Em agosto do ano passado, tivemos a oportunidade de testar o Vision A8-3850, até então a versão mais poderosa da badalada linha de Fusion da AMD. Passados cerca de 6 meses, e alguns ajustes na produção, a companhia lança o A8-3870K, versão contendo um atrativo que promete aguçar o interesse de uma parcela do mercado.

Assim como o seu “irmão menor”, o Vision A8-3870K é um produto inovador, ao conjugar em um único chip, uma unidade de processamento central (podendo ser composto por vários núcleos) e de uma unidade de processamento gráfico (podendo ainda contar algumas/todas funções do northbridge) Radeon.

O Fusion inaugurou uma nova era na computação moderna: a da APU, também conhecida como unidade de processamento acelerado, e que serviu para definir todo e qualquer chip composto de uma CPU e GPU em um mesmo die.


Atendendo pelo codinome Llano, esta linha de APUs conta com até 4 núcleos “Stars” (geração K10.5) de 32nm e GPU com até 400 Stream Processors, com performance combinada de um processador da linha Phenom II com uma Placa 3D Radeon série 6000.

O Fusion chegou em um momento crucial não apenas para a AMD, mas para toda a indústria da computação, onde cada vez mais, cresce o uso e a importância da GPU no dia a dia das empresas e usuários domésticos. O conceito de GPGPU, termo para designar o processamento de tarefas gerais (até então restrita ao processador) realizadas pelo chip gráfico, é um forte indicativo do “poder” que as GPUs deverão conquistar a cada nova geração que chega.

Vale ressaltar que a AMD não é a única companhia do mercado a oferecer APUs. A sua principal rival, a Intel, também possui chips combinados com CPU e GPU – linha Sandy Bridge, contudo, as filosofias parecem divergir entre si, conforme poderemos observar no decorrer deste review. Para acirrar ainda mais a briga, a Intel planeja lançar, nas próximas semanas, a nova geração Ivy Bridge, trazendo, dentre outras novidades, litografia em 22nm e chip gráfico consideravelmente mais poderoso em relação aos atuais Core ix 2000.

 

A Linha Vision Llano

A AMD iniciou a sua “revolução” no dia 30 de junho de 2011, com o lançamento das primeiras APUs para desktops da linha Llano – plataforma Lynx.

Voltadas para o segmento intermediário, as unidades de processamento acelerado Lynx compartilham o novo socket FM1, contando com o moderno processo de fabricação em 32 nm HKMG, até 4 núcleos “Star” de processamento central x86 , 4MB de cache, DDR3-1866Mhz dual channel, chip gráfico Radeon série 6000 e TDP variando entre 65-100W.

Para o segmento de entrada – notadamente para netbooks e Nettops, a companhia disponibilizou as APUs Zacate e Ontario. Contudo, quem necessitar de alto poder de processamento, a AMD lançará nas próximas semanas (fala-se em setembro) a linha de CPUs Zambezi FX, baseada na aguardada arquitetura Bulldozer. Nesse meio, há ainda a plataforma para portáteis do Llano, o Sabine, especialmente projetada para atender os notebooks/laptops. Especificamente sobre o Llano, a linha está dividida em 3 séries, conforme detalhado abaixo:

Vision série A8
Eis as APUs mais poderosas da geração Llano. Embora possuam a mesma quantidade de núcleos que os A6 (4) e cache L2 (4MB), os A8 contam com clocks mais elevados e GPU mais robusta (Radeon HD 6550D com 400 Stream Processors @ 600Mhz). O A8-3870K deixa para trás o 3850 (2.9Ghz), passando a ser o mais poderoso da categoria, com CPU rodando em 3.0Ghz e TDP em 100W. Já o A8-3800 tem core clock em 2.4Ghz (podendo chegar a 2.7Ghz via TurboCore) e TDP em 65W.

