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Para analista, PC Gamers são "como racistas arrogantes"; para mim, analistas não servem pra muita coisa

Para analista, PC Gamers são "como racistas arrogantes"; para mim, analistas não servem pra muita coisa

22/09/2016 16:12 | | @kerberdiego | Reportar erro







Diego Kerber

Vida Digital

Desde ontem, uma entrevista do Michael Pachter para o Daily Star tem causado polêmica em fóruns e pela internet em geral. O famoso analista de mercado, quando perguntado se havia alguma chance de jogadores de PC que se interessariam pelo PS4 PRO, já que possui um hardware melhor e gráficos superiores, soltou a seguinte resposta (que irei traduzir dentro do possível, já que tem bastante gíria no meio):

Eu acho que gamers de PC são como racistas, eles só gostam dos de seu grupo e não tem nenhum interesse em se aventurar com outras raças. Eu acho que PC gamers são sabichões arrogantes que acham que o que fazem é melhor do que o que outros fazem. Eu acho que não [se interessarão pelo PS4 Pro].

- Michael Pachter

Vocês podem conferir o áudio original nesse link, e fiquem livres para discutir minha interpretação do termo "arrogant twits", apesar que acho que cheguei lá. O mais engraçado é ver Patcher, em uma fala extremamente preconceituosa, acusando uma comunidade toda de ser preconceituosa. Não vou nem entrar no mérito de ele ter usado o termo "racista", já que isso parece só ser resultado de sua incapacidade de escolher as palavras mais adequadas para o que quer expressar.

Não acho que o analista esteja vendo algo que não existe. Há um grupo especialmente irritante de jogadores no PC que batem exatamente com a descrição "sabichões arrogantes que não se misturam", mas é injusto você considerar que toda a comunidade que joga no PC é assim. Por uma característica que parece ser inerente de ser chato, infelizmente eles também são os mais barulhentos e acabam sendo mais atuantes nos comentários e foruns que as pessoas de bom senso, que tem algo melhor pra fazer do que ficar brigando por qual a resolução que o jogo está rodando. Coisas como realmente estar jogando.

O que Michael Patcher fez foi pegar parte e considerar que ela é representação de um todo. Tipo quando a mídia fez barulho, nas manifestações recentes, das pessoas clamando que o exército intercedesse no Governo Federal. No método analítico de Patcher, os manifestantes eram todos pró-intervenção militar. Tem gente chata entre jogadores de PC, mas afirmar que todos são chatos é uma injustiça enorme. Até porque tem equivalentes dentro da comunidade que joga em consoles, tão eficientemente chatos quanto os presentes no PC.

Um exemplo é que nós mesmos do Adrenaline adoramos tirar onda com analistas/especialistas. É comum em programas opinativos que gravamos por aqui criarmos uma figura fictícia do especialista, um cara olhando para o teto e que, subitamente, tem um insight do tipo "telas mais amplas vão acelerar as vendas de smarpthones na Índia" ou "o fim do P2 vai alavancar a venda de LPs". A diferença entre nós e Patcher é que a gente sabe que está sendo preconceituoso e faz isso apenas pela brincadeira, e sabemos que tem muito profissional sério nesse ramo. Mas a brincadeira se sustenta por conta da ampla base de publicações nos mostrando que tem muito analista que bate essa descrição. Quer se divertir e entender do que estou falando? Veja o resultado da busca de "diz analista" no Google News.

Por fim, hora do mea culpa. Se você joga no PC e não consegue listar NENHUMA vantagem dos consoles quando comparados ao computador na hora de jogar, ou quando vê as divertidíssimas tirinhas com o tema PC Master Race e não vê NENHUM aspecto de auto-sátira, só enxerga argumentos sólidos da superioridade do PC sobre as demais plataformas, lamento te dizer, a análise de Patcher saiu desse jeito porque ele só estava prestando atenção nos gamers de PC que pensam dessa forma.

E finalizando, é óbvio que não vou comprar um PS4 Pro. Aquele 4K é via upscale.

Diego Kerber
Sub-editor

Twitter: @kerberdiego

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".



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