Nioh é mais um exclusivo "estilo Dark Souls" para o PS4. Desenvolvido pela Team Ninja, o game conta a história de William Adams, um samurai gringo autodidata que vai enfrentar demônios no Japão pra resgatar seu espírito guardião. E a história fica cada vez mais louca. Mas é pelo gameplay que Nioh se destaca e é por causa dele que muitos de vocês devem estar lendo essa análise. E então, vale a pena desembolsar R$ 200 para morrer mil vezes no game ou é melhor economizar pros próximos lançamentos? Leia a análise para saber nossa opinião!

História e Ambientação
Uma aventura confusa numa terra magnífica

Nioh é remotamente baseado na história real de William Adams, o primeiro britânico a firmar seus pés em solo japonês, além de realmente aprender o caminho da espada e se tornar um samurai. Ênfase em "remotamente". Além do nome, o protagonista de Nioh não tem muito mais em comum com o William Adams verdadeiro.

No game o personagem principal chega ao Japão atrás do seu espírito guia que foi roubado por um homem místico e ameaçador. Ao desembarcar ele descobre a existência de todo tipo de demônio e entidade espiritual na terra do sol nascente e usa suas habilidades auto didatas de samurai e seu dom natural para o uso das técnicas japonesas para enfrentar os desafios. Logo ele chama a atenção de autoridades locais e faz alianças com nomes históricos como Hattori Hanzo e o lendário estrategista Ieyasu.

Transitar pelo Japão devastado pela guerra civil e encontrar todo tipo de personagem, histórico ou fictício, torna o game muitíssimo interessante

O jogo separa bastante a história do gameplay propriamente dito, o que torna o enredo um pouco confuso às vezes. Além disso, não havia a menor necessidade do protagonista ser o William Adams, já que a história do jogo tem tão pouco em comum com a verdadeira. O efeito de jogar com um gringo no oriente, no entanto, acrescenta pra imersão. Nós, jogadores, nos sentimos estranhos naquele lugar e cultura diferentes, então o deslocamento do protagonista contribui para um efeito interessante. Sendo assim, em vez de se fixar num modelo que mais parece o Geralt o jogo poderia abraçar de uma vez a própria história e deixar o jogador construir o personagem do seu jeito, como acontece em Dark Souls, de onde Nioh tira tanta influência.

Mas a ambientação não deixa a desejar. Transitar pelo Japão devastado pela guerra civil e encontrar todo tipo de personagem, histórico ou fictício, torna o game muitíssimo interessante, além dos diferentes espíritos que encontramos pelo caminho que são também personagens ativos no game. Tudo isso ajuda muito na imersão.

Jogabilidade
Frustração, ódio, rage quit e muita diversão

Quem já viu alguma coisa de Nioh sabe que o jogo é fortemente "inspirado" em Dark Souls. E "inspirado" é um jeito gentil de dizer que no começo o game mais parece apenas um mod de samurai para o jogo da From Software. 

Com o tempo, no entanto, conforme o jogador consegue novos equipamentos e vai liberando suas habilidades, o jogo começa a adquirir uma identidade própria e se distancia mais da sua fonte de inspiração, o que é ótimo. Dark Souls pode ser um excelente jogo, mas queremos ver originalidade num game de outra franquia. Demora um pouco, mas investir algumas horas em Nioh faz o jogo finalmente se sustentar nas próprias pernas e é aí que ele fica bem mais divertido.

Investir algumas horas em Nioh faz o jogo finalmente se distanciar de Dark Souls e é aí que ele fica bem mais divertido

O gameplay é extremamente variado pelo número de armas e estilos diferentes de combate que impactam diretamente na tática do jogador. Você pode usar a katana (espada samurai clássica), katana dupla, lança, machado e até uma kusarigama. Não lembro o último jogo que me deixou usar uma kusarigama, provavelmente Samurai Shodown, anos atrás. Essa diversidade é potencializada pelas diferentes posturas de William que o jogador pode trocar a qualquer momento: alta, mais devagar e mais forte; média, balanceada e baixa, mais rápida, mas que causa menos dano. Com tanta variedade, o jogo se adéqua a quase qualquer estilo de gameplay. Além disso, há também espíritos guardiões pra serem escolhidos, que oferecem um tipo de especial para William. Os diferentes tipos também impactam na maneira que você joga.

E, sendo um RPG, há inúmeras variáveis de status para o jogador cuidar, que se alteram dependendo do equipamento e como é feita a evolução do personagem. É necessário dedicar um bom tempo aqui pra entender a importância de cada atributo e quais são os mais importantes pra você. Isso é um ponto positivo pra quem gosta do estilo, mais serve de alerta pra quem não é fã de passar horas olhando o inventário do jogo.

