"The Evil Within" é um dos jogos mais aguardados do ano, principalmente depois das ações de marketing por parte da Bethesda. O jogo criado por Shinji Mikami, o pai da franquia "Residente Evil", foi lançado sob a premissa de ser um dos melhores e mais assustadores games de terror já produzidos.

Mas não é bem assim. O jogo é um misto de survival-horror com ação baseada em script. E os sustos ocorrem com bem menos frequência do que se imaginava: isso porque há bem mais ação no estilo "elimine a horda de inimigos" do que o terror propriamente dito. Isso sem falar nas inúmeras situações inexplicáveis que atrapalham o entendimento da história.

Para piorar, o jogo não traz dublagem brasileira e nem mesmo legendas em português, coisa que atualmente todos os grandes games trazem. Uma pena para o público brasileiro, que atualmente se sente prestigiado pelas grandes produtoras de games. Menos pela Bethesda.



Manicômios + Fantasmas = Terror


Em "The Evil Within", o jogador encarna o detetive Sebastian Castellanos que, ao investigar junto com sua equipe - formada por Kidman e Joseph - uma chacina ocorrida em um manicômio chamado Beacon Mental Hospital, se depara com uma poderosa força maligna. Depois de ver o massacre de colegas policiais, pacientes e médicos, Sebastian é emboscado por um espírito que ele avistara antes, através da câmera de segurança, ficando inconsciente.

Quando acorda, ele se vê em um mundo estranho, onde zumbis e criaturas horrendas vagam por entre os mortos. Diante do terror inimaginável, Sebastian luta pela sobrevivência entrando em uma jornada assustadora para desvendar o que está por trás dessa força maligna.

É uma história típica de terror, que às vezes funciona e outras não: a narrativa é em forma de capítulos não lineares, ou seja, não são em sequência, o que torna mais difícil entender o enredo. Há momentos psicodélicos, neuróticos, atordoantes e até sem pé nem cabeça. Alguns capítulos parecem até sem propósito: a confusão é tanta que o jogador fica sem saber o que fazer e nem o porquê de estar ali. A recomendação é jogar e deixar a história de lado, porque se for parar para entender tudo o que acontece no jogo, enlouquecer é questão de tempo.




Cardíacos, procurem outro jogo


A jogabilidade não é das melhores, mas possui algumas partes interessantes que você verá mais adiante. O jogo é dividido em capítulos, e em praticamente todos eles há momentos em que o jogador precisa de algum item para entrar em alguma área específica. O problema é que nesse momento a mecânica fica básica demais, surgindo hordas de inimigos por todos lados, mesmo que o jogador já tenha matado todos anteriormente. É um script manjado e usado exaustivamente em jogos medianos.

Por exemplo, em um capítulo, era preciso abrir um portão de ferro enorme. Matei todos os zumbis na área externa e também dentro das casas. Faltava achar o chefão que tinha a serra elétrica para pegar a ferramenta e, assim, arrebentar a corrente do portão. Ele estava "escondido" atrás de uma cerca. Passei várias vezes pela cerca e nada acontecia, e sabia que ele estava ali porque dava para ver. Até que parei em um determinado ponto - bem especifico por sinal, porque repeti algumas vezes para ter certeza disso -, e é como se ativasse um "gatilho" para que o monstro iniciasse a rotina, que seria arrombar a cerca e vir para cima.

De fato aconteceu, mas o pior estava por vir: ao me virar para correr, surgiram instantaneamente vários zumbis, justamente os que eu já havia matado e queimado antes. É tudo um script fixo. Refiz outras vezes essa parte, e matando ou não os zumbis antes de "ativar" o chefão, não fará diferença. Isso acontece em vários momentos, e acaba se tornando chato e previsível.

Em outros momentos você verá o chefão em um local e ele não fará nada até que você "limpe" a área toda, e assim acione o momento certo para que ele ataque. É difícil saber se o jogo é realmente assim ou se é algum bug.


O sistema de combate também possui alguns problemas, que aliás são praticamente os mesmos da franquia "Resident Evil": a câmera atrapalha mais do que ajuda. Em vários momentos ela fica literalmente dentro dos inimigos, e isso acaba causando a morte do jogador.

Mas há momentos na jogabilidade onde ela realmente produz tensão e medo. E isso a produtora Tango Gameworks acertou em cheio. Por exemplo, correr seria uma saída normal contra zumbis, afinal eles são lentos. Mas "The Evil Within" não funciona assim. Diferentemente da grande maioria dos jogos, em que o jogador, depois de correr, fica cansado e ai vai mais devagar, aqui simplesmente para e se agacha para recuperar fôlego. Isso demora apenas alguns segundos, mas parece uma eternidade. Literalmente gera um nervosismo e uma angústia absurda porque você quer que ele corra, mas não consegue e ainda fica parado enquanto os inimigos se aproximam. Para piorar, ele só corre durante poucos segundos, e que nunca dá tempo de escapar.

