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corrida categoria : corrida | 23.12.2009 / 10h00

Colin McRae: DiRT 2

autor: djlosada

Depois de um longo atraso justificado com a adição de novas tecnologias, finalmente a versão PC de DiRT 2 é lançada. Há alguns meses atrás, havia sido anunciado que o game teria implementações do DirectX 11, a nova versão da Api da Microsoft, presente somente no Windows 7, que até então não havia sido lançado.

O fato é que DiRT 2 chegou. Mas será mesmo verdade tudo aquilo que se falava do game, - de que seria o mais lindo de todos, com efeitos espetaculares, tecnologias inovadoras e exclusivas do PC, enfim, alguns efeitos que só seriam vistos se fosse usada uma VGA compatível com DirectX 11 e Windows 7?

Jogabilidade

Para todo jogo de rally que é lançado, sempre surgem aquelas críticas de que o carro derrapa e samba muito, é difícil de controlar, etc e etc. E realmente é verdade, afinal, é um rally, certo?

DiRT 2 não foge à regra, mas traz aperfeiçoamentos que ajudam o jogador a pilotar os veículos, tornando-os mais fáceis de controlar e, assim, ganhar etapas no game.

Em relação ao primeiro título, no qual era extremamente difícil controlar o carro usando um bom volante (tanto é que muitas pessoas optavam por controlar os veículos usando o teclado mesmo), em DiRT 2 a coisa mudou um pouco. E para melhor! Com um suporte mais aprimorado para os volantes, já visto em GRID, DiRT 2 ficou com uma dirigibilidade muito superior em relação ao seu antecessor. O fato é que agora dá gosto usar um bom conjunto de volante, criando uma sensação de realismo maior sem deixar complicada a dirigibilidade de cada veículo.

No geral, apesar de não ter tanta variedade de veículos como no primeiro game e nem mesmo as variações de terrenos como lama, por exemplo, DiRT 2 prima pela jogabilidade gostosa, tanto no teclado quanto ao volante.

O interessante também é que a Codemasters pareceu dar uma atenção especial à física do game, que parece um pouco mais realista do que o anterior, tanto na dirigibilidade mais agressiva, quanto nos incríveis acidentes que ocorrem no decorrer de cada prova. Como por exemplo, em uma corrida singleplayer onde dois carros se chocaram e um deles começou a capotar sem parar pela pista até ficar totalmente destruído, voando portas, pneus, capô para todo lado, comigo tendo que desviar de tudo isso. Lembrou até alguns filmes de ação. Ficou interessante e bastante divertido.

Gráficos #1

A qualidade gráfica ainda impressiona bastante. Digo "ainda" justamente porque é a mesma engine gráfica do primeiro DiRT e também do GRID. Embora seja o mesmo gráfico dos jogos citados, em DiRT 2 há algumas pequenas diferenças, como texturas mais definidas em alguns pontos, efeitos de água mais aprimorados, reflexos mais realistas, e um visual de background - fundo de cenário - um pouco mais caprichado.

O lado ruim é que ainda persistem os velhos "problemas" dessa engine, como por exemplo, o visual "ensolarado" ao extremo. Ele gera aquela cor amarelada e que incomoda muita gente a ponto de criarem "MOD´s" para alterar os gráficos e retirar esse efeito, deixando o visual mais realista.

O mais legal em DiRT 2, em termos gráficos, é justamente aquilo que foi o grande destaque de GRID: a imersão de se jogar com a câmera de dentro do cockpit. De uns anos pra cá, todos os jogos de corrida - tirando os ditos simuladores - deixaram de ter câmera dentro do cockpit, com a visão completa do painel, ficando com um aspecto extremamente arcade. Mas, depois de muitas reclamações por parte de fãs de games de corrida, parece que as produtoras resolveram retornar com as câmeras internas mais aprimoradas, como aconteceu com GRID ano passado, SHIFT neste ano, e agora com DiRT 2. Embora a primeira versão já tenha visão interna, a sensação de pilotagem não é a mesma. Os efeitos visuais de dentro do cockpit também foram aprimorados, principalmente quando se passa por uma poça d'água, deixando o pára-brisa sujo de lama, o que cria um efeito realista e espetacular.

