Games

Os games no cinema

12/08/2009 16:00 | | @twitter







*** Texto por Mauro Barreto e Andrei Longen

Desde o início dos anos 90, Hollywood percebeu o potencial que os videogames tinham para o cinema, e começou a produzir filmes baseados em games de sucesso. A honra de inaugurar esse novo filão cinematográfico ficou por conta de um título já consagrado nos games: Super Mario Bros. O filme, no entanto, foi muito mal recebido e as críticas foram pesadas, mas nem por isso os produtores de cinema desistiram, e tivemos uma série de novas produções desde então. O problema é que a maioria delas não é o que se pode chamar de pérola do cinema, mas vamos lá... Fizemos um apanhado de todas as adaptações em live action já feitas de games para a telona. Divirta-se!


Super Mario Bros.

Lançado em maio de 1993 como o pioneiro ocidental na conversão de games para os cinemas. O filme de Super Mario Bros. tinha a proposta de transformar as cartunescas aventuras em 2D dos videogames em algo realista, contando a rotina dos irmãos encanadores Mario e Luigi (Bob Hoskins e John Leguizamo, que devem se envergonhar dessa pérola hoje em dia) que vivem no Brooklyn, em Nova York.

Durante um de seus serviços diários, a dupla conhece Daisy (a princesa Peach, no videogame), que logo é capturada por dois estranhos indivíduos que a levam para uma dimensão paralela em que o Rei Bowser Koopa, de forma ditatorial, comanda uma sociedade afundada em crise, pobreza e violência. Luigi, já apaixonado, parte em busca da moça junto com Mario. No fim, Bowser é derrotado por Mario, devolvendo a normalidade e o progresso ao local. Daisy então decide se juntar aos irmãos para enfrentar novos vilões.

Este filme, além de ter fracassado nas bilheterias, foi recebido muito negativamente na época tanto pela crítica especializada quanto por fãs da franquia Mario Bros. por ser pouco fiel às características dos personagens e suas ações durante as aventuras vistas nos videogames. É considerado um dos piores filmes já baseados em algum jogo. Destaque para o Yoshi que parece ter saído do Jurassic Park.



Double Dragon

Adaptado em novembro de 1994 a partir do famoso game de lutas de rua do estilo "beat 'em up", o filme apresentou a dupla de irmãos Billy e Jimmy Lee na busca pela sabedoria e poder contidos nas duas metades do medalhão do poder, o Double Dragon.

Satori, guia de artes marciais e guardiã de uma das metades do medalhão, deixa uma missão à dupla: prevenir que a segunda metade caia em mãos erradas e liberte o poder maligno nele contido. Antes de partirem na jornada pela destruída e caótica Los Angeles, os irmãos Lee descobrem que o tirano e comandante das gangues locais, Shouk, já se apoderou da outra metade. Cabe a eles agora recuperarem a parte restante e usarem o segredo do poder para limpar a cidade da violência urbana descontrolada. 

Double Dragon é outro filme que não recebeu críticas favoráveis quando lançado. Embora tenha atingido bilheteria bastante razoável pela temática e ótimas vendas de VHS quando lançado nos EUA, o filme era cafona demais para ser levado a sério. No entanto, permanece como um clássico da Sessão da Tarde.


Street Fighter

Sendo certamente um dos mais criticados de todos os filmes já lançados baseados em videogames, Street Fighter estreou em dezembro de 1994 com duas estrelas no elenco: Jean-Claude Van Damme, no papel do capitão Guile, e Raul Julia, como o ditador M. Bison.

A história conta a ascenção do poder da nação ficcional de Shadaloo governada por M. Bison. Nas forças armadas, Guile, junto com a Tenente Cammy, promove a invasão da base operacional da Shadaloo, onde Bison se esconde e pessoas são mantidas reféns. Neste meio tempo, negociações na Tailândia de armas a comando de Bison são lideradas pelos comparsas Sagat e Vega, que logo são presos pela polícia local junto com os golpistas (???) Ken e Ryu, que passam para o lado das forças militares e ajudam na invasão do forte de Bison. A solução foi a invasão da base e o a morte do tirano, extinguindo o contrabando ilegal de armas e a formação de possíveis grupos terroristas.

