A ASUS é uma das líderes de mercado quando o assunto é placas-mãe, placas de vídeo e também bastante conhecida por seus modelos de smartphones. Porém, para o público entusiasta em jogos, ela possui uma linha de produtos especial sob o nome Republic Of Gamers, ROG.

 

Embora a ASUS ROG já tivesse lançado outros mouses antes de 2014, tal como o ASUS ROG GX850, GX900 e GX950, que eram apenas remarcações de mouses de outras marcas, e o GX1000, ela não tinha nenhum mouse que poderia ser classificado como sendo um "mouse topo de linha".

Ela não tinha nada que se equiparava aos recém lançados Razer Deathadder 2013 e Steelseries Rival. Isto mudou com o lançamento do ASUS ROG Gladius.

Em Janeiro de 2014 o ASUS ROG Gladius foi apresentado, tendo o recém disponibilizado sensor AVAGO S3988, sendo o primeiro mouse do mundo a utilizar recursos exclusivos da USB 3.0, sendo capaz de alcançar 2000 Hz, o primeiro mouse com switches facilmente removíveis e também o melhor mouse que a ASUS lançou até então.

Analisando os componentes usados, e se excluirmos mouses wireless, o ASUS ROG Gladius certamente é um dos mouses mais caros para produzir do mundo, mas qual a razão disto? O que este mouse tem de tão especial? Vale a pena pagar tão caro por ele?

É o que veremos.em seguida.

Ergonomia e Construção Externa

É importante lembrar que existem formas que usuários podem manusear seus mouses, estas que chamamos de pegadas. As três principais são:

Em seu formato, o Asus ROG Gladius é bem similar a diversos outros mouses, pois é mais um mouse que se baseia no antigo Microsoft Intellimouse 3.0.


Xornet II, Sica, Gladius, Deathadder, G900, Rival

Pesando 116 gramas (sem o cabo), o ASUS ROG Gladius é um mouse de peso mediano e assim como quase todo mouse baseado no lendário Microsoft Intellimouse 3.0, ele é perfeito para a pegada Palm, bom para Claw e pode ser adequado para Fingertip de acordo com o tamanho da sua mão e preferência por peso.

Para quem prefere mouses mais leves, ele é inadequado.


Logitech G403, ASUS ROG Gladius, Razer Deathadder, Cougar Revenger

Em termos de acabamento, o ASUS ROG Gladius é um mouse aparentemente bem feito, um plástico fosco bastante confortável em seu topo e um acabamento emborrachado nas laterais:

Mas parece que houve uma falta de cuidado por outras pessoas que usaram esta amostra de imprensa, pois há uma espécie de camada de óleo na lateral dessa unidade que estamos analisando, o que gera uma sensação não muito agradável ao utilizar o mouse.

Outro problema verificado nesta unidade, é que a borracha da lateral direita estava descolando, mas não podemos afirmar nada a partir disto, pois afinal não sabemos como este mouse fora manuseado por outras pessoas.

Continuando, os pés de teflon do ASUS ROG Gladius são grandes e proporcionam um excelente deslize.

Algo que realmente separa o ASUS ROG Gladius de outros mouses é o fato de seu cabo ser destacável. Ou seja, é possível trocar entre dois cabos disponibilizados pela ASUS: um em nylon e outro em borracha.

Alguns podem pensar que este segundo cabo seja um "cabo reserva" para ser usado caso algum acidente ocorrer, mas esta não é a verdadeira função dele. A razão para a ASUS ter incluso um segundo cabo é devido ao fato de algumas pessoas terem preferência por diferentes tipos de cabos, seja o cabo em nylon devido à sua resistência e durabilidade ou o cabo em borracha por sua flexibilidade e leveza.

Outra razão para a ASUS ROG ter incluso o segundo cabo, é o fato do cabo emborrachado ser mais curto (apenas 1 metro) que o de nylon (2 metros), o que supostamente é feito para que este cabo mais curto seja mais prático para utilização com Notebooks.

Enfim, fiquei bastante confuso quanto a como avaliar o ASUS ROG Gladius, pois o acabamento da unidade que recebemos realmente não está legal, mas não é culpa da ASUS ROG e sim da(s) pessoa(s) que usou(usaram) este mouse previamente.

