Imagine a seguinte situação: São seis horas da tarde de uma sexta-feira e um executivo acabou de sair da sua sala no décimo quinto andar com documentos importantes em um Pen Drive. Ele sai cantarolando do elevador e para por um minuto para conversar com a garota nova que cuida da portaria. Meio distraído, vai embora sem perceber que deixou o dispositivo no balcão e que, meio distraída, a garota jogou tudo da bancada no sofá ao lado. Um outro executivo, este da concorrência, encontra o flash drive e, por curiosidade, descobre dentro dele todas as previsões de balanços futuros da outra empresa. Em menos de uma semana, nosso empresário número um foi demitido, perdeu a família e hoje mora na beira da rodovia vendendo morangos a três caixas por R$5.

Tudo bem, o exemplo talvez seja um pouco exagerado, mas é fato que em um mundo cada vez mais baseado em informações digitais precisamos manter esses dados seguros. Muitos sistemas de criptografia apareceram nos últimos anos e uns tantos aparelhos destinados a aumentar a segurança de arquivos e documentos surgiram no mercado. Um dos mais eficientes deles, tenho que admitir, foi o Corsair Flash Padlock 2.


Aqui na redação testamos o modelo de 16GB e chegamos à conclusão de que é um aparelho muito útil. Para qualquer um que tenha dados secretos ou mesmo que não quer que alguém veja seus arquivos pessoais, a criptografia de 256-bits do hardware é um alívio. Para liberar o acesso, o usuário tem que digitar fisicamente nos botões do aparelho uma senha PIN de quatro a dez dígitos, programada anteriormente pela própria pessoa. Quando o Pen Drive é ejetado, volta a trancar-se automaticamente.

O sistema anti-hacking dificulta o acesso ao flash drive com programas de decriptação porque corta a energia do aparelho por dois minutos quando mais de cinco erros de senha são cometidos. Um LED vermelho avisa quando o dispositivo está criptografado, e outro verde acende quando se digita a senha correta. O uso não é dos mais fáceis, mas com certeza ajuda a deixar suas informações seguras.


 

Design

Muito parecido com outros flash drives da Corsair, o design do Padlock 2 é arredondado e ergonômico. O hardware, envolvido por uma capa de borracha, fica protegido contra choques e umidade, além de se adaptar bem à mão e ser fácil de carregar.


Seu tamanho não é exatamente pequeno, ele mede 8,5 cm de comprimento e 2,7 cm de largura. Não dá para levar o aparelho em um chaveiro ou muito livre pelo bolso. O intuito nem é esse, o dispositivo foi pensado para ficar dentro de uma empresa ou ser carregado dentro de mochilas e maletas.


Aliás, para resolver o problema, a Corsair envia junto do Padlock um tirante de pano para ser afixado no flash drive e pendurado no pescoço. No pacote, além do dispositivo, vem um manual de instruções, um extensor USB 2.0 e o apoio. Tudo protegido por uma embalagem resistente de plástico até difícil de tirar.

 

Funcionalidade

A utilização do Padlock não é exatamente instintiva, para alguns comandos temos que apertar dois botões ao mesmo tempo ou o mesmo botão duas vezes, uma para começar o processo e uma para finalizar. Claro, o dispositivo vem com um manual, mas não dá pra esperar que o usuário vá levar uma explicação de como usar seu flash drive para cima e para baixo. O pior é que sem o procedimento correto o aparelho não pode nem ser usado.


Como o objetivo do Padlock é a segurança dos dados, o processo de destravamento é mais uma vantagem que uma desvantagem. Mas os botões poderiam ser mais usáveis, os comandos mais bem pensados para serem assimilados sem dificuldades.

Para validar a senha, por exemplo, o consumidor tem que apertar o botão chave, digitar a senha e apertar novamente a chave. Quando o código é validado, uma luz LED verde se acende na parte superior e o usuário tem alguns segundos para conectar o pen drive, ou o travamento é acionado de novo.Quando conectamos o pen drive sem a senha correta, os avisos abaixo aparecem.


Se a senha for esquecida, a única maneira de dar reset no flash drive é formatando todos os arquivos de dentro dele. Neste caso, os botões chave e 0/1 devem ser pressionados ao mesmo tempo por três segundos. O usuário terá que entrar com o código 9-1-1 e apertar o botão chave. O Padlock agora estará aberto e todos os dados dentro dele terão sido deletados. Agora é só conectar a um computador, formatar o drive e colocar uma nova senha.

 

Testes

Utilizamos uma máquina TOP de linha baseada em uma mainboard X58 com um processador Intel Core i7 980X.