Apesar de ser “apenas” 100Mhz mais veloz que o 3850, o A8-3870K tem como principal trunfo sobre o seu “irmão menor”, o fato e possuir os multiplicadores totalmente destravados (dai o sufixo “K” em seu nome), inclusive na GPU e memória. Vale ressaltar que os modelos tradicionais, ou seja, sem o “K”, permitem o overclock apenas via manipulação nos clocks bases. Agora o trabalho está muito mais simplificado, além de completo, podendo ser feito ajustes nos multiplicadores.

O potencial da linha é tamanha, que alguns overlcokers “malucos” conseguiram colocar a APU acima dos 6Ghz, ainda que em condições totalmente extremas – com uso Nitrogênio Líquido e outras coisas do gênero.

Vision série A6
Esta série contempla APUs mais robustas, do tipo quad core e GPU Radeon HD 6530D com 320 Stream Processors @ 443Mhz, além de 4MB de cache L2 e TDP variando entre 65-100W. O A6-3650 trabalha a 2.6Ghz, com TDP em 100W. O A6-3600 roda em 2.1Ghz (podendo chegar a 2.4Ghz via TurboCore), com dissipação térmica máxima de 65W. Junto com o 3870K, a AMD lançou ainda o 3670K, com CPU wm 2.7Ghz e multiplicadores totalmente destravados.

Vision série A4
Trata-se da linha mais simples, composta de APUs com 2 núcleos, 1MB de cache L2, TDP em 65W e GPU Radeon HD 6410D com 160 Stream Processors. Por enquanto 2 modelos são listados: o A4-3400, com core clock em 2.7Ghz e chip gráfico rodando em 600Mhz; e o A4-3300, com frequência de operação em 2.5Ghz e GPU em 443Mhz.


 

Por dentro da Arquitetura Llano Lynx

A imagem abaixo “disseca” bem a unidade de processamento acelerado Llano Lynx. A APU tem cerca de 1 bilhão de transistores, distribuído em uma área de 228 mm². Isso só foi possível graças ao processo de fabricação HKMG de 32nm. Aliás, trata-se do primeiro chip gráfico da AMD fabricado pela GlobalFoundries, ao invés da TSMC, que ao menos por enquanto, continua a produzir as GPUs para as VGAs Radeons.


O Lynx tem basicamente 3 elementos principais  fundidos em seu chip: a CPU; a GPU; e o Northbridge. Além disso, há ainda a controladora de memória DDR3, o decodificador de vídeo integrado (UVD), as interfaces PCI Express (24 linhas), as memórias caches L2 e L3, e a interface DDI de conexão aos monitores digitais.

No tocante ao processador, seus núcleos são baseados no design Stars, ou seja, os mesmos presentes nos Athlon II e Phenom II (arquitetura K10.5). Desta forma, cada um dos cores tem 128KB de cache L1, sendo 64KB para instrução e 64KB para dados. No nível L2, a linha A4 possui 512KB por núcleo, enquanto que no A6 e A8 há 1MB por core. Vale ressaltar que não há memória cache L3. Se por um lado essa ausência de L3 impacta diretamente na performance, por outro, a AMD reduz o custo e o preço da APU.

O decodificador de vídeo integrado, chamado pela AMD de UVD (Unified Video Decoder) – é a mesma presente nas VGAs Radeons, se encarregando da reprodução de vídeo, retirando assim o trabalho das “costas” do processador e do chip gráfico, ficando ainda independente do DirectX Video Acceleration (DXVA).

Não há dúvidas que a grande “estrela” das APUs da AMD é a sua GPU. Compatível com a API gráfica DirectX 11 da Microsoft, a unidade de processamento gráfico do Llano Lynx - codinome Sumo - tem uma arquitetura bastante familiar da comunidade. E não é por menos. O Sumo é basicamente o mesmo core encontrado nas linhas Radeons HD 5500/5600 (codinome Redwood).

A grande diferença entre as GPUs Redwood e Lynx está na interface de memória. Enquanto que a primeira tem uma combinação de 128 bits com memória GDDR5, o chip gráfico Llano mantém os mesmos 128 bits, mas utilizando DDR3.

