"Shank 2", sequência de um dos jogos indies mais badalados de 2010, acaba de aterrisar na Playstation Network (também disponível na Xbox Live e no Steam). O primeiro game, embora tenha agradado a muita gente - e crítica - de maneira geral, não era exatamente um primor em termos de produção e tinha vários defeitos que derrubavam a diversão. O segundo jogo não só consegue melhorar em vários aspectos como também diverte mais, exatamente como uma continuação deve ser.


A trama do título é bastante simples: o protagonista Shank se encontra de férias na América do Sul, onde uma força ditatorial opressora abala os povos do local. Ao saber que um dos seus grandes amigos está aprisionado nesse meio, ele não vê melhor oportunidade em se redimir do seu passado criminoso e ajudar aqueles que precisarem. Esse é o foco da história e nada mais de muito importante acontece durante toda a campanha. Por mais que eu me esforçasse em gostar dela, não houve nenhum tipo de novidade realmente atraente que me fizesse ficar atento aos breves falatórios do game. É uma pena, pois poderia ser mais elaborado e convincente.


Jogabilidade

Contudo, isso no fim das contas nem faz muita diferença, pois o que realmente importa em games do gênero beat 'em up 2D é a jogabilidade. Sendo assim, dito e feito: as possibilidades agora aumentaram bastante. Tudo ficou mais ágil e rápido. Não basta ficar esmagando um único botão de ataque, é preciso coordenar com o padrão de defesa (desvio em relamento) e reconhecer o padrão de ataque dos inimigos para poder vencer. Melhor ainda se você fizer combinações entre ataques com armas brancas (canivetes, facas, lâminas), armas de fogo e acessórios como granadas e coquetéis molotov, entre outros diversos itens espalhados pelos cenários. A destruição pode ser tão grande que os inimigos viram pó num piscar de olhos.



O que vale para você, entretanto, também serve para o outro lado. Dessa vez, os adversários estão mais inteligentes e nem tudo é tão tranquilo assim: costumam atacar cooperativamente para enrascá-lo nos locais mais tensos do cenários. Por vezes fiquei espremido em cantos ou em locais que não tinha muitas saídas possíveis e passei um bocado de trabalho. E olha que estou falando somente do nível de dificuldade mais baixa do game (Normal). Experimente jogar no Hard, então, e prepare-se para morrer  de vezes até conseguir passar pela mesma área. Não é nada impossível ou frustrante, mas desafiante e instiga a vontade de fazer melhor na próxima tentativa.

  

Só um detalhe imperdoável: porquê diabos a produtora Klei Entertainment não incluiu uma opção de jogar cooperativamente a campanha solo com, pelo menos, mais uma pessoa (2 players)? Seria tudo tão mais divertido - e teoricamente mais fácil - passar por cada um dos oito estágios com alguém do lado ou até mesmo em rede... Ainda mais porque um jogo desse estilo praticamente pede por ação conjunta para passar por algumas das situações mais complicadas. E não estou falando de puzzles (praticamente não existem), mas alguns dos elementos de plataforma abordadas de "Shank 2" poderiam possibilitar estratégias de ataque bem organizadas, o que traria muito mais emoção às partidas.

 

Visual, áudio e conclusão

Visualmente, "Shank 2" agrada aos olhos pelo estilo cartunesco estilizado. Absolutamente tudo o que aparece na tela é feito dessa forma. Do design dos objetos, personagens, inimigos, animais, estruturas, vegetação e armas, tudo possui um colorido próprio que não cansa ou enjoa, mas que surpreende em vários momentos pela personalidade de cada uma delas. Não, o foco aqui não são texturas ultra realistas ou animações superfiéis. E ainda bem que é assim.

  

 

O game não precisa ter nada disso para ser bom: tem estilo próprio e é só passar o olho rapidamente - ou gastar alguns segundos a mais - pelos cenários (selvas, portos, cavernas, vilas destruídas, pântanos, áreas industriais) para se tocar que o trabalho da produtora foi bem feito. As expressões faciais também são muito bacanas. Independente do momento da trama, todas as sensações dos personagens - e inimigos - são repassadas com grande verdade e nunca parecem deslocadas. O mesmo pode ser dito das animações de combate de todos eles. Todos muitos característicos e próprios de cada um.

O áudio é outro ponto forte do jogo. A começar pela música de entrada: um solo de guitarra. Nada muito exagerado e com muitas notas dedilhadas por segundo. Mas a calmaria dá um tom épico-dramático ao início da aventura, que começa de forma ágil e sem enrolações. Além disso, batidas militares, outros instrumentos e efeitos de som se mesclam durante a campanha e casam com os acontecimentos de uma forma bastante propícia, sem deixar a fluência da partida desanimar, algo bastante importante em jogos desse gênero.



Só é uma pena que, pelo fato da história ser quase inexistente, os personagens não foram muito bem aproveitados e, com isso, as dublagens também não foram muito bem boladas. É claro que cada um dos guerreiros possui voz própria e alguns (poucos) modismos de linguagem, mas quase não têm relevância na hora do falatório. Tudo acontece de forma tão rápida e resumida, sem diálogos interessantes que poderiam adicionar riqueza à trama, que quase não dá para perceber que alguém realmente está falando ou contando algo de alguma importância. Há vezes que tudo passa batido, e não dá vontade de sequer prestar atenção, inclusive na personalidade dos heróis.


Conclusão

Embora possa se tornar enjoativo com algumas horas de jogo, "Shank 2" agrada por ser bastante divertido e trazer um novo ar aos jogos "de ficar batendo". A ausência de puzzles e co-op no singleplayer são dois problemas inegáveis que poderiam ter sido melhor trabalhados pela produtora. Ainda assim, a quantidade de segredos para descobrir (itens secretos) e desbloquear (personagens, armas e acessórios extras), o Survival Mode (offline e online, agora com co-op) valem o investimento pela diversão e desafio constantes.

AVALIAÇÃO:

História

6.0

Jogabilidade

9.0

Gráficos

8.5

Áudio

8.5

Nota final

PRÓS
CONTRAS