Mais personagens conhecidos também aparecem no filme. É o caso de Blanka, Balrog, E-Honda, T. Hawk, Dee Jay, Zangief e Chun-li, no papel de uma repórter vingativa. Mas número de personagens não é documento, e a maioria só estava lá mesmo para constar. O resultado ficou um tanto aquém do que os fãs esperavam, mas até hoje o filme é lembrado pelo seu senso de humor (às vezes não-intencional) e pela extrema galhofa.

No ano passado, outro filme baseado na série de luta ainda foi lançado: The Legend of Chun-Li, que além de ter fracassado nas bilheterias mundiais, renovou o sentimento de que adaptações cinematográficas vindas de games tendem a falhar. Leia nossa análise deste filme aqui.

{ }

 

Mortal Kombat


Mortal Kombat

Lançado em agosto de 1995, Mortal Kombat foi considerada a primeira adaptação cinematográfica decente vinda de um jogo eletrônico por críticos e gamers – talvez por ter contado com os criadores do game, Ed Boon e John Tobias, como produtores. No elenco, Christopher Lambert, mais conhecido como o Highlander, chamou a atenção pelo seu papel de Rayden, o Deus do Trovão (apesar da diferença com o visual do personagem nos games).

No quesito história, o filme foi um dos mais fiéis já vistos até então: a cada geração de lutadores na Terra, Shao Khan, comandante da dimensão paralela de OutWorld, promovia uma competição de artes marciais com os guerreiros mais fortes de ambos os lados para tentar anexar este mundo ao dele. Para tanto, precisava vencer 10 torneios consecutivos para que sua vontade se realizasse. Como a contagem já estava no número 9, era a última chance para que os guerreiros da Terra evitassem a tragédia. Mas, para isso, teriam que derrotar os mais bizarros e fortes lutadores de OutWorld.

Todos os personagens conhecidos nos games da série lançados até então estavam presentes: Liu Kang, Johnny Cage, Jax, Sonya Blade, Rayden, Shang Tsung, Kitana, Kano, Sub-Zero, Scorpion, Reptile, Goro e o próprio Shao Kahn.

Nas bilheterias, o filme arrecadou US$ 122 milhões mundialmente, quantia bastante significativa para o gênero das adaptaçoes na época. Além disso, a trilha sonora recebeu disco de platina (quem não se lembra da dançante música-tema?). 

Uma sequência para este filme estreou em 1997. Mortal Kombat: Annihilation misturou os personagens de Mortal Kombat 2, 3 e 4: Sindel, Cyrax, Sektor, Smoke, Nightwolf, Jade, Mileena, Motaro, Sheeva e Shinnok. O filme, enfim, não obteve o mesmo sucesso do antecessor (até porque tinha uma cara de produção para TV) e fracassou. Já há alguns anos se comenta sobre um novo filme da franquia, mas com a falência da Midway neste ano, os planos tiveram que ser prorrogados.


Wing Commander

Baseado na clássica série de games de nave, Wing Commander foi lançado em 1999 com o então galã adolescente Freddie Prinze Jr. no papel de um piloto de caça espacial que conta com habilidades especiais herdadas de seus ancestrais, e por isso é vítima de rivalidades entre os seus colegas. Em meio a isso, a confederação dos terráqueos está em guerra com uma raça alienígena. Enfim, um típico sci-fi para quem gosta de aventuras no espaço, não fosse o grande número de críticas negativas.

A falta de originalidade e o elenco fraco são os pontos que fazem esse filme sobre pilotos de nave “não decolar”. Depois de Wing Commander, o diretor Chris Roberts nunca mais dirigiu outro filme.


Lara Croft: Tomb Raider

Considerada a maior sex symbol dos videogames, Lara Crot foi parar nas telas de cinema em 2001. Para interpretar a arqueóloga, a megaestrela de Hollywood, Angelina Jolie, passou por treinamentos rígidos que envolviam acrobacias e tiroteios intensos.

Na aventura, Lara herda inesperadamente um antigo relógio pertencente ao seu pai. O que ela descobre pouco depois é que no mecanismo interno do objeto há uma espécie de amuleto que indica a localização do triângulo da luz, um artefato que dá ao dono poderes para modificar o tempo e o espaço. Entretanto, uma organização conhecida como Illuminati pretende obter o artefato a qualquer custo afim de controlar todos os acontecimentos históricos mais importantes da humanidade. 

