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Entenda o Bitcoin, as "cripto-moedas" que vieram pra ficar, e saiba como usá-las

Entenda o Bitcoin, as "cripto-moedas" que vieram pra ficar, e saiba como usá-las

08/04/2014 19:33 | | @joao_gan | Reportar erro

08/04/2014 19:33 | | @joao_gan | Reportar erro





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As bitcoins têm sido muito faladas ultimamente, mas pouquíssimo entendidas. Desde seu surgimento, a "cripto-moeda" já foi enaltecida como a "moeda do futuro" (o que é um exagero) e já foi comparada com esquemas de pirâmide, como a Telex Free (o que simplesmente não tem nada a ver). Então vamos com calma para entender o que são essas tais moedas misteriosas e descobrir até se você pode usá-las para o seu ganho.

Conhecendo o Bitcoin

Antes de mais nada: "O Bitcoin" = quando se refere ao sistema, à tecnologia. "As bitcoins" = quando falamos de cada moeda, como unidades. 

Criada em 2009 por um homem chamado Satoshi Nakamoto, a tecnologia Bitcoin é descrita como "um sistema de pagamento p2p (peer-to-peer)". Isso significa que um usuário consegue transferir dinheiro para o outro de maneira direta, sem intermédio de bancos e outros meios de regulação, que geralmente acabaria por taxar todas as transações. Para garantir a segurança dos investimentos, a moeda digital é protegida por criptografia, daí o apelido "cripto-moeda". - Falando em cripto (escondido), o tal Nakamoto nunca foi encontrado para entrevista. A Newsweek jura que conseguiu, mas seu entrevistado nega sequer ter ouvido falar das moedas...

Mas como surgem as bitcoins? Não existe um órgão ou uma empresa destinada à manutenção e fabricação do Bitcoin, já que a principal proposta dela é ser completamente aberta à comunidade. Por isso, as moedas são geradas através de um processo apelidado de "mineração". Usuários com máquinas potentes oferecem seus computadores para ajudar no processamento das transações, além de regular e verificar os pagamentos que são feitos. Como remuneração por este trabalho de seus computadores, estes usuários recebem bitcoins. Mas há um limite no número de bitcoins geradas ao longo do tempo, o que significa que quanto mais máquinas "minerando", mais difícil é você conseguir uma moeda. Este processo é necessário para que não aconteça uma fabricação exagerada de bitcoins, o que causaria perda de valor da moeda (inflação). Hoje existem cerca de 12,5 milhões de bitcoins em circulação, num valor total de mais de US$ 1,5 bilhões. Os usuários guardam suas bitcoins em contas em servidores especiais, chamadas de “carteiras quentes”, ou virtuais (hot wallet).

E falando em valor, a cotação do Bitcoin, no momento, é de R$ 1.100 (visualizado em 08/04/2013, às 8h25) por apenas uma moeda. O Bitcoin é o que se chama uma "moeda fiduciária", o que significa que seu valor não está atrelado a nada, e depende apenas do quanto as pessoas estão dispostas a pagar por ela, a famosa "lei da oferta e da procura". Isso tem feito com que o valor dessa cripto-moeda tenha amplas flutuações, diferenças grandes no seu valor do dia pra noite, e é aqui que entram os "especuladores".

Bitcoin para você

Muito embora os maiores entusiastas do Bitcoin insistam para que as pessoas usem a cripto-moeda como dinheiro mesmo, é na compra e venda de bitcoins (como se fossem ações) que tem sido movimentado o maior orçamento. O site brasileiro Bitcoin To You é especializado em ajudar as pessoas comuns, não acostumadas com mercados de ações, a comprar e vender bitcoins. A empresa já movimenta quase R$ 1 milhão por mês em bitcoins e conta com aproximadamente 4 mil usuários.

Andre Horta, um dos gerentes do site, acredita que o brasileiro é antenado em novas tecnologias e atribui a isso o crescimento do site. Horta teve seu primeiro contato com o Bitcoin como especulador e depois decidiu criar uma startup para mexer com a moeda. O site está agora trabalhando numa nova plataforma voltada para o comércio varejista, para que lojas brasileiras passem a aceitar o Bitcoin como pagamento. Se a plataforma de fato deslanchar, vai ser determinante para uma popularização ainda maior da moeda aqui em território nacional, conforme compradores comuns começarem a encontrar cada vez mais lojas anunciando que aceitam bitcoins para pagar suas compras.

O outro lado da moeda

Muitas das lojas que aceitam o Bitcoin, entretanto, pertence à Deep Web. Lembra, aquela “internet secreta” cheia de lojas com serviços ilegais? As transações com a cripto-moeda não são reguladas e podem ser feitas de maneira anônima, isso permite a compra e venda de produtos ilícitos de maneira quase impossível de ser rastreada. Outro uso que as bitcoins podem ter, nesse sentido, é para a lavagem de dinheiro. Não é à toa que alguns países, como a China, a Rússia e o Canadá, por exemplo, não estão muito receptivos com a tecnologia. Os russos chegaram a proibir o uso da cripto-moeda em território nacional.

Outro aspecto complicado na opção por bitcoins é a possibilidade de ataques de hackers. O Flexcoin, banco canadense para abertura de carteiras e transações com as moedas, chegou a fechar depois que teve 896 bitcoins roubadas por hackers. O Mt. Gox sofreu ataque parecido e declarou a falência, mas, mais tarde, surgiram suspeitas de que, na verdade, os próprios donos do site teriam roubado as moedas. Usuários hackearam a conta de um dos gerentes do Mt. Gox, Mark Karpele, no Reddit, e postou a imagem abaixo, que mostra retiradas feitas por ele mesmo. Karpele afirmou que a imagem seria falsa. 

O veredicto

Vá com calma antes de sepultar a moeda embaixo das dúvidas sobre sua regularidade, mas também não corra para adotá-la como “moeda do futuro”.

É cedo demais para determinar o fim ou o futuro próximo do Bitcoin. Assim como explica o Professor Pedro Felipe de Abreu, a parte da ilegalidade pode ser regulada na abertura de carteiras virtuais da moeda. Não é possível regular as transações e os produtos comprados e vendidos, mas é possível regular a abertura das carteiras, exigindo o registro em órgãos oficiais de fiscalização, por exemplo, e assim delimitando qual carteira é de quem.

Ainda segundo o Professor Abreu, o Bitcoin não tem tanto potencial ao ponto de alterar o sistema econômico mundial, justamente por não ser regulado. A moeda é instável demais, baseando-se apenas na confiança dos usuários nela para sua valorização, ficando assim dependente da vinculação a sistemas mais tradicionais de transação.

Mas se os países seguirem a tendência iniciada pelos EUA, as regulações em cima do Bitcoin serão a favor da manutenção do seu sistema. A terra do Tio Sam resolveu que as cripto-moedas não são dinheiro, mas sim, produtos, o que, na verdade, é bom para o sistema das bitcoins, já que elas não estarão sob a mesma legislação de sistemas monetários, podendo ter mais “liberdade” em suas transações. Não duvide de, no futuro, grandes bancos abrirem sistemas de carteiras virtuais para seus correntistas, inclusive.



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