De um modo geral, os vestíveis costumam oferecer um conjunto dessas funções: monitorar sono, exercícios, batimentos cardíacos, escadas subidas, calorias queimadas e mostrar notificações. A Healbe GoBe sai desse grupo ao oferecer algo que nenhum outro wearable faz: monitorar consumo de calorias! 

Para fazer essa façanha, ele vem equipado com a tecnologia Healbe FLOW. É um sensor que usa bioimpedância para analisar as células da pele, e extrair dessa forma os batimentos cardíacos, os níveis de glicose e hidratação. O quanto isso é preciso? De acordo com a empresa varia entre 84% a 93% o grau de acerto do vestível. O interessante que ela é automatizada: percebe a variação e pergunta se sua alimentação foi com ou sem carboidratos. Basta isso para que ela estime calorias, gordura, carboidratos e proteínas consumidas.

Em nossa experiência prática, os dados foram bem verossímeis: batem com momentos em que me alimentei, a quantidade de calorias é próxima ao que foi comido e até mesmo o padrão de absorção das calorias segue a lógica correta, com doces causando picos bruscos e almoços mais balanceados com um período mais longo de absorção. Por sinal, o print abaixo mostra que meu café da manhã trouxe 521 calorias, enquanto o almoço foi mais discreto e somou 482.

Os dados são verossímeis, mas não são precisos

Ao mesmo tempo que em alguns momentos ela parece acertar, outros dados são estranhos. No período de dois dias que utilizei a pulseira, aparentemente estou com quase 1 mil calorias "no negativo" por dia. Se essa dado fosse real, e considerando que não mudei minha dieta durante os testes, eu deveria estar emagrecendo (o que, infelizmente, não tem sido o caso).

Essa função de leitura das calorias não está presente em outros vestíveis, e se torna o diferencial do GoBe. O problema é que daqui pra frente a coisa só piora. É impossível não perceber o design estranho dessa gadget: grandalhão, ele fica desconfortável especialmente porque precisa estar preso de forma bastante firme para que o FLOW faça a leitura correta dos dados. No meu caso, bastava tirá-la para ver a marca retangular dela no pulso devido a pressão. Ela é capaz de medir batimentos, mas não é um bom wearable para acompanhar nas corridas justamente por seu porte exagerado, pior ainda para dormir com ele e monitorar o sono.

O seu tamanho põe tudo a perder

Basta ver "por baixo do capô" para entender o motivo desse porte todo, algo que está disponível nesse link aqui. O projeto é bem ruim, com uso de um cartão microSD para a memória interna, baterias genéricas e muito espaço vazio. Não tem como sair algo compacto sem um projeto minimamente customizado dos componentes!


Carlos Estrella gentilmente atuou como nosso modelo para essas fotos

Esse design grande e desengonçado vem acompanhado de outros defeitos. Mesmo com uma área tão grande, ela não possui um display: um conjunto de luzes mostram uma quantidade muito limitada de dados, a maior parte do tempo é preciso um efeito de deslizar para mostrar qualquer quantidade mínima de informação. Diferente de outros vestíveis, esse aqui não serve para notificações, tornando a tela ainda menos útil.

Um vestível sem um display não é novidade, se limitando ao uso de LEDs para mostrar as informações, e muitos deles trazem uma característica bem interessante: grande autonomia. É o caso do GoBe? Não. Ele tem autonomia de pouco mais de um dia! Isso é inferior ao que a Samsung conseguiu com o Gear Fit 2, que aguenta dois dias de uso com um display Super AMOLED e uma bateria de 200 mAh. Os 350mAh não seguram dois dias na GoBe, o que nos dá um sinal que se esse é o consumo do sensor FLOW. E ele é alto demais.

A Healbe GoBe é o pior vestível que já testamos, com pouca autonomia, desconfortável e com design ruim. Nem importa se ela é precisa ou não na contagem de calorias

Nem importa se a GoBe mede as calorias direito ou não. Ela é tão desconfortável, seu visual é tão estranho e sua autonomia é tão ruim que dificilmente alguém vai realmente usá-la de forma prolongada. É preciso ser muito "entusiasta de contar calorias" para pegar esse vestível, que custa US$ 149. Se quer gamificar um estilo de vida saudável, é muito melhor gastar em algo como a Gear Fit 2, que no exterior tem um preço semelhante ao da GoBe e no Brasil já é encontrada por em torno de 900 reais, e conta com um display, GPS interno, design mais compacto e melhor autonomia. Gastando 30~40 dólares a mais também é possível adquirir um Moto 360 Sport, outro dispositivo com GPS embutido, sensor de batimentos e ainda conta com todas as funcionalidades do Android Wear (mas no Brasil a dolorosa sobe para R$ 2 mil).

E tem a opção de não comprar nada. Sempre tem essa opção, mas esse é o primeiro gadget que eu testo e que, sem dúvida nenhuma, acredito que nada é uma opção melhor. Não ter que usar ela é melhor que os dados que ela tem para oferecer, sendo ou não precisos.