O filme alcançou US$ 300 milhões mundialmente em bilheteria, colocando-o no posto da adaptação de um jogo de videogame que mais gerou renda até aquele ano. Além disso, recebeu boas críticas por parte da mídia e dos fàs da heronína.

Pelo sucesso, uma sequência era inevitável: Tomb Raider: The Cradle of Life (A Origem da Vida) estreou em 2003 com grande expectativa, tendo Angeline Jolie mais uma vez no papel de Lara Croft. Com uma arrecadação mundial de US$ 155 milhões, os fãs consideraram o filme um fiasco e apenas um pretexto para gerar mais dinheiro usando o nome de uma franquia conhecida. Os críticos também não perdoaram, e The Cradle of Life é também cotado como um dos piores filmes baseados em jogos eletrônicos.

O estúdio Paramount, detentor da franquia nos cinemas, já confirmou que pretende dar um reboot na série, produzindo um novo filme contando as origens de Lara Croft. Como devemos ter uma heroína mais nova, muitos fãs já torcem para que Megan Fox, musa da atual geração, fique com o papel.

 

Resident Evil


Resident Evil

Resident Evil estreou mundialmente em 2002 sob uma forte pressão de honrar a série de survival-horror mais conhecida e bem-sucedida da indústria de videogames. Milla Jovovich, no papel de Alice, era a protagonista. A outra menção honrosa no elenco fica com Michelle Rodriguez, que depois viria a se tornar conhecida como a Ana Lucia do seriado Lost.

Na trama, a Corporação Umbrella conduz, secretamente, uma série de experimentações genéticas em seu laboratório subterrêno localizado a quilômetros de profundidade e longe dos olhos dos governos mundiais. A empresa, entretanto, não exita e propositalmente sabota uma das pesquisa e contamina todo o conglomerado de pesquisas, fazendo com que pessoas virem zumbis e criando outras criaturas horrendas, como cachorros mutantes. A missão de Alice e sua unidade militar é eliminar as chances do vírus e das bizarras mutações se alastrarem ao mundo exterior. 

A recepção que o filme obteve por parte de críticos e fãs foi, até certo ponto, considerável. Embora tenham havido muitas análises negativas e pouca fidelidade com relação à história presente nos games, foram arrecadados US$ 105 milhões mundialmente, deixando margem para uma sequência.

Uma, não. Duas. Resident Evil: Apocalypse (2004) e Resident Evil: Extinction (2007) foram lançados tendo Milla Jovovich novamente no papel de Alice. As continuações alcançaram resultado financeiro significativamente melhor do que o primeiro filme, com US$ 125 milhões e US$ 147 milhões em bilheteria mundial, respectivamente.  


Doom

Ah, Doom... Com Dwayne “The Rock” Johnson no elenco, e o diretor de Romeu Tem Que Morrer (Andrzej Bartkowaiak), tinha o que era preciso para ser bom. Pena que a única coisa a ver com o game foi uma única cena: A famosa “cena da mãozinha”, que mostra a ação do ponto de vista do protagonista (Karl Urban), andando pelos corredores infestados de inimigos com a arma em punho – uma referência ao estilo de câmera em primeira pessoa que tornou o game famoso.

O filme é uma grande produção, com efeitos especiais razoavelmente bons e tudo mais. Houve críticas com relação às atuações e às cenas de ação, mas o maior problema mesmo é o clássico na adaptação de games: a falta de semelhança com o material original. Enquanto nos games demônios saem direto do inferno para invadir a Terra, no filme temos o velho clichê de vírus que transforma as pessoas em mutantes monstruosos.


Silent Hill

O filme da famosa série de terror e survival-horror da Konami chegou aos cinemas mundiais em agosto de 2006. Embora não seja um série tão popular quanto Resident Evil no gênero, Silent Hill superou a rivalidade nas telonas com uma fidelidade mais aguçada ao transmitir o pesado clima de terror em ambientes bastante característicos e conhecidos por fãs.

