 mm (torres)
    Armamento Principal: 8 canhões Mk I de 381 mm/42 cal. (4 torres duplas)
    Armamento Secundário: 14 canhões QF HA Mk XVI de 102 mm/45 cal. (7 torres duplas)
    Armamento Antiaéreo: 3 montagens óctuplas Mk VIII de 40,5 mm/40 cal. e 4 quádruplas de 12,7 mm/62 cal.
    Aviões: Nenhum
    Tripulação: 1.421

    Porta-aviões Ark Royal
    Inglaterra


    Talvez o mais famoso porta-aviões inglês da II Guerra, o Ark Royal teve uma carreira ativa, com um de seus Swordfish sendo responsável pelo torpedo que parou o Bismark, permitindo seu afundamento no dia seguinte. Mais de uma vez "afundado" pela má propaganda alemã, foi, finalmente, torpedeado e posto a pique em Novembro de 1941, pelo submarino U-81.

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    Comprimento: 244 m (total) e 208 m (linha d'água)
    Boca (largura): 28,9 m (casco) e 34,2 m (convés de vôo)
    Calado: 8,46 m
    Deslocamento: 19.500 ton. (padrão) e 27.300 ton. (plena carga)
    Propulsão: Turbinas engrebadas Parsons, 3 eixos (102.000 shp)
    Velocidade Máxima: 31 nós
    Blindagem: 114,3 mm (lateral), 63,5 mm (convés) e 34,5 mm (hangar)
    Armamento Antiaéreo: 16 canhões de 114 mm/L45 (8 mont. duplas), 48 canhões de 40 mm (6 mont. óctuplas) e 32 metralhadoras de 12,7 mm
    Aviões: Até 60 aviões mas, normalmente, 48 (36 Swordfish e 12 Fulmar/Skua)
    Tripulação: 1.650

    Couraçado Classe Littorio
    Itália


    Primeira classe (4 navios) a ser lançada após o tratado de Washington, dentro do limite de deslocamento máximo permitido, os Littorio eram navios rápidos, bem armados e protegidos. Não foram, no entanto, bem empregados pela Itália, atuando na função de corsários, sem muitos resultados concretos. O Littorio esteve em Taranto, sendo atingido por 3 torpedos, ficando em reparos durante 1 ano. O Roma teve a infeliz distinção de ser o primeiro navio a ser afundado por armamento teleguiado, sendo atingido por duas bombas planadoras alemãs.

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    Comprimento: 237,8 m (total) e 232,4 m (linha d’água)
    Boca (largura): 32,9 m
    Calado: 10,5 m
    Deslocamento: 43.835 ton. (padrão) e 45.963 ton. (plena carga)
    Propulsão: Turbinas a vapor Belluzzo, 4 eixos (140.000 shp)
    Velocidade Máxima: 30 nós
    Blindagem: 61-350,5 mm (lateral), 35,6-45,7 mm + 12,7 mm + 71-162,6 mm (convés), 100-289,6 mm (torres) e 350,5 mm (barbetas)
    Armamento Principal: 9 canhões Ansaldo/OTO de 381 mm/50 cal. (3 torres triplas)
    Armamento Secundário: 12 canhõs Ansaldo de 152 mm/55 cal. (4 torres triplas)
    Armamento Antiaéreo: 12 canhões de 89 mm/50 cal. (12 torres simples), 10 canhões duplos de 37 mm/54 cal. e 10-14 canhões duplos de 20 mm
    Aviões: 2 Reggiane Re 2000
    Tripulação: 1.872-1.960

    Couraçado Classe Yamato
    Japão


    A classe Yamato foi o ápice do desenvolvimento dos couraçados, sendo os maiores e mais poderosos do tipo. Entrando em operação em 1942, o Yamato não disparou seus grandes canhões contra nenhum navio até 1944, no ataque, junto com a frota de superfície japonesa, aos porta-aviões de escolta e destroyers americanos, na Batalha de Samar. Ele e o Musashi acabaram sucumbindo a ataques aéreos (o Musashi na batalha do Mar de Sibuyan, pouco antes de Samar, e o Yamato em 1945, na tentativa de ataque à Okinawa).

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    Quantidade Completada: 2 - Yamato e Musashi (um 3º navio, o Shinano, foi convertido em porta-aviões)
    Comprimento: 263,2 m (total) e 253 m (linha d'água)
    Boca (largura): 38,9 m
    Calado: 10,9 m (máximo)
    Deslocamento: 63.200 ton. (padrão) e 72.809 ton. (plena carga)
    Propulsão: Turbinas a vapor Kanpon, 12 caldeiras Kanpon, 4 eixos (150.000 shp)
    Velocidade Máxima: 27,4 nós
    Autonomia: 13.300 Km a 16 nós
    Blindagem: 76-410 mm (lateral), 200 + 89 mm (conveses), 381-650 mm (torres), 546 mm (barbetas) e 495 m (torre de comando)
    Armamento Principal: 9 canhões Modelo 1934 de 460 mm/L45 (3 torres triplas)
    Armamento Secundário: 12 canhões Mod. 1914 de 155 mm/L60 (4 torres triplas) e 12 canhões de 127 mm/L40 (6 mont. triplas)
    Armamento Antiaéreo: 24 canhões de 25 mm (8 mont. triplas) e 4 metralhadoras simples de 13 mm
    Torpedos e Minas: n/a
    Aviões: 2 hidroaviões E13A1 Aichi "Jake" e 2 F1M2 Mitsubushi "Pete"
    Tripulação: 2.200 oficiais e marinheiros

    Porta-aviões Akagi
    Japão


    Convertido a partir de um casco inacabado de cruzador de batalha (para atender às limitações do tratado de Washington), era um dos maiores porta-aviões do mundo, na época, tornando-se a nau capitânea de Nagumo e formando, junto com o Kaga, a 1ª Divisão de Porta-aviões. Participou do ataque a Pearl Harbor e dos combates no Oceano Índico, conquistando inúmeras vitórias, até encontrar seu fim em Midway, afundado pelos bombardeiros de mergulho norte-americanos.

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    Comprimento: 260,6 m (total)
    Boca (largura): 31,3 m
    Calado: 8,6 m
    Deslocamento: 36.500 ton. (padrão) e 42.765 ton. (plena carga)
    Propulsão: 19 caldeiras Kanpon, turbinas a vapor, 4 eixos (133.000 shp)
    Velocidade Máxima: 31,5 nós
    Blindagem: 254 mm (lateral) e 71 mm (convés)
    Armamento Sec./Antiaéreo: 6 canhões de 203 mm/50 cal. (6 casamatas laterais), 12 de 120 mm/45 cal. (6 torres duplas) e 14 duplos de 25 mm
    Aviões: 24 caças A6M2 Zero, 18 bombardeiros de mergulho D3A1 Val e 18 torpedeiros B5N2 Kate (junho de 1942)
    Tripulação: 1.340 + 800 (grupo aéreo)

    Submarino Classe i400
    Japão


    Estes enormes submarinos, quase tão grnades quanto um cruzador, tinham enorme alcance, podendo atingir alvos na costa Americana. Nunca chegaram a entrar em ação, apesar de haver um projeto de usar seus hidroaviões de ataque para bombardear o canal do Panamá.

