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categoria : rpg |
21.11.2009 / 10h00
Dragon Age: Origins
autor: yaesir
Até 1998, a Bioware era relativamente desconhecida, fato que mudou com o lançamento de "Baldur's Gate", que revolucionou os RPGs para computadores. Em 2001, a empresa lançou uma sequência, "Baldur's Gate 2: Shadows of Amn", que se revelou um dos RPGs mais cativantes para PC.
Anunciado em 2004, "Dragon Age: Origins" esteve em produção durante cinco anos. E a Bioware disse, desde o começo, que o game o sucessor espiritual de "Baldur's Gate". Os anos passaram e, agora, "Dragon Age: Origins" foi finalmente lançado. Veremos adiante se ele é digno de ser considerado sucessor espiritual de "Baldur's Gate".
História
O mundo de "Dragon Age: Origins" se chama Thedas e o jogo se passa no reino de Ferelden que, há até poucos anos, foi dominado por outro império e agora, que está se reestruturando depois de sua independência, uma praga se espalha pelo local. A Blight é marcada pelos Darkspawn, seres que seguem um Archdemon, um antigo Deus corrompido. Diante desta ameaça, apenas uma ordem consegue o triunfo há centenas de anos, os Grey Wardens, que há poucas décadas eram banidos de Ferelden.
O líder dos Grey Wardens em Ferelden é Duncan, que anda pelo reino em busca de promissores recrutas. É aqui que entra o personagem principal que pode vir de vários lugares diferentes. Existem anões nobres, anões sem casta, elfos da cidade, elfos dalish, humanos e magos, sendo que cada uma destas raças tem algumas horas de jogo destinadas a contar suas origens. Escolhas feitas durante a " fase da origem" afetam o decorrer do jogo todo. Quase nenhuma escolha é sem consequências. E pensar antes de agir é recomendado.
Eventualmente o jogador se torna um Grey Warden e deve lutar contra a Blight, mas a que custo? Quais sacrifícios serão feitos? Quem sobreviverá e quem morrerá?
Em Ferelden todos têm seus motivos. É um mundo fantástico, mas não é cheio de flores e, por isso, a Bioware o denomina de fantasia negra. É um mundo muito interessante e já possui até dois livros publicados que contam mais sobre sua história. Também já está previsto um RPG de mesa para ser lançado.
A história é tão épica que são necessárias muitas horas para concluí-la. Para ter idéia, terminei o jogo com cerca de 80 horas, mas, mesmo assim, completei nada mais do que 50% do que ele oferece. Isso se deve, em grande parte, à grande diversidade de origens e o papel que elas têm durante o jogo inteiro.
Os personagens do jogo são cativantes, divertidos e, no final, o jogo deixa a impressão de que eles realmente poderiam ser pessoas reais. Cada um deles tem suas opiniões sobre o que deve e o que não deve ser feito e, dependendo das escolhas que forem feitas, os outros personagens podem ganhar novas habilidades ou então deixar o grupo para sempre. Os romances, outra marca da BioWare, também estão presentes no jogo e eles existem para todos os gostos e sexualidades (se você acompanhou as polêmicas sobre o game, sabe do que estou falando).
Jogabilidade
Se for necessário, é possível automatizar totalmente o combate, deixando as ações dos personagens para a inteligência artificial. Mas para isso, é necessário programar as ações no menu de táticas, onde diversas opções estão presentes, como usar tal magia quando tal personagem estiver morrendo, ou então usar determinada habilidade quando cercado por mais de dois inimigos. É um sistema que apareceu em "Final Fantasy XII" e que agora volta em "Dragon Age: Origins" de forma mais aprofundada.
Existem três classes em Dragon Age: Origins. Cada classe possui suas habilidades específicas, como um ladrão pode se esconder nas sombras, um mago lançar diversas magias e um guerreiro se especializar em armas de duas mãos ou na espada e escudo. Assim como em MMOs, cada classe tem seu papel durante o combate: os magos são poderosos, mas fracos fisicamente; os guerreiros servem para distrair os inimigos e, os ladrões, para surpreender. Além das habilidades, existem também as técnicas onde um personagem pode aprender a fazer poções, desarmar armadilhas e a mais interessante técnica, que é a coerção, já que ela abre novas opções de diálogo para o personagem e assim diversifica o que pode acontecer durante o jogo.
Jogabilidade parte 2
Se o combate remete a clássicos, os diálogos também não deixam isso de lado: fazem parte de muito do tempo gasto no jogo, onde cada conversa tem várias opções e cada uma delas varia de acordo com a origem do personagem principal. Em Ferelden, o mundo não gira em torno do personagem, mas isso não significa que ele seja insignificante. Pelo contrário: seu papel influência o rumo da história e a relação entre os povos.
