O Moto X veio para atender a uma grande expectativa: o lançamento do primeiro smartphone em colaboração entre o Google e a Motorola, desde a aquisição da fabricante. Enquanto se esperava um top de linha com especificações no nível de um Galaxy S4, o que vemos é um aparelho intermediário. Isso na teoria. Na prática, é um dos melhores Androids que já testamos – com funcionalidades extras úteis, na medida certa, sem firulas.

O preço, inicialmente, desagradou. Anunciado em território nacional a R$1,8 mil, recentemente o smartphone passou por um reajuste. Agora, pode ser encontrado por R$1,5 mil, preço praticamente equivalente ao praticado nos EUA.


Certamente, não é um preço comum para smartphones intermediários. Alguns, realmente bons, podem ser encontrados por algo entre R$750 e R$900. Mas, acredite, o Moto X é bem mais do que isso. Seu hardware é mais do que suficiente e, em conjunto com um belo design e uma experiência de usuário incrível, mostra que a Motorola aprendeu a fazer um aparelho matador.

Vídeo-análise, especificações e comparativos

Dimensões: 129.3 x 65.3 x 10.4 mm
Peso: 130g 
Tela: 4.7" AMOLED 720x1280
Memória: 16/32GB de armazenamento, 2GB de RAM
Cartão SD: Não
WLAN: Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac, dual-band
Bluetooth: 4.0 com A2DP, LE e EDR
NFC: Sim
DLNA: Sim
HDMI: Não
MHL: Sim
USB:  microUSB 2.0
Câmera traseira: 10M, autofoco, flash LED
Vídeo câmera traseira: 1080p@30fps
Câmera frontal: 2MP
Sitema operacional: Android 4.2.2 (Jelly Bean)
CPU: Qualcomm Snapdragon dual-core de 1.7GHz
Sensores: Acelerômetro, giroscópio, proximidade, bússola, barômetro, temperatura
GPS: Sim, A-GPS e GLONASS
Bateria:  Li-Ion 2200 mAh



Moto X
Galaxy S4 (quad-core)
Lumia 925
Processador
Snapdragon dual-core 1.7GHz
Snapdragon 600 quad-core 1.9GHz
Snapdragon dual-core 1.5GHz
Armazenamento
16/32GB 
16/32/64GB + slot microSD 
16GB 
Memória RAM
2GB
2GB
1GB
Sistema operacional
Android 4.2.2 (Jelly Bean)
Android 4.2.2 (Jelly Bean)
Windows Phone 8
Câmeras
Traseira 10MP / Frontal 2MP
Traseira 13MB / Frontal 2MP
Traseira 8 MP / Frontal 1.3MP
Tela
AMOLED 4.7"
Super AMOLED 5'
AMOLED 4.5'
Dimensões
129.3 x 65.3 x 10.4 mm
136.6 x 69.8 x 7.9 mm
129 x 70.6 x 8.5 mm 
Peso
130g
130g
139g
Bateria
Li-Ion 2200 mAh
Li-Ion 2600mAh
Li-Ion 2000 mAh
LTE



HDMI



Preço (02/10/13) R$1.349 R$1.784 R$1.799

Design e tela

O Moto X tem um dos designs mais legais já feitos pela Motorola. Com bordas bem arredondadas e praticamente sem espaços “inúteis” na parte frontal, o dispositivo dá espaço o bastante para a tela de 4,7 polegadas. Isso significa que o telefone, embora tenha uma tela grande (do mesmo tamanho do Lumia 625), o aparelho em si não é gigantesco. Pelo contrário. Ele é bastante compacto e leve, com 10,4mm e 130g, bastante confortável de segurar.

A parte traseira é parecidíssima com Kevlar, mas, segundo a Motorola, trata-se apenas de um plástico resistente. É um material que realmente passa confiança, discreto e que, com acabamento fosco, não acumula sujeira e tampouco é escorregadio. A tampa, no entanto, não é removível, o que pode trazer alguma dificuldade ao lidar com eventuais travamentos do Android. Não que isso vá ser um problema. Durante nossos testes, o sistema se comportou 100% bem o tempo inteiro.