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    Comprimento: 121,9 m
    Boca (Largura): 12 m
    Calado: 7 m
    Deslocamento: 5.223 ton. (superfície) e 6.560 ton. (submerso)
    Propulsão: Superfície: motores diesel, 2 eixos (7.700 hp) e submerso: motores elétricos (2.400 hp)
    Velocidade Máxima: 18,75 nós (superfície) e 6,5 nós (submerso)
    Profundidade Máxima: 100 m
    Armamento Principal: Canhão de 140 mm/50 cal, 10 canhões de 25 mm e 8 tubos de torpedos de 533 mm (à vante, 20 torpedos)
    Aviões: 3 Aichi M6A1 "Jake"
    Tripulação: 144
     
  2. hacls

    hacls Active Member Registrado

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    San Andreas deve estar num ódio...
     
  3. xsunda

    xsunda Meus amigos,meus inimigos Registrado

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    Histórias de navios da 2ª Guerra

    O ataque a Scapa Flow

    A preparação do ataque da Kriegsmarine e o histórico da famosa base da Royal Navy, Scapa Flow, nas ilhas Orcadas.

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    Concepção artística do ataque


    O audacioso ataque executado pelo submarino alemão U-47, dentro da baía de Scapa Flow, na Inglaterra, em outubro de 1939, representou um marco na história naval, tanto pelo seu significado como por sua bravura e destreza.

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    Almirante Karl Dönitz

    A idéia do ataque foi do Almirante Karl Dönitz, que denominou a operação de Plano “P”, uma das mais audaciosas missões da 2a Guerra Mundial.

    Foi durante a 1a Guerra Mundial que os ingleses escolheram Scapa Flow, localizada nas Ilhas Orkney, na Escócia, como ancoradouro para os navios da Real Marinha Britânica. Quando a guerra começou não havia defesa específica contra os submarinos, e medidas urgentes foram tomadas para proteger a entrada e os estreitos que lhe davam acesso.

    Inicialmente foram construídos e submersos 21 grandes blocos de cimento, colocadas redes anti-submarino em várias profundidades diferentes e diversas áreas foram minadas sendo apoiadas por baterias de canhões de costa. Assim, Scapa Flow foi declarada segura em 1915.

    Mesmo com estas defesas, alguns comandantes de U-boat mais ousados tentaram penetrar na baía. Um destes conseguiu penetrar e lançar algumas minas, que em 5 de junho de 1916 explodiram e afundaram o HMS Hampshire no Estreito de Hoy. O Ministro da Guerra inglês e herói de Khartoum, Lord Kitchner, estava a bordo visitando Scapa Flow, em rota para a Rússia em missão diplomática, ele e sua comitiva morreram no incidente, o que provocou forte comoção nacional.

    A mesma sorte não teve o Comandante Joachim Emsmann no UB-116, que tentando penetrar no estreito de Hoxa acabou batendo em uma mina e afundou. Apenas um comandante com nervos de aço, grande técnica e experiência conseguiria superar as pesadas defesas e imprevisíveis correntes, poderosas o bastante para arrastar um U-Boat fora do seu curso.

    As imposições do Tratado de Versailles, assinado após o final da 1a Guerra Mundial, afetaram duramente não só a Alemanha, mas principalmente sua marinha, que desafiara a supremacia britânica nos mares. As cláusulas XXI e XXIII do tratado impunham que todos os submarinos, em número de 200, e os 74 navios de guerra deveriam ser entregues e ficariam fundeados em Scapa Flow até a decisão final de partilha entre os aliados. Os aliados estavam divididos quanto ao fato de que muitos países esperavam receber sua parte na partilha, mesmo sabendo-se que a Inglaterra, a maior potência marítima na época, estava mais preocupada em evitar o aumento da força naval de paises rivais.

    Quando o comandante alemão da frota rendida, o Contra-Almirante Von Reuter, soube que os ingleses pretendiam se apoderar dos navios, ele começou a planejar o afundamento de todas as unidades, fato executado em 21 de junho de 1919, após o Almirante Reuter assinalar para os navios “Parágrafo onze confirmado”, o código do imediato afundamento. Mais de 400.000 toneladas de modernos navios de guerra afundaram, a maior perda de navios em um único dia na história naval.

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    Perigosa tarefa de manipular torpedos em um submarino alemão

    Assim, Scapa Flow tornou-se para os marinheiros alemães o símbolo de uma vergonha, que foi a rendição e entrega dos seus navios, mas também o símbolo do sacrifício supremo, o lugar onde repousam ainda os restos da sua Frota de Alto Mar.

    Desta forma, a idéia de um ataque a base inglesa estava ligada a idéia de vingança, e mesmo que o submarino atacante fosse perdido, pelo menos um grande navio de guerra poderia ser afundado, o que causaria pânico na Royal Navy.

    Na tarde de sábado de 1 de outubro de 1939, um mês após a declaração de guerra inglesa, uma pequena lancha atravessa o porto de Kiel, na Alemanha, e vem encostar ao navio de linha Weichsel. O Kapitänleutnant Günther Prien da Marinha Alemã desembarca, e é recebido na ponte. Para o Almirante Dönitz, o nome de Prien, de 31 anos de idade, parecia o ideal para esta missão. Como homem do mar, ele entrou para a escola náutica de Finkenwärder em 1923 aos 15 anos de idade, e oito anos depois prestou prova e ganhou o seu certificado de Comandante para a Marinha Mercante. Aos 24 anos, pouco antes que a grande depressão financeira que envolveu a Alemanha o deixasse sem trabalho, o que o compeliu a se juntar a uma organização nacional-socialista de trabalho voluntário em 1932, e quando a Alemanha iniciou seu rearmamento, rompendo com o Tratado de Versailles, ele se juntou a Kriegsmarine, em 1933. Serviu em águas de Espanha durante a Guerra Civil Espanhola, e com menos de um ano como Comandante de U-Boat ele obteve a primeira vitória oficial. Ele afundou três navios em sua primeira missão de guerra, o que lhe valeu a citação para receber a Cruz de Ferro de Segunda Classe.

    O Senhor Tenente-Capitão é chamado à presença do Chefe das Flotilhas de Submarinos. Prien se apresenta e é recebido pelo “Chefe” que lhe aperta a mão e depois de cumprimentá-lo, pergunta, “Você acha que um comandante determinado poderia penetrar com seu submarino em Scapa Flow e atacar a frota inimiga ali fundeada?”.