Outro ponto é que a interface dual channel é compartilhada para todos os núcleos da CPU, bem como pela GPU. Assim, o sistema deverá possuir um eficiente sistema de arbitragem, a fim de não gerar gargalo para o sistema.


A AMD garante uma largura de banda de cerca de 30GB/s entre a GPU e a controladora de memória, o que em tese, impede qualquer tipo de gargalo. Ainda de acordo com a companhia, o link GPU/controladora pode aparentemente chegar ao teto de 50Gb/s, permitindo assim acomodar futuras APUs com interfaces de memórias mais robustas.

Outro ponto importante a destacar é o fato da AMD poder dinamicamente priorizar a banda de largura de memória entre a CPU e a GPU, minimizando assim qualquer possível tipo de gargalo.

A GPU Sumo – assim como a Redwood – possui 5 clusters do tipo SIMD, sendo que cada um possui 4 unidades de texturas (TMUs) e 16 stream processors (SPs). Por sua vez, cada unidade de SP é composta por 5 ALUs (chamados, pela ATi, de Stream Cores). Dessa forma, a Sumo possui um total de 400 Stream Cores (5x16x5) e 20 TMUs (5x4).

O chip possui duas controladoras de 64 bits compartilhando dois “render back-ends”, sendo que cada um contém 4 unidades de color ROPs, resultando em 8 ROPs e bus de 128 bits. Por falar em memória, a APU utiliza 512MB da RAM do sistema como framebuffer para o chip gráfico. Assim, é importante ressaltar que, quanto maior for a frequência de operação da DDR3, maior será o desempenho da Sumo. Desta forma, recomenda-se o uso de memórias de 1866Mhz.

Com as especificações acima, era de se esperar uma performance muito semelhante à Radeon HD 5570. Na prática, contudo, a GPU do Vision A8-3870K tem um desempenho menor, haja vista que esta tem de dividir a sua preciosa largura de banda de memória com os 4 núcleos da CPU. Ainda assim, a APU possui de longe, o chip gráfico integrado mais poderoso do mercado. A imagem abaixo ressalta ainda mais o que estamos falando.

A concepção do Llano é completamente diferente em relação à do Sandy Bridge. Enquanto que a Intel dedicou cerca de 50% da área do die de sua APU para os núcleos de processamento da CPU - ficando a GPU com apenas 20%, a AMD fez uma divisão muito mais equilibrada em sua unidade de processamento acelerado. Como se pode ver na imagem, a GPU do Llano – Sumo – corresponde a um pouco mais de 33% do die, enquanto que o NorthBridge e a CPU/cache ficam com o restante da área, em partes praticamente idênticas entre si.

A versão quad core do Llano – como é o caso do A8-3870K – tem 1,45 bilhão de transistores, ou seja, 300 milhões a mais do que os hexa cores Gulftown (Core i7 980X/990X) da Intel, que têm ainda de quebra, 12MB de cache L3. O mais surpreendente é que apesar dessa imensa quantidade de transistores, o Llano tem 228mm2 de área de die, contra 216mm2 do Sandy Bridge, que possui “apenas” 995 milhões de transistores. Outro ponto curioso refere-se ao TDP.

Conforme já explicado neste tópico, a arquitetura do Llano não se resume apenas à CPU e GPU Há ainda o processador de vídeo UVD e todas as funcionalidades de alto nível do NorthBridge, como é o caso das controladoras PCI-Express 2.0 e DDR3.

A controladora de memória é uma versão aprimorada da existente nas linhas Athon II e Phenom II, de forma a suportar DDR3 de maiores frequências. Isso foi fundamental para dar maior desempenho a GPU do Llano, uma vez que quanto mais elevado for o clock da memória, maior será a largura de banda para o sistema. Assim, a AMD ultrapassou o limite de 1066/1333Mhz para patamares muito mais elevados, chegando a 1866Mhz.

A controladora PCI-Express 2.0 é composta de 24 pistas (linhas de comunicação), onde o usuário poderá utilizar 16 delas para acoplar uma VGA externa.  4 pistas do PCIe são usadas para conectar-se ao Hub controlador do chipset - FCH (SouthBridge Fusion Controller Hub). As 4 pistas restantes podem ser utilizadas por controladores extras, como é o caso do áudio, rede (ethernet) ou USB 3.0.