Nioh é um teste maior para a sua paciência do que para sua habilidade

Digo "quase qualquer estilo" porque tem um tipo de jogador que vai sofrer muito aqui: o agitado impaciente, como eu. Assim como Dark Souls é famoso por sua dificuldade, Nioh não perdoa seus erros e morrer nesse jogo é simplesmente uma constante. Mas é importante esclarecer, pra quem acha que não conseguiria jogar, é que este game testa mais sua paciência do que sua habilidade. Claro que é necessário praticar bastante pra não cometer erros bobos, mas jogando devagar, acumulando níveis e itens, o jogo fica até tranquilo em suas fases. Os chefes vão ser sempre desafiadores, mas de novo, é a paciência que é mais importante. A mecânica do jogo pede que você tente várias vezes o mesmo boss, até aprender seus padrões de movimento e os momentos certos de atacar, além de quais ataques usar. Mesmo depois de aprender tudo isso, você pode cometer um erro justo quando faltavam dois golpes pra matar o chefe e acabar sendo atingido por alguma coisa que mata na hora. Aí a vontade é jogar o controle na TV, mas desligar o vídeo game já resolve. 

A cada fase você tem acesso a um mapa, onde é possível jogar fases passadas ou realizar missões extras mais curtas nelas, que dão experiência e itens. Isso aumenta muito o número de horas que dá pra acumular no jogo e é bastante divertido, o que adiciona valor ao game.

Gráficos e Som
Performance vs. Texturas

Nioh oferece ao jogador a extremamente interessante opção do jogo enfatizar gráficos ou performance. É possível escolher o "Modo Ação" para 60fps constantes ou "Modo Filme" para ligar um anti-serrilhado e algumas melhorias gerais nos gráficos. O "Modo Filme" pode ainda ter o fps variável ou com 30 travados. Seria muito bom se mais jogos oferecessem essa opção nos consoles.

Nioh oferece ao jogador a extremamente interessante opção do jogo enfatizar gráficos ou performance

Pessoalmente, para este tipo de jogo, recomendo fortemente jogar com 60fps constantes no "Modo Ação". E realmente funciona, o jogo mantém sua taxa de quadros consistente e não decepciona. Mas nesse modo as coisas realmente não ficam bonitas. As belíssimas armaduras do jogo, desenhadas com uma riqueza impressionante de detalhes e capricho, ficam bastante serrilhadas e o cenário no geral deixa um pouco a desejar. Principalmente quando prestamos atenção nos elementos que são só decorativos mesmo, que são os que mais sofrem para entregar mais performance.

O "Modo Filme", no entanto, não traz muitas melhorias perceptíveis, sendo que a principal é apenas cuidar do serrilhado mesmo, tornando ele pouco recomendável.

A trilha sonora do game é boa, mas não traz nada marcante ou espetacular, apenas funciona bem para a ambientação e imersão do jogador. O mesmo acontece com o trabalho da dublagem, que não decepciona, mas não é nada ruim. Os personagens japoneses falam em japonês e William fala em inglês, o que fica bem esquisito porque todo mundo se entende. Os efeitos sonoros no geral não são dos mais variados, mas também funcionam. A parte do som do game é o clássico "bom o suficiente pra não chamar a atenção".

AVALIAÇÃO:

História

7.5

Jogabilidade

9.5

Gráficos

7.0

Som

8.0
Conclusão

No geral, Nioh vale muito a pena. Ele passa no teste mais simples de um jogo: "dá vontade de jogar?" A resposta é um sonoro "sim!". Mas o game está longe de ser perfeito. Uma trilha sonora de maior impacto e um distanciamento maior de Dark Souls logo no início contribuiriam muito para a qualidade do jogo. E a história poderia ter sido melhor trabalhada também, já que a ambientação dá tanta vontade de mergulhar nesse mundo e saber mais do enredo.

Nioh realmente brilha quando não está tentando ser Dark Souls

Mas passados os pequenos problemas, temos um jogo que vai entregar muito pelo que você investe nele. São diversas horas de um gameplay bastante variado, com missões diversas e armaduras lindamente desenhadas que chegam a empolgar a cada novo item conseguido, pra ver como vai ficar a aparência do seu personagem.

A dificuldade e a paciência que esse jogo exige fazem com que ele não seja um título para todos, mas pra quem gosta do estilo e ainda não teve sua cota inteiramente satisfeita por Dark Souls, Nioh certamente fica indispensável.


PRÓS
  • Gameplay bastante variado
  • Belíssimo design das armaduras
  • Ambientação original e intrigante
  • Excelente desafio pra quem é fã do gênero
  • Missões extras rápidas e divertidas
  • Batalhas com chefes!
CONTRAS
  • História não atinge seu potencial
  • Falta impacto na trilha sonora
  • Gráficos decepcionam mesmo no "Modo Filme"
  • Jogo demora pra mostrar o estilo próprio