Como já comentamos em artigos anteriores sobre a plataforma Snapdragon, da Qualcomm, os processadores (ou SoCs) determinam quais características o smartphone pode ter. Isso inclui, por exemplo, capacidades de resolução do display, quantidade de memória RAM, qualidade da câmera, ou velocidade máxima do clock. Vamos falar agora dos processadores Exynos.

VÍDEO - Entenda as linhas de processadores mobile Snapdragon da Qualcomm

Exynos é o nome da linha de SoCs (system-on-a-chip) baseados na arquitetura ARM produzidos pela própria Samsung. A empresa adota dois tipos de processadores para seus dispositivos móveis: o Snapdragon (Qualcomm) e o Exynos.

Mas por que a marca sul-coreana utiliza esses dois modelos? Primeiramente, devemos lembrar que a Samsung é, atualmente, a fabricante que mais vende smartphones no mundo - e pode se tornar a maior fabricante de chips também. Por isso é necessário que outra empresa, no caso a Qualcomm, forneça unidades de SoCs para serem embarcados em produtos da Samsung, já que ela mesma não tem, ainda, capacidade de abastecer a demanda de processadores.

Aqui no Brasil, encontramos smartphones Galaxy com ambos SoCs - Exynos e Snapdragon

A Samsung também tem custos mais baixos de produção com os Exynos (já que são feitos "in house"). Outro motivo é que, com essa estratégia, ela pode atender diferentes mercados, tanto em especificações quanto em suporte oferecido. O comum é que os smartphones da linha Galaxy com chips Exynos sejam vendidos na Ásia, enquanto os dispositivos com processador Snapdragon são enviados ao mercado da América do Norte e Europa. Aqui no Brasil encontramos os dois tipos. 

A opção de embarcar duas opções de processadores permite que a Samsung faça ajustes nos smartphones dependendo do mercado em que ele for lançado. 


O Samsung Galaxy S3 foi o primeiro smartphone a contar com processador quad-core Exynos (2012)

Os Exynos usam a arquitetura ARM big.LITTLE, que arranja no componente núcleos grandes e pequenos. São produzidos processadores com 4 núcleos "maiores" focados em executar atividades mais pesadas, enquanto outros 4 núcleos "menores" são dedicados à funções mais leves (isso quando o processador é, obviamente, octa-core). A vantagem dessa arquitetura big.LITTLE é o consumo de energia. Com o gerenciamento das atividades do processador de acordo com a demanda é possível economizar bateria. 

A arquitetura big.LITTLE oferece mais desempenho e melhor gerenciamento de consumo de energia

A Samsung também utiliza o sistema Heterogeneous Multi-Processing (HMP), o que permite que atividades simples sejam executadas por 1 núcleo, e quando foi necessário mais poder de processamento, os 8 núcleos podem ser acionados ao mesmo tempo. 

Os processadores Exynos se diferenciam das linhas Snapdragon pela sua GPU. Os Snapdragon utilizam GPU Adreno, enquanto os Exynos utilizam GPU Mali

A CPU lida com o processamento de dados, enquanto a GPU trabalha com a demanda de atividades gráficas

Outras diferenças entre esses dois processadores são: velocidade de clocks dos núcleos e a tecnologia de conectividade. Usando como exemplo, temos uma comparação de modelos Samsung Galaxy S8, que é embarcado com processador Snapdragon 835 ou Exynos 8895:

Os novos modelos Exynos estão chegando cada vez mais otimizados e com capacidade para concorrer diretamente com os Snapdragons da Qualcomm. Mas até cerca de três anos atrás, os processadores da Qualcomm tinham vantagem por embarcar tecnologia LTE mais avançada e capacidade de gravar vídeos em 4K. Um exemplo disso é o Exynos 5430 contra o Snapdragon 801, onde o modelo da Qualcomm se saía melhor nesses quesitos .


O smartphone Galaxy Alpha foi lançado embarcando processadores Exynos 5430 e Snapdragon 801

Em contrapartida, utilizando a mesma comparação do Exynos 5430 e Snapdragon 801, a velocidade máxima de RAM do Snapdragon chega a 933 MHz, enquanto a do Exynos chega a 2133 MHz. A velocidade de transferência de dados também se torna mais rápida no Exynos graças à sua litografia, sendo 20nm (que teve suas estreia nos processadores da Samsung com o 5430) contra 28nm no Snapdragon

Quanto menor a litografia do processador, mais rápida é a transferência de dados

Diferentemente da Qualcomm, que nomeia os processadores em algumas séries de maneira não linear (clique aqui para entender melhor), a Samsung possui os números crescentes de modelos Exynos de acordo com a evolução de tecnologias do processador. Ou seja, a série 7 traz mais recursos do que a série 5 e assim por diante. 

A imagem abaixo explica visualmente como acontece o gerenciamento de tarefas entre os núcleos grande e pequenos do Exynos 7 Octa 7420 - pela arquitetura big.LITTLE.

O Exynos estreou em 2010, começando pelo Exynos 3, single-core em 45nm. Desde então, foram lançadas também as séries Exynos 4 e 5, todas na arquitetura ARMv7. Os núcleos desses processadores evoluíram de single-core para dual-core, quad-core, hexa-core (no Exynos 5 Hexa 5260) até chegar no padrão octa-core presentes nas versões mais recentes. 

Desde o final de 2014, todos processadores Exynos são octa-cores e feitos na arquitetura ARMv8. Abaixo, alguns exemplos dos processadores recentes de oito núcleos que equipam dispositivos da Samsung:

Alguns dispositivos que embarcam os processadores:
Exynos 7 5433: Samsung Galaxy Note 4, Samsung Galaxy Note Edge e Samsung Galaxy Tab S2;
Exynos 7 7420: Samsung Galaxy S6, Samsung Galaxy S6 Edge, Samsung Galaxy Note 5 e Samsung Galaxy A8;
Exynos 7 7880: Samsung Galaxy A5 (2017) e Samsung Galaxy A7 (2017);
Exynos 8 8890: Samsung Galaxy S7, Samsung Galaxy S7 Edge, Galaxy Note 7 e Meizu Pro 6 Plus;
Exynos 9 8895: Samsung Galaxy S8 e Samsung Galaxy S8+.

Neste link da Samsung é possível conferir todas especificações de processadores Exynos. Fiquem ligados no Adrenaline que em breve lançaremos um vídeo explicativo sobre a série Exynos (além de uma comparação com Snapdragons equivalentes) e conteúdo sobre processadores MediaTek!