A história engloba alguns elementos vistos nos três primeiros games com algumas pequenas mudanças, entre elas nomes de personagens e a sequência de acontecimentos. Sharon é uma menina sonâmbula cuja mãe adotiva se chama Rose. Certa noite, Sharon sai às ruas gritando o nome de Silent Hill, cidade que sequer aparece no mapa. Como não é a primeira vez que a situação acontece, Rose decide viajar com a filha ao local para tentar descobrir qual a relação existente entre ambos. No caminho, a dupla encontra a desconfiada policial Cybil e, prestes a chegar à cidade, algo passa rapidamente em frente ao carro, confundindo Rose ao volante a causando um pequeno acidente.

Quando acorda, a mãe percebe que Sharon não se encontra no carro. Rose, então, sai desesperadamente à procura da filha em Silent Hill e percebe que algo diferente existe naquele lugar: mudanças de realidade constantemente são precedidas por sirenes. Na realidade alternativa, monstros aparecem e atacam quem estiver por perto. No fim, a mãe descobre a importância da filha para uma ceita religiosa fanática. Para poder salvá-la, precisa se livrar dos seguidores e eliminar o mal que impera na cidade deserta. 

Um outro fator que contribui para a fidelidade aos videogames é a trilha sonora. Dos primeiros quatro games da série, as principais músicas foram remasterizadas para encaixar com a ambientação de suspense vista no filme. Por fim, foram arrecadados US$ 100 milhões de dólares de bilheteria em todo o mundo.

 

Dead or Alive


DOA: Dead or Alive

Esse é um filme que você já se mete a assistir pelo potencial trash da coisa, e não podemos dizer que fica muito atrás do espírito dos games Dead or Alive, em que várias garotas bonitas e curvilíneas lutam e jogam vôlei, enquanto balançam seus “atributos” para a câmera. É o que temos no filme: um elenco de mulheres bonitas, com um roteiro risível e atuações toscas no mesmo nível. Tudo propositalmente brega e exagerado.

Uma pena que a decepção no elenco fique por conta da personagem principal dos games, a ninja Kasumi, interpretada no filme por Devon Aoki (que também fez uma ninja em Sin City). Além do figurino nada provocante, sua expressão de pedra não ajuda em nada. Já com relação ao enredo, com tantas cenas “tragicômicas”, merece destaque o medidor de “life” dos lutadores que surge em monitores durante as lutas. Brilhante!

Marcando presença nas adaptações de games, temos aqui Robin Shou (o Liu Kang de Mortal Kombat e o Gen de Street Fighter: A Lenda de Chun-Li) como o líder de um grupo de piratas. Dead or Alive foi um fracasso de bilheteria, como era de se esperar. Falando nisso, uma curiosidade é o slogan de divulgação do filme no Brasil: "Doa a quem doer". Sem comentários...


Hitman

Com Timothy Olyphant no papel principal, temos aqui a história do Assassino 47, que faz parte de uma organização de assassinos que são preparados desde a infância para se tornarem o que são. As expectativas eram grandes, pois tudo indicava que seria um filme para ser “levado a sério”, mas o resultado final não passou de mais um filme de ação clichê.

Baseado na série de games de mesmo nome, o filme de 2007 foi dirigido por Xavier Gens, que foi vítima de uma polêmica decisão da Fox – estúdio responsável pelo filme. Após ele ter concluído seu trabalho, executivos da Fox simplesmente o demitiram do projeto e excluíram diversas cenas que ele tinha filmado, além de solicitarem a refilmagem de novas cenas. Alguns cinéfilos acreditam que o objetivo disso seria tornar o filme mais comercial... Considerando a má fama da Fox nos últimos anos, não é algo muito difícil de acreditar.


Max Payne

Lançado em 2008, baseado no game de ação de mesmo nome, Max Payne foi considerado por alguns como a melhor adaptação de um game para os cinemas. Mas isso não significa que seja um filme realmente bom, pelo menos não à altura do game. Talvez seja a falta de opções mesmo que reforce esse status para o filme protagonizado por Mark Wahlberg.

Os fãs hardcore do game em grande parte sentiram que faltou alguma coisa, principalmente no que diz respeito ao clima do game e ao carisma do personagem bad ass. Mark Wahlberg foi criticado por sua atuação insossa e o roteiro do filme por ter deixado algumas brechas e pela falta de equilíbrio entre as cenas de ação e as cenas de desenvolvimento da história.