    Tomado ainda pela surpresa, ele ouve o “Chefe” passar a palavra ao Tenente-Capitão Wellner, que começa a explicar. Wellner aproxima-se da mesa e curva-se sobre um grande mapa. “A guarda de defesa é a de costume como em toda parte. As medidas especiais, por mim expostas no diário de guerra, foram tomadas aos seguintes locais...”.

    “Entretanto, o seu dedo vai indicando as ilhas de Orkney. No meio do mapa vejo em letras grandes: ‘Baía de Scapa Flow’. Wellner continua a explicar, mas nesse instante não posso ouvi-lo. Todos os meus pensamentos giram, desorientados em torno de um nome: Scapa Flow!”.

    Depois fala o Almirante Dönitz: “Na 1a Guerra Mundial ficavam aqui as barragens inglesas”; inclina-se para o mapa, e com a extremidade do mesmo compasso mostra os pontos em questão, “talvez agora estejam de novo nos mesmos sítios. Aqui foi destruído o UB-116 de Emsmann”; a extremidade do compasso mostra o estreito de Hoxa, “e aqui estão os ancoradouros habituais da frota inglesa. As sete entradas para a baía hão de estar fechadas e bem fechadas por grandes blocos submersos. Todavia quer me parecer que um comandante decidido poderia penetrar aqui...” (a ponta do compasso passeia sobre o mapa). “É claro que não vai ser fácil, porque a corrente é muito forte entre as ilhas. Todavia, não me parece impossível! Qual é sua opinião Prien?”.

    “Antes que tenha tempo de responder, já o Almirante recomeça: Não me diga por enquanto a sua decisão, reflita bem o caso, calcule bem todos os prós e contras. Até terça-feira ao meio dia espero o seu parecer. É absolutamente livre, não quero influir por forma alguma na sua decisão. Caso se convença de que não é viável o empreendimento, venha dizer-mo. Nesse caso, nenhuma censura ou sombra cai sobre si.”

    Prien obteve um prazo de 48 horas para analisar e dar sua resposta. Ele levou as cartas, fotos e informações da inteligência com a missão de preparar e emitir sua estimativa cuidadosa.

    Após chegar em casa, Prien pediu que sua esposa e jovem filho o deixassem a sós para poder estudar os diversos documentos secretos. Havia uma abundância de informações da inteligência sobre Scapa Flow, Dönitz já vinha planejando a aventura a algum tempo. Relatórios do Tenente-Capitão Wellner, que patrulhou a área no U-16 e fotos aéreas tomadas a 6 de setembro mostravam a Frota Metropolitana inteira ancorada, e um aumento das defesas anti-submarinas com barcos e bloqueios fundeados nas sete entradas da baía.

    Mas observando as entradas da baía, encontrou falhas na defesa e apurou uma corrente de 10 nós na área. A navegação mesmo de dia era complicada e cheia de cuidados.

    No estreito de Kirk, a noroeste de Scapa Flow, nas três entradas da baía, os barcos de bloqueio “Thames, Soriano e Minich” estavam posicionados de tal forma que um submarino, aproveitando a maré alta, teria que fazer um zig-zag para evitá-los. Nas noites do dia 13 e 14 a maré estaria alta, sendo um dos níveis mais altos do ano, além de não haver lua.

    “Defesas, barcos de bloqueio, maré e correntes, trabalhei com estes dados como se fosse com um problema matemático”, escreveu Prien. No dia seguinte, ele se apresentou ao Almirante Dönitz que o recebeu com um olhar inquiridor por trás de sua mesa. “Ele não tomou conhecimento de minha saudação, continuou olhando como se não me houvesse noticiado. Ele olhou-me fixamente e perguntou... ‘Sim ou Não?’ ”. Prien respondeu, “Sim senhor”. “Muito bem”, disse Dönitz, que se aproximou e apertou a mão de Prien, “Prepare o seu barco imediatamente”.

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    O U-47

    O barco de Prien, o U-47, era um dos novos submarinos oceânicos, Tipo VIIB, com os quais Dönitz planejava estrangular a Inglaterra com o escasso orçamento liberado por Berlim para este fim. Ele deslocava 750 toneladas, com seus característicos tanques selados no meio da embarcação que lhe davam a autonomia de 8.700 milhas marítimas, o suficiente para circunavegar a Inglaterra ou chegar até ao meio do Atlântico. Podia fazer até 16 nós na superfície e 7 nós sob as águas, mergulhando até 200 metros de profundidade. Armado com quatro tubos de torpedos de 21 pol. na frente e outro atrás, um canhão de 88mm no deck superior e um canhão antiaéreo de 20mm junto à torre de comando.

    O Oberleutnant zur See Engelbert "Bertl" Endrass, era o Primeiro Oficial, e que seria mais tarde um ás dos U-Boat no U-46 e U-567. Como Segundo Oficial, o Oberleutnant zur See Amelung von Varendorff, que no futuro iria capitanear o U-213. Navegador Wilhelm Spahr, Chefe Engenheiro Wessels e o Engenheiro da Sala das Máquinas Bohm, Timoneiro Schmidt e o resto da tripulação de 42 homens formada por voluntários, produto de rigoroso treinamento na escola dos submersíveis, que requeriam 66 ataques simulados na superfície e 66 ataques simulados submerso antes de permitir o disparo de um simples torpedo. Em 8 de outubro, uma semana após Prien ter assumido a Operação “P”, o U-47 estava pronto para partir do porto de Kiel. Não houve cerimônia, nenhuma fanfarra, exceto a saudação do Kapitän zur See (mais tarde Almirante) Hans Georg von Friedeburg, o gênio dos submarinos que ao final da guerra, sob a direção de Dönitz, assumiu a campanha dos U-Boat: “Bem Prien, seja lá o que ocorrer, já tens segurada muitas milhares de toneladas, e agora, a melhor sorte para você meu rapaz”. O U-47 acionou os seus motores Diesel e o barco estremeceu.

    O U-47 dirigiu-se então a península dinamarquesa, que contornou, e depois ao Mar do Norte. Prien nada divulgou a respeito de seu destino. Para evitar possíveis ataques, durante a noite navegavam na superfície e durante o dia permaneciam submersos. “A tripulação olhava para mim questionando o objetivo, mas ninguém dizia nada”, notou. Eles confiavam no seu experiente comandante.

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    O U-47 submerso (profundidade de periscópio)

    Na manhã de 12 de outubro 1939, eles emergiram para fixar sua posição, na altura de Duncansby Head. O tempo estava piorando, o barômetro desceu a 978, nuvens e chuva escondiam as estrelas. Guiando-se pelas luzes costeiras que os ingleses acendiam, Prien confirmou que estava próximo das Orkneys, a 1.8 milhas náuticas do ponto de partida para realizar sua missão.

