"The Last of Us" é um dos meus jogos preferidos no PS3. Também pudera: narrativa emocionante, personagens inesquecíveis, combates desafiantes, gráficos incríveis e trilha sonora impactante fizeram deste um dos jogos mais completos e aclamados da sétima geração de consoles. Com esta versão "Remastered", agora no Playstation 4, tudo isso está de volta. O diferencial está no visual mais aprimorado, que agora roda na resolução de 1080p e com desempenho de 60 quadros por segundo. E mais: todos os conteúdos extras já lançados para o título original num único disco (ou na cópia digital) estão aqui.

ANÁLISE: The Last of Us (PS3) 


Mas será que este relançamento vale os R$149 cobrados, principalmente se levarmos em conta que ele foi originalmente lançado há pouco mais de um ano para a geração passada e, acima de tudo, não traz praticamente nenhuma novidade realmente considerável em termos de conteúdo? É isso o que você vai descobrir na análise abaixo.


História, Jogabilidade e Multiplayer

O enredo de "The Last of Us Remastered" é exatamente o mesma do jogo original. Sem revelar detalhes demais para evitar spoilers, a história conta como Joel, o protagonista, recebeu a missão suicida de levar urgentemente Ellie a uma determinada área de pesquisas, tudo porque a garotinha pode ser a chave para a cura da pandemia misteriosa que dizimou os Estados Unidos nas últimas duas décadas. Esta é a premissa de uma das mais emocionantes, tocantes, desoladoras e completas narrativas sobre o surgimento de uma amizade improvável que sobrevive às mais perigosas situações num universo pós-apocalíptico sem precedentes.

A única "novidade" aqui é que a DLC "Left Behind" está inclusa no mesmo disco sem custos adicionais e está disponível para ser jogada de imediato; ou seja, não é necessário completar a campanha principal para liberá-la. Vale muito a pena jogá-la para contextualizar melhor os acontecimentos do game principal.

ANÁLISE: Left Behind - DLC é obrigatória para fãs de TLoU


Com pequenas alteração em relação ao jogo original, a jogabilidade de "The Last of Us Remastered" ficou ainda melhor. As funções de mirar e atirar, antes atrelados aos botões L1 e R1, respectivamente, no PS3, agora foram para os botões L2 e R2, respectivamente, do PS4. Já as funções de correr (sprint) e de escutar os ruídos dos inimigos saíram dos esquisitos gatilhos L2 e R2 do PS3 para, respectivamente, os botões R1 e L1 no PS4. As diferenças nos novos comandos trazem a clara sensação da jogabilidade ter se tornado mais intuitiva e pensada para desempenhar respostas mais ágeis pelo jogador.

E só pelo fato dos dedos indicadores não mais escorregarem pelos novos gatilhos do PS4 e não mais colocarem tudo a perder em uma das várias situações de desespero, estas mudanças definitivamente são muito bem-vindas. Fora isso, tudo continua exatamente como antes, exceto pelo acesso do menu de criação de itens (crafting) que, agora, é feito pressionando o touchpad do controle do PS4.

O multiplayer online também retorna inalterado. São dois modos, Supply Raid e Survivors e, felizmente, nenhum deles se apoia na padronização típica de outros jogos de tiro em que matar desesperadamente é o objetivo máximo na busca pelos maiores placares e pelos equipamentos mais poderosos. Sim, isso também existe aqui, mas vencer não é a premissa principal: acumular mantimentos para manter a sobrevivência da sua facção virtual é que é.


A cada rodada o jogador vai ganhando novos recrutas a sua base e, ao término das partidas, precisa ter juntado itens suficientes para manter seu grupo estável, saudável e livre de doenças. De vez em quando, aparecem desafios específicos que ajudam o jogador a manter seu esquadrão na ativa ou, caso falhe em cumpri-lo, completamente dizimado, no pior dos casos. Estratégia e cooperatividade com outros parceiros online é crucial para se dar bem. Fora isso, a "novidade" fica por conta dos DLCs "Abandoned Territories" e "Reclaimed Territories", que trazem novos mapas e prolongam a vida dos tiroteios online.    