Vale ressaltar que o Fusion Vision série A (Llano) necessita de placas-mães especialmente projetadas para explorar os recursos da APU. Daí a razão da AMD ter criado um novo padrão de socket, o FM1. Ao menos de início, a companhia disponibilizou dois chipsets: o A55 e o A75.

Ambos suportam RAID e HDs maiores de 2.2TB. Contudo, o A75 fornece ainda 6 portas SATA de 6Gbps e 4 portas USB 3.0.

Como forma de dar uma maior escalabilidade na performance 3D, a AMD equipou a linha Llano com a tecnologia  chamada AMD Dual Graphics. Desta forma, o usuário poderá colocar os seguintes modelos de Radeons para trabalhar em conjunto com a GPU integrada da APU: HD 6400, HD 6500 e HD 6600.

 

Especificações, Fotos

Confiram abaixo o resumo das especificações da linha Llano Lynx:

Tech/Package:  32nm / FM1 937-pin lidded μPGA, 40x40 mm, 1.27 mm pitch
TDP Configurations: 65W and 100W configurations
Processor Core: “Stars” 32nm HKMG process core (up to 4 cores), 128 KB L1 Cache (64 KB Instruction, 64 KB Data) 1 MB L2/Core, 128-bit FPUs
Memory: Up to DDR3 1866*
Graphics Core: Up to 400 Radeon™ Cores, DirectX® 11 capable, UVD3
Displays: Digital Display I/F DP0: Display Port, HDMI, DVI
                Digital Display I/F DP1: Display Port, HDMI, DVI
Graphics Features: ▪ AMD Dual Graphics
                                ▪ Blu-ray 3D
                                ▪ AMD Steady Video5
                                ▪ AMD Perfect Picture6
                                ▪ DisplayPort 1.1a, HDMI 1.4a
Power Management: ▪ Multiple low-power states
                                   ▪ 32-nm process for decreased power consumption
                                   ▪ PCIe® core power gating
                                   ▪ PCIe speed power policy
                                   ▪ GPU power gating of Radeon™ Cores and UVD3
                                   ▪ AMD Turbo Core technology on select models
AMD A75/AMD A55 FCH
Tech/Package: 65nm / FC BGA, 605-Ball, 23x23mm, .8mm pitch
TDP Configurations: A75: 7.8W, A55: 7.6W
UMI: x4 Gen 2
SATA: A75: 6 ports at 6 Gb/s, A55: 6 ports at 3 Gb/s
RAID: 0,1,10
USB: A75: 4 USB 3.0 Ports, 10 USB 2.0 Ports, 2 USB 1.1 Internal Ports
          A55: 14 USB 2.0 Ports, 2 USB 1.1 Internal Ports
PCIe GPPs: 4x1 Gen2
FIS Support: A75 only
CIR: CIR Receiver
Clock Gen: Integrated
Power Rails: SVID for VDDCR_CPU & VDDR_NB, fixed voltage for other rails

Fotos
Abaixo algumas fotos da APU. 

 

Máquinas/Softwares utilizados

Utilizamos duas plataformas para os comparativos, uma baseada em socket FM1 utilizadas para ambos as APUs da AMD, e outra LGA 1155 com um Core i5 2500k.

Vale destacar que atualmente um A8-3870K está custando na casa de U$ 139 dólares, já um A8-3850 custa em média U$ 129 dólares, por fim o Core i5 2500K custa por volta de U$ 225 dólares. 

Abaixo uma foto do sistema rodando o A8-3870K, mesmo utilizado para o 3850..


