biblioteca / review
categoria : fps |
13.10.2009 / 08h00
Call of Juarez: Bound in Blood
autor: redacao
Introdução
Foi-se o tempo em que os filmes que faziam sucesso no cinema eram aqueles envolvendo um cenário desértico, uma cidadezinha pequena pacata - onde a lei era exclusivamente o xerife com sua estrela no peito - e muito tiroteio, provavelmente entre índios e os fora-da-lei das redondezas.
Esse cenário era verdadeiro também para os jogos eletrônicos, mesmo que de uma forma mais tímida. Jogos como Outlaws, Sunset Riders, Desperados e outros ainda mais antigos, rechearam o catálogo de jogos do tipo Western, ou como é conhecido por aqui, Faroeste/Velho Oeste.
Mas, notavelmente, este tipo de jogo acabou por quase desaparecer, principalmente pela geração atual ser mais atraída pelos temas de ficção envolvendo os mais diversos efeitos especiais e capacidade ilimitada quanto à jogabilidade.
No entanto, a Ubisoft resolveu apostar no que se tornou mais um divisor de águas para a época, lançando Call of Juarez em 2006. O game mostrou a capacidade de unir lindos gráficos, com uma jogabilidade diversificada atrelada a uma fantástica história - contando a busca de um dos protagonistas, Billy, pelo tesouro escondido que foi motivo no passado de grandes mudanças na vida do pastor Ray McCall, segundo protagonista nesta longa história.


História
Call of Juarez: Bound in Blood, segundo título de franquia, conta os acontecimentos que antecederam o jogo original, explicando os motivos que levaram Ray a ser tornar pastor, assim como toda a ganância envolvendo o lendário tesouro de Juarez e os três irmãos McCall.
Situado em 1864, em plena guerra civil americana, Ray e Thomas McCall lutam lado a lado. No entanto, a casa da família dos irmãos, onde estão abrigados a Mãe dos McCall e o irmão caçula William, encontra-se aos redores da última linha de ataque do exército e em grande perigo.
Em uma tentativa de salvá-los, os dois irmãos se tornam desertores do exército, à revelia do coronel Barnsby, e seguem em direção a casa de família. Lá, encontram sua mãe morta, mas salvam seu irmão caçula e pastor, que segue em frente junto a eles sob a promessa de reconstruir a casa da família e uni-los novamente.
Porém, a guerra deixa sequelas que fatalmente mudam o comportamento dos irmãos mais velhos, tornando-os fora-da-lei em busca de dinheiro, bebida, mulher , além de gerar conflitos internos. Principalmente quando William tenta convencê-los de abandonarem esta vida e tentarem honestamente reconstruir seu antigo modo de viver.
Mas uma proposta tentadora de fortuna ilimitada pareceu ser para Thomas e Ray o caminho mais adequado de reestruturarem suas vidas: a busca pelo tesouro de Juarez.
Jogabilidade #1
Call of Juarez, em 2006, não inovou, de fato, mas atraiu diversos jogadores para sua peculiar jogabilidade. Controlando a caça (Bill) e o caçador (Ray), de forma alternada, possibilitou uma jogabilidade característica de cada personagem e, principalmente, que a história fosse acompanhada da melhor forma possível, mantendo o melhor dos confrontos e duelos de uma história no Faroeste.
Em Bound in Blood, permanece a possibilidade de controlar dois personagens, cada um com sua jogabilidade própria. Sendo Ray o personagem mais bruto, resolve os problemas da melhor forma: a base de muito tiro com suas duas pistolas em mãos. Já Thomas, que também gosta de um tiroteio, é mais ágil ao confrontá-los, geralmente resolvendo problemas que exijam precisão com seu laço, facas e arco.
Além disso, cada um dos irmãos tem um modo chamado ‘Concentration’, que se assemelha a um movimento especial para abater os inimigos e é representado por uma bandeja de balas que carrega ao decorrer da fase ao eliminar os inimigos.
Mas diferente do título original, em diversos momentos do jogo a escolha do personagem caberá ao jogador, o que acarretará numa experiência nova a cada partida, mudando ligeiramente a forma de percorrer uma fase. Mas, de qualquer modo, o objetivo será o mesmo para os dois, assim como o final da trama que não se alterará, e eles permanecerão juntos na maior parte da fase.
Jogabilidade #2
Como eram comuns na terra sem lei, os problemas entre dois sujeitos envolviam uma solução muito simples e regrada: o duelo. Um a frente do outro e, após um sinal, o mais rápido a sacar sua arma, atirar e acertar o adversário sairia vivo para contar a história e receber a glória. E este belo momento foi adaptado ao jogo de forma muito fiel, e é um dos pontos altos do jogo.
Ao longo da história, estes obstáculos humanos irão aparecer desafiando Ray e Thomas para um duelo mortal. E chegando ao fim da aventura, os adversários se tornam mais eficientes em sacar a arma, não nos dando tempo sequer de apertar o gatilho.
“Fugir” provavelmente é a primeira palavra do dicionário de um fora-da-lei. E para uma boa fuga, cavalo foi o veículo animal mais eficiente da época. E Bound in Blood está recheado destas fugas, tornando o jogo muito movimentado. É ação na maior parte do jogo, mas sem deixar as inúmeras cutscenes de fora mostrando o atrito que vai se estabelecendo entre Ray e Thomas por causa de mulheres.


