"Doom" é uma tentativa da Bethesda em modernizar o mais clássico dos FPS numa linguagem que possa agradar tanto novos jogadores, quanto veteranos, mantendo o estilo frenético de jogo com muito tiro e pouco cover, ao mesmo tempo em que são agregados novos elementos para aproximar os novatos. Esse tipo de fórmula é sempre um risco, porque se for feito errado não vai ficar bom pra ninguém, nem pros antigos, nem pros novos. E como DOOM se saiu nessa? Vamos ver na análise! 

ViDOOMCast: Maratona de Doom numa GTX 1080 & VideoCast Adrenaline juntos

História e Ambientação
O frio do espaço e o fogo do inferno

Não é pela história que jogadores de DOOM gostam do game. O enredo funciona mais como uma desculpa para o jogador seguir sozinho matando monstros num planeta hostil. Na verdade, é na ambientação que o game mais brilha, então a nota que vai se referir também a ela, não só à história. Os cenários são muito bem construídos e impressionam enquanto são variados. O jogador começa em ambientes saídos da mais clássica ficção científica, em lugares fechados de uma base espacial, cheios de tecnologia que parece ao mesmo tempo arcaica e moderna. Mas o jogo não se resume a esses cenários, oferecendo também incursões em Marte e descidas às profundezas do inferno.

Os cenários são muito bem construídos e impressionam enquanto dura a variedade

Tudo isso é muito bem-vindo e dá vida ao jogo até um pouco depois da metade. Mas conforme o game avança a fórmula começa a ficar um pouco desgastada e a ambientação começa a cansar um pouco. Sem uma história forte e interessante o suficiente para ajudar a carregar a aventura, o jogo não consegue deixar de mostrar sinais de cansaço e a ambientação perde um pouco do seu brilho. A história, aliás, não é tão ruim para o propósito que ela serve, tendo um "quê" de humor negro que até diverte às vezes. Só que pro tamanho da campanha e pra tendência das coisas a ficarem repetitivas, ela precisava ser melhor.

Jogabilidade
Uma chuva de tiros, execuções e sangue

Está aqui o grande trunfo de DOOM. O jogo tem uma jogabilidade sólida e responsiva que mostra sua qualidade logo nos primeiros minutos. Diferente da tendência de jogos modernos, o personagem passa a maior parte do tempo sob controle do jogador e é assim que os puristas gostam. Conforme o jogo avança, entretanto, começam a aparecer as novidades e camadas extras na jogabilidade que podem dividir opiniões.

Doom tem uma jogabilidade sólida e responsiva que mostra sua qualidade logo nos primeiros minutos do jogo

Essa edição da franquia se baseia fortemente nas execuções, que o jogador realiza fazendo um ataque corporal num inimigo "tonteado". Depois de alguns tiros o demônio vai ficar zonzo, indefeso, momento em que ele brilha na cor azul (o brilho pode ser desligado no menu). Neste momento você deve se aproximar e dar um golpe, que vai resultar numa animação de "Execução Gloriosa", conferindo ganhos extras de vida e matando o inimigo na hora. Algumas pessoas vão argumentar que essa dinâmica pode ser "opcional", afinal nada lhe obriga a executar o monstro e o jogador pode simplesmente atirar mais pra matar um inimigo tonto. Mas, conforme o game vai ficando mais difícil, os ganhos extras de vida oferecidos pelas execuções podem fazer toda a diferença e, além disso, elas contam pontos na sua qualidade de combate. Essa qualidade de combate está constantemente sendo avaliada pelo game para dar pontos de melhorias para as armas, algo importantíssimo. Então simplesmente ignorar as execuções vai sacrificar um pouco o gameplay, principalmente porque ele foi visivelmente pensado para usá-las.

Na minha opinião muito pessoal, as execuções em modo algum são um ponto negativo. Enquanto podem desagradar alguns puristas, elas deixam o jogo ainda mais dinâmico e fazem o jogador ficar realmente se mexendo o tempo todo, andando em direção ao inimigo conforme atira a fim de pegar aquele timing perfeito de chegar à distância ideal para a execução bem na hora em que o inimigo fica vulnerável. É extremamente satisfatório e fica muito divertida a alternância entre tiros e socos (e pontapés e pisões e quebradas de pescoço).

Temos uma excelente variedade de armas e cada uma funciona bem diferente da outra

Mas claro que grande parte do gameplay, a maior parte dele, fica em cima das armas. Já vi muitos jogos de tiro sofrerem, tanto TPS como FPS, com milhares de armas diferentes que na hora de usar parecem todas iguais (algo que lembra aqueles mini-games 999 em 1). DOOM é o oposto disso. Temos uma excelente variedade de armas e cada uma funciona bem diferente da outra. E a melhor parte é que mesmo fazendo melhorias no equipamento, o número de balas numa só arma nunca é suficiente para a infinidade de monstros que aparece, então o jogo lhe obriga a aprender a usar bem pelo menos um punhado dessas armas. Cada vez que a munição acaba pode significar uma mudança completa de estratégia e nenhuma das armas é péssima, então fica muito divertido variar entre elas. Se levarmos em conta ainda as modificações que cada arma tem e as melhorias, a variedade aumenta ainda mais e isso é muito bem-vindo.