Analisando que este mouse em um bom estado teria um acabamento similar ao de mouses como o Razer Deathadder 2013 e Cougar Revenger, posso afirmar que seu acabamento é bem feito, apenas aconselho ao público a terem cuidado ao comprarem mouses usados com este tipo de lateral e terem um pouco de higiene e cuidado ao usar o computador.

Construção Interna

Construção Interna é a principal responsável pela durabilidade de um mouse. Se forem utilizados componentes de alta qualidade, as chances de haverem problemas com o tempo serão baixas. Se o mouse utilizar componentes de baixa qualidade, conectores internos e/ou soldas mal feitas, ele pode acabar sendo uma bomba relógio.

E é aqui caros leitores, que o ASUS ROG Gladius consegue se destacar comparado com outros mouses do mercado.

O ASUS ROG Gladius tem uma tecnologia exclusiva da ASUS ROG, que é a possibilidade da troca dos switches sem a necessidade de soldar um novo switch para realizar isso, basta apenas encaixar um novo no lugar.

Alguns podem pensar "se o switch não é soldado e fixo, o clique dele não deve ser bom então?", mas felizmente este não é o caso. Os cliques do ASUS ROG Gladius tem uma excelente resposta.

O sistema de troca de switches sem necessidade de solda, é genial

A minha única crítica, que inclusive já foi corrigida em mouses posteriores, incluindo o ASUS ROG Sica que temos aqui, é que embora os switches deste mouse sejam removíveis, ainda assim é necessário remover os pés de teflon para abrir o mouse, o que pode acabar danificando eles:

Baseando-se no que há no interior, nesta tecnologia de troca de switches e pelo fato de incluir um par de switches OMRON D2F-01F sobressalentes, posso afirmar que quando o ASUS ROG Gladius foi lançado este era o mouse com a melhor construção interna do mercado.

Não existia nenhum mouse com componentes mais caprichados que o ASUS ROG Gladius no início de 2014.

Hoje, já há concorrentes no mesmo nível embora não tenham switches removíveis, e também há o ROG Gladius II, que tem algumas melhorias. Mas, é interessante saber que o ROG Gladius já foi líder neste quesito e possivelmente influenciou outros mouses a terem componentes de melhor qualidade.

Gostaria de ver esta tecnologia de switches removíveis em mais mouses, mas sei que para algumas empresas é mais interessante colocar 20 LEDs RGB dentro do mouse do que investir em algo que aumente a vida útil dele.

Desempenho

O ASUS ROG Gladius foi o primeiro mouse a utilizar o sensor AVAGO S3988 após este deixar de ser exclusivo da Razer. Antes do início de 2014, apenas o Razer Deathadder 2013 e Razer Krait 2013 possuíam este sensor.

O ASUS ROG Gladius foi o primeiro mouse a utilizar o AVAGO S3988 após este deixar de ser exclusivo da Razer

Também, o ASUS ROG Gladius é um dos únicos mouses do mundo que tiram vantagem da USB 3.0 e consegue até 2000 Hz de taxa de atualização por causa disto. Vamos testar isto também.

Começando, todos os testes foram realizados utilizando um mouse pad ASUS STRIX Glide Speed, o qual possui estampas (que podem dificultar o rastreio, mas esse é justamente o objetivo) e tem um nível de qualidade similar ao Razer Goliathus Speed.

Primeiro temos o teste de consistência de rastreio. Basicamente, ele testa o que o nome diz, mostrando se por acaso há distorções no rastreio do mouse. Para realizar ele, é usado uma ferramenta chamada MouseTester.

E estes foram os resultados no mouse pad ASUS STRIX Glide Speed, em 2000 Hz:

Algo não está muito certo aqui... Há distorções até demais no rastreio desse mouse, algumas contagens não fazem nenhum sentido. Vamos tentar outras configurações, que tal 1000 Hz?

Melhorou, mas ainda há algumas pequenas distorções no rastreio deste mouse, contagens que não fazem nenhum sentido. Vamos tentar diminuir para 500 Hz então:

As distorções ficaram menos visíveis, mas não porquê sumiram, mas sim porquê a controladora do mouse tem mais tempo para "maquiar" elas. Em um mouse que se diz topo de linha, um rastreio neste estado não é aceitável.