Gráficos e Áudio 

O que já era impressionante no PS3, ficou ainda melhor no PS4. Os gráficos de "The Last of Us Remastered", o pretexto máximo deste relançamento, foram remasterizados à resolução de 1080p e desempenho de 60 quadros por segundo. O resultado desta diferença em relação ao videogame antigo é notada assim que as primeiras cenas começam a rodar: fluidez mais natural na jogabilidade, iluminação e texturas bem mais apuradas, detalhes ainda mais impressionantes na modelagem nas cenas da história e cenários com partículas e renderização em tempo real ainda mais imponentes. Tudo isso ajuda ainda mais na imersão do jogador com a experiência pós-apocalíptica e claustrofóbica proposta pelo jogo. 


É válido ressaltar, entretanto, que acontecem esporádicas quedas nos frames e pop-in de objetos durante a jogatina. São bem raros de acontecer e não atrapalham em absolutamente em nada a experiência, mas são perceptíveis e a remasterização não está livre destes pequenos problemas. Embora o primor técnico do título seja indiscutível, talvez tenha faltado aqui um pouco mais tempo para fazer ajustes finais e um certo esmero para melhor otimizar a programação técnica e gráfica do jogo com as capacidades do PS4, considerando que a Naughty Dog mesmo afirmou que apenas arranhou a superfície de processamento do novo console.  

Na parte de áudio, o game faz questão de ressaltar o silêncio absoluto em boa parte da aventura. Afinal, a proposta aqui é se envolver com os efeitos sonoros que dão vida aos diversos cenários e denunciam a presença de possíveis ameaças localizadas nas áreas mais imprevistas. A belíssima trilha sonora só aparece mesmo em ocasiões muito específicas. Por exemplo: quando chegamos a um novo local extremamente desolador cuja beleza dos cenários e significado das cenas do enredo devem ser ressaltados simultaneamente, ou quando algum acontecimento trágico é mostrado em virtude da morte imprevista de algum personagem ou, ainda, quando se está numa fuga desesperada para poder salvar a vida do protagonista. Somado a isso, as interpretações em inglês (a dublagem em português é boa também) dos personagens são primorosas e completam o envolvimento do jogador com a trama. 


Considerações

Na geração anterior ou jogando pela primeira vez agora, não há como negar que "The Last of Us" é uma uma obra de arte eletrônica que se apresenta praticamente impecável em todas as frentes possíveis (enredo, jogabilidade, gráficos, áudio e multiplayer). Fãs do game original ou novatos vindos de outras plataformas para o PS4 que nunca tiveram a oportunidade de jogá-lo ou que queiram um título AAA em meio à fraca safra de exclusivos no novo console da Sony, aqui está uma excelente oportunidade para reviver ou conhecer uma das melhores aventuras dos últimos tempos.

O problema, contudo, começa quando pensamos no preço do game (R$149) e quais realmente são as novidades presentes neste relançamento. Além das óbvias melhorias gráficas, da inclusão do Photo Mode e dos DLCs no mesmo pacote, não há absolutamente nenhuma novidade que diferencie este do jogo original. É exatamente o mesmo jogo do ano passado, com as mesmas DLCs e o mesmo conteúdo. Sem mais nem menos. Para quem já tem o título no PS3 e agora está no PS4, então, a situação se grava um pouco mais: aqui desaparece o aspecto novidade e, por isso, defendo que deveria haver alguma espécie de incentivo, como desconto ou programa de upgrade, que tornasse esta compra mais justificável, menos oportunista e, sobretudo, justa.

Mesmo assim, considero que "The Last of Us Remastered" é praticamente uma compra obrigatória para os fãs e uma excelente aquisição para os novatos, sendo também um dos melhores jogos exclusivos disponíveis entre todos os sistemas desta nova geração de consoles.


PRÓS
  • Narrativa impactante + personagens inesquecíveis
  • Reajustes nos controles muito bem-vindos + jogabilidade mais fluida
  • Combates sempre desafiantes e divertidos + muitos colecionáveis
  • Parte técnica impecável: gráficos ainda melhores (1080p e 60fps) e som primoroso
  • Multiplayer online prolonga diversão
  • 4 DLCs inclusos
CONTRAS
  • Preço podia ser mais em conta para quem já tem no PS3
  • Alguns trechos da campanha são excessivamente lineares