    As 04:00hs da manhã de 13 de outubro ele colocou o seu barco no fundo, a 80 metros de profundidade... “Amanhã nós deveremos entrar em Scapa Flow” Prien falou a sua tripulação, reunida para ouvir o anúncio de seu Capitão. “Devemos economizar corrente, evitar movimentos desnecessários para não consumir muito ar, ficaremos ancorados no fundo durante o dia até a noite”. Os homens foram para seus beliches. As luzes foram apagadas. O único barulho era a do relógio da sala de controle, as gotas caindo dos tubos de condensação e o ocasional borbulho da água a volta do barco.
    Prien não conseguia dormir. Ele finalmente levantou-se e foi até a sala de comando, onde encontrou Spahr olhando um mapa iluminado sobre a mesa, na qual podia-se distinguir as indicações hidrográficas de Scapa Flow. Após longo tempo contemplando o mapa, Spahr finalmente disse, “O Sr. acredita que nós possamos fazê-lo?”. “Você pensa que sou profeta Spahr?. “E suponha que alguma coisa dê errado...”. “Bem, então teríamos uma má sorte...”.

    Às 14:00hs, um cheiro forte de combustível e de corpos suados misturava-se ao cheiro vindo da cozinha, onde se preparava uma sopa, com carne, batatas e verduras, acompanhado de um forte café para ajudar a empurrar tudo isso para o estômago. As 16:00hs todos foram despertados e a comida foi servida. Momentos depois a mesa é limpa, os beliches são fechados, e três homens vão colocando as cargas de explosivo ao longo do barco, “Se cairmos nas mãos do inimigo, atiramos com o barco pelos ares”. Todos checam seus coletes salva-vidas e arrancam as identificações da Flotilha de seus quepes, para o caso de serem capturados, fato que todos temiam mas assumiam como muito provável.

    Havia até uma piada a respeito das batatas servidas nos campos de prisioneiros na Escócia. Eram 19:00hs, chegara o momento de penetrar na base inimiga. Wessels ordenou: “bombeiem ar para os tanques de imersão, acompanhando os indicadores de profundidade...” 1 metro, 2 metros subindo.

    Os controles começam a responder após os cinco metros! O barco sobe 75 metros... 60 metros... Os motores elétricos são acionados. Aos 40 metros o hidrofone procura algum eventual som que denunciasse barcos a volta. Aos 20 metros Prien ordena levantar periscópio. Lá em cima a noite estava escura e tudo estava tranqüilo: “Emergir”.

    “Esvaziar todos os tanques de lastro”, ordenou Wessels. O barco começou a sair da água e ficou parado na superfície. Prien, vestido com o sobretudo impermeável, abre a escotilha e o ar frio das Orkney penetra pela abertura. Prien escreveu no diário de bordo do U-47: “emergimos às 19:15hs. E já chegam os comunicados dos outros, a meia voz e, todavia, nítidos: A bombordo nada, a estibordo nada, a ré nada se avista”. Os motores Diesel foram acionados e o U-47 tomou o rumo noroeste, aproveitando a maré, em direção ao estreito de Holm. “Arejar o barco!” é ordenado, e os dois ventiladores começam a trabalhar. “Agora nossos olhos se acostumaram a escuridão da noite, e podemos ver tudo claramente. As montanhas ao norte faziam silhueta contra o céu. É esquisito como está claro hoje”, diz Prien.

    “Não sei porque, senhor Tenente-Capitão”, responde Endrass. “É uma claridade estranha que não deriva nem da lua nem de um projetor, não pode ver-se a origem da luz. E de repente... Sinto como uma pancada surda no cérebro. Ninguém pensou nisto. Escolhêramos uma noite de luz boreal para o ataque e agora, ao tombar da noite, cada vez o ar se torna mais claro, porque o vento sopra do norte e atira a cortina de nuvens para os lados do sul”.

    Por um momento Prien considerou a possibilidade de desistir da missão, e von Varendorff murmura, “homem, esta seria uma noite muito complicada”. Mas Endrass diz, “Bem Sr., está uma ótima noite iluminada para caçarmos...”.

    “Medito por um instante e penso que talvez amanhã já não haja a luz nórdica, mas os meus rapazes? Conservarão eles amanhã uma tal disposição de espírito?” Prien então ordenou, “ambos os motores a meia velocidade à frente. Diante de nós, muito ao longe, uma sombra sobre a água... Muito vaga, quase impossível de distinguir, até com auxílio de binóculos. Talvez um barco de pesca, talvez um vapor neutro. Mas agora, na nossa situação, todos os encontros são perigosos. Alarme! Mergulhar!” Nas próximas 4 horas, o U-47 navegou em direção ao estreito de Holm, submerso para evitar o tráfego na passagem, lutando para manter o curso nas águas turbulentas.

    O barco rodeou o estreito de Kirk, igual a uma canoa descendo uma corredeira, empurrado pela correnteza, com Prien dirigindo o barco para o espaço entre Thames e Soriano, esperando passar por sobre os cabos colocados abaixo da superfície, na entrada da enseada. Os cabos rasparam ao longo do fundo do barco e por momentos a tripulação pensou que poderia haver minas acopladas, mas para seu alívio nada aconteceu. Prien colocou o barco em uma flutuação parcial para permanecer baixo dentro da água, e agora ele ordenava que soltassem todo o lastro.

    O U-47 agora flutuava fora da barreira de areia, e o leme foi posto em direção novamente da correnteza.

    O canal gradualmente foi se abrindo, e as 00:27hs Prien entrou em Scapa Flow. Repentinamente uma luz brilhante iluminou o submarino. Um carro passando pela estrada, próximo a vila de St. Mary naquele momento fazia uma curva e os seus faróis colheram de surpresa o barco. Mas da mesma forma como apareceu, a luz sumiu após o carro passar.

    Às 00:55hs ainda não se avistava nenhum navio. O U-47 cruzava para oeste dentro da baía de Scapa Flow, e um pouco adiante repousava os restos da Frota de Alto-Mar alemã, mas onde estava a Frota Metropolitana Inglesa? O U-47 fez a volta e retornou costeando a praia sem encontrar um único navio de guerra.

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    Submarino alemão classe VIIB na superfície

    O que Prien não sabia era que a menos de uma semana atrás o couraçado Gneisenau, escoltado pelo cruzador Köln e nove contratorpedeiros, tinham zarpado para o Mar do Norte com a intenção específica de atrair a Home Fleet (Frota Metropolitana) para fora de Scapa Flow e ao alcance da Luftwaffe. A frota inglesa zarpou, a frota alemã se retirou, e os bombardeiros mostraram-se inúteis. Mas os ingleses alertados da vulnerabilidade de Scapa Flow a ataques aéreos e de submarinos retirou-se provisoriamente para Loch Ewe, no oeste da Escócia. O único efeito da operação foi roubar a possibilidade de Prien de escolher um bom alvo.

    Após girar em direção ao porto, ele foi em direção ao norte da costa. O U-47 percorria silenciosamente ao longo da principal linha de costa, abaixo da luz boreal, e a única coisa avistada eram navios tanques, e isto estava muito abaixo da expectativa da caçada. Mas então von Varendorff observou pelo seu binóculo uma sombra escura ao fundo da baía.
    Prien distinguiu uma chaminé, um mastro e a medida que o U-47 ia se aproximando, os grandes canhões do que ele agora calculava ser um grande couraçado da classe Royal Oak.

