Da Redação - 11/07/2008 - 18h00
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, em decisão proferida há pouco, revogou a prisão preventiva do banqueiro Daniel Dantas.
O ministro entendeu que os fundamentos que permitiram a revogação da prisão temporária também se encontram presentes diante da nova ordem do juiz da 6ª Vara Federal Criminal, Fausto de Sanctis.
“Por mais que se tenha estendido ao buscar fundamentos para a ordem de recolhimento preventivo de Daniel Dantas, o magistrado não indicou elementos concretos e individualizados, aptos a demonstrar a necessidade da prisão cautelar, atendo-se, tão-somente, a alusões genéricas”, diz o ministro na decisão.
Essa é a segunda vez que o ministro atende ao pedido da defesa do banqueiro e o livra da prisão. Em entrevista a Última Instância, o jurista Dalmo Dallari criticou a decisão.
Conforme o teor da decisão que concedeu o habeas corpus, o ministro considerou que as informações chamadas de novas por Sanctis —e que justificaram o decreto de prisão preventiva—, na verdade já eram de conhecimento do juiz quando da decretação da primeira prisão.
O ministro Mendes ressaltou também que a expedição de outra ordem de prisão, logo após a sua concessão de habeas corpus, “revela nítida via oblíqua de desrespeitar a decisão deste Supremo Tribunal Federal”.
Há dois dias, Gilmar Mendes havia concedido o habeas corpus que libertou Dantas, sua irmã Verônica Dantas e mais nove pessoas presas na operação Satiagraha da Polícia Federal. Mendes considerou que a prisão preventiva dos acusados era desnecessária, já que eles não representavam ameaça às provas colhidas durante a operação. Daniel Dantas havia sido solto na manhã desta quinta-feira (10/7).
Nesta quinta-feira, o juiz da 6ª Vara Federal Criminal, Fausto de Sanctis, decretou prisão, agora preventiva, do banqueiro por considerar um conjunto de novos documentos apreendidos pela Polícia Federal na casa de Daniel Dantas e pela oitiva de Humberto Chicaroni, que fortaleceu a ligação entre o Dantas e a
prática do crime de corrupção ativa (suborno) contra o policial Vitor Hugo Rodrigues Alves Ferreira, que participava das investigações.
O banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (1997-2000) e o empresário Naji Nahas foram presos nesta terça-feira (9/7) durante a operação Satiagraha, que investiga desdobramentos do caso Mensalão.
O grupo de Dantas, segundo o MPF (Ministério Público Federal), cometeu o crime de evasão de divisas por meio do Opportunity Fund, uma offshore no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Caribe. Segundo os laudos periciais, tal fundo movimentou entre 1992 e 2004 quase US$ 2 bilhões.
Além de evasão e quadrilha, as investigações apontam gestão fraudulenta por parte do grupo de Dantas, além de concessão de empréstimos vedados (empréstimos entre empresas do mesmo grupo) e corrupção ativa, pela tentativa de pagamento de propina.
As investigações começaram há quatro anos, como desdobramento do caso Mensalão. Na apuração foram identificadas pessoas e empresas que seriam beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Durante as investigações, a PF descobriu atividades de dois grupos ligados ao mercado financeiro, liderados por Daniel Dantas e o empresário Naji Nahas.
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