Tecnologia

Vale a pena um notebook gamer?

20/05/2012 08:00 | | @twitter







Diego Kerber

Vida Digital

Há muito tempo a tecnologia é ditada pela portabilidade. Mercados como os ultraportáteis, os SoC (sistemas em um chip) e smartphones são exemplos de como nossos gadgets ficam cada vez menores. Quando falamos de hardware para games, porém, sempre que publicamos notícias por aqui de notebooks de alta performance, os comentários são controversos. Afinal, vale a pena ter um notebook com perfil para jogos?


Muita potência costuma ser acompanhada por muito peso

Enquanto muita empresas encolhem cada vez mais seus produtos, o público gamer traz um desafio muito maior que o enfrentado na produção de computadores para a maioria do mercado. Um exemplo é os Ultrabooks, onde a Intel usa seus processadores com chip gráfico integrado à CPU para conseguir entregar uma boa performance com um aparelho que ocupe o mínimo de espaço. O problema aqui é que o desempenho do HD Graphics 3000 (e mesmo o 4000) é bom para quem quer filmes em FullHD e alguns games casuais, mas não empolga quem conta potência em frames por segundo. Starcraft 2 rodando nas configurações mínimas não arranca sorrisos de gamers, muito menos o F1 2011 "jogado" em reprodutor de vídeo.

Se queremos agradar um público que exige qualidade gráfica alta, precisamos de chips mais potentes, e é aí que começa o problema. As GPUs (Graphic processor unit, o chip que processa os gráficos) mais potentes trabalham em frequências mais altas, exigem mais potência e, como resultado disto tudo, esquentam mais. Por esquentarem mais, precisam de soluções térmicas melhores, que ocupam mais espaço. Não tem como enfiar uma Radeon HD 6970M em dois centímetros de altura, muito menos uma GTX 560M. Na metade do jogo, provavelmente a GPU vai derreter e escorrer pelas saídas de ar de seu notebook, por não ter espaço para circular o ar quente, nem fans suficientes para resfriá-la.

Jogar na bateria? Você só pode estar brincando...

Então o que acontece em modelos gamers compactos? Não por acaso temos poucos produtos se arriscando neste mercado. Um dos exemplos é o Razer Blade, com apenas 2 centímetros de altura e hardware voltado aos jogadores. Pra resolver o nosso problema de GPUs que derretem, o jeito foi maneirar nesta peça, e colocar um processador gráfico intermediário: uma GT 555M. O resultado disto é que, com a maioria dos games, você tem um gameplay perfeito em qualidade média, e fica "na estica" em alguns games quando colocamos qualidade alta, ou passa a ficar abaixo dos FPS necessários para uma boa jogabilidade. Isto tudo lembrando que filtros mais pesados, como Tessellation, trazem resultados frustrantes como este benchmark abaixo:

{benchmark::2535}

Aí temos o ponto central na pergunta que dá título a esta coluna: vale a pena? Notebooks gamers nos colocam numa situação de conflito entre portabilidade x potência, e que inevitavelmente você perde um pouco de cada lado. O Razer Blade é bom para games, mas a placa de vídeo não é das mais potentes. Ele mede 2 centímetros de altura, mas pesa 3 quilos. Ou seja: é potente mas nem tanto, é portátil mas nem tanto.

Veja nosso hands-on com o Razer Blade, durante a CES 2012

Outro exemplo é o nicho do nicho: o notebook gamer com tela de 11 polegadas. Enquanto algumas empresas saltam do barco, outras abraçaram esta causa. Aqui temos uma dificuldade ainda maior que a presente no Blade, pois no final das contas, a tela acaba determinando o tamanho de um notebook. Se foi um desafio montar um hardware top em um notebook de 17 polegadas, imagine com uma tela muito menor! Apesar do espaço restrito, o hardware não é de se esnobar, com uma GT 640M, que é suficiente para encarar os games em qualidade média e até em alta, em alguns casos. O peso também não é ruim, com 1.8 kg. Aqui o que incomoda é outra coisa: a tela. Gamer mesmo gosta de alta definição e a maior e mais brilhante tela possível, que não lhe traga risco de cegueira. 11 polegadas está longe de ser isto.

A solução para a tela acaba sendo comprar um monitor maior e conectar seu notebook nele, e incluir um teclado na lista de compras, pra conseguir uma postura confortável para jogar. Nesta situação você comprou praticamente um desktop, mas pagou muito mais caro e ele terá um desempenho abaixo de um PC gamer convencional. Portabilidade pela portabilidade, não raro dá pra comprar um notebook leve, para ter um "computador móvel", e um PC pra jogos, tudo isso pelo preço de um notebook gamer.

{benchmark::2533}

Tirando uns filtros, e pegando leve nas configurações, dá pra jogar nos notes

Resumo: "gamer entusiasta true", que gosta mesmo é de socar os gráficos no limite, com tudo que é filtro, dificilmente vai conseguir esta experiência sem sacrificar de forma brutal a portabilidade do produto (4Kg ou mais). Como alguém que gosta de gráficos, mas nem tanto, preferi o caminho do meio: um notebook de 2.3 kg, com a dupla Core i7 2630QM e Radeon HD 6770. Dá pra encarar games em configurações entre intermediárias e altas, e alguns filtros. E por na mochila sem se desesperar.

O futuro dos games em alta qualidade, e com portabilidade, pode estar na nuvem. Mas como toda tecnologia em desenvolvimento, é melhor esperar o seu amadurecimento antes de partir com tudo para serviços como o Grid ou o Onlive.

Twitter: @kerberdiego

Diego Kerber
kerber
Sub-editor

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".