Mas, falando em cenas de ação, elas são o ponto forte do filme. Um espetáculo visual, fazendo uso da câmera lenta – característica do game – e tiroteio desenfreado. Como filme, Max Payne tem ótimas sequências estilo videoclipe.


 

Uwe Boll 1


De boas intenções o inferno está cheio – Com essa frase podemos descrever o trabalho de Uwe Boll, diretor alemão fascinado por games que tem como missão de vida levá-los às telonas (ou às telinhas, já que muitos de seus filmes sempre saem direto pra DVD). O problema é que os filmes não são tão bons assim... quer dizer, na verdade são muito ruins mesmo, o que só ajuda a piorar o nível de qualidade das adaptações cinematográficas de games.

House of the Dead

Tudo começou em 2003, com essa adaptação do game de survival horror da Sega. Produção com sérias restrições orçamentárias, elenco canastrão, música deslocada, efeitos visuais de quinta categoria, cenários que lembram um quintal, e roteiro pra lá de fraco são algumas características dessa produção – características essas que viriam a se tornar praticamente marcas registradas dos filmes de Boll nos próximos anos.

O mais engraçado é que parece que o diretor não é o único que saiu da fábrica sem o detector de tosquice. O presidente da Sega dos EUA na época, Peter Moore, e o criador do game House of the Dead, Rikiya Nakagawa, fizeram pontas no filme no papel de zumbis. Mais estranho ainda é o fato de o filme ter ganhado uma continuação em 2006, sendo tão “bem recebida” quanto o original. E Boll ainda pretendia produzir um terceiro capítulo da série, mas parece que desistiu da idéia.


Alone in the Dark

Em 2006, algum tipo de alucinação coletiva provavelmente atingiu muita gente, como é o caso do pessoal da Atari e do ator Christian Slater, que participaram da adaptação de Uwe Boll para o game Alone in the Dark. Veja bem: mesmo após o “show de horror” que vocês acabaram de presenciar no vídeo acima, todos acharam que seria uma boa idéia deixar esse novo filme na mão do diretor. Vai entender.

Christian Slater, que fez fama na década de 90 com filmes como Entrevista com o Vampiro, aqui protagoniza o que deveria seguir o clima de suspense dos jogos da série, mas acaba falhando como um filme de terror classe B. Blair Erikson, roteirista que escreveu o primeiro roteiro para essa adaptação de Alone in the Dark, disse em uma entrevista que sua versão tinha muito mais dessa característica dos games, mas acabou sendo reescrito pelo diretor e sua equipe, com o objetivo de dar mais ação à película.

O resultado foi mais um festival de críticas negativas, que acabaram influenciando a Atari a cancelar o game Alone in the Dark 5, que seria lançado junto ao filme, inclusive usando alguns conceitos do mesmo, com o rosto de Christian Slater escaneado e tudo. Mas eles acharam melhor recomeçar o projeto do game do zero e lançá-lo um tempo depois.

Eu falei em alucinação coletiva? Bom, e provavelmente é uma alucinação prolongada também, já que uma sequência foi lançada ainda neste ano, sem a direção de Uwe Boll (que atuou dessa vez somente como produtor), mas também sem muita repercussão.


BloodRayne

2006 foi um ano produtivo para Uwe Boll. Após dirigir Alone in the Dark, o alemão veio com a adaptação do game BloodRayne, em que uma vampira sexy sai por aí matando outros vampiros, ou algo assim que não exige muito de nossa inteligência. O filme conseguiu a façanha de conquistar o primeiro lugar na lista de piores adaptações cinematográficas de games da revista Time, e foi descrito pelo ator Michael Madsen (que estava no elenco) como “uma abominação”.

Ah, assim como o filme anterior de Boll, BloodRayne ganhou uma sequência, que foi lançada em 2007, com outra atriz no papel principal – não que faça muita diferença. Mas isso não é tudo: o terceiro capítulo da série deverá ser lançado em 2010.

 

Uwe Boll 2


Em Nome do Rei

Calma que ainda não acabou! Em 2007, Boll lança seu primeiro (e único, pelo menos até o momento) filme com uma grande produção. Mas esta é a prova de que dinheiro não é tudo, especialmente quando o assunto são adaptações duvidosas de games, afinal com US$ 60 milhões de verba de produção, o filme arrecadou somente US$ 10 milhões nas bilheterias do mundo todo, sem nem alcançar o top 10 de filmes dos Estados Unidos. Um fracasso.