No final, opções é que não faltam. É possível customizar o combate a tal ponto que qualquer um que jogou algum RPG na vida se sentirá em casa. Apesar disso, o jogo não é dos mais fáceis, possuindo uma dificuldade acima da média. Principalmente para quem gosta de sair por ai derrotando inimigos, como um Deus invencível, vai encontrar grande dificuldade em "Dragon Age: Origins", mesmo que a dificuldade seja, na verdade, um dos pontos fortes do jogo, tornando-o mais prazeroso que outros.
Gráficos
A iluminação do jogo é um dos pontos fortes, colocando o tom e clima certo para cada lugar, seja numa floresta, caverna, palácio, rua, ou biblioteca. Personagens são bem detalhados e há grande variação de armas e armaduras. Os efeitos das magias são espetaculares e esse é um dos pontos fortes dos gráficos do jogo. Outro detalhe são as espetaculares animações: atores do filme 300 foram convidados para fazerem os movimentos dos personagens e o resultado é incrível. Existem animações especificas e finalizações para chefes e inimigos, além de que o combate não é tedioso quando o assunto é variedade de animações e ações demonstradas na tela.
O único contra no quesito são algumas texturas em baixa resolução que ficam estranhas quando colocadas lado a lado das de alta resolução. Parte da culpa se deve ao longo ciclo de produção do jogo e possivelmente também à existência de versões para consoles (que possuem gráficos menos avançados se comparados a PCs de configuração top). No geral, o gráfico agrada e possui seu ápice, principalmente quando falamos de cenários e arquitetura. Ainda, a modelagem não desaponta quando comparada a outros jogos do gênero.
Áudio
As músicas são belas, magníficas e épicas e vão marcar toda a aventura. Produzida por Inon Zur, compositor de "Baldur's Gate 2", "Crysis", e "Fallout 3", a música se faz presente a todo momento, impondo o clima e tom devido a cada cena e combate. A trilha sonora é uma das que serão lembradas por anos quando o assunto for RPGs para computadores.
O simples fato de todos os diálogos serem dublados já demonstra a dedicação que os desenvolvedores tiveram. Com centenas de personagens e linhas de diálogo, o som é um dos melhores já produzidos para RPGs.
Extras
Primeiramente todas as cópias do jogo vêm com o conteúdo baixável “The Stone Prisoner”, onde um personagem extra está disponível através do golem Shale, que possui sua própria história, dublagem e missões específicas. Porém o que acontece é que numa cópia usada o conteúdo não estará disponível e deverá ser comprado pelo novo dono para ser utilizado. O custo é de U$ 15.
Outro conteúdo baixável é o Warden's Keep, uma fortaleza que conta a história de como os Grey Wardens foram expulsos de Ferelden e possui equipamento e habilidades exclusivas, além de um baú para armazenar itens. O fato é que este conteúdo não está disponível nas versões físicas e deve ser comprado por U$ 7, enquanto vem gratuitamente na versão de luxo digital.
Com o site Social a Bioware pretende fazer com que a experiência tida em "Dragon Age: Origins" seja compartilhada entre todos os jogadores, tornando o jogo uma espécie de RPG massivo de único jogador. A exemplo disso, meu personagem pode ser visualizado aqui com todas suas conquistas, derrotas e horas de jogo, além de equipamento. É algo bem interessante. E apesar de ainda se encontrar em fase Beta, pode vir a ser algo promissor depois de arrumarem alguns problemas, como a demora para atualizar os personagens.
Houve o anúncio que a Bioware pretende lançar novos conteúdos baixáveis durante pelo menos dois anos, o que é muito interessante já que isso deverá expandir a experiência do jogo e prender o jogador durante muito mais tempo. Ainda, parte deste conteúdo será gratuito.
As versões para consoles são diferentes da versão para PC que foi revisada: a dificuldade em geral é menor, as magias de área não causam dano para personagens amigos, há um número menor de inimigos na tela e a câmera distante não existe. Além disso, as texturas em geral têm uma resolução menor, além das modificações e do Toolset não existirem para estas versões.
Conclusão
Mas um jogo digno do trono finalmente chegou, e este é "Dragon Age: Origins", referência para qualquer outro RPG a ser lançado. Um jogo que eleva o patamar existente para um nível altíssimo. Nenhum outro RPG poderia ser digno do título de sucessor espiritual de "Baldur's Gate".
O fato é que "Dragon Age: Origins" não é um jogo para todos. Mas para aqueles que têm mesmo o mais remoto gosto por RPGs vão encontrar neste título um jogo feito especialmente com carinho para eles. Não é algo impossível esperar que daqui a alguns anos Dragon Age ainda seja a referência pela qual outros RPGs serão julgados.
No final das contas, não há como errar em "Dragon Age: Origins", com tantas horas de jogo e tanto valor embutido, outro sequer neste ano que possa oferecer tanto ao jogador.