Máquinas utilizadas nos testes:
- AMD Vision A8-3870K e A8-3850 (2.9GHz) + Asus F1A75-V Pro
- Intel Core i5 2500K (3.3GHz) + Asus P8Z68-V Pro

- Placa de vídeo: Integrada e XFX Radeon HD 6670
- Memórias 8 GB DDR3-1333MHz Corsair Vengeance (2x4GB)
- HD 1TB SATA 3 Seagate
- Fonte XFX 750W
- Cooler BOX AMD

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 7 64 Bits com Updates
- AMD Catalyst 12.2

Aplicativos/Games:
- 3DMark 11
- Adobe Photoshop CS5
- Aliens vs Predator
- CineBENCH 11.5
- Far Cry 2
- Sandra Lite 2012 build 18.30
- WinRAR 4.1 
- x264 FHD Benchmark 1.0.1

CPU-Z
A seguir, as telas do CPU-Z e GPU-Z mostrando as principais características do processador e sistema, assim como do GPU integrado, onde vemos o core trabalhando a 686MHz, exatos 86MHz acima do padrão, um dos diferenciais da mobo da Asus que utilizamos nos testes, que faz um over automático no GPU.



 

Winrar, PhotoShop, Sandra 2011

WinRAR
No teste, vemos que existe uma diferença muito pequena entre os dois A8, justamente pelo clock ser apenas 100MHz diferente. Já o 2500K mostra que nesse tipo de aplicação se sai bem melhor.

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SiSoftware Sandra 2012
Com o teste de processamento aritmético do Sandra o 3870K ficou atrás do 3850, mostrando que o avanço em algumas situações foi nulo.

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Adobe Photoshop
Rodando o Photoshop em um teste que consiste no tempo que o sistema leva para aplicar um filtro (Extrude) a uma imagem em alta resolução (5182x9754).

O AMD Vision A8-3870K consegue executar a aplicação do filtro 4 segundos mais rápido que o 3850, mas fica bem atrás do Core i5 2500K.

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CineBench, x264, 3DMark 11

CineBENCH 11.5
Aqui ainda temos testes que utilizam muito mais o processamento do que a placa de vídeo, e como não poderia ser diferente, o resultado dele continuou distante do Core i5 2500K, modelo mais simples que temos com GPU integrado.

O ganho do 3870K sobre o 3850 foi de 4,7%.

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x264 Full HD Benchmark
Esse teste consistema na conversão de vídeo em FULL HD (1080p), onde vemos uma pequena vantagem do 3870K sobre o 3850, como já era de se esperar. O processador da Intel ficou cerca de 50% à frente.

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3DMark 11
Com o 3DMark 11, começamos os testes que exigem mais da placa de vídeo, e logo de início as APUs da AMD já se diferem dos processadores Sandy Bridge, já que esses últimos não trazem suporte a DirectX 11, consequentemente não conseguem rodar o 3DMark 11.

Fizemos testes em modo Entry e Performance, sendo que o 3870K ficou a frente do 3850 em pouco menos de 10% em ambos os casos. 

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Aliens vs Predator

Começamos os testes em games por "Aliens vs Predator", game que traz o suporte ao DX11 e que foi muito bem recebido por público e crítica. Testamos três resoluções, 1024x768, 1280x1024 e 1680x1050, todas nas configurações mais simples possíveis. Vale destacar que esse teste é baseado apenas em DX11, dessa forma o vídeo integrado do Core i5 não consegue rodar, já que não suporta DX11.

Tanto o 3870K como o 3850 utilizam a mesma arquitetura para o GPU, inclusive mesma revisão do vídeo, uma Radeon HD 6550D. Como vemos abaixo o 3870K fica um pouco a frente, entre os motivos, o core do vídeo trabalhando 86MHz acima do padrão.

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Far Cry 2

Abaixo os testes com o game "Far Cry 2", utilizando as opções mais simples possíveis no que diz respeito a gráficos (DX9). Nesse teste temos os resultados do Core i5 2500K.

Podemos ver que a Intel ainda não consegue fazer frente a AMD nessas condições, com as APUs da série A8 ficando consideravelmente a frente, promessa de que isso deve mudar com os novos Ivy Bridge.