    De fato era o Royal Oak, deslocando 29.000 ton., tendo como armamento principal 8 canhões de 15 pol. e uma couraça de 13 pol. Este orgulhoso veterano da batalha da Jutlândia não pode acompanhar a expedição que saiu a caça do Gneisenau, mas estava pronto para partir pela manhã. Prien passou seu binóculo para Endrass. “Lá esta um bom alvo, e há um outro ao seu lado”. Apenas a proa do segundo barco era visível, 1 milha ou mais de onde estava o Royal Oak.
    Este segundo navio foi tomado pelo HMS Repulse, mas na verdade tratava-se apenas do porta-hidroaviões Pegasus de 6.900 ton. Ainda na superfície, o U-47 foi se aproximando. Endrass posicionou-se sobre o mastro para anotar os dados para o ataque. O Primeiro Oficial preparou o seu primeiro tiro para o navio que se estimava fosse o Repulse, a cerca de 3 milhas adiante, e reservou outros 2 torpedos para o Royal Oak. Distância estimada de 3.000 jardas, profundidade de 7,5m. “Inundar os tubos de torpedo para disparar à superfície”. “Tubos inundados”. “Abrir as portas”. “Todos os tubos prontos”. Endrass centrou o alvo e inclinou-se sobre a alavanca de disparo.

    “Tubo 1... fogo!”.

    O torpedo saiu, impulsionado pelo seu motor a ar comprimido, ele alcançaria uma velocidade de 30 nós.
    “Torpedo a caminho” disse o operador de hidrofone do U-47. Spahr então começou a contar os segundos: cinco, dez, quinze...

    A bordo do Royal Oak praticamente toda sua tripulação estava dormindo, incluindo ai o visitante, Almirante H.E.C Blagrove, comandante do Segundo Esquadrão de Batalha.

    Impacto... Poucos dentro do grande couraçado abalaram-se com a primeira explosão, pouco depois da 01:00hs. Sentiram que alguma coisa cortou a corrente da âncora do lado esquerdo, que caiu fazendo um grande barulho na água.

    Uma bomba? Uma mina? Muitos imaginaram que alguma coisa inflamável tinha explodido no porão das tintas visto que não havia sinal de fogo. A tripulação não foi alertada e muitos dos seus 1.200 homens ainda estavam na cama.

    No U-47, Prien e sua tripulação imaginaram que tinham atingido o Repulse. Os dois torpedos disparados contra o Royal Oak se perderam ou erraram o alvo, algo que não era incomum devido a grande quantidade de variantes a considerar. Havia ainda o tubo de torpedo da popa.

    “Torpedo... Fogo!” E novamente a voz de Spahr se fez ouvir contando os segundos para o impacto. Novamente nenhum resultado. Esta não seria a última vez que Prien teria problemas com os torpedos G7, que no início da guerra sofriam ainda de graves problemas técnicos.

    Um Capitão mais tímido pensaria que o destino estava contra ele. Seguramente o alarme seria disparado a qualquer momento. Mas Dönitz havia escolhido o homem certo. Prien fez a volta com o U-47 e neste meio tempo recarregou os tubos de torpedo. O U-47 novamente alinhou-se com o Royal Oak e três torpedos foram disparados dos tubos de proa. Três longos minutos demoraram até o primeiro impacto. À 01:16hs, todos os três torpedos, quase 4 toneladas de TNT, atingiram o casco do Royal Oak, a explosão fez subir um jato de água até a altura do mastro principal do Royal Oak, um grande rolo de fumaça saía do meio do navio. Suas luzes apagaram-se, chamas se estendiam até os céus e explosões se sucediam, como se as portas do inferno tivessem sido abertas. Pedaços do navio e fragmentos rubros do mastro e da chaminé voavam e caiam na água. O Royal Oak foi atingido em seu paiol de munições, o que provocou uma reação em cadeia. Lentamente o navio foi adernando e chegou a um angulo de 45o, poucos marinheiros conseguiram chegar até a ponte, grande parte jogou-se nas águas sujas de óleo. Após 4 minutos o navio já estava a quase 90o, cerca de 800 homens ainda estavam em seu interior, incluindo ai 24 oficiais e o Almirante Blagrove.

    Agora Prien precisava sair dali. Menos de meia hora passou-se desde que o primeiro torpedo atingiu o Royal Oak. Prien não podia parar e prestar ajuda aos náufragos. A baía acordou e já os holofotes disparavam suas luzes em todas as direções. As luzes dos contratorpedeiros e barcos de socorro foram acessas e os alarmes dispararam. Naquele momento os ingleses não estavam caçando qualquer inimigo, ainda não estavam seguros de que estavam sendo atacados, imaginou-se que algum acidente grave tinha acontecido.

    Novamente Prien dirigiu-se em alta velocidade em direção ao estreito de Kirk, passando pela curvatura do canal ao sul do bloqueio de Minich, “Em alta velocidade passei pelo barco de bloqueio sem problema, nosso timoneiro foi perfeito. Alta velocidade à frente e finalmente 3/4 da velocidade e a plena potência novamente... às 02:15hs nós estávamos do lado de fora da baía”.

    Os ingleses, ainda descrentes de que um submarino houvesse penetrado na baia, somente se renderam aos fatos quando mergulhadores constataram a existência de um grande rombo no casco, que só um torpedo poderia produzir, além de pedaços de torpedo do tipo G7.

    No dia seguinte, com o U-47 já em segurança em alto mar, os ingleses anunciaram o afundamento do Royal Oak, adiantando que o submarino que o atacou também havia sido afundado. Este anúncio foi ouvido com humor pela tripulação do U-47.

    Eles chegaram a Wilhelmshaven na manhã do dia 15, e foram recebidos na doca pelo Almirante Dönitz e pelo Grande Almirante Raeder. Todos receberam a cruz de Ferro, e Prien a Cruz de Ferro de 1a Classe e a Cruz de Cavaleiro. Raeder promoveu Dönitz a Contra-Almirante. Na mesma manhã todos voaram para Berlim no avião pessoal do Führer, e no dia seguinte Hitler em pessoa entregou a Prien a Cruz de Cavaleiro.

    Ele considerou o ataque a Scapa Flow como o maior feito já praticado por um U-Boat.

