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Lentes, câmera(s), ação: como são feitos os vídeos em 360º

Lentes, câmera(s), ação: como são feitos os vídeos em 360º







Durante a Consumer Electronics Show 2015, em janeiro, a Google revelou que seria possível adicionar vídeos em formato 360º no YouTube, e é claro que esse tipo de mídia já está disponível na plataforma e se tornou uma tendência. Já há até a possibilidade de receber a resolução 8K em vídeos no Youtube, e a rede social Facebook também aderiu à funcionalidade com este vídeo.

Com essa nova opção, os usuários podem assistir vídeos em visão panorâmica no PC, em smartphones ou tablets. Nesses vídeos, o panorama é a melhor forma de reproduzir um ambiente virtual que pode proporcionar a quem está assistindo uma sensação de estar dentro da cena, o que não chega a ser uma realidade virtual, mas apresenta uma experiência muito mais imersiva.

Mas como esses vídeos são filmados e produzidos?
Começamos, primeiramente, a entender esse processo pela fotografia, pois nela usamos o panorama como uma técnica digital que junta as imagens estáticas para que possa mostrar todo ambiente ao redor. Tudo começou em 1957 com o fotógrafo brasileiro Sebastião Carvalho Leme, que produziu a primeira foto em 360º a partir do pedido de um empresário que queria uma fotografia que valorizasse seu prédio localizado entre três esquinas. Para captar essa imagem, o fotógrafo criou a "Máquina Fotográfica 360º" que fez a primeira foto panorâmica completa. Então, os panoramas começaram a ser formados a partir da fusão de diversas imagens, tendo como produto final uma única foto.


Máquina Fotográfica 360

 Aeroporto de Marília - São Paulo - Brasil - Foto 360° de Sebastião Carvalho Leme

Essa tecnologia chegou às câmeras de vídeo, que fazem basicamente a mesma coisa que a máquina fotográfica, mas os invés de captarem imagens estáticas, captam uma sequência de cenas em movimento através de diversos ângulos. Mas capturar um vídeo que possa ser reproduzido em 360 graus não é algo para qualquer câmera digital. É necessário uma câmera com suporte para esse tipo de captura ou acessórios que sejam acoplados em smartphones para transformá-los em uma filmadora panorâmica. Atualmente, há poucos dispositivos do gênero e quase todos estão limitados ao iPhone, por enquanto.

Como esse tipo de vídeo está se tornando popular, o mercado começou a investir apenas recentemente em aparelhos que consigam gravar em 360º. No final da gravação, os vídeos podem ser renderizados e acoplados num só através de um software específico. Algumas empresas usaram métodos e câmeras diferentes para a produção em 360º. 


GoPro Freedom 360 

A australiana Immersive Media foi uma das primeiras empresas a construir um equipamento capaz de gravar vídeos em 360 graus. A câmera que capta todo o material é chamada Dodeca - e é a mesma câmera utilizada pelo Google Street View. São 12 lentes espalhadas ao redor de uma esfera, cada uma cobrindo um ângulo do campo de visão. Os vídeos são mixados e ordenados em tempo real. E exatamente por ter essa capacidade a empresa tinha em mente trabalhar com transmissões ao vivo pela internet.  


Câmera Dodeca

Este vídeo também foi feito pela Immersive Media. A câmera utilizada é capaz de gravar 100 milhões de pixels por segundo (superior a HDTV) a 30 quadros por segundo. O áudio é omnidirecional e é captado através de quatro microfones embutidos. Alguns metadados GPS também podem ser gravados.

Nos primeiros meses que essa tecnologia foi utilizada, a Dodeca 2360 podia ser vendida até US$ 45.000, chegando até US$ 100.00 com montagens e acessórios!

A Kolor é uma empresa especializada em imagens panorâmicas e imersivas. E junto com a Intel, as duas empresas lançaram o primeiro videoclipe 360 graus 4K no YouTube. Para gravar o vídeo, a equipe utilizou seis câmeras GoPro HERO3 + Black Edition 4K montadas em uma plataforma Freedom360. Depois disso, as imagens foram processadas em um computador equipado com um processador Intel Core i7, com chips gráficos Intel Iris. O software Kolor Autopano Video Pro foi utilizado para juntar os vídeos provenientes das seis câmeras e formar o conjunto final. Confira como aconteceu o processo de filmagem.

Entre outras câmeras compatíveis com esse tipo de vídeo temos:

Bublcam (preço anunciado US$799,00)


Aqui o pessoal do TechCrunch mostra como a tecnologia funciona

Giroptic (preço anunciado US$ 499,00)

Allie da IC Real Tech (preço anunciado US$ 599,00)

SP360 da Kodak (preço de varejo aproximado US$ 299,99)

Freedom360 da GoPro (O conjunto pode variar de US$499,95 a US$1.519,95)

Theta da Ricoh (preços de US$299,95 e US$ 349,95)

Ozo da Nokia (o valor ainda não foi anunciado)

A visualização desses vídeos acontece de forma familiar, pois um botão virtual direcional – igual àqueles utilizados no Google Street View – fica no canto superior esquerdo da tela e permite que você navegue por todas perspectivas do cenário. Essa tecnologia é altamente versátil, pois existem várias aplicações para esse tipo de mídia imersiva, como em eventos ao vivo (shows e jogos) ou em passeios virtuais por lugares nunca antes visitados.

Além disso, o som pode ser incorporado ao ambiente virtual dependendo do ponto de vista do usuário no vídeo. Conforme a movimentação do espectador, o som é aplicado direcionalmente para aumentar a imersão. Mas tudo isso faz com que esses vídeos fiquem mais "pesados". Segundo o chefe do projeto no Youtube, Anjali Wheeler, os vídeos em 360 graus consomem até 4 a 5 vezes mais largura de banda que um vídeo tradicional da plataforma.

Curiosidade: Alguns militares também usam essa tecnologia de videos imersivos para aplicar treinamentos mais realistas aos seus soldados

Neste novo tipo de ambiente virtual, o usuário pode aproveitar uma interface que traz diversas tecnologias imersivas. A produção de mídias e transmissões em 360º pode se tornar muito comum futuramente, já que é uma nova maneira dos espectadores interagirem com o ambiente e aproveitar muito mais do que os vídeos têm a oferecer com o passeio virtual. 



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