Para os comparativos, utilizamos o modelo em análise usando tanto a conexão do Flash Padlock 2 de 16GB como do Flash Voyager de 16GB que vimos na review anterior, além de um flash drive de 8GB USB 2.0 da Kingston.

Abaixo, detalhes completos do sistema utilizado:

Máquina utilizada nos testes:
- Mainboard Gigabyte G1.Assassin
- Processador Intel Core i7 980X
- Memórias 4 GB DDR3-1600MHz Corsair Vengeance
- Placa de vídeo ZOTAC GeForce GTX 560
- Fonte XFX 850W Black Edition
- Cooler Thermalright Venomous X

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 7 64 Bits
- Intel INF 9.2.0.1030
- Nvidia ForceWare 275.33

Aplicativos:
- ATTO Disk Benchmark 2.46
- CrystalDiskMark 3.0.1
- HD Tune Pro 4.60

Temperatura
Não há mudança significativa de temperatura

Cópia de arquivo
Fizemos dois testes práticos copiando cinco arquivos que totalizam 4.5GB do HD para o Flash Drive e do Flash Drive para o HD. Comparamos o Padlock em uma porta USB 2.0 com o Voyager em uma porta USB 3.0, com o mesmo pendrive em uma porta USB 2.0 e com um KingstonDT 101 II de 8GB.

Uma das coisas interessantes de se ressaltar aqui é o objetivo do dispositivo. O Padlock não foi criado nem é destinado para pessoas que desejam velocidade. É um aparelho de baixa performance, que visa muito mais a segurança que o desempenho. Como o sistema de senhas é por hardware, grande parte da capacidade de processamento é utilizada para decriptar o tempo todo o dispositivo e permitir o seu funcionamento.

O resultado mostra que na cópia do HD para o Flash Drive o Voyager foi muito mais rápido que o Padlock, com duração do processo mais de duas vezes menor . Testamos os resultados em outros computadores para comprovar se realmente não havia diferença, e a resposta foi a mesma. Em oito minutos e 35 segundos os 4,5GB foram transferidos do HD para o aparelho. O Voyager fez a mesma transferência em três minutos e 53 segundos, na mesma porta USB 2.0.  Comparando com o Kingston, um dispositivo muito mais simples com suporte apenas para USB 2.0, o aparelho levou quatro minutos a mais, 12 minutos e 32 segundos.

CONFIGURAÇÃO PARA O TESTE:

Rodando 3DMark 11

OBS.:

  • Consumo do sistema inteiro
  • Resultados em Watts
  • Quanto MENOR, melhor

[ CONSUMO DE ENERGIA | CORSAIR FLASH PADLOCK 2 16GB ]

Intel Core i7 3570K + GTX 680
260
Intel Core i7 3770K + GTX 680
272
Intel Core i7 4770K + GTX 680
277
Intel Core i7 2600K + GTX 680
294
AMD A10-5800K + GTX 680
301
Intel Core i7 3960X + GTX 680
343
AMD FX-8150 + GTX 680
367
AMD FX-8350 + GTX 680
372


Já na cópia do Flash Drive para o HD temos resultados diferentes, mesmo o dispositivo da Kingston mostra-se bem mais rápido que o Padlock. Enquanto o primeiro levou três minutos e 21 segundos para transferir o arquivo, o segundo levou seis minutos e três segundos. O Voyager ganhou disparado levando 2 minutos e 21 segundos mesmo em uma porta USB 2.0

CONFIGURAÇÃO PARA O TESTE:

OBS.:

[ | CORSAIR FLASH PADLOCK 2 16GB ]



 

Performance: ATTO Benchmark

Abaixo temos o comportamento dos drivers em cima do ATTO Benchmark, conceituado utilitário que testa performance desse tipo de produto.

Em modo de escrita, tivemos resultados muito parecidos. O Padlock ficou em penúltimo na velocidade de transferência. Com velocidade de 9,85MB/s, é quase 50% mais lento que o Voyager. Logo atrás ficou o Kingston com 6,6MB/s.

CONFIGURAÇÃO PARA O TESTE:

OBS.:

[ | CORSAIR FLASH PADLOCK 2 16GB ]


No modo leitura, a mesma coisa. Padlock em último, com velocidade de 13,12 MB/s, o Kingston  um pouco depois com 23,65MB/s e o Voyager na porta USB 2.0 com 29,79MB/s. O Voyager na porta USB 3.0 ganhou de lavada com 71,77MB/s, mas nesse caso a tecnologia é completamente diferente, não dá para comparar.

