Pode-se dizer que "Rambo: The Video Game" é uma aula de como NÃO fazer um jogo baseado em uma franquia. Uma pena que seja assim, mas é exatamente isso o que define o game. O único destaque razoável é o fato dele usar as falas e a trilha sonora original dos três primeiros filmes, com o tema de abertura de "Rambo". E para por aí, porque até nisso a qualidade é duvidosa. Todo o resto também é péssimo: da jogabilidade por vezes lenta e com lags no uso do mouse até à quantidade absurda de "inimigos gêmeos" na tela.


História


Meus pêsames

Uma história sem criatividade. Alias, a única coisa criada pelos produtores foi a morte de Rambo. E não se preocupe! Não é spoiler, porque o jogo já começa assim, no funeral de John Rambo. O jogo todo é um flashback em que um general vai contando as "peripécias" de Rambo no decorrer dos três primeiros filmes da franquia (cadê o quarto e mais recente filme?). Ou seja, o jogo é literalmente o filme, sem tirar nem por.

Os produtores optaram por recriar várias das célebres cenas dos filmes clássicos, desde a destruição da delegacia com uma metralhadora .50 até o resgate de um soldado americano prestes e ser executado.


Jogabilidade

Headshot, uhuuu!!

"Rambo: The Video Game" traz uma jogabilidade quase extinta. Trata-se daquela na qual o jogador apenas usa a mira da arma e por vezes uma tecla para agachar. Ou seja, o jogo é totalmente "sobre trilhos", sem liberdade de movimento.

Já foram lançados jogos que usam a mesma jogabilidade, mas esse tipo de jogo só fez sucesso em épocas longínquas. Em um mundo onde os jogadores exigem cada vez mais liberdade nos games, lançar um jogo assim e com qualidade duvidosa é praticamente um suicídio. Vale lembrar que o jogo em questão ainda usa uma marca de sucesso dos cinemas, que possui muitos fãs. Principalmente dos três primeiros filmes da franquia.

Juntando tudo isso, cabe uma pergunta: por que lançar um jogo de ação da franquia Rambo dessa forma, uma franquia que, com toda certeza, geraria uma expectativa imensa por parte do público?

Falando na jogabilidade em si, ela é bastante repetitiva no quesito desafio e inimigos (você verá mais sobre isso na parte gráfica). Além disso, o jogo possui um fator replay zero. Os inimigos aparecem sempre no mesmo lugar e da mesma forma. Para se ter uma ideia, se o jogador morrer e repetir a missão duas ou três vezes, já será possível decorar, e assim prever onde os inimigos vão aparecer. Isso destrói totalmente o fator desafio, que já era praticamente nulo.

Quem está acostumado com jogos de tiro no PC com o uso preciso do mouse, vai estranhar um pouco. Nos testes para a review, o mouse se comportou lento em algumas missões e com um pequeno lag, quase que imperceptível, mas que em jogos onde o mouse é fundamental, acaba se tornando um problema enorme.

Curiosamente, em algumas missões o mouse se comportou bem melhor. A causa dessa variação é bem clara: o jogo parece ter tido feito para console, ou seja, feito para usar um controle. Então esse Lag do mouse em algumas missões é devido a uma emulação do uso do controle, o que definitivamente estraga ainda mais a jogabilidade no PC.

Aqui não existe muita agilidade. Por mais que você movimente o mouse de forma rápida para mirar em algum inimigo, ele se movimenta de forma limitada. Muito parecido com o movimento de um controle.

Tirando um pouco essa questão de "sobre trilhos" e o uso do mouse, "Rambo: The Video Game" traz ainda algumas partes onde a jogabilidade muda um pouco, tornando-se QTE (Quick Time Events). Nesse modo, que são poucos, o jogador tem que apertar certas teclas no tempo exato em que elas aparecem na tela. Acertando, a cena prossegue de forma correta dando sequência ao game. Se errar, apertando rápido demais ou lento demais, Rambo pode ficar ferido e/ou até morrer direto.