Jogabilidade #3
A utilização de um sistema de cover na jogabilidade vem crescendo exponencialmente nos últimos anos. No entanto, por ser algo complexo - apesar de tornar o gameplay muito mais interessante - diversos problemas ocorrem quando a ação é muito intensa, exigindo movimentos bruscos e precisos.
Nesta seqüência, foi implementado o melhor sistema de cover já desenvolvido. Ele é o mais suave e o mais eficiente até hoje. De forma automática, basta estar próximo a qualquer objeto que o sistema ativa de forma suave. Com movimentos leves do mouse, tanto para as laterais quanto na vertical, o personagem se protege ao mesmo tempo em que sua arma está perfeitamente livre para matar.
E diferente do que parece, o arsenal do jogo não é tão restrito, encontrando-se várias armas bem características da época. Atrelado a isso, a jogabilidade flui diversas vezes para um modo quase open world, com objetivos extras a disposição do jogador, como capturar um “Wanted” - um procurado pela lei - para acumular dinheiro e poder investir em novas armas mais eficientes.
Como não se trata de uma progressão, ou seja, a mais cara sendo a melhor, uma arma pode se adaptar melhor a um dos irmãos, além de ter suas características bem variadas quanto à precisão, poder de fogo e rapidez. E não se esqueça de comprar dinamites. Ray McCall agradece.
Mas apesar disto tudo, o jogo não proporcionará muita dificuldade. Tirando os duelos que necessitaram algumas vezes de ajustes finos para se sair vitorioso, a Inteligência Artificial inimiga no decorrer das fases é apenas normal ou abaixo disto.