CONFIGURAÇÃO PARA O TESTE:

Sistema ocioso (idle)

OBS.:

  • Consumo do sistema inteiro
  • Resultados em Watts
  • Quanto MENOR, melhor

[ CONSUMO DE ENERGIA | CORSAIR FLASH PADLOCK 2 16GB ]

ASUS GRYPHON Z87
31
GIGABYTE GA-Z87X-OC
36


Abaixo, as telas originais dos testes, que mostram maiores detalhes.


 

Performance: CrystalDiskMark

Nesta review, passamos a utilizar também o aplicativo CrystalDiskMark nos testes. Optamos por utilizar o teste "4K". Abaixo, seguem os resultados.

Em modo de leitura, a velocidade de transferência chegou a 13,19MB/s para o Padlock na porta USB 2.0. Novamente na última posição, ficou atrás do Voyager por 20MB/s e atrás do Kingston por 10MB/s.

CONFIGURAÇÃO PARA O TESTE:

R11.5: Teste modo CPU (multi)

OBS.:

  • Resultados em pontos calculados pelo aplicativo
  • Quanto MAIOR, melhor

[ CINEBENCH | CORSAIR FLASH PADLOCK 2 16GB ]

ASUS GRYPHON Z87
8.14
GIGABYTE GA-Z87X-OC
8.14

 

Já em modo de escrita, passou o Kingston em 4MB/s e ficou atrás apenas do Voyager, com 9,79MB/s.

CONFIGURAÇÃO PARA O TESTE:

Rodando 3DMark 11

OBS.:

  • Consumo do sistema inteiro
  • Resultados em Watts
  • Quanto MENOR, melhor

[ CONSUMO DE ENERGIA | CORSAIR FLASH PADLOCK 2 16GB ]

GIGABYTE GA-Z87X-OC
105
ASUS GRYPHON Z87
106

Abaixo, as telas originais dos testes, que mostram maiores detalhes.


 

Performance: HD Tune Pro

Também utilizamos o benchmark em "modo leitura" (read) e o File Benchmark do HD Tune, um dos aplicativos mais reconhecidos do mercado.

Como podemos ver, no modo Benchmark a diferença entre as velocidades máximas e mínimas de cada aparelho no modo de leitura não foi muito expressiva. Em geral, o Voyager na porta USB 3.0 manteve-se com o dobro da velocidade do mesmo aparelho na 2.0. Enquanto a entrada de terceira geração permitiu uma velocidade média de 76,7MB/s, a de segunda geração parou nos 33,3MB/s. O máximo que o aparelho da Kingston conseguiu foi chegar aos 23,8MB/s.O Padlock ficou entre 3,7MB/s e 12,7MB/s em contraposição aos outros.

CONFIGURAÇÃO PARA O TESTE:

Padrão

OBS.:

  • Resultados em FPS
  • Quanto MAIOR melhor

[ X264 FULL HD | CORSAIR FLASH PADLOCK 2 16GB ]

ASUS GRYPHON Z87
24.40
GIGABYTE GA-Z87X-OC
24.30

Nas telas abaixo podemos ver o comportamento sobre o teste File Benchmark do HD Tune, que não colocamos em tabela por não mostrar um score exato através de número, apenas gráfico.

 

Conclusão

O Padlock é um excelente dispositivo para o fim a que se propõe. Todos de uma forma ou de outra temos dados que não queremos espalhados por aí. Nesse sentido, o aparelho é extremamente eficiente e não vai deixar alguém que não tenha a senha se aproximar de suas informações. Aliás, se você for uma pessoa de pouca memória pode acabar sem suas próprias informações.

A performance realmente não é das melhores, mas acho que não podemos esquecer do fato de que o Padlock não foi pensado para ser um produto de desempenho. Muito de sua capacidade vai embora por causa da encriptação de dados, portanto era de se esperar qua sua velocidade não seja muito boa. Apesar de tudo, para a proposta, sua performance é aceitável e deixa muito pen drive que não utiliza nenhum sistema de segurança para trás.

Minha única reclamação é quanto à dificuldade de se usar o aparelho. Os comandos não são difíceis, mas são pouco instintivos e várias vezes tive que recorrer ao site da Corsair para rever como definir uma senha ou formatá-la. O pessoal do design, acostumado a pensar em produtosde fácil acesso, poderia ter caprichado um pouco mais nesse detalhe. Que no fim das contas acaba não sendo tão detalhe assim.

Para quem quer segurança, recomendo o flash drive Padlock 2 da Corsair. É seguro até contra você mesmo. Agora, se você busca performance, tente algum dos outros aparelhos que vamos testar em breve, como o Corsairs Flash Voyager GT de 32GB ou mesmo o super resistente Flash Survivor.

AVALIAÇÃO:

Tecnologia

10,0

Design

8,0

Capacidade

9,5

Desempenho

8,0

Preço

9,5

Nota final

PRÓS
CONTRAS