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O que os Piores Jogos da Steam me ensinaram sobre o áudio nos games

O que os Piores Jogos da Steam me ensinaram sobre o áudio nos games

05/02/2017 19:25 | | @joao_gan | Reportar erro

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João Gabriel

Hadouken!

Nossos erros são uma importante oportunidade de aprendizado, mas não podemos ignorar também quando temos a chance de aprender com os erros dos outros. Mais precisamente, com os jogos errados dos outros e o que eles nos ensinam sobre o que faz um game ser ruim e, por consequência, o que faz um game ser bom quando ele segue o caminho contrário. E os Piores Jogos da Steam (PIJOS) me ensinaram muito sobre a importância da parte de áudio nos games, mesmo quando ela não é um grande destaque.

É muito fácil reconhecer e elogiar a trilha sonora de um game ou um trabalho excepcional de dublagem quando os desenvolvedores realmente tiveram uma ênfase nessa parte. As trilhas sonoras de jogos como The Last of Us, Halo ou, voltando mais no tempo, Castlevania: Symphony of The Night e Chrono Trigger são aclamadas pela indústria e facilmente roubam a cena em seus jogos. A cena indie também tem exemplos proeminentes com Bastion ou Hotline Miami, que, pra mim, a trilha sonora é uma parte tão forte da experiência que quase participa do gameplay do jogador.

O foco desta coluna, então, não será nessas trilhas, que já foram elogiadas o suficiente. Quero falar aqui dos trabalhos de áudio que são "apenas" bons ou ótimos. Porque essa é a grande sina de quem trabalha com som em games (ou até mesmo filmes). O seu trabalho precisa ser excepcional pra conseguir se destacar. As trilhas e efeitos que são "somente" legais muito facilmente se apagam no fundo da jogatina. E isso é interessante, porque o som bom o suficiente não incomoda, enquanto o ruim é um problema gritante na experiência.

A parte de som deve ser uma das mais difíceis

Uma das coisas que eu já imaginava e os PIJOS provaram pra mim é que a parte de áudio dos games deve ser uma das mais difíceis de se fazer. Isso porque todos os jogos que experimentamos podiam oferecer pelo menos uma característica de elogio e ela nunca foi o som. Parece que podemos ter sempre certeza de uma coisa: se o jogo é ruim, a música vai ser pior. Ou os efeitos sonoros. Lembro com facilidade do momento em que percebemos como era enlouquecedora a curtíssima música de Game Tycoon 1.5 e seu ciclo que não se encaixava na hora dela recomeçar:

E pra não falarmos apenas de música, vai aqui um destaque especial pra aceleração do carro de corrida em Flatout 3. Veja quanto tempo você consegue ouvir:

Agora compare com o som em Project Cars:

Claro que se poderia argumentar que é incomparável o investimento feito em Project Cars contra o que se investiu em Flatout 3 (que aliás nem chega a ser indie). Mas a falta de dinheiro não é desculpa para falta de capricho, como tantas produções independentes já nos provaram. Coloco aqui como exemplo a Pardoner's Dance, música que toca na luta contra a boss Pardoner Fennel em Momodora: Reverie Under The Moonlight, jogo muito menos conhecido do que merecia. 

Reparem que a música consegue manter o ritmo de ação pedido por um combate com um chefe, ao mesmo tempo em que imprime um tom de melancolia para uma triste batalha entre duas pessoas que deveriam estar do mesmo lado. Isso não é conseguido com mais dinheiro, é conseguido com talento.

Por isso, deixo aqui um apelo. Na próxima vez em que você estiver há horas mergulhado num jogo que você está adorando, pare e escute. Porque se você jogou alguma coisa por mais de duas horas e não reparou na trilha sonora ou nos efeitos de som, isso é porque eles são bons e merecem um minuto da sua apreciação.

Playlist dos Piores Jogos da Steam:

- Game Tycoon 1.5
- Day One: Garry's Incident
- Uriel's Chasm
- Flatout 3

João Gabriel
Jornalista

Twitter: @joao_gan

João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.



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