Mas será que não é apenas o mousepad? Vamos então testar em ordem, o ASUS STRIX Glide Control, ASUS ROG Whetstone e ZOWIE P-TF em 1000 Hz:

Já trocamos de computador, calibramos o sensor, mas infelizmente a conclusão é que o rastreio deste mouse realmente tem pequenas distorções e tem o pior resultado em 2000 Hz.

O pior resultado do ASUS ROG Gladius é justamente em 2000 Hz

Agora, vamos para o teste de aceleração.

O ideal sempre é que: se o mouse for movido rapidamente 10cm para a direita, ele tenha o mesmo resultado que teria se fosse deslocado lentamente a mesma distância. 

Caso o mouse for mais longe do que o necessário no movimento rápido, é dito que o mesmo tem aceleração positiva. Caso a distância que ele percorreu seja menor no movimento rápido, ele tem aceleração negativa.

E se o mouse parou no mesmo lugar que antes, ele não tem aceleração nenhuma, o que caracteriza um resultado perfeito.

Sendo que este foi o resultado do ASUS ROG Gladius usando o mouse pad ASUS STRIX Glide Speed, em 1000 Hz:

Opa! Este não é um resultado bom... Será mesmo que este mouse tem aceleração negativa? Calibrar a superfície não ajudou, mas vamos testar outros mouse pads, começando pelo ASUS STRIX Glide Control:

Estranho... Melhorou muito e agora parece que não tem aceleração... E outros mouse pads então? ASUS ROG Whetstone e ZOWIE P-TF:

O ASUS ROG Gladius não tem aceleração alguma, o que realmente parece ocorrer é que o sensor é incapaz de rastrear certas cores do STRIX Glide Speed durante movimentos rápidos, e portanto não é um mouse recomendável para quem usa um mouse pad colorido. E sim, isto é uma falha....

O ASUS ROG Gladius apresenta problemas com mouse pads estampados

Analisando os resultados dos testes do sensor do ASUS ROG Gladius, é possível ver algumas falhas. Falhas que sim, devem ser consideradas mediante a grande gama de mouses atuais que não apresentam estas, mas é possível entender a razão para isto ter acontecido.

O ASUS ROG Gladius utilizou um sensor que era lançamento, e o preço da inexperiência da marca com este sensor foram estas distorções.

O preço da inexperiência da ROG com este sensor, foram distorções no rastreio


Créditos da imagem para COOLN e Danawa. Fonte: ASUS ROG Gladius Review

Ainda assim, a escolha pelo AVAGO S3988 na época de seu lançamento fora a certa, pois diversas empresas acabaram fazendo o mesmo posteriormente e maioria sem estas distorções. E se considerarmos as alternativas que haviam na época (ex: AVAGO 9800), mesmo com estas distorções, o Gladius era sim um dos mouses mais precisos de 2014.

Mas é fato que agora em 2017 há uma grande gama de mouses com sensores superiores e/ou melhor implementados, muitos dos quais são mais baratos, e estes resultados, além do modo em 2000 Hz só contribuir para piorar o desempenho do ROG Gladius, são fatores que dificultam a recomendação do mesmo.

Agora chegando finalmente ao software:

A primeira coisa que pude notar, é que há muitas similaridades neste com outro excelente software, que é o da Steelseries:

Não sei se o software da ASUS ROG foi feito pela Steelseries, se a empresa que fez o software da Steelseries também fez o da ASUS ROG ou se o plagiaram o software da Steelseries, mas independente o caso, o resultado foi excelente, salvo algumas partes que ficaram um pouco difíceis para ler devido ao tema preto e vermelho da ASUS ROG.

Há apenas um ou outro pequeno erro na interface em português, mas no geral este software está bem traduzido e fácil de entender, com explicações para cada um dos recursos do mouse ao clicar na bolha do interrogação, da mesma forma que o software da Steelseries apresenta.