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    U-47 retornando do ataque

    Para os ingleses, o escândalo de Scapa Flow encerrou a carreira de vários profissionais da Royal Navy. Churchill, na época como 1o Lorde do Almirantado, apenas escapou porque estava há pouco tempo no cargo. Em toda a guerra, apenas outro grande couraçado inglês, o HMS Barham, foi afundado por um submarino (o U-331). Este e o navio de linha “Empress of Britain” foram as únicas vítimas tão grandes quanto HMS Royal Oak. A Real Marinha Britânica foi forçada a ancorar a sua frota em outros portos, que os alemães imediatamente minaram, até que se reforçassem as defesas de Scapa Flow. Foram vítimas das minas magnéticas alemãs o couraçado HMS Nelson e o cruzador HMS Belfast, que ficaram bastante danificados, e quatro outros navios foram afundados, e tudo devido ao arrojado ataque do U-47.
     
  4. Splinter™

    Splinter™ Usuário Master Registrado

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    gostei dos portas aviões do japão
     
  5. Jumy

    Jumy New Member Registrado

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    como calcula o peso de um navio desses
     
  6. izzimark

    izzimark relaxa manolo Registrado

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  7. xsunda

    xsunda Meus amigos,meus inimigos Registrado

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    Isso é cotado já na construção do navio
     
  8. Guto.M

    Guto.M Iha! Registrado

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    É pq senão a chance dele afundar é bem grande, visto que eles precisam desse peso pra saber qual a força que ele exerce sobre a água, para assim também calcular a força de empuxo que a água vai exercer sobre ele, e assim verificar se ele afunda ou não:yes:
     
  9. edupons

    edupons Cabra Homi Registrado

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    vontade de jogar bf2
     
  10. GuillerZ

    GuillerZ tatatatata! Registrado

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    BF2 num é guerra moderna?








    :sleep:
     
  11. DanadS

    DanadS 10 anos de Adrena :O Registrado

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    ehhehehe show o tópico

    ps: instalando IL2 pacific fighter :X
     
  12. xsunda

    xsunda Meus amigos,meus inimigos Registrado

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  13. pst

    pst New Member Registrado

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    excelente, excelente, adoro saber sobre essas coisas. :D
     
  14. xsunda

    xsunda Meus amigos,meus inimigos Registrado

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    A caça ao Bismarck

    Aquela tênue linha que separa os extraordinários triunfos das caudalosas humilhações militares voltou a aparecer nesta guerra, agora nas águas do Atlântico - e foi atravessada com sucesso pelos britânicos, no final de maio. Após ver o Hood, maior navio de guerra do mundo, ser facilmente afundado pelos alemães, a Marinha Real já se resignava com a fuga de seu carrasco, o impetuoso couraçado Bismarck, quando um vôo despretensioso de um Catalina localizou novamente o temível touro de aço tedesco. Em seguida, ao colocar a pique o Bismarck, os britânicos não só vingaram o Hood como também impingiram uma dolorosa perda moral à Kriegsmarine, que certamente a enfraquecerá no conceito de Adolf Hitler.

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    Encouraçado alemão Bismarck

    Considerado o navio de guerra mais bem equipado do planeta, o moderno e rápido Bismarck era a menina dos olhos da Marinha germânica. Só sucumbiu, em 27 de maio, após ser caçado por mais de 100 embarcações britânicas ao longo de sete dias de operações no Atlântico - operações essas que começaram após o Bismarck deixar Gotenhafen, nas primeiras horas do dia 19 de maio, ao lado do Prinz Eugen e outros navios, com a missão de destruir a escolta do estoque de suprimento dos aliados. O cruzadores-irmãos Norfolk e Suffolk, que patrulhavam o Estreito da Dinamarca, avistaram o Bismarck e o Prinz Eugen no dia 23 de maio, informando a localização do inimigo para o comandante da frota britânica, almirante John Tovey. Sem delongas, este enviou o Hood e o Prince of Wales para o cerco ao Bismarck.


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    O Bismarck saindo do porto

    Na madrugada de 24 de maio, ambos já estavam na costa da Groenlândia, e, às 5h53, dispararam contra o couraçado tedesco, cujos canhões responderam em eco ao ataque. A terceira salva do Bismarck atingiu o Hood, fazendo crepitar labaredas na chaminé; alguns segundos depois, uma explosão decretou o óbito do cruzador, que afundou em poucos minutos e deixou apenas três sobreviventes de sua tripulação de 1.416 - o timoneiro Ted Briggs, o marinheiro Robert Ernest Tilburn e o aspirante William Dundas.

    Entretanto, o Bismarck também não sairia ileso da batalha: um obus disparado pelo Prince of Wales acertou seu flanco e causou sério vazamento de óleo, esgotando seu suprimento e contaminando os outros tanques de combustível. O almirante alemão Gunther Lütjens percebeu que isso significaria o fim da jornada do couraçado pelo Atlântico e dirigiu-se para reparos em Saint-Nazaire, sentido Sul - ainda que a prudência o recomendasse a seguir sentido Norte, para as altas latitudes norueguesas. Lütjens nunca pôde justificar essa decisão, ele que em breve encontraria seu túmulo marinho. ...

    Amargo aniversário - O Norfolk e o Suffolk continuavam escoltando, a uma distância segura, o Bismarck e o Prinz Eugen. Por volta das 18 horas do mesmo dia 24, os navios teutônicos se separaram, com o Bismarck dobrando a Sudeste; o Suffolk seguiu em seu encalço, mas acabou o perdendo de vista às 3 horas do dia 25. O sol nasceu e se pôs sem que o alvo fosse novamente localizado. O Almirantado, então, determinou que todas as embarcações convocadas para a caçada retornassem aos portos mais próximos - entre elas, o Revenge, o Victorious, o Prince of Wales, o Repulse, o King George V e o Rodney. Os oficiais britânicos, humilhados, já davam como certa a chegada do Bismarck em segurança ao círculo polar, fora de seu alcance. Entretanto, como que por desencargo de consciência, enviaram uma patrulha de Catalinas para fazer uma última varrição dos mares, entre a Bretanha e a Islândia.

    Houve regozijo no Almirantado quando uma das aeronaves anunciou ter localizado o Bismarck a 160 quilômetros de Brest, na França - muito próximo não apenas da defesa dos submarinos U-boat como também dos aviões da Luftwaffe ali baseados. Entretanto, a Marinha Real agiu rápido. Do porta-aviões Ark Royal, partiram 14 caças Swordfish, que atingiram, por volta das 21h, o golpe crucial: um torpedo que atropelou as hélices e arrancou o leme. A velocidade, que no início da retirada era de 28 nós, caiu para 3 nós. Além disso, sem direção, o couraçado começou a andar em círculos. O comandante Lütjens, pouco antes da meia-noite, transmitiu uma funesta mensagem a seus superiores. "Sem condições de manobrar o navio. Lutaremos até o último cartucho. Vida longa ao führer!"

