Há exatamente 12 anos, 3 funcionários do PayPal – Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim – tiveram a brilhante ideia de criar uma plataforma para que as "pessoas normais" pudessem colocar na internet e compartilhar seus próprios vídeos, assim como assistir a qualquer vídeos tolos que as pessoas resolvam colocar na rede.

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Em menos de um ano, o site já tinha virado uma febre, e mais de 65 mil vídeos de gatos tocando teclado até crianças loucas de anestesia do dentista inundavam a rede a cada novo dia. Desde que a companhia foi comprada pela Google por US$ 1,6 bilhão em 2006, eles mudaram o mundo de várias maneiras – e muitas delas envolvem novas tecnologias colocadas facilmente ao alcance de qualquer usuário.

O que eles adicionaram nos últimos tempos

Sai Flash, entra HTML 5 como padrão
Volta e meia nós – e muitos especialistas da área – demonizamos o plug-in Adobe Flash Player por todas as falhas que segurança que acabam vindo junto com o seu uso. E isso é mais do que merecido. Por esses problemas, o YouTube em 2010 lançou uma versão experimental do site que usava as capacidades multimídia dos navegadores que oferecem suporte ao HTML5. Essa versão eliminava a necessidade de ter qualquer plug-in instalado no browser do usuário.

Em janeiro de 2015, finalmente veio a aguardada notícia de que o YouTube passou a usar como método de reprodução padrão o HTML5. As principais vantagens, é claro, envolvem o fim da chatice de ter que instalar um plug-in e a maior segurança. Mas isso trouxe outras boas novidades. Com as MediaSource Extensions, por exemplo, foi possível implementar bitrate adaptativo, que muda a qualidade de vídeo de maneira mais rápida. Ou seja, sem ter que ficar parando e recarregando o vídeo. Para rodar os vídeos, o YouTube tem usado os codecs H.264 da MPEG LA ou WebM VP9 da Google, dependendo do que for compatível com o navegador utilizado.

A evolução dos formatos: de 240p até 8K e 60 fps
No início, a internet de todo o mundo era muito mais lenta, e o YouTube era inflexível: você só podia fazer upload de vídeos em resolução 320 x 240 com o codec Sorenson Spark (uma variante do H.263). Isso evoluiu – e muito – com o tempo. Em 2008, veio o modo de alta qualidade, com a resolução de 480 x 360. No mesmo ano, o site já suportava vídeos em alta resolução (1280 x 720), e claro, em formato widescreen 16:9. Em 2009, já tínhamos até mesmo vídeos em 1080p. No ano seguinte, já era possível subir vídeos em 4K (4096 x 3072).

Hoje, é praticamente impossível colocar as mãos num televisor com a resolução, mas já existe a possibilidade de colocar até vídeos em resolução 8K (7680 x 4320). Acima, você confere um exemplo disso. No final de 2016, ainda foi implementado o suporte a vídeos em HDR, que podem ser codificados de duas maneiras. A primeira é usando o Hybrid Log-Gamma, padrão desenvolvido pela BBC e pela NHK na busca por uma maior gama de iluminação.A outra é o Perceptual Quantizer da Dolby, que proporciona um nível de luminância DE 10.000 cd/m2. Para completar a gama de formatos, veio ainda o suporte a 60 quadros por segundo, que principalmente permite exibir jogos com a fluidez esperada de placas de vídeo de alto desempenho.

Vídeos em 3D e em 360º
Se todas essas tecnologias parecem muita coisa, continue por aqui que tem mais! Em 2009, com a chegada do filme Avatar e toda a ressurreição do interesse em produções audivisuais em 3D, o YouTube resolveu trazer a tecnologia para seus vídeos. Na época, era possível assistir a esses conteúdos de algumas manieras. Uma delas é o método anáglifo, dos famosos óculos com uma lente vermelha e outra azul. Outro, mais sofisticado, envolvia o uso de conteúdo estereoscópico exibido em padrões de colunas, linhas, xadrez ou lado a lado.

Se os vídeos 3D não decolaram, agora a aposta é outra. Desde março de 2015 é possível fazer upload de vídeos em 360º. O jeito mais fácil de assisti-los é num dispositivo móvel, onde você gira o aparelho no ar para mudar a perspectiva de visão. No computador, isso é feito segurando e arrastando o mouse pela tela. Ainda é possível utilizar o Google Cardboard ou um aparelho de realidade virtual com o Oculus Rift ou o HTC Vive parar assistir a esses vídeos.

O que vem pela frente?
Podemos começar falando sobre a parte mais megalomaníaca e absurda (e que talvez um dia vire verdade) dessas ambições da empresa. Trata-se de ter um aplicativo tão bom, com um algoritmo tão perfeito, que ele saiba exatamente o que o usuário quer assitir a qualquer momento da vida. É sério! O vice-presidente de gerenciamento de produto do YouTube, Matthew Glotzbach, disse exatamente isso nessa entrevista para a Wired.

A ideia dele é que você acordaria de manhã e o YouTube te daria vídeos sobre as últimas notícias. Depois, quando você está na fila para comprar um lanche ou cuidando de seus negócios no banheiro, o aplicativo te mostraria vídeos menores. Seja uma análise de um gadget ou os melhores momentos do programa do Jimmy Fallon da noite anterior. No final do dia, você ainda conectaria o smartphone com a TV através do Chromecast e assistiria a um filme, episódio de uma série, ou os vídeos de seu YouTuber favorito. Basicamente eles buscam virar uma mistura perfeita de televisão e internet.

A equipe do YouTube ainda trabalha com operadoras de celular e de internet fixa para aumentar o seu público. Uma das maneiras é permitir que eles assistam vídeos no YouTube, mesmo que sua conexão seja horrível. Isso é especialmente útil em países como a Índia, onde muitas vezes a conexão disponível é apenas aquele lento 2G do começo dos anos 2000. Para conseguir isso tudo, uma coisa será fundamental: a iminente expansão do site para outras áreas. Primeiro, na empreitada de converter as centenas de milhões de usuários que assistem vídeos de games na plataforma em usuários que joguem títulos casuais por lá. Algo como os games simples que vemos no Facebook, na App Store ou na Google Play Store.

Espera-se também que o YouTube comece a entrar no mundo de transmissão de esportes. Que você não apenas possa ver os comerciais do Super Bowl por lá, mas sim o evento inteiro e ao vivo, incluindo a partida e o show do intervalo. Também existem rumores de que, mais cedo ou mais tarde, o YouTube vá adquirir os direitos de transmissão de campeonatos como a Premier League ou a NBA. Tudo isso pode demorar para acontecer, é claro, ainda mais pelos valores envolvidos. Mas não tenha dúvida que todo o crescimento do YouTube desde 2005 até virar o segundo maior site do mundo hoje é pouco, perto das ambições da Google. Não sabemos o que eles vão conseguir. Mas sabemos definitivamente têm o dinheiro e a força para isso.