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Overclock

Colocamos o A8-3870K de 3.0GHz trabalhando a 3.6GHz com o cooler BOX, aumento de 20% no clock do CPU. Já o clock do GPU que na mobo da Asus fica em 686MHz (o default é 600MHz), subimos para 900MHz, aumento de 50%. Como utilizamos o cooler BOX, evitamos colocar clocks superiores, até porque em algumas reviews internacionais já vimos que seu resultado não vai mundo além disso em situações de overclock normais e com todos os cores ativos como foi o caso de nosso overclock.

Abaixo a tela principal do CPU-Z e do GPU-Z mostrando os resultados alcançados.


 

Overclock: Winrar, Cine Bench, x264 FHD Bench

WinRAR
Mesmo overclockando o 3870K em 20%, seu ganho real no WinRAR foi inferior a 10%.

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CineBENCH 11.5
Já rodando o CineBench, um resultado um quanto surpreendente, mas para o lado negativo, já que o overclock acabou não surtindo efeito, inclusive jogou o desempenho um pouco para baixo como podemos ver.

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x264 Full HD Benchmark
Assim como aconteceu com o CineBench, com o benchmark de conversão de vídeo em FULL HD a APU quando overclockada também tem queda no desempenho, ao contrário de melhora como se esperava.

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Overclock: 3DMark 11, Aliens vs Predator, Far Cry 2

Depois dos testes que exigem mais do processador, agora é a vez dos testes que exigem do GPU, confiram abaixo como o sistema se comportou quando overclockado.

3DMark 11
Se nos testes onde o CPU é mais exigido o overclock não surtiu muito efeito, nos testes que exigem mais da APU o ganho foi melhor, já de inicio vemos que o 3870K quando overclockado tanto no CPU como GPU pulou de 1829 para 2170, ganho de quase 20%, isso em modo Entry como podem ver abaixo nos gráficos.

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Aliens vs Predator
Já no game "Aliens vc Predator", o ganho médio quando o 3870K está overclockado foi de 10%.

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Far Cry 2
Em "Far Cry 2" também tivemos ganho no desempenho, mas ficou na casa dos 5%, abaixo do que se esperava, principalmente porque colocamos o GPU com core a 900MHz, bem acima do padrão.

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Dual Graphics: Radeon HD 6550D + HD 6670

Um dos principais atrativos das novas APUs com selo "Fusion" está em cima do vídeo integrado, no caso do A8-3870K em análise, assim como acontece com o A8-3850, baseado em uma Radeon HD 6550D. Além do vídeo integrado, a AMD destaca muito a tecnologia CrossfireX suportada pela APU, tornando possível fazer o o vídeo integrado unir forças a uma placa de vídeo da geração 6600. Nós fizemos esse teste utilizando a VGA top desse segmento, a 6670, modelo da XFX.

Abaixo temos a tela da BIOS da mainboard com as opções setadas para a tecnologia Dual Graphics funcionar, ou seja, basta deixar ativado o Multi-Monitor, setar o vídeo primário para o vídeo integrado, e conectar o cabo do monitor direto na conexão da placa-mãe, deixando a placa de vídeo conectada no slot sem nenhum cabo.

Vale destacar que apenas as placas da vídeo LOW da geração 6000 são compatíveis com essa tecnologia, pelo menos oficialmente.


3DMark 11
Começamos pelo 3DMark 11, onde podemos ver que o ganho de desempenho quando o sistema trabalhando com a tecnologia Dual Graphics foi de 430 pontos sobre o resultado alcançado pela Radeon HD 6670, representando menos de 25% do resultado do score alcançado pela Radeon HDF 6550D presente na APU, ou seja, o ganho foi bem abaixo de um sistema Crossfire normal, que em média alcança no 3DMark 11 80%.

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Dual Graphics: Testes em Games

Aliens vs Predator
Com "Aliens vs Predator", o ganho foi superior ao alcançado com o 3DMark 11. Como podemos ver abaixo, na resolução intermediária, 1680x1050, quando o sistema rodando com o dual Graphics, o aumento foi de quase 20 FPS, que representa cerca de 66% do resultado do chip da APU trabalhando sozinho, resultado muito bom.