O jogo possui ainda um sistema simples de upgrade (skills e perks), que permite o jogador aprimorar a reação de John Rambo, além de algumas características relacionadas as armas e acessórios, e ainda aumentar a capacidade de energia.

Falando nos perks, parece que os produtores não batem bem da cabeça. Uma dessas opções adiciona uma característica que simplesmente "elimina" qualquer possibilidade de erro nos modos de QTE. Desafio zero, basta sentar e assistir.


Gráficos

John Rambo atuando em The Walking Dead

À primeira vista, o visual do game parece bonito, bem apresentável para o tipo de jogo. Mas depois que o jogo começa realmente, percebe-se que é tudo artificial demais. Personagens com aparência plastificada, texturas em baixa resolução e por vezes animações robóticas e repetitivas. Algumas vezes os efeitos de luz mascaram os problemas e acabam deixando o visual bonito, como nas missões noturnas. Tanto na perseguição na cidade quanto na floresta, as luzes fazem um belo trabalho deixando tudo mais vivo e detalhado.

Apesar de não serem, os gráficos passam a ideia de pré-renderizados devido à jogabilidade fixa, sem liberdade. Mas isso não é o maior problema de "Rambo: The Video Game", mas sim ser muito repetitivo no que diz respeito aos inimigos. Em algumas missões, eles são praticamente todos iguais. A repetição exagerada irrita bastante.

Apesar dos problemas, os gráficos trazem algo de bom: a quantidade de coisas na tela é enorme. Em alguns momentos, o cenário é lotado de coisas na tela para serem destruídas, o que torna o jogo um pouco mais divertido. Mas não se engane: mesmo assim, as coisas são destruídas sempre da mesma forma. Por exemplo, na parte onde John Rambo destrói a delegacia, as paredes, o letreiro, as janelas e portas possuem sempre a mesma animação. Ou seja, sempre que você acertar um tiro em tal objeto, ele reage da mesma forma, com a mesma cena de destruição.



Áudio

O que dizer de um áudio onde todos os diálogos foram retirados dos três primeiros filmes da franquia Rambo? Seria muito interessante se tivesse uma qualidade aceitável, diferentemente da qualidade precária da época.

Mas não foi isso que aconteceu. O áudio das falas parece estar em mono, sem nenhum tipo de equalização A impressão que passa é que não houve nenhuma tentativa de se remasterizar o som. Obviamente que para os americanos, o uso do áudio original dos filmes pode ser melhor aceito, trazendo uma sensação de nostalgia ímpar.


Imagina se "Rambo: The Video Game" fosse lançado com a dublagem brasileira clássica? Para quem viveu a época, seria um sonho. Mas para nós brasileiros, o que resta de nostalgia é a trilha sonora, que se mantém fiel aos filmes originais. Mesmo com a qualidade aquém do esperado, de fato é bem legal ouvir as músicas reais dos filmes, incluindo a clássica trilha de abertura.


Conclusão


Parece que "Rambo: The Video Game" foi feito apenas para constar. Fica claro que sucesso ele não fará, até porque o game é abaixo do mínimo aceitável para qualquer jogo com pretensão de sucesso. Imagina então usando uma franquia de peso, como a de "Rambo"? É difícil chegar à uma conclusão sobre o por quê de lançar um game assim.

O jogo é curto, com fator replay zero, com gráficos por vezes feios, jogabilidade duvidosa, áudio com qualidade de "filme anos 80" e sem multiplayer online. "Rambo: The Video Game" deve agradar apenas aos fãs ferrenhos da franquia "Rambo", que idolatra o "herói". Uma pena, porque a série tinha um potencial enorme para um game de sucesso.


AVALIAÇÃO:

História

5.0

Jogabilidade

6.0

Gráfico

3.5

Áudio

5.0

Nota final

PRÓS
  • John Rambo
  • Destruir alguns cenários é divertido
  • Falas originais dos filmes
  • Trilha sonora original
  • Reviver cenas clássicas é bacana
CONTRAS
  • Jogabilidade instável
  • Jogo curto
  • Gráficos de duas gerações passadas
  • Áudio sem qualidade
  • História banal e previsível
  • Multiplayer local é bem confuso
  • Fator replay zero