Uma notícia acabou surpreendendo quem gosta de videogames e cinema essa semana: o game indie "Everything" pode concorrer ao Oscar de Melhor Animação em 2018. O anúncio ganhou força quando foi divulgado pelo desenvolvedor do game, David OReilly, em seu Twitter.

Mas como isso é possível? O Oscar começou a aceitar games? O jogo é tão cinemático que consideraram um filme? Nope.

No dia 6 de junho de 2017, o Festival de Curtas de Viena (VIS) anunciou os vencedores de sua premiação que, como o nome já indica, celebra filmes com duração de 30 minutos ou menos. Entre todas as estatuetas e louros distribuídos durante o evento, o Prêmio do Júri para Animação acabou fazendo a história acontecer: o vencedor foi um vídeo de 11 minutos produzido com imagens de "Everything".

Como o VIS também serve como um evento classificatório para o Oscar, "Everything" entra para a lista de possíveis candidatos para a lista de indicados ao Prêmio da Academia de Melhor Curta de Animação. Mas é importante ressaltar: o videogame em si não foi o vencedor do prêmio de Viena. O projeto experimental de OReilly foi ovacionado com o trailer de gameplay, a prévia da jogabilidade do título apresentada antes do lançamento em abril deste ano.

No vídeo existencialista de 11 minutos, viajamos em um mundo onde tudo está conectado, conhecendo a vida da perspectiva de animais, plantas, células e estrelas, enquanto o filósofo britânico Alan Watts (1915-1973) narra um de seus monólogos sobre a nossa existência. A obra de arte pode ser vista acima.

Ou seja, como videogame e cinema são mídias diferentes, os critérios de avaliação não são os mesmos. Caso o videogame chegue até o Oscar, ele não vai concorrer tendo sua jogabilidade e gráficos sendo julgadas, apenas o vídeo de 11 minutos de gameplay.

Apesar das chances de um trailer de jogabilidade chegar até a premiação e ganhar um Oscar serem bem pequenas, temos aqui um grande passo para o reconhecimento dos games como mais uma forma de contar histórias, e não apenas belos gráficos e diversão. No mundo dos joguinhos temos grandes premiações como o The Game Awards, mas é inegável que o peso do Oscar é bem mais popular na cultura.

Infelizmente o Oscar não conta com uma forma de avaliar narrativas cinematográficas interativas, que utilizam recursos do cinema em games. Jogos com grande apelo cinemático e de história rebuscada como "Uncharted 4", "Rise of Tomb Raider" e até indies como "Life is Strange" ainda ganham destaque apenas em premiações do nicho.

Quem sabe no futuro a premiação da Academia ganhe uma categoria só para games, avaliando não apenas um trailer, mas a mistura entre história, jogabilidade e possibilidades de narrativa não-linear. Afinal, premiar um game apenas pelo trailer de gameplay é quase como dizer se um filme é bom assistindo apenas um trecho de uma cena.

Se você ficou curioso para conhecer o que existe além do trailer de "Everything", o jogo está disponível para PS4 e PC via Steam (aliás, fica ligado que tem promoção chegando).