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    O golpe crucial: o torpedo britânico deu início à noite de agonia do gigante ferido do Reich

    Era o início da noite de agonia do gigante ferido do Reich. Na madrugada, cinco contratorpedeiros assediaram o Bismarck, atingindo-o por duas vezes; ao amanhecer, apresentaram-se para a pugna o King George V e o Rodney, atirando com canhões de 14 e 16 polegadas de uma distância cada vez menor. Após a saraivada, o Almirantado convocou de volta a dupla de navios de guerra, cujo combustível começava a faltar, e deixou a finalização do trabalho para o cruzador Dorsetshire e seus torpedos. Padecendo em chamas, com a totalidade de seus canhões mudos, mas ainda em sua imponência taurina, o Bismarck afundou às 10h36. Mais de 2.200 tripulantes morreram, incluindo o almirante Lütjens, que completava 52 anos naquela data. Pouco mais de uma centena de germânicos foram salvos pelas embarcações britânicas presentes na área - autoridades alemãs reclamam de vingança pelo baixo número de sobreviventes no desaparecimento do Hood.
     
  15. Scalon

    Scalon Heisenberg Registrado

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    o san andreas deve ta com uma raiva e sobre o topico show de bola
     
  16. xsunda

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    O Yamato

    O fim do maior encouraçado já construído

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    Foi precisamente há 59 anos, a 7 de Abril de 1945, que o super-couraçado japonês Yamato, o maior e mais poderoso navio de guerra até então a navegar, foi afundado por aviões norte-americanos. O Yamato foi detectado, interceptado e fatalmente danificado enquanto se dirigia para Okinawa, onde os americanos haviam desembarcado 6 dias antes, numa missão aparentemente suicida - partiu para Okinawa sem combustível suficiente para uma viagem de regresso.

    O objectivo dos japoneses seria enviar este colosso dos mares (de 72000 toneladas) para flagelar a cabeça-de-ponte americana ao largo de Okinawa, destruindo tudo o que estivesse ao alcance dos seus formidáveis canhões de 18.1 polegadas (ou 460 mm), nomeadamente navios de tropas, navios de transporte, navios de apoio. O Yamato não ia sozinho, levava também uma escolta constituída por um cruzador e 8 destroyers, contudo, não tinha qualquer apoio aéreo, dependendo unicamente das armas AA. Todos os aviões disponíveis haviam sido previamente enviados para atacar as esquadras americanas em ondas sucessivas de Kamikazes.

    [​IMG]

    Quando o grupo do Yamato foi descoberto, perto de 400 aviões bombardeiros e torpedeiros levantaram vôo dos porta-aviões americanos para interceptar a ameaça. Para além dos aviões, os americanos tinham 6 couraçados prontos para lidar com os navios japoneses que lograssem sobreviver ao ataque aéreo e prosseguissem com a missão. Mas estes não tiveram de intervir. Em poucas horas, a aviação americana afundou o cruzador e 4 destroyers, e cravou o Yamato de bombas e torpedos. O gigante, ferido de morte, adernou e em seguida explodiu, afundando-se e levando consigo 2500 dos 2800 tripulantes. Os americanos perderam apenas 10 aviões e 12 aviadores. O local onde o Yamato repousa foi descoberto em 1985 (pode ser que um dia este grandioso navio venha a merecer a atenção científica e mediática dada, por exemplo, ao Bismarck).

    yamato2.JPG

    fonte: http://www.forumdefesa.com
     
  17. xsunda

    xsunda Meus amigos,meus inimigos Registrado

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    Os Encouraçados - Parte 1

    O maior projeto para um encouraçado foi provavelmente o H-44, desenvolvido na Alemanha nazista no ano de 1944, mas jamais construído.

    Surgiu de sucessivas ampliações do projeto H, concebido em 1939 como uma versão ampliada do Bismarck. Teria duas chaminés, oito canhões de 406 mm (em vez dos oito de 380 mm do Bismarck), um comprimento total de aproximadamente 275 metros e um deslocamento máximo de 66.641 t.

    O resultado seria um navio comparável ao japonês Yamato. Seu armamento seria inferior (o Yamato tinha nove canhões de 460 mm), como também sua blindagem (300 mm de aço no costado e 150 mm no convés, ante 410 mm e 230 mm, respectivamente, no encouraçado japonês). Por outro lado, sua velocidade seria maior (30 nós, ante 27 nós). Sua maior vantagem seria que, graças a sua maquinaria diesel, seria capaz de navegar 16.000 milhas a uma velocidade de 19 nós antes de reabastecer, enquanto o navio japonês, com suas turbinas a vapor, alcançava apenas 7.200 milhas, a 16 nós.

    Seis desses navios integrariam o plano Z, um projeto ambicioso e abrangente – mas já anacrônico – para construir uma armada capaz de superar a marinha britânica. O anacronismo estava na ênfase exagerada dada aos encouraçados e aos cruzadores de batalha, numa era em que os porta-aviões já começavam a demonstrar seu potencial.

    Chegou-se a iniciar a construção do primeiro navio da classe, mas foi interrompida quando ao se iniciar a guerra, quando, mui sensatamente, a marinha alemã decidiu concentrar esforços na construção de submarinos. A sensatez, porém, acabou aí.

    Os almirantes alemães decidiram aproveitar o adiamento para melhorar a blindagem e a proteção contra torpedos do projeto original. Tentavam equiparar-se aos avanços técnicos dos aviões navais e dos submarinos, em vez de concluir que estes progressos estavam tornando os encouraçados definitivamente obsoletos. O afundamento do Bismarck, em maio de 1941, só fez alimentar ainda mais a obsessão pela idéia de um encouraçado “inafundável”.

    Absurdamente, o projeto continuou adquirindo proporções cada vez mais megalomaníacas até o final de 1944, quando os soldados soviéticos já estavam pisando o território do III Reich, a guerra já estava evidentemente perdida e a marinha alemã já havia perdido praticamente todos os seus grandes navios de superfície.

    Na versão final, o encouraçado deslocaria 141.500 toneladas métricas (bem mais que o maior navio de guerra da atualidade, porta-aviões nuclear Nimitz) e teria um comprimento total de 360 metros (345 metros na linha d’água). Com blindagem de 380 mm no costado e 330 mm no convés, levaria oito canhões de 508 mm, que disparariam balas de duas toneladas. Seria capaz de navegar 20.000 milhas sem reabastecer – praticamente uma volta ao mundo. De resto, porém, suas características não parecem tão impressionantes. O projeto, como um todo, não se mostrou muito inspirado: continuou sendo essencialmente um Bismarck ampliado, mas agora quase três vezes maior que o original.

    Algumas fontes vêem esse encouraçado gigante como mais um dos caprichos de Hitler, mas, na nossa opinião, a história do projeto H-44 não confirma esse ponto de vista. O Führer de fato se interessou pelo projeto, mas a forma que tomou não reflete tanto seu enfoque agressivo e seu desejo de canhões imensos – chegou a propor canhões navais de 800 mm – quando a fixação defensiva dos almirantes na idéia de um encouraçado com grande autonomia e capaz de sobreviver a qualquer ataque imaginável.

