Com a pressão das operadoras pela mudança no modelo da banda larga no Brasil, passando da limitação apenas de velocidade para a restrição de quantidade de dados utilizados, surge a dúvida: afinal, quanto "gastamos de internet"? Acostumados a viver com "internet infinita", a grande maioria de nós nem tem perspectiva de quantos GB seu PC movimenta, mensalmente.

Artigo: As operadoras podem SIM definir uma franquia de dados para sua conexão - entenda o que isso significa

A pergunta que não quer calar: alguém aí faz alguma ideia de quantos gigabytes de internet consome? 

Coluna: A era do streaming e a necessidade de dimensionar através de franquias 

Para descobrir esse valor desconhecido da grande maioria, decidimos realizar uma experiência. Com um computador realizamos uma série de ações comuns dos usuários, desde aqueles que fazem o básico em um PC, passando por aqueles que consomem muita multimídia e os gamers.

Nesses testes usaremos o GlassWire, um software de monitoramento da rede capaz de verificar a quantidade de dados que trafegam na rede, os aplicativos que estão realizando as transferências e os IPs de onde e para onde os dados trafegam. O software é gratuito, e disponível para download através desse link

Nosso primeiro teste já começa com o grande vilão quando o assunto é consumo de internet: streaming de vídeos. Colocamos para rodar um episódio de 21 minutos no Neflix, e o resultado foram 1,1 GB consumidos para ver um episódio de "Modern Family".

Trocando de plataforma, partimos para o YouTube, assistindo um vídeo incorporado em um site para verificar a diferença que isso pode causar. Com a era do 4K "ali na esquina", também partimos para a resolução 4 vezes superior ao FullHD do primeiro teste e assistimos novamente o mesmo vídeo, agora na "ultra resolução".

CONFIGURAÇÃO PARA O TESTE:

consumo

OBS.:

  • Consumo de banda
  • Resultado medido pelo aplicativo Glasswire

[ Consumo de franquia | Bancada aberta ] Hardwares Comparados: 3

Youtube 20 min FullHD
458

Youtube 20 min FullHD
458

Netflix 21 minutos FullHD
1100

Netflix 21 minutos FullHD
1100

Youtube 20 min 4K
2200

Youtube 20 min 4K
2200



Jogando online
Começamos com um dos grandes vilões em termos de consumo, mas será que só vídeos consomem muitos dados? Nosso segundo teste envolve jogar online: recrutamos Carlos Estrela para mandar ver em uma partida ranqueada de Dota 2. O gameplay levou em torno 30 minutos, desde o processo de abrir o jogo até finalizar a partida (com a derrota de Carlos, considero essa informação relevante), com um consumo de  ao longo de todas as etapas. Um detalhe importante: enquanto jogávamos, o Steam começou o download de um game em segundo plano, e o resultado foi um consumo de 12GB!

Baixar os games em uma era de franquias na banda larga promete ser uma bela dor de cabeça 

Colocando em perspectiva, o tamanho de alguns dos lançamentos mais recentes:


Uso cotidiano
Outro elemento importante na conta do consumo de franquia: nosso uso cotidiano. Monitorei o consumo de internet em 30 minutos de trabalho produzindo conteúdos para o Adrenaline, tanto artigos quanto notícias. Isso inclui muita navegação na web, algum eventual streaming de vídeo, download de imagens e um player do Deezer em ação constantemente realizando a execução de músicas. O resultado é esse aqui:

Não há nenhuma dúvida que, apesar de pouco, o streaming de vídeos novamente é o responsável por muito do consumo da franquia. Aos 20 minutos, quando ainda não havia aberto nenhum vídeo, o consumo não havia atingido 50MB. Ao assistir em torno de 8 minutos de um vídeo, o consumo novamente apresentou um salto. O Deezer em si não foi problema: meia hora de música resultou em um consumo de apenas 14MB.

Perfis de consumidores
Com esses valores voltamos a pergunta: quanto consumimos de franquia? Consideramos os dados do IBOPE, que afirma que o brasileiro passa em média 5,3 horas usando seu computador diariamente, navegando na internet, montamos perfis diferentes de consumidores:

Nessa progressão, teríamos os seguintes consumos mensais (arredondando valores para melhor visualização):

É óbvio que nossa visão é bastante simplificada, e a variação de perfis de uso de computadores torna praticamente impossível definir valores e traçar perfis mais precisos. Porém, nessa nossa projeção rudimentar, já é possível começar a delinear alguns valores. Na falta de um respaldo maior das operadoras, é o que temos no momento.

Conclusão
Não há nenhuma dúvida sobre o que é o maior problema sobre o interesse das operadoras em limitar nossas franquias de internet: a desinformação. O principal discurso é que limitar o consumo de dados iria redimensionar melhor a rede, penalizando em uma ponta o usuário que consome em excesso a banda mas, em contrapartida, sendo mais justo com quem tem um consumo mais controlado de internet. O que torna a ação controversa e até mesmo de má-fé por parte das operadoras é que nós não sabemos quem são essas pessoas, e o que é "consumir demais ou de menos".

Segundo informações do Tecnoblog, o plano da Vivo para implementar franquias contaria com as seguintes franquias:

Considerando nossos testes, que utilizaram o consumo de apenas um computador na rede, que obviamente terá mais dispositivos conectados, fica evidente que os planos com franquias muito limitadas tem potencial de penalizar todos os consumidores. Mesmo o plano da Vivo com maior quantidade de franquia disponível (130GB) pode ser facilmente atropelado em diversos dos perfis que levantamos. O limite de 10GB, inclusive, se torna risível.

A impressão que fica sobre as limitações de franquia é que elas só vão beneficiar as operadoras