Não há expansão para cartão microSD, mas a memória interna de 16 ou 32GB, dependendo do modelo, é suficiente. Para inserir o chip SIM, há uma “gavetinha” que deve ser aberta ao introduzir um pequeno objeto pontiagudo, assim como ocorre nos últimos iPhones. Não é a melhor escolha, já que o acessório incluso pode ser facilmente perdido e nem sempre existe uma alternativa viável ao alcance.

A tela, protegida por Gorilla Glass, ocupa praticamente toda a área frontal. Inclusive, as bordas laterais são minúsculas e a cor do display, quando apagado, coincide com elas, de forma que o smartphone pareça apenas uma tela gigante. É um efeito muito bonito, que já vimos em alguns modelos da linha Xperia, por exemplo.

Além do tamanho avantajado, a resolução é excelente. São 720 x 1280 pixels, o que dá uma densidade de 312ppi. Isso significa que você não conseguirá ver pixels aparentes e que os ícones e fontes são exibidos de forma natural, suave. É possível navegar por várias páginas web sem necessariamente dar zoom para ler, o que é o caso do próprio Adrenaline. 

Além disso, a experiência é excelente. A tela não é excessivamente lisa e sequer suja com facilidade – algo que acontecia muito em outros aparelhos da marca. Ela é fácil de limpar e desliza suavemente. A transição entre as telas é rápida e sempre ocorre sem engasgos. É a melhor experiência que tivemos em um smartphone Motorola.

Câmeras e multimídia

As câmeras nunca foram exatamente o forte dos smartphones da Motorola, mas o Moto X mostra que a companhia está aprendendo um pouco com os erros. Com 10 megapixels, a câmera traseira se sai bem em ambientes ao ar livre e muita iluminação natural, praticamente sem ruídos e com cores fieis e ótimo contraste.

Fotos internas, mesmo com boa iluminação artificial, tendem a ficar bem piores, com granulação, e um tanto escuras demais. À noite, é um problemão, mas o Moto X, nesse aspecto, parece um pouco melhor que modelos anteriores da marca. Ativar o modo HDR ajuda um pouco as fotos noturnas a ficarem um pouco mais bonitas, mas o aparelho está longe de fazer “milagres” como o Lumia 920, por exemplo.

A grande sacada da câmera é a possibilidade de ativá-la rapidamente, sem precisar tocar em nenhum botão e nem desbloquear a tela do telefone. Basta pegá-lo e repetir três vezes um movimento semelhante ao de girar uma maçaneta, como mostramos na nossa vídeo-review. Isso é ótimo para momentos em que você precisa tirar uma foto rapidamente e não precisa ligar o telefone, desbloquear e procurar o app da câmera. Mas o movimento poderia ser mais intuitivo.

O Moto X filma em HD a 30fps, mas, apesar disso, a filmagem decepcionou um pouco. Não por causa da qualidade da imagem, que é bastante decente. Mas a estabilização é péssima, o que resulta em vídeos bastante tremidos por mais que você se esforce em manter as mãos firmes.

A câmera frontal, com 2 megapixels, é mediana. Apresenta um ótimo nível de nitidez e detalhes, mas peca nas cores e no contraste. O resultado final é sem vida e com cores “desmaiadas”.

Faltaram novidades na parte musical, com um player simples e sem grandes atrativos. A reprodução de vídeos, no entanto, é excelente: o Moto X roda FullHD numa boa e sua tela de 720 x 1280  com 4.7’’ o torna ideal para isso. O som é surpreendente – foi possível ouvir de outra sala. Os alto-falantes são realmente super potentes.