    Em todas as suas versões, o projeto H teve um poder de fogo menor que o de outros encouraçados do seu tamanho. Os canhões de 508 mm só passaram a fazer parte do projeto quando a busca de invulnerabilidade já tinha resultado num casco tão grande que seria incoerente usar armas menores. Mesmo a gigantesca versão definitiva pode ser considerada sub-armada para seu tamanho. Assim como o próprio nazismo, o H-44 foi o ponto culminante de uma mania coletiva e não um capricho de um indivíduo poderoso.

    Não se tratava só de um gosto pelo gigantismo, mas de um apego irracional ao conceito de encouraçado, numa era em que sua obsolescência já era evidente. Sob esse ponto de vista, o cúmulo do absurdo não foi atingido com o H-44, que afinal nunca saiu do papel, mas com a reativação no mundo real dos encouraçados da classe Iowa – aposentados desde a década de 1950, exceto pela breve reaparição do New Jersey, em 1968, para bombardear as costas do Vietnã – por Ronald Reagan e George Bush (o pai) já na era dos mísseis intercontinentais e dos submarinos nucleares, em plena década de 1980! O último deles só foi tirado definitivamente de serviço em 1992.

    Almirantes e chefes de Estado manifestavam sua nostalgia por uma era mais simples, em que o poderio naval se manifestava através de grandes navios carregando canhões bem visíveis e fáceis de compreender e não através de armas complexas e misteriosas, como caças supersônicos e mísseis de longo alcance lançados de submarinos. Sobretudo, uma era em que as batalhas navais eram travadas de forma clara e barulhenta, com os inimigos à vista um do outro. Uma era de relativa “inocência”, quando não era preciso se preocupar com torpedos lançados de submarinos invisíveis, aviões surgindo do nada e mísseis dirigidos por satélites e lançados de milhares de quilômetros de distância.

    Um interessante sintoma dessa nostalgia é a quantidade surpreendente de encouraçados preservados até hoje, geralmente como museus ou memoriais. Nos Estados Unidos, são nada menos que oito: Texas, North Carolina, Massachussetts, Alabama e Missouri – todos transformados em museus – mais o New Jersey, Iowa e Wisconsin, cujo destino ainda é incerto.

    É verdade que todos eles estiveram presentes na II Guerra Mundial, mas todos os especialistas em história militar concordam em que seu papel foi secundário. Foi um grande golpe de sorte o fato de nenhum dos sete porta-aviões que os EUA possuíam em dezembro de 1941 estava em Pearl Harbor no dia do ataque japonês (conduzido, aliás, por seis porta-aviões). Mas os oito encouraçados temporária ou definitivamente inutilizados nesse dia quase não fizeram falta.

    Porém, as tentativas de levantar fundos para preservar o Enterprise CV-6 fracassaram na década de 1950. Embora sete porta-aviões norte-americanos usados na II Guerra Mundial tenham sido preservados, o último sobrevivente dos porta-aviões que enfrentaram o poderio naval japonês nos primeiros meses da guerra no Pacífico foi ignominiosamente sucateado.

    O Japão também preserva um encouraçado, o Mikasa (relíquia da guerra russo-japonesa). O Chile conserva outro, ainda mais antigo, o Huáscar (capturado ao Peru na Guerra do Pacífico).

    Assim como muitas crianças adoram dinossauros e às vezes gostariam que eles ainda existissem, muitos fãs de história naval são fascinados pelos extintos encouraçados e alguns deles sonham vê-los de novo singrando os mares, como se pode constatar em diversos fóruns da Internet. Veja, por exemplo, a discussão em Battleships: Should They Be Back In Service?, por disparatada que essa idéia tenha se tornado neste século 21.

    Mas a mais divertida manifestação dessa nostalgia pelos encouraçados é o animê Uchuu Senchen Yamato (Encouraçado Espacial Yamato, vertida para o inglês com o nome de Star Blazers). Nessa série de ficção científica, o Yamato, maior encouraçado efetivamente construído de todos os tempos, é resgatado em 2199 das profundezas (para onde foi enviado, em 1945, por um ataque aéreo norte-americano) para ser transformado numa nave interestelar e combater alienígenas invasores da Terra!

    A ilustração abaixo compara, na mesma escala, o projeto H-44 com a maior belonave da atualidade - o porta-aviões Nimitz -, com três dos maiores e mais famosos encouraçados da II Guerra Mundial - o Yamato, o Iowa e o Bismarck -, e com um dos dois encouraçados que o Brasil possuiu até a década de 1950 - o São Paulo. O outro, quase idêntico, era o Minas Gerais.

    [​IMG]

    Fonte: http://ictoon.sites.uol.com.br/
     
  18. DanadS

    DanadS 10 anos de Adrena :O Registrado

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    que diferença do São Paulo pro Nimitz :(
     
  19. xsunda

    xsunda Meus amigos,meus inimigos Registrado

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    ESSE São Paulo é um encouraçado do início do século passado, e não tem nada a ver com o Porta Aviões São Paulo, que é de origem francesa.
     
  20. RavenSoul

    RavenSoul Active Member Registrado

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    nossa.. imagina se tivessem construído esse H-44? :eek:
     
  21. DanadS

    DanadS 10 anos de Adrena :O Registrado

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    ah tah :p
    newbei :slap:
     
  22. xsunda

    xsunda Meus amigos,meus inimigos Registrado

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    Aí vão as especificações técnicas dos dois porta-aviões:

    NIMITZ
    Deslocamento 101.000 a 104.000 ton carga total
    Comprimento 333 m total - 317 m linha d'água
    Calado 11,3 m
    Boca 76,8 m - 40,8 m linha d'água
    Propulsão 2 × reatores nuvlearesWestinghouse A4W
    4 x turbinas a vapor
    4 x motores diesel
    Velocidade 30 nós / 56 km/h
    Raio de ação Sem limites em termos teóricos
    Armamento 2 × 21 cell Sea RAM
    2 × Mk 29 Sea Sparrow
    Número de aeronaves 90 aviões e helicópteros
    Tripulação mais de 6.000 tripulantes, incluso pessoal de vôo

    SÃO PAULO
    Deslocamento: 30.884 (padrão), 33.673 (plena carga)
    Comprimento: 266 m
    Boca: 51,2 m
    Calado: 8,6 m
    Propulsão: 6 caldeiras, 4 Turbinas e 2 propulsores
    Velocidade: 30 nós
    Alcance: 7.500 nm
    Guarnição: 1.030 membros
     
  23. triobr

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    Pra mim os tripulantes do U507 são herois, destruiu varios navios brasileiros, fiquei com pena dele ser abatido por uma bosta de um Catalina...Vale lembra que esse submarino foi o que mais derrubou navios brasileiros...

    ...Momentos antes de submergir ele foi atingido e todos morreram!! snif!!

    [​IMG]
     
  24. xsunda

    xsunda Meus amigos,meus inimigos Registrado

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    Heróis por afundar navios mercantes obsoletos, quase não armados e sem escolta? É ruim hein...
     
  25. triobr

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    leia a historia completa...
     

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