Todas essas vantagens garantiriam um 10 ao gameplay, mas ele acaba sendo sabotado pela campanha desnecessariamente longa. Para garantir mais algumas horas para os jogadores, a ID Software infelizmente acabou recheando o jogo com alguns momentos bem repetitivos, especialmente quando temos um "coração demoníaco" gigante no meio da sala. Toda vez que o jogador entra num ambiente desses, ele sabe exatamente o que vai acontecer. É arrancar o negócio e começar a chover monstros. Lá pela décima vez em que temos que fazer isso, começa a ficar um pouco chato. 

Para dar uma variada destacamos aqui o modo de construção de mapas. Este com certeza vai ser mais aproveitado por quem realmente gostou do jogo e quer ainda mais DOOM depois de zerar. É possível jogar mapas feitos por outras pessoas em diversos modos diferentes (solo ou multiplayer), além de fazer os próprios e disponibilizá-los online. Um construtor de mapas um pouco contraintuitivo e lento torna mais divertido jogar os mapas dos outros do que fazer os seus, mas ele é bem completo e entrega bastante variedade, então ainda conta como ponto positivo.

Multiplayer
Mais deserto do que a superfície de Marte

Infelizmente não poderei avaliar o multiplayer de DOOM. O jogo simplesmente não consegue encontrar partidas no PC porque, aparentemente, não tem ninguém jogando. De acordo com uma pesquisa em fóruns e pela internet afora, ao que tudo indica, no console o jogo até encontra partidas, mas no computador é um deserto completo.

Gráficos e Som
Muito vermelho e heavy metal

Aqui o jogo merece outro destaque: os gráficos estão excelentes. O design dos cenários é muito bom, servindo não só à estética, mas também ao gameplay. Muitas partes são bem verticalizadas permitindo ao jogador subir e descer o cenário enquanto tenta escapar de ataques e pegar os demônios de surpresa. A estética dos inimigos, aliás, também está incrível. São desenhos bem originais e todos chamam a atenção, especialmente aqueles que aparecem com partes do corpo fundidas ao metal, com uma grande riqueza de detalhes. Os efeitos de partícula são ótimos, mas são os efeitos de névoa, poeira e fogo que realmente fazem a ambientação do game brilhar. Um destaque especial vai para as texturas das armas. O jogo também não está mal otimizado, e rodou com tranquilidade numa R9 280X com 8GB de RAM. Leva um tempinho pra renderizar e o game segue nos 60fps com raríssimas e quase imperceptíveis quedas.

A trilha sonora é ótima e os sons das armas são bem caracterizados e satisfatórios, mas no geral o áudio também é repetitivo

Já o som poderia ter sido melhor. A trilha sonora é ótima e os sons das armas são bem caracterizados e satisfatórios, mas no geral o áudio acaba sofrendo com os mesmos problemas de repetição do jogo. O rock "paulera" é intenso e perfeito para os combates, mas quando ele começa a tocar pela décima vez o jogador se cansa. Mesma coisa com os grunhidos dos monstros, pouquíssimo variados e raramente bem localizados, parece que eles vêm do céu muitas vezes.

AVALIAÇÃO:

História

7.5

Jogabilidade

9.5

Multiplayer

-.-

Gráficos

9.5

Som

8.0
Conclusão

DOOM é um excelente jogo. É um pouco difícil justificar pagar mais de R$ 200 no preço de lançamento, ainda mais se o jogador não for conseguir aproveitar todo um modo do game, que é o multiplayer, mas o título com certeza entrega mais conteúdo do que muitos outros jogos de ação com uma sólida campanha e um gameplay de qualidade. A dificuldade do game é extremamente satisfatória e passar cada parte é sempre uma pequena vitória. Infelizmente, com o desenrolar da campanha um pouco mais longa do que precisava, o jogo se torna meio repetitivo e vai virando uma mistura entre trechos muitíssimo divertidos e outros que são pura repetição.

DOOM pode ser considerado indispensável (quando estiver em promoção) para os fãs de FPS

De qualquer forma, DOOM é muito recomendável para qualquer jogador que curte um desafio e, para os fãs de FPS, eu diria até indispensável (quando estiver em promoção, pelo menos).


PRÓS
  • Gameplay frenético e cheio de ação
  • Poucas palavras e muitas balas
  • Arsenal variado e interessante
  • Ótimos gráficos e trilha sonora
  • Mapas da comunidade
  • Diversos upgrades para as armas e para o personagem
  • Dificuldade satisfatória
CONTRAS
  • Jogo fica um tanto repetitivo
  • Trilha sonora, apesar de ótima, não é muito variada
  • História precisava ser melhor para o tamanho da campanha
  • Multiplayer deserto no PC
  • Construir mapas é lento e nada intuitivo