Vale lembrar que há uma espécie de "hospital espiritual", onde upgrades são feitos no personagem principal em uma cadeira elétrica, que inclui um maior tempo de corrida antes de perder o fôlego. Além disso, há aumento na quantidade de vida, de tiros, melhorias em armas, dentre outras coisas. (foto abaixo)


Um visual questionável


Quando foram divulgados os requisitos para jogar "The Evil Within", a ideia que passava era que o game teria um visual absurdo, que seria um divisor de águas. Isso não aconteceu e não chegou nem perto.

Os gráficos não fazem jus aos absurdos requisitos, principalmente pela exigência de um processador i7 e a "recomendação" de uma VGA com pelo menos 4 GB de memória. Nos testes para a review foi usado, de fato, um processador i7 mas com uma VGA de "apenas" 2 GB, e tudo funcionou perfeitamente bem com as opções setadas no máximo.

A engine é a id Tech 5, a mesma usada em "R.A.G.E." e "Wolfeinsten: The New Order", e padece do mesmo problema que até então não conseguiram corrigir definitivamente: os pop-ups de texturas e objetos ao virar bruscamente. Aqui isso acontece com bem menos frequência do que com o controverso "R.A.G.E.", mas não era para acontecer mais, principalmente com os avanços da tecnologia gráfica.



As texturas são na grande maioria em baixa resolução, salvo apenas algumas que a produtora caprichou para dar um maior entendimento ao enredo do jogo e para mostrar entranhas escorrendo pelas paredes ou pedaços de intestino em corpos espalhados pelo chão. Isso fica bem claro quando há sangue em uma parede e tudo é bem definido para mostrar em detalhes a carnificina, enquanto que ao lado, na mesma parede, tudo é borrado. Obviamente que a produtora só se empenhou nas partes que interessam ao jogador, ou seja, ela caprichou apenas em áreas que fazem parte do roteiro. Áreas genéricas são sempre com texturas em baixa qualidade.

Apesar do personagem ser um tanto duro, as animações no geral são boas, tanto dos humanos que aparecem no decorrer da jogatina, quanto dos zumbis e demônios que vagam pelos cenários. Além disso, um fator fundamental para que o clima de terror funcione é o uso exagerado de névoa e a fantástica iluminação. Nesse quesito a Tango Gameworks merece elogios.


É bom que se diga que a produtora optou por fazer um jogo com corte cinematográfico - embora seja pouco usado até em filmes - usando proporção 2.35:1, o que gera duas barras pretas enormes na parte de baixo e de cima da tela.  Isso até funciona caso o jogador use uma TV enorme acima de 42 Polegadas. Caso contrário, atrapalha mais do que ajuda, principalmente jogando em um monitor comum. A solução é usar um comando no jogo que diminui essas barras ou as tira por completo, melhorando bastante a experiência de jogo.


Dublagens deixam a desejar

Para que um jogo de terror passe a sensação de medo e tensão, o áudio é fundamental. Afinal, é o que mais ajuda a criar um clima tenso principalmente em locais escuros e teoricamente vazios. Nesse quesito, "The Evil Within" cumpre seu papel com louvor. Existem momentos que a variação e intensidade do som fazem o medo aflorar, principalmente nos capítulos mais escuros, quando o jogador é guiado apenas pelo som.

Mas nem tudo é maravilhoso. As dublagens, apesar de poucas, são péssimas, destoa totalmente do resto e chega a quebrar o clima em alguns momentos porque simplesmente não combina a entonação da voz com a cena de terror ou tensão do jogo. É totalmente mecânica como se o personagem tivesse lendo um livro.



Conclusão


"The Evil Within" é o típico jogo onde se promete muito e se cumpre apenas parte disso. Não é um jogo ruim, mas é bem aquém do que se esperava, principalmente com a esperança de ser o melhor jogo de terror já produzido.

Há diversos problemas que seriam teoricamente normais em jogos medianos como, por exemplo, diversas texturas em baixa resolução, problemas de câmera que atrapalham bastante a jogatina, problemas de colisão onde você passa por dentro de outros personagens e etc.

Apesar disso tudo, "The Evil Within" cumpre o papel de ser um jogo de terror como qualquer outro. É o inicio de uma franquia, e a Bethesda terá que melhorar vários aspectos para que ela faça o mesmo sucesso de "Resident Evil".


PRÓS
  • Clima assustador
  • Jogabilidade ideal para games de terror
  • Névoa e iluminação
  • Muita variedade de zumbis e demônios
  • Muito sangue e entranhas
  • Relativamente grande
CONTRAS
  • História confusa
  • Texturas bem abaixo do esperado
  • Sem legendas em português
  • Dublagens péssimas
  • Se prepare para morrer centenas de vezes