Funcionalidades e desempenho

O Moto X se destaca de qualquer outro aparelho por vir com recursos que só ele tem. E que não são perfumarias ou coisas que você dificilmente irá usar. Não é uma quantidade tão grande de extras como o Galaxy S4, por exemplo. Mas uma coisa é certa: tudo o que ele tem de “plus” se mostrará útil em várias situações.

A principal delas é o assistente pessoal com reconhecimento de voz, graças ao Google Now. O Moto X está sempre pronto para atender ao seu dono, sem a necessidade de apertar nenhum botão. É só dizer “OK, Google Now” para que o telefone acenda e pergunte o que você quer.

É parecido com o Siri dos iPhones. Você pode, por exemplo, fazer perguntas como “qual é o jogo mais vendido deste ano” ou “qual a produtora de Final Fantasy” para que o Google Now procure no Google e devolva imediatamente a resposta para você. 

Funciona bem melhor que o S Voice do Galaxy S4, que tem um sotaque um pouco estranho e tem alguma dificuldade em entender algumas palavras. O Google Now no Moto X tem suporte completo ao português e oferece uma interação bem natural, com reconhecimento bastante preciso das frases. Ele só não tem tanta “personalidade” quanto o Siri e ainda carece de algumas funções, como a busca por tweets e abrir apps. Mas funciona espetacularmente bem para oferecer informações sobre o trânsito, algo que, ao meu ver, é a principal utilidade de poder interagir com o telefone sem usar as mãos.

O Moto X também facilita a sua vida ao exibir mesmo na tela desligada o horário atual e algumas notificações, como o recebimento de e-mails, chamadas perdidas ou torpedos SMS – algo que compensa a falta do LED indicativo. Basta tirar o telefone do bolso, da bolsa ou de cima da mesa, por exemplo. Ele detecta esse movimento e “acende” na tela apenas essas informações, algo que também ajuda a economizar bateria – você não vai precisar ligar a tela do aparelho o tempo todo para visualizar esse tipo de informação.

Por falar na bateria, tivemos bons resultados com o Moto X. Como qualquer smartphone, dificilmente ele vai durar mais de dois dias, mas em uso médio, com uso eventual de Wi-Fi e 3G, câmera e vídeos, ele conseguiu aguentar mais de um dia inteiro. Inclusive, o smartphone se manteve vivo por algumas horas após o aviso de “bateria fraca”, o que permitiu passar um bom tempo pelo menos dando uma olhada nas notificações e no horário. Até foi possível usar a câmera para capturar meia dúzia de fotos nesse período. O Moto X, certamente, é guerreiro.

O desempenho surpreendeu positivamente. Apesar de um hardware médio se comparado a “monstros” como o Galaxy S4, o Moto X tem respostas ágeis, navegação fluída e roda sem dificuldades jogos e vídeos em FullHD. Não há travamentos, mesmo após longos períodos de uso. E até os apps de benchmark alertaram para o poder do brinquedinho: o 3DMark recomendou o uso do Ice Storm Extreme, uma vez que o teste normal era considerado fraco demais para o aparelho da Motorola.

Nesse teste, ele cravou pouco mais de 7 mil pontos, mais que o próprio Galaxy S4. No AnTuTu, foram 21,4 mil, um pouco atrás do smartphone da Samsung.

Isso mostra que um smartphone não precisa ter processadores quad ou octa-core para apresentarem uma excelente performance. E nem custar muito caro. O Moto X pode ser encontrado por pouco mais de R$1,3 mil, o que o torna o melhor custo-benefício do mercado para quem procura um aparelho com desempenho top. Falta só o Moto Maker para a experiência ficar completa. Recomendadíssimo.


PRÓS
  • Desempenho matador
  • Excelente reconhecimento de voz
  • Notificações e horário na tela sem precisar apertar nenhum botão
  • Câmera ativada por gestos
  • Tela grande e com ótima resolução
CONTRAS
  • Falta o Moto Maker no Brasil
  • A câmera ainda precisa melhorar, especialmente em fotos noturnas
  • Faltou uma carcaça de Kevlar - o material usado não ficou muito claro