O software ASUS ROG Armoury tem claras inspirações na Steelseries Engine 3

Em desempenho, temos acesso aos controles de DPI, aceleração/desaceleração, angle-snapping (Tiro de Ângulo? What? Isso é Correção de Trajetória!) e taxa de atualização. Configurações básicas, com exceção do controle de aceleração/desaceleração, mas o interessante é que ao modificar cada uma delas, a imagem ao lado demonstra mudanças para representar a ação feita, algo simples, mas extremamente eficaz em ensinar o que cada função faz.

No controle de iluminação há apenas configurações bastante básicas, tal como colocar o mouse no modo respiração e desligar sua iluminação. Não exigimos um show de luzes em mouses que fazemos análises, mas é estranho ver que um mouse tão caro não permite trocar a cor de sua iluminação para combinar com o setup do usuário, enquanto mouses muito mais baratos tem isso.

E agora, vamos para macros:

Com certeza isso aí é igual ao da Steelseries, só não é tão bonitinho quanto. Enfim, aqui temos uma interface bastante simples de criação de macros, onde podemos inserir teclas, botões do mouse e controlar o atraso que há entre uma ação e outra.

O que realmente diferencia essa interface da Steelseries/ASUS ROG do software de outras marcas é o fato que todas as ações podem ser editadas facilmente após a gravação, e para quem entende como macros funcionam, tudo é bastante intuitivo.

Ao que tudo indica, a ASUS ROG decidiu terceirizar o software, possivelmente para a mesma equipe que trabalhou no software da Steelseries, o que sinceramente foi uma excelente escolha. Embora o ROG Armoury não tenha tantos recursos quanto o que vemos no software da Corsair ou Logitech, maioria dos usuários não precisam tanto.

O importante é que tudo o que o ASUS ROG Gladius tem em seu software, é intuitivo, bem feito e bem explicado, assim como também é nos mouses da Steelseries.

AVALIAÇÃO:

Construção Externa

9

Construção Interna

10

Desempenho

7.5

Preço

5
Conclusão

A intenção da ASUS ROG quando o Gladius foi projetado era fazer um dos melhores mouses do mercado, algo que realmente se cumpriu em seu lançamento. O Gladius é um dos mouses mais caros para produzir do mundo, e se fizéssemos uma lista dos mouses com a melhor construção do mercado ele certamente entraria na lista dos cinco melhores.

Também devo parabenizar a empresa pelo software, o qual é claramente baseado no da Steelseries, possivelmente até feito pela mesma equipe responsável por ele.

Mas a inexperiência da marca com o então recém disponibilizado AVAGO S3988 e seu elevado preço girando na faixa de R$ 450 acabaram se tornando empecilhos para o mouse, os quais se agravaram ao longo prazo.

Embora em termos de precisão este tenha sido um dos melhores mouses do mercado no início de 2014, hoje (início de 2017), ele já não é. Aliás, ele está saindo de linha e o seu sucessor ASUS ROG Gladius II fora anunciado há pouco tempo.

O novo ASUS ROG Gladius II tem diversas correções para as críticas dadas na análise, e conta com um sensor topo de linha Pixart PMW 3360, novos switches com suposta durabilidade de 50 milhões de cliques, parafusos melhor posicionados... E claro, o mais importante: muitos LEDs RGB. Espero poder analisar este em algum momento.

Então hoje o primeiro ASUS ROG Gladius é uma má escolha? Não exatamente. O fato de estar saindo de linha pode acabar resultando em quedas de preço ou até queima de estoque onde o Gladius poderá ter um preço acessível, então é bom manter o olho aberto.

Para quem não é tão focado na questão de precisão (ex: jogadores de FPS competitivo), não usa um mouse pad colorido e está buscando um mouse que seja capaz de aguentar décadas de maus tratos, o ASUS ROG Gladius pode ser uma boa opção, caso conseguir por um bom preço.


PRÓS
  • Acabamento de ótima qualiadde
  • Cabo destacável e é possível escolher entre nylon ou emborrachado
  • Excelente Construção Interna, a melhor quando este mouse foi lançado
  • Excelente Software, claramente baseado no da Steelseries
  • Tecnologia exclusiva de troca de switches em caso de defeitos
CONTRAS
  • Embora seja um dos maiores diferenciais, 2000 Hz só traz malefícios no caso do Gladius
  • Implementação inexperiente do sensor AVAGO S3988
  • Preço