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Far Cry 2
Por fim, quando rodando o game Far Cry 2 o ganho foi bem inferior, na verdade ganho mesmo tivemos na resolução mais alta, onde tivemos um ganho médio de 35% da performance junto ao score da 6670.

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Conclusão

Assim como ocorreu com o seu “irmão menor”, o 3850, a conclusão em torno do Vision A8-3870K deve ser desmembrada em duas grandes áreas, isto é, no processamento geral (responsabilidade da CPU) e no processamento 3D/multimídia (a cargo da GPU).

Olhando de forma “fria e crua”, o desempenho do processador do 3870K deixa a desejar se compararmos com as opções disponibilizadas pela Intel, ou mesmo por algumas CPUs da própria AMD.

A explicação disso reside fundamentalmente núcleos de processamento Stars, baseados na já cansada arquitetura K10.5, presentes nos Athlons II e Phenoms II. Além do design em si, a ausência de cache L3 e limitada quantidade de L2 (4MB na linha A8 e A6 e 2MB na A4) pesam contra a APU. Por último, mas não por menos, a diferença de 100Mhz no clock da CPU é pífia em relação ao 3850.

Se o Vision A8-3870K não “empolga” em condições normais, o mesmo não pode ser dito quando se usufrui de seu único atrativo para seu “irmão menor”: o potencial para overclock. Os multiplicadores destravados tanto para o processador, quanto para as memórias e GPU são um belo atrativo.

Utilizando uma boa placa mãe junto com um robusto sistema de refrigeração, pode se chegar a clocks bem altos, infelizmente não necessariamente quer dizer melhor desempenho em todos os casos como demonstramos nos testes.

A GPU Radeon 6550D é a grande “estrela” da linha Vision A8. Compatível com a API gráfica DirectX 11 da Microsoft, a unidade de processamento gráfico é basicamente a mesma encontrada nas Radeons HD 5500/5600. Em outras palavras, o 3870K possui fôlego de sobra para jogar boa parte dos jogos atuais, em condições bastante razoáveis para a sua condição. Embora não seja possível abusar de filtros ou resoluções elevadas, a AMD tem aqui uma opção sem concorrente no mercado. Não em se tratando de CPU e GPU em um único produto. A Intel promete um expressivo ganho de desempenho 3D sobre os Sandy Bridges com a futura linha Ivy Bridge. Contudo, os novos Core ix 3000 dificilmente estarão no mesmo nível que os Fusions Vision em relação a preço.

O interessante da chegada da linha Vision reside no fato de como a AMD e NVIDIA irão definir as suas estratégias em relação às VGAs de entrada, até então postas na condição de segundo plano. Isso porque a medida que o Vision garante um bom nível de desempenho 3D, a pressão por placas de baixo custo com performance minimamente digna aumenta. Do contrário, as placas 3D de entrada poderão estar fadadas em um futuro muito próximo, ao seu fim.

Dito isto, o leitor deve ficar atento na escolha de sua próxima APU/processador. De um lado temos a Intel com CPUs bastante robustas em termos de processamento geral, mas que deixam a desejar no desempenho 3D; e de outro a AMD com a linha Fusion Vision, com uma solução mais harmônica em termos de processamento geral e 3D, mas que pode comprometer, caso o usuário realize de forma intensa, certos tipos de atividades do dia-a-dia.

Portanto, caberá ao leitor fazer seu próprio juízo de valor e decidir qual solução mais se adequa ao tipo de atividade, e claro, ao bolso.


AVALIAÇÃO:

Performance

8.0

Preço

9.0

Tecnologias

9.5

Inovação

9.0

Overclock

9.0

Nota final

PRÓS
  • Preço bastante convidativo;
  • Ótimo desempenho 3D / multimídia;
  • Suporte a tecnologia AMD Dual Graphics;
  • Ótimo potencial para overclock
CONTRAS
  • Desempenho geral (CPU) baixo para os padrões atuais;
  • Poderia vir de fábrica com 100-200Mhz a mais na CPU