Gráficos #2

O jogo possui uma quantidade razoável de pistas, mas o fato é que poderia ser bem maior, com uma variedade de locações realmente diferentes. Acontece que, embora o jogo possua localidades em várias partes do mundo, o visual, no geral, é o mesmo, criando uma sensação de frustração por parte do jogador. Todas as pistas são o mesmo tipo de solo. Raras são as vezes em que, em algumas partes, aparece um asfaltozinho qualquer. Isso acaba tirando um pouco a vontade de jogar mais e mais, acabando com aquela sensação de curiosidade do tipo "nossa, como deve ser a próxima pista?".

Vale lembrar que no game anterior, DiRT, havia bem mais variedade de pistas e de veículos, incluindo até um enorme caminhão, que era uma das sensações do game. Já em DiRT 2, todos os carros são praticamente os mesmos, com apenas três variações. Uma pena.

Mas no geral, o visual de DiRT 2 se mantém acima da média, assim como os games antecessores baseados na mesma engine gráfica. Mas vale lembrar que o título teve um atraso enorme devido à "implementação" de funções do DirectX 11 que, na teoria, deveriam mudar bastante o visual até para que se justificasse o atraso e os enormes anúncios de que DiRT 2 seria o primeiro a usar DX11. Mas praticamente não mudou nada no game. Comparando fotos tiradas em DX9 e em DX11, a diferença é imperceptível. Talvez a água tenha mudado em algo. Pura jogada de marketing?

Áudio

O grande destaque no áudio de DiRT 2 só é perceptível quando se usa um sistema de som 5.1, no mínimo. A sensação de realismo é enorme, principalmente com a visão de dentro do carro, em que se percebe o som mais abafado, com as pedras batendo na lataria do carro, desde nas laterais até na traseira. Realmente incrível.

A qualidade e fidelidade dos efeitos sonoros produzidos pelos carros no decorrer de cada etapa são de se aplaudir, desde quando se passa pela água até nas derrapagens nas pequenas áreas de asfalto que algumas pistas possuem. Tudo é muito bem produzido e, por que não dizer, bem gravado.

Nos menus do game, principalmente na parte externa, o som é típico de um backstage de rally realmente. Para quem acompanha e assiste rally de verdade, não há como diferenciar o som do game e do real. Todos os detalhes foram pensados, desde a música ambiente com efeito de reverberação até o falatório do público que visita os boxes de cada piloto.

Multiplayer

O multiplayer de DiRT 2, que é baseado na Live, traz de volta os velhos tempos, presentes nos primeiros games da série Collin McRae Rally Championship, no qual o multiplayer foi um marco, um dos melhores já feitos.

DiRT 2 possui vários modos multiplayer, que incluem corridas ponto à ponto com cada piloto largando a cada 10 segundos; corridas de circuitos fechados; corridas de tempo nas quais, a cada volta, o último piloto é eliminado; corridas em que se deve destruir pequenas barreiras de isopor; e  outras. Cada uma delas com seu tipo de veículo específico.

A parte multiplayer possui um tipo de Hall, ou sala como queiram, onde os amigos que estejam conectados se reúnem e ali cada um pode criar seu jogo, sua corrida e convidar quem quiser. É interessante porque o jogo possui conversa por áudio proveniente da Live, sendo assim, todos que tiverem conectados nessa sala podem conversar entre si, independente de que corrida esteja participando. E o mais legal é que, caso haja vários amigos nessa sala, pode-se dividi-los em dois grupos ou mais e cada um participa de uma corrida. Quando acabar, os vencedores de cada corrida participam de outra, e assim vai, gerando uma espécie de "campeonato".

DiRT 2 tem um dos multiplayers mais divertidos já vistos em um game de corrida. Inclusive elogiado tanto por fãs de simuladores quanto por aficcionados por jogos arcades e/ou casuais, e até mesmo por pessoas que nem gostavam de jogos de corrida. A Codemasters acertou, definitivamente.

Conclusão & Screenshots

De fato DiRT 2 é um ótimo game e lindo, isso ninguém duvida. Mas acontece que isso já tinha sido visto no DiRT anterior e no GRID, que usam a mesma engine. Ou seja, não há inovações no game, tanto no visual quanto na jogabilidade. No geral, DiRT 2 parece mais uma expansão do que um título totalmente novo, até porque possui bem menos opções do que o primeiro.

Na realidade, o atraso da versão PC de DiRT 2 não se justifica, até porque praticamente não existe diferença entre DX9 e DX11. Obviamente, foi puro marketing, com empresas poderosas por trás, mas que acabou frustrando e irritando aqueles que esperavam muito do game.

Mesmo com esses problemas, para quem gosta de se divertir com um bom jogo de corrida entre amigos, DiRT 2 é a pedida certa!

Screenshots