Conforme o mundo das unidades de armazenamento vai se afastando dos tradicionais discos rígidos e do já antigo protocolo AHCI, é preciso achar novas maneiras de conectar os SSDs aos nossos computadores. A princípio, a solução mais simples e acessível foi utilizar os conectores PCI-Express (PCIe) das placas-mãe. Mas um outro conector também está se mostrando bastante promissor no uso em SSDs de altíssimo desempenho: trata-se da U.2, tecnologia anteriormente conhecida como SFF-8639.

Como surgiu

Vamos voltar um pouco no tempo para explicar o surgimento do SFF-8639. Em 2009, a Serial ATA Organization (SATA-IO) revelou a mini-SATA (ou mSATA), uma conexão que tinha como principal objetivo permitir o desenvolvimento de SSDs de tamanho reduzido para notebooks e netbooks. Os anos passaram, a indústria naturalmente evoluiu e o padrão SATA III, com sua limitação de 6 Gb/s, já não era suficiente para determinados usos. Com isso, a solução foi desenvolver o padrão M.2 – anteriormente conhecido como Next Generation Form Factor – como um substituto para o mSATA.

Artigo: O que é M.2 e para que serve

Com velocidade máxima de 10 Gb/s, o conector trabalha em canal PCIe Gen2 x4. Depois ainda foi lançado o Ultra M.2, que trabalha em PCIe Gen3 x4, oferecendo até 32 Gb/s. Mesmo assim, todos os SSDs ainda se comunicavam utilizando o protocolo AHCI, que foi criado lá em 2004, com os HDs e a conexão SATA em mente. Ou seja, ela não era otimizada para SSDs nem para a conexão PCIe. A solução foi o Non-Volatile Memory Express (NVMe), novo protocolo que oferece melhor otimização para unidades de memória não-volátil (caso dos SSDs), assim como para a conexão PCIe.

Artigo: O que é NVMe, o padrão do futuro criado especialmente para SSDs

O único porém é que o NVMe só funcionava com SSDs conectados através de canais PCIe. Portanto, até aquele momento, as únicas opções para utilizar o novo padrão eram conectar as unidades no slot PCIe ou utilizar um slot M.2. Só que os operadores de data centers – público-alvo desse tipo de produto hoje – precisavam de uma maneira mais fácil de substituir os componentes dos servidores, de preferência sem desligá-los. A solução foi desenvolver o conector SFF-8639, que desde junho de 2015 se chama U.2.

Ele funciona utilizando padrão PCIe 3.0 x4, mas com a vantagem de se conectar diretamente com o host utilizando um cabo flexível, permitindo a utilização de unidades de armazenamento no formato 2.5". Isso lhe proporciona uma vantagem sobre a conexão SATA Express, que é limitada a apenas 2 linhas PCIe. Além disso, o conector U.2 já está bastante consolidado no universo corporativo, o que costuma ser um sinal de que existe uma boa chance do padrão se sair bem com os usuários domésticos.

Chegando no mercado doméstico

A primeira empresa a tentar comercializar o formato para usuários domésticos foi a Intel, com o lançamento do SSD 750 Series – que também tinha uma opção com conector PCIe – em abril de 2015. A unidade possui, na sua melhor especificação, 2.400 MB/s para leitura e 1.200 MB/s para gravação.

Análise: Intel SSD 750 Series PCIe

Uma barreira que o U.2 encontra, porém, é o alto custo de seus cabos, que – diferentemente dos cabos SATA e SATA Express – consistem de vários pequenos fios protegidos, que aumentam o custo dos dispositivos com o padrão. Outra barreira está no fato de que a maioria das fabricantes de placas-mãe topo de linha está optando por incluir apenas o padrão M.2 de maneira nativa. Há apenas algumas exceções, como é o caso da Asus Maximus VII Extreme que traz o conector nativo, já outras como a Gigabyte GA-Z170X-Gaming G1 trazem um adaptador para uso na conexão M.2. Com isso, quem escolher comprar uma unidade de armazenamento como a Intel 750 Series de 2.5" terá que recorrer a adaptadores, como o da imagem abaixo caso a placa-mãe tenha apenas conexão M.2 e não acompanhe o adaptador:

Conclusão
Saído diretamente do universo empresarial, o U.2 ainda é um padrão muito novo no mercado doméstico para determinarmos qual será a sua utilidade entre nós, meros usuários comuns. Por enquanto, dispositivos do tipo seguem sendo exclusividade de entusiastas de altíssimo desempenho.

Mesmo assim, não podemos ignorar as novidades que o formato traz. Por ser uma combinação (ou extensão) dos formatos SATA e SAS, com até 4 linhas de PCIe 3.0, o U.2 oferece até 2 vezes o desempenho do SATA Express. Para completar o pacote, o novo formato ainda tem a capacidade de tomar total proveito dos novos SSDs NVMe atuais. Mas o quanto isso importa muito pouco para usuários domésticos, que geralmente já têm suas necessidades atendidas por um SSD SATA 3. Se isso vai mudar ou não no futuro, teremos que esperar para ver.