Gráficos
Unir belos gráficos e bom desempenho sempre será a melhor decisão, mesmo que não seja regra nos jogos atuais para PC.
Diferente do primeiro game, que apresentava belos gráficos, mas desempenho baixo para a época, Bound in Blood fez bonito e provavelmente irá agradar a todos, mesmo com algumas ressalvas a serem feitas. Isto tudo graças a Chrome Engine 4, que vem se mostrando um motor gráfico com enorme potencial.
A começar pelo cenário, CoJ:BiB apresenta lindas florestas com a vegetação característica da região ao lado de um sol que proporciona uma excelente iluminação. As sombras formadas são impecáveis.
No entanto, ao chegar no deserto, o cenário acaba ficando pobre. Não por ser característico da região, mas principalmente por evidenciar alguns defeitos, como montanhas com superfície chapada e cenário de fundo que não tiveram a atenção devida. Além dos inúmeros ‘pop-up’ da vegetação rasteira que vai se formando a curta distância a medida que se caminha a uma direção. De qualquer jeito, o sol é forte e aquela sensação de água evaporando tamanho o calor estará presente.
Efeitos como Blur ajudam a segurar bastante os gráficos como em qualquer outro jogo. Mas aqui desempenha um papel de uma forma muito tem aplicada.
Algumas texturas são excelentes e outras nem tanto. A pelugem de um cavalo é muito bem feita, a superfície de pedaços de madeira, de cabanas, e do chão também, a certa distância. Já a superfície de uma rocha é bem pobre, por exemplo.
Mas o jogo apresenta elementos gráficos lindos. A água que percorre o rio é muito bem feita. E muitos momentos serão vividos nele. Além disto, explodir os inimigos com dinamite pode ser especialmente agradável, já que as explosões do jogo são quase perfeitas. Um espetáculo visual de fogo e fumaça. Mas não espere uma física muito presente.
Os modelos da Ray e Thomas são muito bem feitos. Ray em especial, com toda sua face marcada por cicatrizes e pelo tempo, mostra o sofrimento que tem vivido com todos os acontecimentos. No entanto, a variedade de modelos dos inimigos beira o ridículo. O jogador irá se deparar com um número limitado e repetitivo deles. Em muitos casos, um personagem chave da história se repete na face de um inimigo comum. A animação também não é das melhores.
As opções gráficas são suficientes e o jogo irá se acomodar nas mais diversas máquinas mantendo sua beleza. Só que não há opção de adicionar o recurso Anti-Aliasing. Mas seria necessário? Neste jogo não, pois ele se mantém leve e livre de serrilhas. E isso realmente impressionou. Apertando muito o olho, talvez as evidencie.


Multiplayer
Finalmente um módulo multiplayer para um jogo com este tema. CoJ:BiB faz uma mistura de algumas fórmulas já bem conhecidas em outros títulos que as lançaram originalmente.
Diversas classes estão disponíveis, cada uma com sua característica particular e exclusiva. E os modos dos jogos são inúmeros. O mais atraente se baseia em missões no qual um time deve cumprir enquanto outro impedir, como assaltar um banco da cidade e fugir com o dinheiro. Algo bem característico dos filmes do gênero.
No entanto, o que mais chama atenção são as ferramentas disponibilizadas para modificações e criações de mapas, tanto singleplayer quanto multiplayer. Além de um site exclusivo para estas novas missões, assim como uma interface in-game já toda preparada para recebê-las.
Inclusive, o site dedicado já deixa pistas de que haverá um futuro pacote em forma de DLC com mapas para MP e SP.


Áudio
Um bom filme de Western envolve elementos sonoros básicos já quase beiram o caricato. E eles estão muito bem representados em Bound in Blood.
A música clássica western e country acompanham todo o jogo e é muito bem variada ao longo das fases, se adaptando aos momentos de ataque e de calmaria.
Mas o ponto alto do jogo se encontra na dublagem. As vozes e o sotaque característico são muito bem feitos. Totalmente fiéis. Não somente o áudio, mas o roteiro é excelente. Comentários durante o jogo todo são feitos pelos irmãos, todos específicos a situação. Sejam eles cômicos ou não. Além disso, a história é contada pelo McCall caçula com uma interpretação ótima.
Aos pequenos detalhes, tiros e manuseio das armas são razoáveis. O som ambiente de cada região também é diversificado e dá o clima certo, mas bem razoável também.
A qualidade do som si, no geral, é bem feita. Todos os canais se destacam bem sem sujar o jogo quando misturados, proporcionando um surround cristalino.


Conclusão
Call of Juarez: Bound in Blood conta a história conturbada e trágica dos irmãos McCall em aventuras pelo Velho Oeste. Ação desenfreada, com jogabilidade bem variada, o jogo irá prender até o fim, mesmo que isso não leve muito tempo.
As lacunas ausentes do título de estréia são encontradas aqui. A história é contada detalhadamente tornando o jogo um verdadeiro filme Western. Atrelado a isto, uma dublagem excelente e a música que faz jus ao tiroteio fazem deste título um verdadeiro filme do faroeste.
Abaixo temos mais algumas screenshots.