Em Nome do Rei é baseado na franquia de RPGs Dungeon Siege, contando com o action-man Jason Statham no papel principal, e até participações de astros como Burt Reynolds e Ray Liotta. A trilha sonora também contava com bandas de power metal, como Blind Guardian e Hammerfall, para alegria dos fanboys de RPG. Mas nada disso salvou o filme, que foi visto pelo público e crítica como um xupim de blockbusters como Senhor dos Anéis e 300, com fracas cenas de luta.


Postal

Chegando no Brasil com o título Salve-se Quem Puder (mais um filme que sofre da maldição dos títulis nacionais), a adaptação da série de games Postal foi lançada também em 2007. Os games (Postal 1 e 2) já não tinham muita história – era basicamente um cara disseminando o caos e atirando em pessoas por aí. O filme usa essa idéia de um sujeito fazendo anarquia em sua comunidade e acrescenta uma salada maluca de elementos que tem até Osama Bin Laden no meio.

Pela primeira vez um filme de Boll foi capaz de dividir opiniões. Apesar de a maioria dos críticos de cinema terem detonado o filme em suas resenhas, alguns sites de games e blogs foram favoráveis ao filme. Mas não se engane, pois não se trata de nenhuma obra prima, porém é um filme de comédia que agrada àqueles que gostam de um humor meio escatológico, com tiroteios, personagens estereotipados e gostosas.

Uma coisa engraçada deste filme é uma cena em que o próprio Uwe Boll satiriza sua má fama, contracenando com o criador do game Postal, que pergunta indignado: “O que diabos você fez com o meu jogo?”, dando início a um tiroteio que termina com a morte do diretor vestido com um traje típico alemão.


Far Cry

O mais recente lançamento videogamístico de Uwe Boll, Far Cry é adaptação do filme de mesmo nome e até agora foi lançado somente na Alemanha, ainda em 2008. Com o ator de filmes de ação B Til Schweiger no papel principal, Far Cry parece ser nada mais do que isso: um filme de ação B, que por sinal está passando praticamente despercebido, mesmo por fãs do game.


Com esse portfolio em mãos e atitudes polêmicas - como falar mal abertamente do trabalho de outros diretores mais famosos como Michael Bay e Steven Spielberg, e desafiar jornalistas e blogueiros em lutas de boxe – Uwe Boll já “queimou tanto filme” (com o perdão do trocadilho), que vai ser difícil ele ser levado a sério mesmo que um de seus próximos trabalhos seja realmente bom.

 

O que vem por aí


OneChanbara

Que fique bem claro que as tosqueiras nas adaptações de games para o cinema não se restringem a produções americanas. Vejamos por exemplo a série japonesa de games OneChanbara, produzida pela Tamsoft, e não tão popular no ocidente. Nesta série, o conceito é simples: gostosas em roupas mínimas lutando com espadas para combater zumbis. E, sim, em 2008 fizeram um filme a partir dessa idéia genial.

A heroína Aya é uma voluptuosa japonesa que combate hordas de zumbis vestindo um biquini vermelho, botas e chapéu de cowgirl e armada com uma katana. Adicione a isso sua irmã Saki, uma lolita colegial que também combate zumbis. O filme ainda conta com uma terceira heroína motoqueira armada com uma shotgun. Receita de sucesso.

Os japoneses são responsáveis por algumas pérolas do cinema trash contemporâneo, como os já classicos cult The Machine Girl e Tokyo Gore Police, que seguem a fórmula “garotas bonitas, lutas, sangue e produção modesta”. OneChanbara é mais um filme que se enquadra bem nesse grupo.


O que vem por aí

Com um histórico não muito favorável, não dá para prever se as adaptações de games para o cinema que estão por vir vão ser boas ou não. Mas não vai faltar motivo para que os fãs comprem pipoca, pois já estão confirmados filmes baseados nos seguintes games: Tekken, Prince of Persia, The King of Fighters, Clock Tower, Dead Space e Gears of War. Ah, tem ainda o terceiro filme de BloodRayne, mas isso conta?